Veterinária ensina como fazer mudanças, como trocas de marca, fase de vida, ou em casos de doença, de forma segura na alimentação dos pets
Mudanças fazem
parte da rotina dos responsáveis por pets — uma viagem inesperada, um passeio
mais longo, a estadia na casa de parentes ou até a falta temporária do alimento
habitual. Nessas situações, é comum que cães e gatos acabem consumindo um
alimento diferente do que estão acostumados, muitas vezes de forma inesperada.
O problema é que esse tipo de mudança pode resultar em episódios de vômito,
diarreia e desconforto gastrointestinal.
De acordo
com a médica-veterinária
de Biofresh (MBRF Pet), Mayara Andrade, o sistema digestivo dos
pets é sensível não apenas à qualidade do alimento, mas também à forma como a
troca acontece. “A alimentação está diretamente ligada à saúde intestinal.
Quando o pet recebe um alimento novo de maneira repentina, pode não se adaptar,
o que pode provocar alterações digestivas importantes”, explica.
Por que o intestino sente tanto essas mudanças?
A
médica-veterinária explica que o intestino dos pets abriga bilhões de
microrganismos que formam a chamada microbiota intestinal, responsável por
auxiliar na digestão, absorção de nutrientes e defesa do organismo. Segundo
ela, alterações bruscas na dieta, mesmo que temporárias, podem desorganizar
esse sistema.
“Quando há uma troca abrupta, a microbiota não reconhece imediatamente os novos ingredientes e nutrientes. Isso dificulta a digestão e pode resultar em fezes amolecidas, gases, vômitos, desconforto intestinal ou diarreia”, afirma.
Viagens, passeios e imprevistos também exigem
atenção
Embora
muitos responsáveis associem problemas gastrointestinais apenas à troca
definitiva do alimento, Mayara alerta que situações pontuais também representam
risco.
“Durante
viagens, passeios longos ou hospedagens, é comum o pet consumir outro alimento,
petiscos diferentes ou até sobras inadequadas. Essas mudanças rápidas, somadas
ao estresse da situação, aumentam as chances de alterações ou desconfortos
intestinais. Por isso, a recomendação é se planejar sempre que possível,
levando o alimento habitual do pet e evitando improvisações. Quando a troca for
inevitável, a adaptação gradual continua sendo a melhor estratégia”, destaca.
Como fazer a transição alimentar da forma correta
Caso o
responsável esteja trocando a alimentação do pet, a orientação, segundo Mayara,
é misturar o novo alimento ao antigo, aumentando a quantidade aos poucos ao
longo de 5 a 7 dias: Dias 1 e 2: 10% do novo alimento + 90% do anterior
Dias 3 e 4:
30% do novo + 70% do anterior
Dia 5: 50%
de cada
Dia 6: 70%
do novo + 30% do anterior
Dia 7: 100%
do novo alimento
“Esse
processo ajuda o intestino a se adaptar à nova composição nutricional,
reduzindo o risco de desconfortos. Em pets mais sensíveis, com histórico de
problemas gastrointestinais ou doenças associadas, esse período pode ser mais
longo ou conforme a necessidade, sempre com acompanhamento veterinário”,
reforça Mayara.
Sinais de que algo não vai bem
A
médica-veterinária explica que, durante períodos de mudança na alimentação ou
na rotina, o responsável deve observar atentamente o comportamento do pet.
Apatia, perda de apetite, coceiras, vômitos frequentes ou fezes
persistentemente alteradas são sinais de alerta.
“Esses
indícios mostram que o organismo não está lidando bem com a mudança. Nesses
casos, o ideal é interromper a troca e procurar um médico-veterinário”,
orienta.
Mayara
reforça que não existe uma regra única que funcione para todos os pets.
Histórico de saúde, idade, rotina e sensibilidade individual devem ser
considerados.
“O
veterinário é o profissional capacitado para orientar a melhor forma de
conduzir mudanças alimentares, seja por necessidade, conveniência ou fase da
vida, sempre priorizando a saúde e o bem-estar do animal”, finaliza Mayara
Andrade.
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