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terça-feira, 24 de março de 2026

Dia dos Pais de Bebês Prematuros reforça papel paterno na UTI Neonatal e pressão por direitos ampliados

Data celebrada em 23 de março chama atenção para os desafios emocionais, informativos e legais enfrentados por famílias de prematuros em um país que registra cerca de 300 mil nascimentos antes do tempo a cada ano

 

O Dia dos Pais de Bebês Prematuros joga luz sobre uma vivência ainda pouco discutida fora do ambiente hospitalar: a do pai que acompanha a internação do filho na UTI Neonatal, enfrenta incertezas diárias e, muitas vezes, precisa lidar ao mesmo tempo com medo, exaustão emocional, falta de informação e limitações legais para permanecer ao lado da família. A data funciona não apenas como homenagem, mas como um marco de conscientização sobre a importância da presença paterna no cuidado neonatal e sobre a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas a esse contexto. 

O debate ganha ainda mais relevância diante da dimensão do problema. Segundo dados usados por instituições públicas de saúde com base em informações do Ministério da Saúde, o Brasil registra cerca de 300 mil a 340 mil nascimentos prematuros por ano, índice em torno de 12%, acima da média global de aproximadamente 10%. Em um cenário como esse, o nascimento antes do tempo não afeta apenas o bebê: ele reorganiza de forma abrupta toda a dinâmica familiar e transforma o pai em uma figura central do cuidado, muito além de um simples acompanhante. 

Nos últimos anos, esse papel tem ganhado mais reconhecimento dentro e fora dos hospitais. Em paralelo ao avanço das práticas de humanização e cuidado centrado na família, também cresce a mobilização por direitos que permitam ao pai estar presente de forma efetiva nos períodos mais críticos da internação e da adaptação em casa. Um dos principais movimentos recentes nessa direção é a tramitação, na Câmara dos Deputados, de proposta que amplia a licença-paternidade para pais de bebês prematuros ou com internação prolongada, medida defendida por entidades da sociedade civil e divulgada pela ONG Prematuridade.com. O texto aprovado em comissão prevê ampliação do prazo de afastamento, justamente para responder a uma realidade em que os primeiros dias de vida do bebê nem sempre acontecem em casa, mas dentro de unidades de alta complexidade. 

Para Dra. Edinéia Lima, pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista, “a presença do pai não deve ser tratada como acessória em casos de prematuridade. Em situações de internação neonatal, ele também integra a rede de cuidado, participa do vínculo com o bebê, oferece sustentação emocional à mãe e precisa estar incluído nas orientações e nas decisões ao longo da jornada hospitalar.” 

Além da discussão sobre direitos, outro ponto que chama atenção é a lacuna de informação que muitas famílias ainda enfrentam ao chegar à UTI Neonatal. Organizações da sociedade civil que atuam com prematuridade vêm alertando para a necessidade de comunicação mais clara sobre rotinas, cuidados, direitos e expectativas durante a internação, porque o desconhecimento amplia a insegurança justamente em um dos momentos mais delicados para os pais. Quando não há acolhimento adequado, o ambiente hospitalar pode reforçar a sensação de impotência. Quando existe suporte estruturado, o pai deixa de ocupar um lugar periférico e passa a exercer um papel ativo no cuidado e na recuperação do recém-nascido. 

É nesse ponto que a atuação de centros especializados se torna decisiva. O Grupo Santa Joana formado pelo Hospital e Maternidade Santa Joana, Pro Matre Paulista e Hospital Santa Maria se consolidou como uma das principais referências da América Latina em obstetrícia de alta complexidade e cuidado neonatal especializado. Com cinco UTIs Neonatais e participação na rede Vermont Oxford, voltada à comparação de indicadores assistenciais entre centros neonatais de excelência, o grupo reúne estrutura tecnológica avançada e protocolos voltados à assistência integral do recém-nascido e da família. 

Mais do que tecnologia, porém, o cuidado neonatal exige humanização. Em casos de prematuridade, a presença da família, o acolhimento emocional e a participação do pai na rotina assistencial podem contribuir para fortalecer o vínculo, reduzir o estresse familiar e preparar melhor esse núcleo para a continuidade dos cuidados após a alta. Em práticas reconhecidas como o Método Canguru, por exemplo, o contato próximo com o bebê integra a lógica de cuidado humanizado e valoriza a presença da família como parte da assistência. 

“Em uma UTI Neonatal de alta complexidade, infraestrutura e equipe especializada são essenciais, mas isso não exclui a dimensão humana do cuidado. A família precisa ser acolhida, informada e integrada ao processo. O pai, em especial, deve ser compreendido como parte importante dessa jornada, não como visitante.”, explica a neonatologista. 

O Dia dos Pais de Bebês Prematuros também ajuda a combater um estigma ainda presente: o de que o cuidado neonatal seria uma responsabilidade quase exclusiva da mãe. Em contextos de parto prematuro e internação prolongada, a experiência mostra justamente o contrário. O pai compartilha o impacto emocional do diagnóstico, participa das decisões, sustenta a rotina familiar e, muitas vezes, assume papel fundamental na transição entre hospital e casa. Dar visibilidade a essa presença é também ampliar a compreensão sobre o que significa cuidar de um bebê prematuro de forma integral. 

Em um país com centenas de milhares de nascimentos prematuros por ano, discutir prematuridade é discutir saúde pública. E discutir o papel do pai nesse cenário é reconhecer que a recuperação e o desenvolvimento do bebê passam não só por tecnologia e excelência clínica, mas também por presença, informação, vínculo e suporte institucional. O 23 de março, portanto, é uma data que vai além da homenagem: ele reforça a urgência de enxergar o pai de bebês prematuros como sujeito de cuidado, de direitos e de participação ativa em uma das jornadas mais sensíveis da vida familiar.

 

Pro Matre Paulista
www.promatre.com.br[RC1]


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