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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Violência infantil: Hospital aponta que maioria das crianças atendidas tem até 6 anos e sofre agressões em casa

Base da Campanha Pra Toda Vida, levantamento de mais de dez mil atendimentos em duas décadas revela padrão persistente de violência contra crianças

 

Esta imagem foi gerada por IA com edição de Wyntow Butenas


Ao completar 20 anos, a Campanha Pra Toda Vida — A Violência Não Pode Marcar o Futuro das Crianças e Adolescentes, do Hospital Pequeno Príncipe, ganha ainda mais relevância diante de um cenário que se repete ano após ano em todo o país: a violência contra crianças é precoce, recorrente, e, na maioria dos casos, acontece dentro de casa. Ao longo de duas décadas, já são mais de dez mil casos atendidos, um volume que não apenas revela a dimensão do problema, mas permite identificar padrões consistentes. 

Somente em 2025, o Hospital — maior e mais completo pediátrico do país — registrou 637 atendimentos de bebês, crianças e adolescentes com suspeita de maus-tratos e abusos. A análise desses atendimentos mostra que a violência sexual segue como principal ocorrência, presente em 64% das situações, e atinge majoritariamente crianças na primeira infância: 67% das vítimas tinham até 6 anos, sendo que uma em cada três tinha até 3 anos. Ao mesmo tempo, 72% das agressões ocorrem no ambiente doméstico, e 34% dos registros apresentam recorrência — indicando que a violência, muitas vezes, não é um episódio isolado, e sim um ciclo que se repete ao longo do tempo. 

Casos extremos ajudam a dimensionar essa realidade: a criança mais nova atendida em 2025 com indícios de abuso sexual tinha apenas 6 meses de vida. Em outro episódio, um bebê de 10 dias precisou ser internado com múltiplas lesões físicas, sob cuidados intensivos. 

Esse conjunto de evidências aponta para um cenário complexo: a violência é, ao mesmo tempo, íntima, silenciosa e difícil de ser identificada, especialmente porque atinge vítimas que ainda não conseguem compreender ou relatar o que vivem. Por isso, o enfrentamento passa necessariamente pelo olhar atento de adultos e pela atuação qualificada da rede de proteção. É a partir dessa necessidade que a campanha estrutura suas ações.

 

O papel da sociedade na identificação da violência

Uma das frentes da iniciativa é fortalecer a capacidade de adultos reconhecerem sinais de alerta e compreenderem que a denúncia é o primeiro passo para interromper o ciclo de agressão. Para isso, identificar mudanças de comportamento pode ser decisivo. 

Alguns sinais que podem indicar situações de violência incluem:

  • mudanças bruscas de comportamento;
  • recusa ou dificuldade para dormir;
  • medo de determinadas pessoas ou lugares;
  • isolamento ou agressividade;
  • volta da evacuação nas roupas (após fase de desfralde — inclusive na adolescência);
  • queda no rendimento escolar;
  • conhecimento ou comportamento sexual incompatível com a idade.


Dados que orientam 20 anos de mobilização 

Para transformar essas informações em ação concreta, o Hospital Pequeno Príncipe desenvolve, por meio da Campanha Pra Toda Vida, iniciativas de prevenção e mobilização. O que começou como uma ação de conscientização para romper o silêncio e incentivar a denúncia evoluiu ao longo de duas décadas. Tornou-se um movimento estruturado, que hoje atua em múltiplas frentes: produção de conteúdo técnico, formação de profissionais, mobilização social, uso de dados e de evidências e fortalecimento da rede de proteção. Nesse período, a iniciativa acompanhou transformações sociais, incorporando temas como prevenção, violência digital e protagonismo infantil. 

Nesse contexto, o Hospital Pequeno Príncipe ultrapassou dez mil atendimentos de crianças e adolescentes em situação de risco, com crescimento de 126% na série histórica — um indicativo da persistência do problema. Em 2026, com o mote “Proteger a infância é um compromisso de todos”, a campanha reforça que o enfrentamento da violência exige uma rede ativa — envolvendo famílias, escolas, profissionais, poder público e toda a sociedade. 

Em maio, o Hospital promoveu o encontro “Diálogos sobre Proteção de Crianças e Adolescentes”, reunindo representantes da saúde, assistência social, sistema de justiça e organizações da sociedade civil, em uma iniciativa voltada ao fortalecimento da atuação integrada na proteção da infância. 

“O Pequeno Príncipe chama atenção para a importância de todos os atores sociais estarem atentos ao enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes. Quando a violência atinge crianças tão pequenas, enfrentá-la depende da ação de todos”, afirma a diretora-executiva do Hospital Pequeno Príncipe, Ety Cristina Forte Carneiro.

