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Seis em cada dez brasileiros buscam informações sobre saúde na internet,
segundo a Pesquisa IESS/Vox Populi 2025. O levantamento, realizado entre julho
e agosto de 2025 com 3,2 mil entrevistados em oito regiões metropolitanas do
país, indica que, embora o hábito esteja consolidado, a confiança nos conteúdos
encontrados ainda é limitada entre a população, refletindo preocupações com a
confiabilidade do que circula no ambiente digital.
Para Natália Garção, médica geriatra da Sanar, medtech voltada à
educação médica, o interesse da população por buscas relacionadas ao tema pode
ser positivo quando acompanhado de fontes confiáveis. “É importante que as
pessoas tenham curiosidade sobre sua própria saúde e busquem entender mais
sobre doenças, prevenção e tratamentos. Isso pode até enriquecer a conversa no
consultório. Por outro lado, quando as fontes não são confiáveis, há risco de
interpretações equivocadas que podem dificultar o processo de orientação
médica”, explica.
Entretanto, a médica alerta que a questão vai além da qualidade do
conteúdo acessado. “Mesmo quando ele vem de fontes seguras, é preciso
considerar que a medicina envolve temas complexos, que nem sempre são de fácil
compreensão para quem não é da área. Por isso, o acompanhamento de um
profissional de saúde é essencial para validar e orientar esse entendimento, funcionando,
na prática, como a principal referência de confiança para o paciente”, completa
Garção.
Ainda segundo o levantamento, ao buscar compreender sintomas e
possíveis diagnósticos, nove em cada dez usuários indicam o Google como
principal ponto de partida para pesquisar doenças e possíveis tratamentos. O
estudo também aponta que 19% dos entrevistados já utilizam ferramentas de
inteligência artificial para compreender assuntos relacionados à saúde.
Para Tamiris Machado, médica e Head do Núcleo de Pós-Graduação da
Sanar, o cenário atual exige que os profissionais estejam preparados para
avaliar criticamente os materiais disponíveis “Hoje o desafio não é ter acesso,
mas desenvolver critérios para verificar as evidências disponíveis. Nesse
contexto, a formação médica precisa fortalecer o pensamento crítico e a
capacidade de análise científica para que o médico consiga tomar decisões
seguras na prática clínica”, afirma.
Em paralelo, a presença de médicos nas redes sociais ganha
relevância como fonte confiável. Para o neurologista Carlos Eduardo Borges
Passos Neto, coordenador da Pós-Graduação em Neurologia da Sanar e coordenador
pedagógico do Sanarflix, esse contexto reforça a importância da presença ativa
de profissionais qualificados na produção e disseminação de conhecimento em
saúde.
“Vivemos em um momento em que os dados circulam com muita
facilidade, por diferentes canais, e nem sempre com o mesmo nível de rigor ou
confiabilidade. Isso cria um desafio adicional para médicos e para a sociedade.
Por isso, é importante estimular que profissionais comprometidos com uma
prática baseada em evidências também ocupem esses espaços, contribuindo para
levar informação de qualidade e ajudar a combater a desinformação”, afirma.
Diante desse ambiente informacional cada vez mais intenso,
especialistas defendem que a formação baseada em evidências e a educação médica
continuada tornam-se ainda mais importantes para preparar profissionais capazes
de interpretar conteúdos científicos e orientar pacientes com segurança.
Sanar
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