Muita gente ainda acredita que competência seria o principal obstáculo para que mulheres ocupem espaços de liderança. Mas a verdade é outra, competência nunca foi o problema. O que falta, de fato, são oportunidades estruturadas e cultura que apoiem a liderança feminina.
Em 8 de março e em todos os outros 364 dias do ano,
essa reflexão precisa ser constante, o talento feminino existe, está preparado,
é maduro e entregue resultados. O que ainda falta, muitas vezes, é o espaço e o
acesso real para que esse talento possa liderar com voz, influência e poder de
decisão.
Onde está a lacuna entre competência e oportunidade
As mulheres já representam parcela significativa da
força de trabalho no Brasil e em diversas partes do mundo. Elas estudam, se
qualificam e dominam habilidades essenciais para o mercado atual, especialmente
em áreas que combinam estratégia, comunicação e performance.
O que ainda observamos, no entanto, é que essa
presença nem sempre se traduz em acesso proporcional a cargos de liderança e
posições estratégicas de tomada de decisão. Por exemplo, um levantamento
recente divulgado em estudos sobre liderança no país mostra que, mesmo com
presença forte no mercado, as mulheres ocupam menos de 35% dos cargos de alta
liderança nas principais organizações brasileiras, demonstrando que a lacuna
entre competência e oportunidade ainda é real.
Esse dado não representa apenas um número. Ele
representa um conjunto de trajetórias interrompidas, potenciais não realizados
e espaços de influência onde uma visão feminina poderia, e deveria, fazer a
diferença.
Quando liderança feminina transforma resultados
A presença de mulheres em posições de liderança não
é apenas questão de representatividade simbólica. É um impacto real nos
resultados. Estudos em engenharia social e em performance de equipes já
mostraram que quando mulheres assumem papéis de comando, há melhoria na
comunicação interna, na gestão de equipes diversificadas e na inovação dos
processos, porque diferentes perspectivas aumentam a capacidade de resolução
criativa de problemas.
No contexto comercial, isso é ainda mais evidente,
pois lideranças que dominam comunicação estratégica, inteligência emocional,
visão de processo e foco em resultados conseguem construir times mais
engajados, resilientes e orientados a métricas, e métricas importam no
resultado final de uma organização.
O desafio de liderar sendo mulher
Liderar enquanto mulher muitas vezes significa:
- Tomar decisões em ambientes onde ainda existem vieses
inconscientes;
- Negociar valor quando o seu valor já foi subestimado antes do
início da conversa;
- Representar excelência em meio a expectativas desiguais;
- Equilibrar habilidades humanas com exigências estruturais que
historicamente privilegiaram outros perfis.
E mesmo assim, muitas mulheres não apenas cumprem,
mas superam expectativas de performance quando recebem apoio, treinamento e
espaço para atuar. Esse é o ponto em que competências individuais, de entrega,
comunicação, estratégia e resultados, se intersectam com necessidade de
oportunidade profissional real que vá além de vaga preenchida, que vá além de
título no cartão.
A lacuna é de oportunidade, a competência já está
aqui
Quando dizemos que “o que falta em oportunidade,
sobra em competência”, queremos ressaltar que:
- A formação feminina é sólida;
- Mulheres dominam habilidades técnicas e socioemocionais necessárias
para liderar;
- Mulheres sabem construir cultura organizacional, relacionamento e
performance;
- Mas muitas vezes esbarram em ambientes que não conseguem reconhecer
esse valor de maneira justa.
O empoderamento feminino no ambiente profissional precisa ir além de slogans.
Ele precisa:
✔ Reconhecer competência de forma
transparente;
✔ Criar rotas de acesso a cargos de
liderança;
✔ Promover mulheres com performance
sólida;
✔ Compensar historicamente jornadas
interrompidas;
✔ E oferecer caminhos reais, e não apenas
palavras bonitas, para crescimento.
Liderança é mais do que comando: é presença
estratégica
Competência é apenas o começo. O que faz alguém
verdadeiramente preparado para liderar é:
- Enxergar o todo sem perder foco nos detalhes;
- Transformar estratégia em ação com consistência;
- Comunicar com clareza e assertividade;
- Gerar resultados que transformam times, processos e reputações.
Quando mulheres são convidadas a liderar nessas
fronteiras, e não empurradas para as bordas, organizações inteiras ganham mais
dinamismo e visão mais ampla de futuro.
E isso é bom para o mercado, para as equipes e para
o crescimento de toda a economia.
Paula Olaf - Especialista em vendas e prospecção com impacto social real I Fábrica de BDR e SDR I Consultoria I Treinamentos I Palestras I
Fontes:https://exame.com/carreira/mulheres-ocupam-apenas-35-da-alta-lideranca-no-brasil-revela-estudo/

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