 

Denunciar é proteger

A denúncia é o primeiro passo para interromper a violência — e pode ser feita de forma anônima:

• Disque 100 (nacional)

• 181 (Paraná)

• 156 (Curitiba)

 

Higienização das mãos pode evitar até 70% das infecções, segundo OMS


Até 70% das infecções relacionadas à assistência à saúde podem ser evitadas com medidas simples, como a higienização adequada das mãos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar da eficácia comprovada, a adesão a esse hábito essencial ainda é um desafio, o que reforça a importância das campanhas realizadas ao longo do mês de maio, dedicado à conscientização sobre o tema. Em Uberaba, o Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU) realiza ações para conscientizar colaboradores e pacientes.

 

A higienização correta das mãos é considerada a ação isolada mais importante para prevenir infecções, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A prática reduz significativamente a transmissão de microrganismos e é um dos pilares da segurança do paciente nos serviços de saúde. 

 

“A lavagem de mãos parece algo simples, mas é um ato que pode salvar vidas. A maioria das pessoas não se dá conta de que as mãos são, talvez, o maior veículo de transmissão de doenças que existe. Temos contato com muitos microrganismos ao longo do dia e, como as mãos ficam descobertas a maior parte do tempo e tocam diversas superfícies, elas acabam carregando inúmeros patógenos que podem causar danos à saúde humana”, explica o infectologista do MPHU, Frederico Zago. 


No ambiente hospitalar, o cuidado é ainda mais rigoroso. A OMS estabelece cinco momentos fundamentais para a higienização das mãos, especialmente antes e após o contato com pacientes, reduzindo riscos de infecções e complicações clínicas. Além disso, infecções adquiridas durante internações podem aumentar o tempo de hospitalização e, em casos mais graves, levar a óbito.

 

“O simples hábito de lavar as mãos com frequência pode reduzir drasticamente o risco de transmissão dessas doenças. No hospital, esse cuidado precisa ser redobrado, pois existem germes mais resistentes e virulentos, aumentando o risco de infecções graves”, destaca.

 

A pandemia de Covid-19 reforçou esse cuidado básico, mostrando que atitudes individuais têm impacto direto na saúde coletiva. Especialistas destacam que a higienização frequente das mãos continua sendo uma das formas mais acessíveis e eficazes de prevenção contra diversas doenças infecciosas.

 

No MPHU, a higienização das mãos é tratada como prioridade diária na segurança de pacientes, profissionais e visitantes, mas o alerta vai além do ambiente hospitalar. Ações educativas, treinamentos e campanhas internas são realizadas continuamente para estimular a adesão à prática, fortalecendo a cultura de segurança e cuidado. 

 

“A higienização das mãos é uma das medidas mais eficazes para prevenir infecções e salvar vidas. No hospital, seguimos protocolos rigorosos, mas é importante reforçar que esse cuidado precisa fazer parte da rotina de todos, dentro e fora das unidades de saúde. Pequenas atitudes no dia a dia fazem uma grande diferença na prevenção de doenças”, destaca a enfermeira e supervisora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do MPHU, Stephanie Costa. 

 

Mais do que um protocolo hospitalar, higienizar as mãos é um ato de responsabilidade com a própria saúde e com o próximo. Em maio, e ao longo de todo o ano, a mensagem é clara: um gesto simples pode salvar vidas. “Atitudes simples, como a lavagem correta das mãos, o uso de álcool gel e de toalhinhas umedecidas, ajudam a conter doenças e evitar a proliferação de infecções”, conclui o infectologista.



Especialistas explicam por que o autoconhecimento e o histórico familiar são as maiores armas contra a doença

 

Com sinais iniciais inespecíficos, diagnóstico precoce depende da atenção a sintomas persistentes e consultas ginecológicas regulares; Hospital e Maternidade Santa Joana alerta para fatores de risco como genética e maternidade tardia
 

No próximo dia 8 de maio, o mundo se une para o Dia Mundial do Câncer de Ovário, data dedicada à conscientização sobre a segunda neoplasia ginecológica mais comum no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de que surjam cerca de 7.310 novos casos por ano no país. O grande desafio está no diagnóstico: como os sintomas costumam se confundir com desconfortos digestivos, cerca de 75% dos casos são descobertos em estágio avançado.

"O câncer de ovário é frequentemente chamado de 'assassino silencioso' porque seus sintomas são muito vagos. A grande diferença está na persistência. Se a mulher notar inchaço abdominal, dor pélvica ou rápida saciedade ao se alimentar quase todos os dias e por mais de duas semanas, ela deve investigar. O diagnóstico precoce aumenta drasticamente as chances de sucesso no tratamento", afirma a Dr. Rodolpho Truffa, oncoginecologista do Grupo Santa Joana.

Para desmistificar a doença, a especialista do Santa Joana esclarece dúvidas frequentes

  • O Papanicolau detecta câncer de ovário? (MITO): Este é um dos erros mais comuns. O Papanicolau identifica alterações no colo do útero, não nos ovários.
  • O ultrassom transvaginal de rotina ajuda? (VERDADE): Embora não seja um rastreio universal como a mamografia, é a principal ferramenta para avaliar alterações suspeitas nos anexos uterinos.
  • Câncer de ovário só ocorre em idosas? (MITO): Embora a incidência aumente após os 60 anos, fatores genéticos podem antecipar a doença, exigindo atenção precoce.


