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Com a reta final de abril, mês dedicado à campanha Abril Marrom,
iniciativa voltada à conscientização sobre a prevenção da cegueira e
reabilitação visual, um alerta importante ganha força: alterações visuais
comuns, quando negligenciadas, podem comprometer seriamente a qualidade de vida
e até levar à perda permanente da visão. Entre essas condições estão os chamados
erros refrativos, que ocorrem quando a luz não é corretamente focada na retina,
estrutura localizada no fundo do olho responsável por formar as imagens.
“Erros refrativos ocorrem quando a luz não é focalizada
corretamente na retina, resultando em visão embaçada. Os principais são miopia,
hipermetropia e astigmatismo. Apesar de, na maioria dos casos, serem facilmente
corrigidos com óculos, lentes de contato ou cirurgia, continuam sendo uma das
maiores causas de baixa de visão no mundo devido à falta de acesso a
diagnóstico, correção adequada e acompanhamento oftalmológico”, explica o Dr.
Pedro Soriano, oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE).
Mesmo sendo considerados quadros comuns, essas alterações podem
evoluir para situações mais delicadas. “Embora geralmente benignos, esses erros
podem se tornar mais preocupantes em algumas situações. A miopia elevada, por
exemplo, aumenta o risco de descolamento de retina, glaucoma e degeneração
macular. Já a hipermetropia alta em crianças pode levar a estrabismo, que é o
desalinhamento dos olhos, e ambliopia, conhecida como olho preguiçoso. O
astigmatismo em graus elevados ou irregulares também pode estar associado a
doenças como o ceratocone, que afina e deforma a córnea”, detalha o especialista.
O risco de complicações mais sérias existe, principalmente quando
não há correção adequada. “Erros refrativos não corrigidos podem levar à
ambliopia quando ocorrem na infância, causando perda visual irreversível se não
tratados precocemente. Além disso, a miopia alta está associada a doenças que
podem evoluir para cegueira”, alerta o Dr. Pedro Soriano. Ele destaca que
alguns sinais devem servir de alerta para buscar avaliação médica. “Visão
embaçada para longe ou perto, dor de cabeça frequente, cansaço ocular,
dificuldade para dirigir ou ler e a necessidade de apertar os olhos para focar
são indícios claros de que algo não vai bem”, afirma.
Entre o público infantil, a atenção precisa ser redobrada. “Nas
crianças, os erros refrativos podem comprometer diretamente o aprendizado e o
desenvolvimento cognitivo. Dificuldade para enxergar o quadro, desatenção,
baixo rendimento escolar e até alterações comportamentais podem estar
relacionados à visão não corrigida. Além disso, há risco de ambliopia se o problema
não for identificado precocemente”, ressalta o médico.
O uso inadequado de óculos ou a falta de atualização da prescrição
também impacta o dia a dia. “Não agrava diretamente o grau, mas pode causar
desconforto visual, dores de cabeça, queda de rendimento e prejudicar a
qualidade de vida. Em crianças, a correção inadequada pode interferir no
desenvolvimento visual adequado”, pontua. Outro fator que vem sendo observado
pela ciência é o aumento do tempo em frente às telas. “Estudos mostram
associação entre atividades de perto, como uso de celulares e computadores, e o
crescimento da miopia, especialmente em crianças. A redução do tempo ao ar
livre também contribui, enquanto a exposição à luz natural parece ter efeito
protetor”, explica.
Apesar de a correção ser simples na maioria dos casos, o
diagnóstico ainda ocorre tardiamente para muitas pessoas. “A falta de percepção
do problema, o acesso limitado a consultas oftalmológicas, a ausência de
triagem visual em escolas e a adaptação gradual à visão ruim acabam atrasando a
identificação”, afirma. O oftalmologista reforça que, além de óculos e lentes
de contato, existem outras alternativas terapêuticas. “Dependendo do caso,
podemos indicar cirurgias refrativas, como LASIK e PRK, lentes especiais para
controle da miopia e até colírios específicos, como a atropina em baixa dose,
para crianças. O acompanhamento regular é essencial para prevenir
complicações”, acrescenta.
A mensagem central da campanha é direta e necessária. “Enxergar
bem é essencial para qualidade de vida e desenvolvimento. Problemas de visão
têm solução na maioria dos casos, mas dependem de diagnóstico precoce.
Consultas regulares com o médico oftalmologista são fundamentais para prevenir
a baixa de visão e evitar complicações mais graves”, finaliza o Dr. Pedro
Soriano.

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