Se no passado as empresas escolhiam os colaboradores que queriam em seu quadro, hoje a decisão está compartilhada
Um tema que, embora antigo, tem ganhado cada vez
mais relevância dentro das organizações estratégicas e humanizadas é o
engajamento de talentos, já que o termo retenção tem caído em desuso cada vez
mais. Você retém preso - já colaboradores, é preciso engajar para que eles
queiram e decidam ficar. Se contratar já é sempre complexo, manter os
profissionais – com desejos, idades e personalidades completamente distintas –
tem sido desafiador, não apenas para as lideranças, como também para as áreas
de Recursos Humanos.
O CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent
Executive Search, empresa de busca e seleção de executivos, David Braga destaca
que a retenção de talentos pode significar um grande diferencial para a
empresa. “Para isso é necessário oferecer bem mais do que bons salários. Uma
proposta de emprego é avaliada levando em conta o clima organizacional, os
valores da empresa e a possibilidade de crescimento profissional”, comenta o
executivo.
O gestor, como enfatiza, tem papel fundamental no
engajamento dos talentos em sua equipe. Ele deve ter clareza do significado de
talento para a companhia, bem como, ser capaz de identificar e entender o que
os profissionais buscam na empresa. O gestor deve dar espaço para que estes
colaboradores possam se desenvolver, além de valorizá-los e reconhecê-los.
“Controlar o nível de rotatividade é imprescindível, pois traz prejuízos tanto
para a equipe, quanto para setor financeiro da instituição”, destaca.
Braga comenta ainda que além de um cenário complexo
a ser gerenciado, é possível perceber o inverso: lideranças que criam a
instabilidade. Quase sempre são gestões que valorizam o poder e o controle e
que, subjetivamente, instauram a cultura do medo ou do antigo e retrógado
ditado de que “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Instáveis,
grosseiros, severos ou narcisistas, esses chefes nocivos podem apresentar
características diversas. Porém, eles têm um ponto em comum, decorrente da
falta de inteligência emocional: não se dão conta do mal-estar que produzem.
Geralmente, são pessoas cheias de conflitos, tanto no âmbito profissional,
quanto no pessoal. “Vale lembrar que, se em um passado recente, as empresas
escolhiam os colaboradores que queriam em seu quadro, hoje a decisão está
compartilhada. Isso quer dizer que os profissionais decidem onde desejam
trabalhar e, usualmente, optam por ambientes saudáveis, com lideranças
inspiradoras e onde possam construir uma carreira perene ou, no mínimo, serem
desafiados constantemente”, pontua Braga.
Já dentro das organizações, líderes tóxicos podem
existir em qualquer nível de hierarquia. Eles são capazes de afetar a saúde
emocional e o bem-estar dos liderados, pois são responsáveis por criar um local
de trabalho desagradável e estressante. Em alguns casos, ainda se tornam o
motivo para o pedido de demissão de funcionários. E é lamentável quando nos
deparamos com empresas que permitem esse tipo de atitude, mesmo que
veladamente. Claro, geralmente, são aquelas que têm severos impactos no
faturamento. Afinal, perder talentos é perder a lucratividade.
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