Em um dos países mais biodiversos do planeta, aproximar alunos da ciência e da natureza é estratégia essencial de formação cidadã. No estado de São Paulo (Iporanga), a Reserva Betary, inserida na Mata Atlântica, recebe mais de 2 mil estudantes por ano
Conectar crianças e
jovens com temas como educação ambiental, biodiversidade e preservação
pode gerar grandes transformações ao desenvolver a curiosidade, o senso
crítico e uma relação mais consciente com o ambiente em que vivem. É isso o que
faz, há mais de 12 anos, o Instituto
de Pesquisas da Biodiversidade (IPBio), que recebe, anualmente,
mais de 2 mil estudantes em passeios no coração da Mata
Atlântica. Em um país que abriga uma das maiores biodiversidades do
planeta, é uma estratégia essencial de formação cidadã e permite que
o aprendizado aconteça também fora da sala de aula.
Ao longo dos anos, o IPBio já recebeu mais de 20 mil alunos
em seu espaço em Iporanga (SP), na Reserva Betary, promovendo um trabalho
contínuo de conscientização ambiental. A iniciativa ganha ainda
mais relevância neste início de ano letivo, quando as
escolas buscam formas de complementar o aprendizado dos alunos,
especialmente diante da crescente necessidade de fortalecer a educação
ambiental no currículo escolar.
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| Estudantes durante atividade educativa na Reserva Betary, em Iporanga - SP |
Educação ambiental como um ativo de conscientização das novas gerações
Dados do último Censo da Educação, divulgado
pelo INEP (2024), mostraram que um terço das escolas
brasileiras ainda não tem atividades de educação ambiental. Segundo Henrique
Domingos, biólogo especialista em educação ambiental no IPBio,
esse dado tem sido evidente no contato com os estudantes que visitam a Reserva.
“Observamos que, para muitos estudantes, a visita representa o primeiro contato real com os ecossistemas naturais, permitindo conhecer nossa rica biodiversidade e o trabalho de preservação e ampliando a percepção sobre como é importante cuidar da natureza que nos cerca, o que ensina a priorizar iniciativas mais responsáveis no futuro”, aponta o biólogo.
A área preservada de 60 hectares na Mata Atlântica
(que tem apenas 7% de sua vegetação nativa preservada no país) oferece uma
série de atividades educativas que integram aprendizado, ciência e
desenvolvimento social, com programações
diurnas, noturnas e estendidas, que incluem: trilhas, laboratórios de fungos
bioluminescentes, estruturas de pesquisa e experiências na floresta
fluorescente. Os roteiros são adaptados aos interesses pedagógicos
e a matéria-prima é a curiosidade e o encantamento.
“Os passeios em meio à natureza geram elementos essenciais para o
aprendizado. Ouvimos das crianças algumas perguntas que mostram que estão
interessadas e também observamos muitos olhares atentos ao longo das visitas.
Isso é um terreno fértil para explicações baseadas em evidências científicas e
relacionadas às experiências vividas, gerando um processo de
educação ambiental marcante, acessível e transformador”,
explica o especialista.
Para além das visitas, o IPBio promove cursos e estágios de curta duração para universidades, pesquisadores e público em geral, com formações técnicas, de especialização e divulgação científica, em temas como monitoramento de fauna, observação de aves, geologia, mineralogia e biodiversidade da Mata Atlântica. Todo o trabalho reforça o compromisso do IPBio em conectar ciência, educação e preservação da biodiversidade brasileira.
Instituto de Pesquisas da Biodiversidade - IPBio

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