A forma como as
pessoas se comunica contribui para esse cenário e influencia decisões
A relação do brasileiro com o trabalho
segue em desgaste. A pesquisa Work Relationship Index 2025 indica que 34% dos
trabalhadores passaram a integrar a chamada zona crítica, aprofundando uma
tendência já observada em 2024, quando o país passou a conviver com um quadro
contínuo de burnout. Para Vivian Rio Stella, pós-doutora em Linguística,
idealizadora da VRS Academy e participante do TEDxJundiaí, a forma como as
pessoas se comunicam no ambiente profissional, inclusive o silêncio, faz parte
desse cenário e influencia diretamente as dinâmicas do cotidiano.
“Quem pode discordar? Quem pode
levantar uma conversa? Quem não pode falar porque isso pode voltar contra si?
Quem costuma ser escutado e quem não é? Muitas vezes, não se trata de
incapacidade individual de se expressar, mas de problemas na própria dinâmica
da comunicação”, afirma Vivian.
Segundo ela, identificar as razões que
levam ao silêncio ou à determinada forma de comunicação é um passo decisivo
para romper esse ciclo. A dificuldade, explica, nem sempre está na pessoa, mas
nas relações, nos tons de voz que se impõem e em ambientes que inibem a
participação. Reconhecer esse contexto ajuda a deslocar a culpa da pessoa e a
compreender o cenário em que a comunicação acontece.
A partir desse reconhecimento, avalia
Vivian, torna-se possível construir estratégias para as interações seguintes,
mesmo diante do desconforto. “A disposição para sustentar um posicionamento,
ainda que de forma gradual, passa a integrar o processo, assim como aprender a
lidar com a resposta do outro e com o imprevisível que toda conversa carrega”,
observa.
Esse desafio, segundo ela,
intensifica-se em um ambiente cada vez mais acelerado. A lógica da rapidez e da
eficiência tende a reduzir o espaço para conversas difíceis e até para trocas
cotidianas, favorecendo relações baseadas apenas em respostas esperadas e pouco
abertas à escuta real. “As pessoas estão sendo cada vez mais treinadas a não
lidar não só com conversas difíceis, mas também com as do dia a dia, porque
somos constantemente levados a oferecer apenas as respostas esperadas”, pontua.
Outro aspecto destacado é a diferença
entre reagir e se posicionar. Para Vivian, nem toda fala precisa ser imediata,
e escolher o momento de falar ou até de silenciar também é uma forma de
comunicação consciente, especialmente quando estão em jogo relações
profissionais e decisões relevantes.
No ambiente corporativo, a discussão
sobre transparência surge como um elemento central. Conforme observa, não
existe transparência absoluta, uma vez que é preciso atenção à forma como se
fala e aos padrões que se repetem automaticamente. “Identificar esses
comportamentos e adotar novas estratégias de comunicação pode ajudar a reduzir
conflitos, fortalecer relações e enfrentar um dos fatores que alimentam o
desgaste emocional no trabalho”, conclui.
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