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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Inadimplência deixa de ser tabu e passa a ser variável de gestão no mercado de infoprodutos

Avanço do parcelamento amplia vendas no setor, mas exige controle financeiro e gestão do fluxo de caixa para sustentar o crescimento


O crescimento do mercado de infoprodutos no Brasil tem trazido uma mudança relevante na dinâmica financeira dos negócios digitais. As vendas aumentam, muitas vezes em maior volume, mas o ritmo de entrada de recursos nem sempre acompanha essa expansão, o que exige maior controle sobre o fluxo de caixa e organização das receitas.

De acordo com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, cerca de 47% dos brasileiros preferem parcelar compras de maior valor, muitas vezes recorrendo a modalidades alternativas ao cartão de crédito. Ao mesmo tempo, dados do Serviço de Proteção ao Crédito indicam que o limite médio do cartão no país gira em torno de R$ 1.401, abaixo do ticket médio de muitos produtos digitais, que supera R$ 1.900. Esse descompasso ampliou o uso do parcelamento e, com ele, a necessidade de uma gestão financeira mais estruturada.


Inadimplência como parte da operação

Para Reinaldo Boesso, cofundador e CEO da TMB, fintech voltada ao mercado de infoprodutos, a inadimplência não é um fenômeno novo nem exclusivo do ambiente digital, mas uma variável natural de qualquer operação baseada em crédito.

“A inadimplência existe, e o diferencial estratégico está em entender como ela acontece no seu negócio, só assim é possível controla-la”, afirma.

Segundo ele, o avanço de modelos como boleto e Pix parcelado ampliou o acesso ao consumo e aumentou o volume de vendas, mas também trouxe a necessidade de amadurecimento da gestão financeira. “Quando o produtor passa a vender mais, principalmente para um público que não usaria cartão de crédito, ele naturalmente lida com um nível de inadimplência. Isso faz parte do crescimento”, diz.

A dificuldade aparece quando a operação cresce em vendas, mas a estrutura financeira não acompanha o mesmo ritmo. Muitos negócios concentram esforços em marketing e aquisição de clientes, mas ainda não estruturaram processos financeiros compatíveis com o novo volume de transações. Isso resulta em receitas projetadas que não se concretizam no prazo esperado, afetando compromissos operacionais e planejamento de caixa.

“O erro é olhar apenas para o faturamento. O que sustenta o negócio é o caixa. Quando a cobrança não tem processo, sistema e acompanhamento, a empresa cresce em vendas, mas perde controle sobre a entrada de recursos”, afirma o executivo.


Um setor em expansão

Esse movimento ocorre dentro de um setor que continua em crescimento. Estimativas da Associação Brasileira de Startups indicam que o mercado de infoprodutos e educação digital já ultrapassa R$ 2,5 bilhões no país, impulsionado pela digitalização do consumo e pela ampliação do acesso à internet.

Nesse contexto, o parcelamento se consolidou como ferramenta de crescimento e expansão de público. “Vender parcelado aumenta o faturamento e amplia o acesso. O ponto-chave é estruturar a operação para que essa venda se converta em receita ao longo do tempo”, afirma Reinaldo.

Na prática, a inadimplência só se torna um obstáculo quando os atrasos não são tratados como parte da operação e passam a impactar o caixa de forma gradual. O efeito aparece na necessidade de capital de giro, na dificuldade de planejamento financeiro e na limitação da capacidade de escalar o negócio.


Profissionalização da cobrança e organização financeira

Para lidar com esse cenário, empresas do setor têm investido na profissionalização da cobrança e na estruturação de processos que tragam mais consistência ao fluxo de caixa.

“O papel da cobrança deixou de ser uma atividade reativa e passou a ser um pilar estratégico. Quando bem estruturada, ela permite que a empresa cresça com segurança, mesmo vendendo parcelado”, afirma o CEO.

Além disso, estratégias como antecipação de recebíveis vêm sendo utilizadas para equilibrar o fluxo financeiro, especialmente em operações com alto volume de parcelamento. A prática permite transformar vendas futuras em capital imediato, sem comprometer o crescimento.

Ainda assim, o especialista reforça que nenhuma ferramenta substitui a necessidade de planejamento. “O produtor precisa entender que a inadimplência não é um problema a ser eliminado, mas uma variável a ser gerida. Quando isso está claro, ele deixa de ter medo de vender parcelado e passa a usar isso como estratégia de escala”, afirma.

Com o avanço do mercado digital, a tendência é que a gestão financeira ganhe protagonismo entre os negócios digitais. Em um setor que cresce em volume e complexidade, transformar vendas em receita efetiva ao longo do tempo passa a ser um diferencial competitivo.

“O crescimento sustentável não depende de evitar risco, mas de saber operar com ele. Quem entende isso consegue escalar com consistência”, conclui Boesso.

 

Reinaldo Boesso - É co-fundador e CEO da TMB. Formado em Análise de Sistemas, possui pós-graduação em gestão empresarial e gestão de projetos. Atua como especialista financeiro com experiência na liderança de times de M&A em fundos de investimento e na expansão de negócios em mercados competitivos.
Para mais informações, visite o Instagram ou o linkedin.


TMB
Para mais informações, acesse o site, instagram pelo @oficial.tmb ou o linkedin.



Fontes de dados

Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)
https://www.cndl.org.br

Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil)
https://www.spcbrasil.org.br

Associação Brasileira de Startups (ABStartups)
https://abstartups.com.br

 

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