Dezembro Laranja é uma campanha criada pela
Sociedade Brasileira de Dermatologia e visa aumentar a prevenção e a detecção
precoce do câncer de pele, o mais frequente do Brasil e que corresponde a cerca
de 30% dos tumores malignos
A
campanha Dezembro Laranja foi instituída pela Sociedade Brasileira de
Dermatologia (SBD), com o objetivo de aumentar a prevenção e a detecção precoce
do câncer no maior órgão do corpo humano, a pele. De acordo com dados do
Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que, para o triênio de 2023 a
2025, ocorrerão 220 mil novos casos de câncer de pele não melanoma, levando 2,9
mil pessoas à óbito. Já o câncer de pele melanoma, o mais grave, corresponde a
4% dos tumores no órgão e possui uma maior capacidade de disseminação da doença
para outros órgãos, as chamadas metástases, e falecimento.
Associado
principalmente à exposição excessiva e desprotegida aos raios ultravioleta (UV)
do sol, o câncer de pele também inclui fatores genéticos e imunológicos que
podem desempenhar um papel crucial no seu desenvolvimento. Porém, como é
possível se proteger? Além da proteção solar diária, inclusive para os lábios,
é importante evitar a exposição solar no período dos raios mais intensos (10h
às 16h), assim como utilizar barreiras físicas, como bonés, camisetas e óculos
escuros.
O
Brasil é um país tropical e enfrenta altos níveis de exposição solar ao longo
do ano. Estar em contato com a luz do sol é crucial para a saúde e o bem-estar.
No entanto, o equilíbrio é fundamental para manter essa relação saudável. A exposição
excessiva e inadequada está intimamente relacionada ao surgimento do câncer de
pele, uma condição caracterizada pelo crescimento anormal e descontrolado das
células desta região do corpo, e que pode ser de dois tipos:
- Câncer de pele não melanoma
É provocado pelo crescimento anormal e
descontrolado das células que compõem a pele. Entre os tumores de pele, é o
mais frequente e de menor mortalidade, mas se for tratado tardiamente pode
resultar em ressecções amplas e disfunção estética. Esse câncer de pele é
representado por tumores de diferentes tipos, sendo os mais comuns o carcinoma
basocelular, que é o menos agressivo, e que tem origem nas células presentes na
camada mais profunda da epiderme (camada interna da pele) e o carcinoma
epidermóide (ou espinocelular), que atinge as células escamosas, formadoras das
camadas superiores da pele e que possuem uma agressividade intermediária.
- Câncer de pele melanoma
Tem origem nas células produtoras de melanina,
substância que determina a cor da pele. Ele é mais frequente em adultos brancos
e pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, na forma de
manchas, pintas ou sinais, sobretudo nas áreas mais expostas à radiação solar,
como braços, pernas, pescoço, rosto, colo e mãos. Nos indivíduos de pele preta,
ele é mais comum nas áreas mais claras do corpo, como palmas das mãos, plantas
dos pés e unhas. É considerado o tipo de câncer de pele mais agressivo e letal,
por ter grande chance de metástase, mais comuns no pulmão, cérebro, fígado,
ossos e abdômen. Contudo, o prognóstico pode ser considerado bom quando
detectado em sua fase inicial.
É
importante estar atento aos sinais de alerta que podem indicar um possível
câncer de pele, tais como alterações na cor, tamanho, forma ou textura de
pintas, manchas ou lesões na pele. Consultar regularmente um dermatologista é
fundamental para a detecção precoce e tratamento eficaz.
Independente do tom da pele todos podem ser atingidos pela doença
A
exposição prolongada e repetida ao sol aumenta o risco para o câncer de pele,
especialmente entre as pessoas que possuem pele clara, olhos claros, cabelos
ruivos ou loiros, ou que são albinas, porém é um mito dizer que pessoas de pele
preta não são atingidas pela doença. A Dra. Márcia Datz Abadi, diretora médica da
MSD Brasil, esclarece que os cuidados devem continuar. “Todos,
independentemente da cor da pele, precisam se prevenir, usar protetor solar e
ter acompanhamento médico regular. Um diagnóstico tardio da doença pode
minimizar as chances de sucesso no tratamento”, afirma a médica.
Além
disso, existem outros fatores de risco, que incluem, por exemplo, histórico
familiar, doenças de pele prévias, sistema imune debilitado e exposição à
radiação artificial.
Diagnóstico precoce contribui para um tratamento eficaz
Grandes
avanços aconteceram nas últimas duas décadas no tratamento e isso fez com que
aumentassem as chances de sobrevida, inclusive em pacientes com a doença
disseminada. Esse avanço, mais recentemente, trouxe o tratamento com
imunoterapia e terapias-alvo, adicionais a cirurgia, aumentando as chances de
cura, ainda nos estágios mais iniciais da doença. Dra. Márcia reforça que “a
detecção precoce é fundamental para um prognóstico favorável. Com o diagnóstico
nos estágios iniciais da doença e tratamento adequado, as chances de cura são
significativamente maiores”, explica. Além disso, novas abordagens de
tratamento estão sendo estudadas, como a terapia inovadora individualizada de
neoantigenos, cujo o estudo, já em fase 3, está direcionado para pessoas que já
foram diagnosticadas com câncer de pele previamente, e que tem como objetivo a
prevenção da recaída do tumor.
“Em
dezembro e em todos os meses do ano, mesmo nos mais frios, precisamos lembrar
de cuidar e proteger a nossa pele, inclusive nas partes do corpo que não
costumamos ver, como couro cabeludo e costas. Por nossa saúde e bem-estar,
devemos estar atentos aos sinais e fazer um acompanhamento médico”, finaliza
dra. Márcia.
MSD
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