No mundo, mais de 1 milhão de casos anuais foram registrados; entenda como identificar a doença
Na Semana
Nacional de Mobilização e Luta Contra a Tuberculose (de 24 a 31/03) e no Dia
Mundial de Combate à Tuberculose (24/03), chama atenção de especialistas
médicos o aumento exponencial de casos e mortes no Brasil relacionados à
doença, que muitas vezes representa uma ameaça silenciosa. O último Boletim
Epidemiológico de Tuberculose no país aponta para 85.936 novos registros da
doença em 2024, o que representa uma média de quase 10 diagnósticos por hora,
além de cerca de 6 mil mortes anuais, equivalente a aproximadamente 16 óbitos
por dia. A tuberculose é a principal causa de óbito por um agente infeccioso
único no mundo, à frente de Covid e AIDS, e a décima enfermidade que mais causa
vítimas no Brasil.
Em 15 anos, o
Brasil viu o número de mortes por tuberculose saltar 32,6%, passando de 4,6 mil
óbitos em 2010 para uma estimativa de 6,1 mil em 2025. O crescimento da
mortalidade acompanha a explosão no volume de diagnósticos, que registrou um
aumento de 21% no período, atingindo a marca histórica de 85.936 novos casos. O
cenário deixa o país cada vez mais distante das metas de erradicação da
Organização Mundial da Saúde (OMS) para a doença.
Dados do
Relatório Global da Tuberculose 2024, divulgado pela Organização Mundial da
Saúde, mostram que 7,5 milhões de pessoas foram diagnosticadas com a doença em
todo o planeta, o maior número registrado desde o início do monitoramento
mundial, em 1995, enquanto cerca de 10,6 milhões adoeceram no período. A
tuberculose também foi responsável por 1,3 milhão de mortes ao redor do globo
em 2024.
E um estudo
recente publicado na plataforma ScienceDirect acende um alerta para a
dificuldade de diagnóstico precoce da tuberculose. A pesquisa indica que uma
parcela relevante dos casos pode evoluir de forma silenciosa, sem manifestações
clínicas evidentes, o que compromete a detecção oportuna e contribui para a
manutenção da cadeia de transmissão.
A pesquisa
acompanhou 979 contatos domiciliares de pessoas com tuberculose entre abril de
2021 e setembro de 2022, incluindo homens, mulheres e indivíduos com histórico
prévio da doença. Nesse grupo, a tuberculose foi identificada em apenas 5,2%
dos participantes com sintomas visíveis, sendo que 82,4% dos casos eram
assintomáticos no momento do diagnóstico, ou seja, não apresentavam sinais
clínicos claros.
Segundo a Dra. Maria
Cecília Maiorano, coordenadora da pós-graduação em Pneumologia da Afya Educação
Médica São Paulo, é crucial que os pacientes estejam atentos mesmo na ausência
de sintomas clássicos e adotem uma postura ativa em relação à própria saúde. “A
tuberculose não se manifesta da mesma forma em todos os pacientes. Não podemos
depender exclusivamente de sinais clássicos, como tosse persistente, e sim
alcançar pessoas que foram expostas a casos confirmados, especialmente em grupos
de maior risco. É crucial que procurem avaliação médica, mesmo que se sintam
bem”, comenta.
Entre os
principais sintomas da doença infecciosa estão a tosse persistente por três
semanas ou mais, febre, sudorese noturna, cansaço excessivo e perda de peso. A
doença afeta principalmente os pulmões, mas em quadros mais graves, pode
manifestar a chamada “forma extrapulmonar” da doença, afetando os gânglios
linfáticos, ossos e articulações, rins, sistema nervoso central e pleura.
O tratamento é
gratuito e disponibilizado pelo sistema público de saúde, sendo realizado com
uma combinação de antibióticos por, no mínimo, seis meses. A adesão correta ao
esquema terapêutico é fundamental para garantir a cura, evitar recaídas e
impedir o desenvolvimento de formas resistentes da doença.
A Dra. Maria Cecília
também enfatiza o papel da informação e do acompanhamento adequado. “A
identificação da doença em estágios iniciais permite iniciar o tratamento mais
rapidamente, reduzindo o risco de complicações e da transmissão. O mais
importante é que o paciente mantenha o tratamento de forma contínua e correta,
seguindo rigorosamente a orientação médica”, destaca, reforçando que a adesão
ao tratamento é decisiva tanto para a recuperação individual quanto para o
controle da doença na população.
Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br.
Fontes:
https://www.who.int/teams/global-programme-on-tuberculosis-and-lung-health/tb-reports/global-tuberculosis-report-2025
https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/boletins-epidemiologicos/2025/boletim-epidemiologico-tuberculose-2025/view
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2214109X25002761

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