Fatores de Risco e a Jornada Preventiva

Além da idade e da obesidade, a medicina moderna aponta para fatores de risco específicos que merecem atenção redobrada:

  1. Predisposição genética: Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 (os mesmos do câncer de mama) aumentam significativamente o risco.
  2. Histórico familiar: Parentes de primeiro grau que tiveram câncer de mama, ovário ou colorretal são um alerta.
  3. Maternidade tardia ou nuliparidade: Mais ciclos ovulatórios ao longo da vida podem elevar discretamente o risco.
  4. Endometriose: a condição inflamatória crônica está associada a tipos específicos de tumores ovarianos.


Quando investigar e o papel do Ginecologista

A investigação geralmente começa com o exame clínico e o ultrassom transvaginal, podendo ser complementada pela dosagem do marcador tumoral CA-125 no sangue em casos específicos. "A consulta anual não serve apenas para exames preventivos de rotina, mas para que o médico conecte os sintomas relatados pela paciente com seu histórico familiar", explica Dr. Rodolpho. "Conhecer o próprio corpo e não normalizar desconfortos abdominais crônicos é o primeiro passo para um desfecho positivo."

 

Santa Joana
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Por que viajar faz tão bem à mente?

No Dia Nacional do Turismo (08/05), especialistas analisam e listam motivos pelos quais viajar pode beneficiar a saúde mental.

 

Em um contexto global marcado pelo aumento dos transtornos mentais, pequenas mudanças na rotina podem trazer grandes benefícios para o bem-estar emocional. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ansiedade e a depressão estão entre as condições mais incapacitantes do mundo, afetando centenas de milhões de pessoas. No Brasil, os dados também da OMS mostram que cerca de 9,3% da população convive com transtornos de ansiedade, colocando o país entre os que registram maiores índices dessa condição globalmente.


Nesse cenário, incluir períodos de descanso e lazer na rotina, como viagens, pode ser uma estratégia importante de promoção da saúde mental. Pesquisadores como De Bloom, Geurts e Kompier, em estudo publicado no Journal of Happiness Studies, apontam que atividades realizadas durante as férias exercem um efeito positivo no humor e no bem-estar. 


Para o Dr. Luís Bochenek, médico e professor de psiquiatria da Afya Goiânia, viajar pode funcionar como uma estratégia complementar às práticas tradicionais de autocuidado, contribuindo de forma concreta para a saúde mental. Segundo ele, a mudança temporária de ambiente ajuda a reduzir a sobrecarga associada às demandas crônicas do trabalho e da rotina. “Quando a pessoa se afasta do contexto habitual de pressão, o cérebro tende a diminuir o estado de alerta constante. Isso favorece a redução dos níveis de cortisol, melhora a qualidade do sono e pode ampliar a sensação de vitalidade e motivação ao retornar às atividades. Além disso, experiências positivas vividas durante a viagem podem servir como ‘âncoras emocionais’, que o indivíduo acessa mentalmente em momentos futuros de estresse”, explica o psiquiatra.


A professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Mariana Ramos, reforça que o zelo com a saúde mental está diretamente ligado à adoção de hábitos consistentes de autocuidado, como sono adequado, prática regular de atividade física, fortalecimento de vínculos sociais e momentos de lazer. “Um estilo de vida equilibrado favorece a regulação emocional e reduz a vulnerabilidade ao estresse crônico. Nesse contexto, viajar pode atuar como um recurso complementar de promoção de bem-estar, pois rompe a rotina automática, amplia estímulos cognitivos e sensoriais e favorece emoções positivas”, afirma a Dra. Mariana.


Os especialistas apontam alguns dos principais motivos os quais viajar pode ser benéfico à saúde mental:


1. Redução do estresse


O cérebro precisa de pausas de verdade, isso é uma necessidade do corpo. Ele funciona por meio de reações químicas que influenciam nossas emoções, energia e comportamento. Quando ficamos muito tempo sob pressão e excesso de tarefas, esse equilíbrio se desgasta, aumentando o estresse. Por isso, cuidar da saúde mental inclui fazer intervalos reais na rotina. Férias e viagens, por exemplo, ajudam a quebrar o ritmo automático do dia a dia, tiram o cérebro do “modo de alerta” e reduzem o estresse, funcionando como um verdadeiro reset para o bem-estar.


2. Estímulo cognitivo e neuroplasticidade


Ambientes novos estimulam a neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de criar novas conexões. Quando viajamos ou vivemos algo diferente, o cérebro precisa se adaptar e prestar atenção a novos estímulos, o que ativa áreas pouco usadas na rotina. Isso melhora a memória, a atenção e a flexibilidade mental. Mesmo sendo mais intensa na infância, essa capacidade existe a vida toda. Por isso, mudar de ambiente ajuda a tirar o cérebro do automático e voltar à rotina mais adaptado e equilibrado.


