A Câmara dos
Deputados está analisando o Projeto de Lei 2630/2021, cujo objetivo é
reconhecer o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) para fins
legais ao patamar de deficiência. O projeto de lei cria a Política Nacional de
Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Déficit de Atenção com
Hiperatividade.
Algumas das
diretrizes da política nacional, de acordo com o projeto: a intersetorialidade
no cuidado com a pessoa com TDAH; a participação das pessoas com TDAH na
formulação, na execução e na avaliação de políticas públicas; o incentivo à
formação e à capacitação de profissionais especializados à pessoa com TDAH; o
estímulo à educação em ambiente inclusivo com a utilização de recursos
pedagógicos especiais, sempre que for necessário, entre outras. O PL também
enfatiza os direitos das pessoas com o Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade, alguns exemplos: educação e ensino profissionalizante,
proteção contra qualquer forma de abuso e de exploração, entre outros.
Tendo em vista
esse cenário, torna-se fundamental analisar a discussão do transtorno e suas
implicações, bem como compreender seus impactos. Luciane Costa, psicóloga
escolar da FourC Bilingual Academy e da FourC Learning, instituição voltada ao
desenvolvimento de profissional de educadores, explica, em um primeiro momento,
a definição da condição: “O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que
causa uma série dificuldades para prestar atenção, gerando impulsividade e
provocando uma necessidade excessiva de se movimentar incompatível com a idade
da pessoa. Algumas pesquisas mostram que essas pessoas, sem acompanhamento, vão
ter mais chances de subemprego, divórcio, problemas com a lei, de sofrer
acidentes. É um problema social porque temos um número importante de pessoas”,
comenta.
Luciane afirma ainda que até a faixa dos 6 anos, a hiperatividade é o traço mais característico das crianças com TDAH. “A hiperatividade é uma necessidade de movimento em excesso, fora do que se espera para o marco de desenvolvimento, para a idade naquele momento. A criança vai ter dificuldade com atividades chatas do dia a dia - sentar e prestar atenção na aula - e em atividades de lazer - parar para assistir a um filme, completar uma brincadeira, prestar atenção nas instruções. Ela comete erros por desatenção, às vezes pergunta o que já foi explicado ou responde antes da pergunta, porque se antecipa”, afirma a psicóloga.
Com objetivo de
auxiliar as pessoas com TDAH, outra medida prevista pelo PL é a concessão de
condições especiais para alunos durante atividades avaliativas, como provas ou
trabalhos acadêmicos. Caso o PL seja aprovado, alunos com TDAH terão direito a
um acréscimo mínimo de 50% no prazo para realização das atividades avaliativas
ou a atividade será aplicada de forma fracionada ou seriada (diária ou
semanalmente).
Na análise da
psicóloga, ter um projeto nesse sentido é importante para garantir o respeito
às variadas formas de expressão cognitiva, emocional e psicológica dos
indivíduos em sua neurodiversidade.
“O projeto tem
potencial efetivo e considera pontos importantes, como o diagnóstico,
preparação dos profissionais para garantir a aprendizagem e garantir que a
criança no futuro tenha esses direitos na faculdade e acesso ao trabalho (...)
No contexto que temos, o que funciona, e o que funcionou com o Transtorno do
Espectro Autista foi a mudança na lei, que obrigou as pessoas a lidar com isso.
Tem uma garantia maior dos direitos e para o TDAH seria uma iniciativa positiva
para fazer o mínimo que a gente deveria estar fazendo para todos os estudantes.
A questão é como isso vai ser feito e fiscalizado porque ainda hoje as famílias
de crianças autistas têm que brigar para que o direito seja cumprido.”
FourC Learning
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