Avanço do
parcelamento amplia vendas no setor, mas exige controle financeiro e gestão do
fluxo de caixa para sustentar o crescimento
O crescimento do mercado de infoprodutos no Brasil
tem trazido uma mudança relevante na dinâmica financeira dos negócios digitais.
As vendas aumentam, muitas vezes em maior volume, mas o ritmo de entrada de
recursos nem sempre acompanha essa expansão, o que exige maior controle sobre o
fluxo de caixa e organização das receitas.
De acordo com a Confederação Nacional de Dirigentes
Lojistas, cerca de 47% dos brasileiros preferem parcelar compras de maior
valor, muitas vezes recorrendo a modalidades alternativas ao cartão de crédito.
Ao mesmo tempo, dados do Serviço de Proteção ao Crédito indicam que o limite
médio do cartão no país gira em torno de R$ 1.401, abaixo do ticket médio de
muitos produtos digitais, que supera R$ 1.900. Esse descompasso ampliou o uso
do parcelamento e, com ele, a necessidade de uma gestão financeira mais
estruturada.
Inadimplência como parte da
operação
Para Reinaldo Boesso, cofundador e CEO da TMB, fintech voltada ao mercado de infoprodutos, a
inadimplência não é um fenômeno novo nem exclusivo do ambiente digital, mas uma
variável natural de qualquer operação baseada em crédito.
“A inadimplência existe, e o diferencial
estratégico está em entender como ela acontece no seu negócio, só assim é
possível controla-la”, afirma.
Segundo ele, o avanço de modelos como boleto e Pix
parcelado ampliou o acesso ao consumo e aumentou o volume de vendas, mas também
trouxe a necessidade de amadurecimento da gestão financeira. “Quando o produtor
passa a vender mais, principalmente para um público que não usaria cartão de
crédito, ele naturalmente lida com um nível de inadimplência. Isso faz parte do
crescimento”, diz.
A dificuldade aparece quando a operação cresce em
vendas, mas a estrutura financeira não acompanha o mesmo ritmo. Muitos negócios
concentram esforços em marketing e aquisição de clientes, mas ainda não
estruturaram processos financeiros compatíveis com o novo volume de transações.
Isso resulta em receitas projetadas que não se concretizam no prazo esperado,
afetando compromissos operacionais e planejamento de caixa.
“O erro é olhar apenas para o faturamento. O que
sustenta o negócio é o caixa. Quando a cobrança não tem processo, sistema e
acompanhamento, a empresa cresce em vendas, mas perde controle sobre a entrada
de recursos”, afirma o executivo.
Um setor em expansão
Esse movimento ocorre dentro de um setor que
continua em crescimento. Estimativas da Associação Brasileira de Startups
indicam que o mercado de infoprodutos e educação digital já ultrapassa R$ 2,5
bilhões no país, impulsionado pela digitalização do consumo e pela ampliação do
acesso à internet.
Nesse contexto, o parcelamento se consolidou como
ferramenta de crescimento e expansão de público. “Vender parcelado aumenta o
faturamento e amplia o acesso. O ponto-chave é estruturar a operação para que
essa venda se converta em receita ao longo do tempo”, afirma Reinaldo.
Na prática, a inadimplência só se torna um
obstáculo quando os atrasos não são tratados como parte da operação e passam a
impactar o caixa de forma gradual. O efeito aparece na necessidade de capital
de giro, na dificuldade de planejamento financeiro e na limitação da capacidade
de escalar o negócio.
Profissionalização da cobrança
e organização financeira
Para lidar com esse cenário, empresas do setor têm
investido na profissionalização da cobrança e na estruturação de processos que
tragam mais consistência ao fluxo de caixa.
“O papel da cobrança deixou de ser uma atividade
reativa e passou a ser um pilar estratégico. Quando bem estruturada, ela
permite que a empresa cresça com segurança, mesmo vendendo parcelado”, afirma o
CEO.
Além disso, estratégias como antecipação de
recebíveis vêm sendo utilizadas para equilibrar o fluxo financeiro,
especialmente em operações com alto volume de parcelamento. A prática permite
transformar vendas futuras em capital imediato, sem comprometer o crescimento.
Ainda assim, o especialista reforça que nenhuma
ferramenta substitui a necessidade de planejamento. “O produtor precisa
entender que a inadimplência não é um problema a ser eliminado, mas uma
variável a ser gerida. Quando isso está claro, ele deixa de ter medo de vender
parcelado e passa a usar isso como estratégia de escala”, afirma.
Com o avanço do mercado digital, a tendência é que
a gestão financeira ganhe protagonismo entre os negócios digitais. Em um setor
que cresce em volume e complexidade, transformar vendas em receita efetiva ao
longo do tempo passa a ser um diferencial competitivo.
“O crescimento sustentável não depende de evitar
risco, mas de saber operar com ele. Quem entende isso consegue escalar com
consistência”, conclui Boesso.
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TMB
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Fontes de dados
Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)
https://www.cndl.org.br
Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil)
https://www.spcbrasil.org.br
Associação Brasileira de Startups (ABStartups)
https://abstartups.com.br
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