3. Melhora do humor e prevenção de sintomas ansiosos


Viagens e momentos de lazer estimulam emoções positivas e ativam substâncias no cérebro ligadas ao prazer e ao bem-estar. Até o simples ato de planejar uma viagem já aumenta a sensação de felicidade, pois cria algo positivo para esperar. Conhecer novos lugares e pessoas também amplia a forma de pensar e sentir. Quando a experiência é boa, gera lembranças agradáveis e contribui para mais equilíbrio emocional e menos ansiedade.


4.Fortalecimento das relações sociais


Vínculos sociais são pilares do equilíbrio emocional. Experiências compartilhadas durante viagens costumam ser emocionalmente intensas e memoráveis, fortalecendo laços afetivos e ampliando a sensação de pertencimento e apoio social.


5. Aumento da autoestima e da autoconfiança


Enfrentar o novo fortalece a autonomia. Situações como se localizar em um ambiente desconhecido, lidar com imprevistos ou adaptar-se a diferentes contextos ampliam estratégias de enfrentamento. Sob a perspectiva neuropsicológica, desafios estimulam novas conexões neurais e aumentam a flexibilidade cognitiva. Além disso, viajar permite ampliar o repertório de vida e favorecer processos de autodescoberta, integrando-se de forma valiosa a um estilo de vida mentalmente saudável.


Apesar dos benefícios, o psiquiatra alerta que viajar não é a solução para transtornos mentais já diagnosticados. “Em casos de depressão moderada ou grave, ansiedade intensa ou síndrome do pânico, a prioridade deve ser acompanhamento profissional. A viagem pode ajudar, mas não substitui tratamento”, reforça Dr. Luís. 


A psicóloga complementa afirmando que o cuidado com a saúde mental exige constância. “Cuidar da saúde mental envolve hábitos consistentes. A viagem pode ser um recurso valioso dentro de um estilo de vida equilibrado.”

 


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Maio Roxo: os alimentos que protegem o intestino e cabem no prato do dia a dia

Consumo de ultraprocessados eleva em até 86% o risco de doenças inflamatórias intestinais; nutricionista elenca os alimentos mais acessíveis para proteger o intestino
 

O Brasil enfrenta uma emergência silenciosa. Na última década, a prevalência de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) cresceu cerca de 15% ao ano no país. A Doença de Crohn, especificamente, avança 12% ao ano, fenômeno impulsionado pela urbanização e por mudanças no padrão alimentar. Para completar o cenário, dados científicos de 2025 revelam que o consumo de alimentos ultraprocessados eleva em até 86% o risco de desenvolver essas condições.
 

No Maio Roxo, mês internacional de conscientização sobre as DIIs, o debate vai além do manejo dos sintomas. A incidência já chega a 100 casos para cada 100 mil habitantes, e o foco precisa ir também para a prevenção, a partir de escolhas alimentares conscientes, o que o nutricionista Diego Righi, professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, chama de "alfabetização alimentar".
 

"A base da saúde intestinal não está em alimentos caros ou da moda, mas em regularidade, variedade de plantas, boa hidratação e menor consumo de ultraprocessados", resume Righi, que baseia suas orientações em diretrizes de nutrição clínica e protocolos de gastroenterologia. Ele elencou os alimentos mais acessíveis e eficazes para cuidar do intestino no cotidiano brasileiro.
 

Feijão
 

Barato, versátil e rico em fibras, o feijão é o protagonista da lista. Para Righi, ele merece destaque especial. "A combinação arroz, feijão, salada e legumes cozidos segue sendo uma das formas mais simples de cuidar do intestino no dia a dia", afirma.
 

Aveia
 

Fonte de fibra, a aveia pode ser incorporada de forma simples: uma colher de sopa no café da manhã já é um bom começo para quem ainda não tem o hábito.
 

Frutas com casca ou bagaço
 

Banana, mamão e laranja com bagaço são aliadas da saúde intestinal e estão entre as frutas mais acessíveis do país. Righi recomenda priorizá-las sempre que houver boa tolerância.
 

Legumes e verduras
 

No prato ou como acompanhamento, legumes cozidos e verduras frescas entram na lista de alimentos essenciais para o intestino. A variedade é tão importante quanto a frequência.
 

Leguminosas variadas
 

Lentilha e grão-de-bico complementam o feijão como fontes de fibras. Variar entre elas ao longo da semana ajuda a diversificar a microbiota intestinal.

 

Mandioca e batata-doce
 

Alimentos tradicionais da cozinha brasileira e ricos em fibras, mandioca e batata-doce são opções nutritivas e de fácil preparo para incluir nas refeições principais.
 

Linhaça e chia
 

Uma colher de chá de chia hidratada já representa um acréscimo relevante de fibras na dieta.


Linhaça e chia podem ser adicionadas a iogurtes, sucos ou preparações salgadas.
 

