terça-feira, 24 de março de 2026

Com visitas à Mata Atlântica, Instituto fortalece vínculo entre estudantes e biodiversidade brasileira

Em um dos países mais biodiversos do planeta, aproximar alunos da ciência e da natureza é estratégia essencial de formação cidadã. No estado de São Paulo (Iporanga), a Reserva Betary, inserida na Mata Atlântica, recebe mais de 2 mil estudantes por ano

 

Conectar crianças e jovens com temas como educação ambiental, biodiversidade e preservação pode gerar grandes transformações ao desenvolver a curiosidade, o senso crítico e uma relação mais consciente com o ambiente em que vivem. É isso o que faz, há mais de 12 anos, o Instituto de Pesquisas da Biodiversidade (IPBio), que recebe, anualmente, mais de 2 mil estudantes em passeios no coração da Mata Atlântica. Em um país que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, é uma estratégia essencial de formação cidadã e permite que o aprendizado aconteça também fora da sala de aula.

Ao longo dos anos, o IPBio já recebeu mais de 20 mil alunos em seu espaço em Iporanga (SP), na Reserva Betary, promovendo um trabalho contínuo de conscientização ambiental. A iniciativa ganha ainda mais relevância neste início de ano letivo, quando as escolas buscam formas de complementar o aprendizado dos alunos, especialmente diante da crescente necessidade de fortalecer a educação ambiental no currículo escolar. 

 Estudantes durante atividade educativa na Reserva Betary, em Iporanga - SP


Educação ambiental como um ativo de conscientização das novas gerações 

 

Dados do último Censo da Educação, divulgado pelo INEP (2024), mostraram que um terço das escolas brasileiras ainda não tem atividades de educação ambiental. Segundo Henrique Domingos, biólogo especialista em educação ambiental no IPBio, esse dado tem sido evidente no contato com os estudantes que visitam a Reserva. 

“Observamos que, para muitos estudantes, a visita representa o primeiro contato real com os ecossistemas naturais, permitindo conhecer nossa rica biodiversidade e o trabalho de preservação e ampliando a percepção sobre como é importante cuidar da natureza que nos cerca, o que ensina a priorizar iniciativas mais responsáveis no futuro”, aponta o biólogo. 

A área preservada de 60 hectares na Mata Atlântica (que tem apenas 7% de sua vegetação nativa preservada no país) oferece uma série de atividades educativas que integram aprendizado, ciência e desenvolvimento social, com programações diurnas, noturnas e estendidas, que incluem: trilhas, laboratórios de fungos bioluminescentes, estruturas de pesquisa e experiências na floresta fluorescente. Os roteiros são adaptados aos interesses pedagógicos e a matéria-prima é a curiosidade e o encantamento. 

“Os passeios em meio à natureza geram elementos essenciais para o aprendizado. Ouvimos das crianças algumas perguntas que mostram que estão interessadas e também observamos muitos olhares atentos ao longo das visitas. Isso é um terreno fértil para explicações baseadas em evidências científicas e relacionadas às experiências vividas, gerando um processo de educação ambiental marcante, acessível e transformador”, explica o especialista. 

Para além das visitas, o IPBio promove cursos e estágios de curta duração para universidades, pesquisadores e público em geral, com formações técnicas, de especialização e divulgação científica, em temas como monitoramento de fauna, observação de aves, geologia, mineralogia e biodiversidade da Mata Atlântica. Todo o trabalho reforça o compromisso do IPBio em conectar ciência, educação e preservação da biodiversidade brasileira.


Instituto de Pesquisas da Biodiversidade - IPBio


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