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A violência contra a mulher segue em níveis
alarmantes no Brasil. Segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
e Datafolha (2025), 21,4 milhões de brasileiras, cerca de 37% das mulheres do
país, sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses. Outro
levantamento, do DataSenado, aponta que 3,7 milhões de mulheres foram agredidas
no período, sendo que a maioria dos casos ocorre dentro da própria residência e
é praticada por parceiros ou ex-parceiros.
Diante desse cenário, empresas têm ampliado iniciativas de
conscientização e apoio dentro do ambiente corporativo. Como parte das ações do
Mês da Mulher, companhias como BD (Becton Dickinson), Leroy Merlin e Vale
promovem campanhas internas voltadas à informação, acolhimento e fortalecimento
da rede de apoio para colaboradoras e comunidade.
Na BD, empresa global de tecnologia médica, uma campanha interna
deve impactar cerca de 1.500 colaboradoras e colaboradores em cinco unidades no
Brasil. A iniciativa inclui ações educativas, uma campanha de arrecadação para
instituições de apoio a vítimas de violência doméstica e uma palestra do
Instituto Papo de Homem, que propõe uma reflexão sobre o papel dos homens na
promoção da equidade de gênero e na prevenção da violência.
A ação integra a programação do Mês da Mulher 2026, organizada
pelo Grupo de Gênero, que faz parte do Grupo de Inclusão, Diversidade &
Equidade (ID&E) da BD Brasil. O grupo é formado por colaboradores
voluntários que atuam de forma estruturada na promoção da diversidade, da
equidade e da inclusão na companhia, por meio de diferentes pilares de atuação.
A empresa reforça que a iniciativa busca contribuir para o
enfrentamento da violência contra a mulher por meio da educação de seus
funcionários e do apoio a organizações que prestam assistência às vítimas.
“Acreditamos que a informação é uma ferramenta essencial para
prevenir a violência e fortalecer redes de apoio. Ao trazer esse tema para
dentro da empresa, buscamos sensibilizar nossos colaboradores, incentivar
aliados e contribuir para que mais mulheres tenham acesso a acolhimento e
orientação” afirma Fernanda Tavares, diretora de Recursos Humanos da BD Brasil.
Entre os materiais da campanha está uma cartilha educativa
desenvolvida pelo comitê, com informações sobre tipos de violência, direitos
das mulheres, sinais de alerta e orientações práticas sobre como buscar ajuda e
solicitar medidas protetivas. O conteúdo será divulgado internamente por meio
de QR codes posicionados em locais estratégicos da empresa, ampliando o
acesso às informações tanto para vítimas quanto para colaboradores que possam
atuar como rede de apoio.
A mobilização também inclui uma campanha de arrecadação destinada
para duas ONGs: a Todas as Marias, de Curitiba, uma instituição filantrópica
que realiza escuta qualificada, acolhimento e encaminhamento de vítimas de
violência doméstica, com média de 338 acionamentos mensais e oferta de apoio
psicológico e jurídico; e Fala Mulher, organização que oferece acolhimento a
mulheres vítimas de violência e seus filhos. Em 2025, a instituição realizou
22.983 atendimentos, promoveu 1.844 atividades coletivas e distribuiu milhares
de doações, incluindo cestas básicas, kits de higiene e refeições.
Além das ações educativas, a BD disponibiliza canais internos de
apoio às colaboradoras, como o contato direto com o Comitê de Gênero, Serviço
Médico da localidade e o Programa Bem-Estar, benefício corporativo que oferece
suporte psicológico, jurídico, nutricional e financeiro de forma confidencial.
Outras empresas também têm estruturado iniciativas voltadas ao enfrentamento da violência doméstica. Na Leroy Merlin, a estratégia inclui ações de prevenção e suporte às colaboradoras, com um processo de letramento voltado a diretores, gerentes e equipes de recursos humanos para apoiar a identificação e encaminhamento de casos. Em complemento, foram desenvolvidos conteúdos que ficam disponíveis tanto na plataforma de treinamento quanto em pílulas de conhecimento, via os canais de comunicação corporativa.
Há a disponibilização de um canal para acionamento de
especialistas para orientações psicológicas, jurídicas e financeiras. A empresa
também conta com um Pacote de Crise Social e Habitacional e um Fundo Solidário
entre colaboradores, que pode oferecer apoio financeiro em situações
emergenciais, incluindo mudança de moradia e acompanhamento por assistente
social. À medida que as ações e suportes são realizados, as colaboradoras e,
por vezes colaboradores, vítimas de violência, sentem segurança em compartilhar
suas histórias, dores e solicitam apoio.
Já a Vale ampliou suas ações de cuidado integral com a criação de
um canal sigiloso de apoio a vítimas de violência doméstica, que oferece escuta
ativa, aconselhamento jurídico e suporte emocional. A iniciativa integra o
Programa Bem-Estar da companhia, voltado à promoção da saúde física, emocional,
financeira e social dos colaboradores.
“A ambição que estabelecemos - sermos reconhecidos globalmente
como a mineradora mais plural, justa e inclusiva - só se realiza quando
cuidamos das mulheres em toda sua jornada. Isso envolve criar oportunidades
profissionais, garantir segurança psicológica e oferecer benefícios que
realmente façam diferença, como o auxílio creche e o canal de acolhimento para
vítimas de violência doméstica. Esse olhar integral reforça nossa convicção de
que ninguém cresce sozinha: cresce com suporte, respeito e possibilidades
reais”, afirma Flávia Dutra, Gerente de Benefícios e Bem-Estar.
As iniciativas corporativas refletem uma mobilização crescente do
setor privado diante de um problema que ainda atinge milhões de mulheres no
país, reforçando a importância de ampliar a informação, o acolhimento e as
redes de proteção dentro e fora do ambiente de trabalho.
BD
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