Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com base no Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, mostra que o país registrou 527 mortes por câncer de testículo em 2024, das quais 61,67% ocorreram entre homens de 20 a 39 anos e 76,66% até os 49 anos, evidenciando o impacto desproporcional da doença em faixas etárias mais jovens
O câncer de testículo é o tumor sólido mais comum entre homens jovens,
especialmente a partir dos 20 anos, e os dados mais recentes de mortalidade no
Brasil ajudam a dimensionar esse impacto. Levantamento da Sociedade Brasileira
de Cirurgia Oncológica, com base no Sistema de Informações de Mortalidade do
Ministério da Saúde, mostra que o país registrou 527 mortes pela doença em
2024, sendo 61,67% entre homens de 20 a 39 anos e 76,66% até os 49 anos .
O levantamento também evidencia que a maior
concentração de mortes ocorre entre 20 e 29 anos, com 190 óbitos, seguida da
faixa de 30 a 39 anos, com 135 registros. Entre adolescentes de 15 a 19 anos,
foram contabilizadas 21 mortes, enquanto nas idades acima de 50 anos o total
somado chega a 100 óbitos, o equivalente a 18,98% dos casos. Regionalmente, o
Sudeste concentra o maior número absoluto de mortes, com 193 registros, seguido
pelo Sul, com 154, refletindo, em grande medida, a distribuição populacional do
país. O estado de São Paulo, isoladamente, responde por 119 mortes (22,73% do
total nacional, compatível com sua densidade demográfica).
As estimativas do Instituto Nacional de Câncer, que
apontam entre 1.700 e 2.000 novos casos por ano no Brasil no triênio de 2026 a
2028, ajudam a contextualizar a magnitude da doença. Em âmbito internacional, a
American Cancer Society indica aumento da incidência, sobretudo dos seminomas,
e estima que cerca de um em cada 250 homens desenvolverá câncer de testículo ao
longo da vida.
“Estamos falando de um câncer com altas taxas de
cura quando identificado precocemente. Mesmo sendo mais frequente em homens
jovens, responde muito bem ao tratamento, permitindo que a maioria dos
pacientes retome sua qualidade de vida após a terapia”, afirma Paulo Henrique
Fernandes, presidente da SBCO.
Fatores de risco e sinais de
alerta
Entre os fatores de risco mais conhecidos estão a
criptorquidia, histórico familiar da doença e alterações no desenvolvimento
testicular. Ainda assim, muitos casos surgem na ausência de fatores
predisponentes identificáveis, o que reforça a importância da atenção a sinais
iniciais. Os dados do levantamento também mostram maior número absoluto de
mortes nas regiões Sudeste e Sul e predominância entre homens brancos e pardos,
padrão compatível com a distribuição populacional brasileira
A identificação precoce passa, em grande medida,
pela percepção de alterações nos testículos. Nódulos endurecidos, aumento de
volume, sensação de peso no escroto, dor na parte inferior do abdômen ou na
virilha, inchaço escrotal, desconforto local, aumento da sensibilidade mamária
e dor nas costas estão entre os principais sinais de alerta. A observação
dessas mudanças, seja espontaneamente ou durante o autoexame, pode antecipar a
busca por avaliação médica.
O diagnóstico envolve exame clínico, exames de
imagem e análise de marcadores tumorais, permitindo confirmar a doença e
definir sua extensão. Segundo Fernandes, um dos desafios ainda presentes é a
interpretação equivocada dos sintomas. Muitos homens associam alterações
testiculares a traumas ou infecções, o que pode retardar a procura por
atendimento especializado.
Tratamento de câncer de
testículo
O tratamento é definido de forma individualizada,
considerando o tipo de tumor, o estadiamento e as características do paciente.
A orquiectomia, cirurgia para retirada do testículo afetado, é a principal
abordagem inicial na maioria dos casos, com papel tanto terapêutico quanto
diagnóstico. Nos seminomas em estágios iniciais, pode ser suficiente, embora
radioterapia ou quimioterapia possam ser indicadas conforme o risco de
recorrência. Já nos tumores não seminomatosos, a quimioterapia é mais
frequentemente utilizada, sobretudo em doença avançada.
“A orquiectomia não apenas remove o tumor, mas é
fundamental para o estadiamento e para a definição das etapas seguintes do
tratamento. Hoje conseguimos adotar estratégias cada vez mais personalizadas,
com altas taxas de cura e menor impacto na qualidade de vida do paciente”,
afirma Fernandes.
Os dados reforçam que o câncer de testículo, apesar
de menos incidente em termos absolutos, tem impacto relevante em homens jovens
e exige atenção proporcional. Informação qualificada, reconhecimento precoce de
sinais e acesso ao diagnóstico permanecem como pilares para manter os elevados
índices de cura observados na prática clínica.
Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica - SBCO

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