Iogurte natural ou kefir
 

Para quem tolera lácteos, iogurte natural e kefir são fontes de probióticos que colaboram com o equilíbrio da microbiota intestinal.
 

Como incluir mais fibras sem desconforto
 

A principal recomendação de Righi para quem quer melhorar a saúde intestinal é uma mudança por vez. "Em vez de mudar tudo de uma vez, comece com uma estratégia simples por semana: uma fruta a mais no dia, uma colher de sopa de aveia, duas colheres de feijão no almoço, legumes cozidos no jantar ou uma colher de chá de chia hidratada", orienta. 

Beber água e mastigar bem são partes indispensáveis do processo. Quando o consumo de fibras aumenta rapidamente, sem hidratação e sem adaptação, surgem gases, distensão e desconforto. As diretrizes de gastroenterologia indicam que a introdução deve ser gradual, ao longo de semanas, não em poucos dias.
 

Os erros mais comuns 

Righi aponta dois equívocos recorrentes entre os pacientes. O primeiro é apostar em soluções isoladas. "O maior erro é tentar resolver o intestino com um produto isolado, como probiótico, chá, shot ou suplemento, enquanto a rotina segue pobre em fibras, água e comida de verdade", afirma.

O segundo é cortar alimentos sem avaliação profissional. "Algumas pessoas retiram feijão, leite, glúten, frutas, saladas e diversos vegetais por conta própria. Em alguns casos, isso até reduz sintomas por alguns dias, mas também empobrece a dieta e dificulta a recuperação da diversidadealimentar", explica. 

Em doenças como Crohn e retocolite ulcerativa, o alerta é ainda mais importante: a conduta precisa respeitar a fase da doença, os sintomas, a presença de estenoses, os exames e o risco de desnutrição. "A orientação atual reforça uma dieta individualizada, com atenção à tolerância e ao estado nutricional", acrescenta Righi.
 

O hábito que transforma 

Se pudesse dar apenas uma recomendação, Righi escolheria colocar uma fonte de fibra em todas as refeições principais, todos os dias. "Na prática, isso significa manter o prato com feijão ou outra leguminosa, legumes ou verduras e uma fruta ao longo do dia. Não precisa ser perfeito. Precisa ser constante. O intestino responde melhor à rotina do que a soluções pontuais", conclui.

Fibras alimentares ajudam no volume das fezes, no trânsito intestinal e na produção de ácidos graxos de cadeia curta, substâncias formadas pela microbiota intestinal que participam da saúde da mucosa e da regulação imunológica. 


Afya
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Referências: 

¹ GEDIIB (Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal no Brasil): Dados sobre a
epidemiologia das DII no Brasil. Detalhes em: gediib.org.br/epidemiologia-das-dii-no-brasil

² Estudo de Coorte (Plataforma BVS/LILACS): Pesquisa sobre o impacto de alimentos
ultraprocessados na inflamação intestinal. Detalhes em:
https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1285918

³ Ministério da Saúde: Guia Alimentar para a População Brasileira (Edição Completa). Detalhes em:
bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf


 

Maternidade como decisão: por que a fertilidade ainda escapa ao planejamento e como a IA quer mudar isso

Mulheres têm cada vez mais autonomia para decidir quando ser mães, mas ainda tomam decisões com base em estimativas generalistas. A pergunta agora é: com quais dados essa escolha está sendo feita?

 

No contexto do Dia das Mães, a discussão sobre fertilidade ganha novos contornos. Antes da maternidade celebrada no mês de maio, existe uma jornada muitas vezes invisível, marcada por decisões complexas, expectativas e, frequentemente, falta de informação. À medida que a medicina reprodutiva evolui, cresce também a demanda por ferramentas que ajudem a transformar essa jornada em algo mais transparente. 

Atualmente, planejar a maternidade nunca foi tão possível e, ao mesmo tempo, tão incerto. Cada vez mais, as mulheres estão tomando decisões mais intencionais e individualizadas sobre se e quando desejam se tornar mães. Mas, quando a questão está relacionada à fertilidade, muitas ainda enfrentam uma limitação relevante: boa parte das decisões continuam baseadas em médias populacionais, e não em dados individuais.  

A idade segue sendo o principal parâmetro utilizado para estimar o potencial reprodutivo feminino. No entanto, embora seja um fator importante, ela não captura a variabilidade entre mulheres. Esse cenário se torna ainda mais evidente em processos como o congelamento de óvulos ou a fertilização in vitro (FIV). Hoje, é comum que pacientes recebam informações sobre a quantidade de óvulos coletados, mas tenham pouca visibilidade sobre o potencial individual de cada um deles, um dado que pode influenciar decisões importantes ao longo do tratamento. 

É nesse ponto que a tecnologia começa a ganhar espaço. A empresa canadense Future Fertility desenvolveu uma plataforma baseada em inteligência artificial capaz de analisar imagens de óvulos captadas em laboratório e identificar padrões associados ao seu potencial reprodutivo. A tecnologia fornece insights personalizados e orientados por dados sobre as chances de sucesso da paciente, com base na análise dos seus próprios óvulos. Embora esses insights não representem uma garantia, eles oferecem uma camada adicional de informação para apoiar médicos e pacientes na tomada de decisões mais informadas.  

“Hoje, as mulheres têm mais opções do que nunca para decidir se e quando querem se tornar mães. O próximo passo é garantir que essas decisões sejam apoiadas por dados relevantes e individualizados”, afirma Christy Prada, CEO da Future Fertility. “Toda paciente merece dados objetivos – não apenas uma estimativa – para apoiar decisões melhores em momentos críticos do seu cuidado. Embora a tecnologia não substitua os aspectos pessoais dessa jornada, ela pode ajudar a reduzir a incerteza e trazer mais clareza ao longo do caminho.” 

Na prática, após a coleta, os óvulos são fotografados em alta resolução, enquanto são rotineiramente observados ao microscópio como parte da prática padrão do laboratório. A partir dessas imagens, algoritmos treinados com milhares de dados identificam padrões morfológicos imperceptíveis ao olho humano, associados ao potencial de desenvolvimento daquele óvulo. E a ferramenta emite dois tipos de relatórios: o VIOLET™ e o MAGENTA™. Embora utilizem a mesma base tecnológica, os dois relatórios respondem a momentos diferentes da jornada.
O VIOLET™ é voltado para mulheres que estão congelando óvulos. Ele oferece uma análise individual de cada óvulo vitrificado e estima seu potencial futuro de desenvolvimento, ajudando a responder uma pergunta prática: quais são as chances de ter um bebê a partir desse grupo específico de óvulos que foi congelado? Em vez de apenas informar quantos óvulos foram congelados, o relatório adiciona uma camada de interpretação sobre a qualidade desse “estoque”, permitindo decisões mais informadas sobre a necessidade – ou não – de novos ciclos. 

Já o MAGENTA™ é aplicado em ciclos de FIV e foca no desempenho dos óvulos dentro do tratamento. O relatório atribui uma pontuação individual a cada óvulo, correlacionada à probabilidade de ele se desenvolver até o estágio de blastocisto, etapa crítica para a formação de embriões viáveis. Essas informações ajudam médicos e pacientes a interpretar resultados do ciclo atual e a ajustar estratégias futuras, especialmente em casos de tentativas anteriores sem sucesso. 

Diferentemente de testes invasivos ou intervenções adicionais, a tecnologia da Future Fertility está integrada ao fluxo de trabalho já existente no laboratório, utilizando imagens capturadas como parte da observação rotineira dos oócitos ao microscópio. “O objetivo não é garantir resultados, mas oferecer maior visibilidade sobre a qualidade dos óvulos em um momento crítico – ajudando médicos e pacientes a tomar decisões mais informadas com dados que antes não estavam disponíveis", explica Christy Prada. 

O avanço da inteligência artificial na fertilidade aponta para uma mudança de paradigma: sair de uma lógica baseada apenas em probabilidade e caminhar em direção a uma abordagem mais personalizada, em que cada decisão pode ser formada pelos próprios dados da paciente. 

 

Future Fertility - empresa canadense de biotecnologia médica e Inteligência Artificial (IA), fundada em 2018 e sediada em Toronto. Foi a primeira empresa no mundo a desenvolver um software de IA clinicamente validado capaz de avaliar o potencial reprodutivo dos oócitos humanos por meio da análise de imagens e dados. Sua plataforma fornece informações não invasivas, objetivas e personalizadas sobre a qualidade ovocitária, apoiando a tomada de decisões em tratamentos de fertilidade por meio dos relatórios VIOLET™ (congelamento de óvulos), MAGENTA™ (FIV) e ROSE™ (programas de doação de óvulos).


Maternidade após o câncer de mama: entre o desejo, o cuidado e as incertezas

Histórias de mulheres que realizaram os sonhos de ser mães após o tratamento reforçam a importância do acompanhamento e do olhar integral para a saúde

 

Para muitas mulheres, o Dia das Mães simboliza amor, conexão e novos começos. Para aquelas que tiveram o diagnóstico de câncer de mama, a maternidade pode representar também um marco ainda mais profundo: a possibilidade de reescrever a própria história após um período desafiador, ressignificando planos, prioridades e sonhos. Cada vez mais, mulheres que passaram pelo tratamento do câncer de mama seguem construindo seus projetos de vida, o que inclui a decisão de se tornarem mães após a remissão da doença.

Entretanto, remissão não significa cura e por isso, o período pós-tratamento inicial pode trazer uma combinação de sentimentos, como alívio, esperança e inseguranças, especialmente diante da necessidade de manter o acompanhamento médico, tratamentos complementares e lidar com as incertezas próprias dessa fase[i]. Essas histórias revelam não apenas a possibilidade de recomeço, mas também a importância de manter o cuidado com a saúde ao longo do tempo. 

“Receber o diagnóstico tão jovem foi um choque, e tudo aconteceu muito rápido. Precisei tomar decisões importantes em pouco tempo, inclusive sobre a possibilidade de preservar a fertilidade, em um momento em que a maternidade ainda não fazia parte dos meus planos. E, inicialmente, decidi não fazer o congelamento de óvulos. Ao longo do tratamento e do pós-câncer, fui entendendo melhor o meu corpo e minhas escolhas, respeitando o meu tempo e a minha realidade, até que engravidei naturalmente da minha primeira filha”, comenta Roberta Peres, fisioterapeuta e mãe de dois filhos após o câncer de mama.

Já para Carolina Magalhães, que também foi mãe depois do tratamento do câncer de mama por meio de fertilização in vitro e com óvulos da esposa, a maternidade sempre fez parte dos planos e o diagnóstico mudou as prioridades em um primeiro momento. “Quando recebi o diagnóstico, esse sonho ficou em segundo plano e, por um tempo, pareceu distante. Poder revisitá-lo anos depois, com planejamento e apoio médico, foi muito especial. A chegada do meu filho trouxe um novo significado para o cuidado com a minha saúde e para a forma como eu enxergo o futuro.”

Na maternidade pós-câncer, é comum que muitas mulheres ainda tenham dúvidas sobre como seguir com o cuidado da saúde e lidar com os desafios dessa nova etapa. “Conciliar a vida com os filhos, os compromissos do dia a dia e o acompanhamento da saúde exige organização e suporte, além de lidar com o medo de uma recidiva, é desafiador. Também é um momento em que a mulher precisa estar atenta às próprias necessidades e manter um diálogo próximo com sua equipe de saúde”, explica a Dra. Sabrina Chagas, oncologista.

O cuidado com o câncer de mama é contínuo e se estende além do tratamento inicial. Após cirurgia e terapias iniciais, muitas pacientes seguem com o chamado tratamento adjuvante, cujo objetivo é reduzir o risco de retorno da doença ao longo do tempo. Em outros casos, como em pacientes com doença avançada, o tratamento também é contínuo, com foco no controle da doença, na qualidade de vida e na manutenção de planos e projetos pessoais[ii].

Esse acompanhamento pode incluir múltiplas abordagens terapêuticas, indicadas para mulheres em diferentes estágios da doença e definidas de forma individualizada conforme as características do tumor e da paciente, sempre associadas ao seguimento médico regular e ao suporte emocional. Nos últimos anos, avanços científicos têm ampliado as possibilidades de manejo da doença ao longo da jornada, contribuindo para melhores desfechos em vários perfis pacientes[iii], reforçando a importância de uma abordagem personalizada ao longo da jornada.

“A maternidade depois do câncer vem acompanhada de uma nova perspectiva. Existe uma valorização ainda maior do tempo, das pequenas conquistas e do autocuidado. Olhar para o câncer de mama de forma integral, do diagnóstico ao pós-tratamento, é fundamental para garantir melhores desfechos a longo prazo e permitir que cada vez mais mulheres tenham a possibilidade de realizar sonhos como o da maternidade”, complementa Dra. Sabrina.

 

Novartis

 

[i] A importância do pós-tratamento no processo de cura do câncer de mama. Instituto Oncoguia. Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/a-importancia-do-postratamento-no-processo-de-cura-do-cancer-de-mama/17451/7/ Acesso em: 16/02/2024.

[ii] Tratamento do câncer de mama. Instituto Vencer o Câncer. Disponível em: https://vencerocancer.org.br/cancer/tratamento-do-cancer-de-mama/?utm_source=chatgpt.com . Acesso em 24/04/2026.

[iii] Breast Cancer. Organização Mundial de Saúde. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer Acesso em: 23/02/2026.


Maternidade não pode ser sinônimo de sobrecarga

A conhecida frase “ser mãe é padecer no paraíso” revela mais do que um paradoxo; ela denuncia uma estrutura social profunda. Sob o véu da romantização, esconde-se uma experiência marcada por ambivalências: amor e exaustão, potência e invisibilidade, criação e apagamento.

Em sociedades patriarcais, a maternidade foi historicamente construída como o destino natural das mulheres, mas sem o devido reconhecimento social, econômico e simbólico. Quando o ato de cuidar é atravessado por sobrecarga, isolamento e culpa, ele deixa de ser um espaço de florescimento para se tornar um campo de desgaste contínuo.

Estudos longitudinais mostram uma piora consistente da saúde mental materna nas últimas décadas. Relatórios recentes apontam que a proporção de mães que se consideram em excelente estado psicológico caiu drasticamente, enquanto aumentaram os relatos de bem-estar regular ou insuficiente.

Nove em cada dez mães no Brasil sofrem de burnout parental, uma exaustão emocional extrema decorrente da sobrecarga de cuidados e da ausência de redes de apoio sólidas. Esses dados revelam uma verdade incômoda: a maternidade, como estruturada hoje, adoece mulheres - não por falha individual, mas pela exigência de dar conta de tudo sozinhas.

A responsabilização quase exclusiva das mães pela educação e pelo desenvolvimento das crianças revela uma falha estrutural. Embora recaia sobre elas o peso do cuidado, evidências mostram que o desenvolvimento infantil é influenciado também pela saúde mental paterna e pelo contexto familiar como um todo. Ainda assim, a cobrança cultural segue concentrada sobre as mulheres.

Há uma contradição central na modernidade: fala-se em autocuidado, mas não se transformam as condições que o tornam possível. Sem redistribuição de responsabilidades, a valorização individual se torna apenas mais uma cobrança.

Nos últimos anos, o debate sobre o cuidado como um trabalho fundamental e desigualmente distribuído tem ganhado força. Sem políticas públicas efetivas (como acesso à saúde mental, educação integral e licenças parentais) a maternidade seguirá sendo um espaço de sobrecarga.

É necessário deslocar a pergunta central de nossa sociedade: não se trata de questionar “como as mães podem aguentar?”, mas sim “por que permitimos que elas sigam sozinhas?”. Uma experiência que exige o autoapagamento não é dotada de respeito; é uma forma sutil de violência institucionalizada contra a humanidade da mulher.

Reconhecer a potência das mães não deve significar a naturalização de sua sobrecarga. Mulheres realizam feitos extraordinários, mas esse heroísmo não pode continuar sendo usado como justificativa para que continuem sem suporte.

Transformar a maternidade em um espaço de cidadania exige mudanças culturais, políticas e relacionais. Só assim será possível construir uma sociedade mais justa para mulheres e crianças, convocando também os homens ao exercício efetivo do cuidado.

  

Berenice Shakti - fisioterapeuta pélvica, especialista em saúde pélvica e sexualidade, além de autora dos livros “O Diário de Adelaine” e “Cartas para Adelaine”


Casos graves de síndromes respiratórias avançam no país e especialistas orientam sobre sinais de agravamento


O aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em diferentes estados brasileiros tem acendido o alerta para o avanço de vírus respiratórios neste período sazonal. Dados recentes do InfoGripe, da Fiocruz, apontam crescimento das infecções por influenza A e vírus sincicial respiratório (VSR), especialmente entre crianças pequenas e idosos, grupos mais vulneráveis a complicações. 

O cenário reforça a importância da atenção aos sinais de agravamento dos quadros respiratórios diante do avanço sazonal de diferentes vírus respiratórios. Especialistas alertam que sintomas persistentes, dificuldade respiratória, febre prolongada e queda no estado geral podem indicar evolução para casos mais graves, exigindo avaliação médica rápida. 

Para comentar o tema, colocamos à disposição Maitê Nadhal, médica especialista em Medicina de Família e Comunidade da Sanar Pós, que pode explicar os principais sinais de alerta para agravamento das síndromes respiratórias, os cuidados mais importantes neste período de maior circulação viral e quando é necessário buscar atendimento médico, especialmente entre crianças e idosos. 

Também está disponível para comentar o tema a Dra. Letícia Angoleri, médica clínica, que pode abordar a importância da atenção aos sinais do corpo, do acompanhamento preventivo e da avaliação médica diante de sintomas persistentes.


Afastamentos do trabalho por transtornos mentais disparam e acendem alerta para o cuidado com a saúde emocional

 

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Dados da Previdência Social mostram alta de 38% em concessões de auxílio-doença por saúde mental. Especialista do CEJAM explica como a nova NR-1 exige das empresas um olhar integral para a saúde psicossocial 
 

​​Ambientes​​​ de trabalho ​​têm​​ se consolid​​ado​​ como um dos principais focos de atenção para a saúde mental no Brasil. Um levantamento do Ministério da Previdência Social revelou um aumento de 38% no número de concessões de auxílio-doença por transtornos mentais e comportamentais em 2023, totalizando 288 mil afastamentos – a terceira maior causa de licenças no país. Este cenário impulsiona uma mudança estrutural na segurança ​​ocupacional​​, que passa a incorporar de forma explícita os riscos psicossociais como parte central das estratégias de prevenção.

Para o Dr. Rodrigo Lancelote, psiquiatra e diretor do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental de Franco da Rocha (CAISM), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e ​​gerenciada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”)​​, ​​a conexão entre o ambiente corporativo e o adoecimento é ​​evidente​​. 

“O ​​desgaste​​ mental está diretamente relacionado a multifatores, como ​​aspectos​​​​ pessoais, genéticos, contexto social, eventos de vida e ao trabalho.​​ ​​P​​ortanto, pode estar fortemente associado à organização d​​as atividades​​, especialmente quando ​​ fatores de risco psicossociais. Sobrecarga, alta demanda emocional, desequilíbrio entre esforço e recompensa, assédio moral e jornadas prolongadas criam um ambiente de estresse contínuo e favorecem o surgimento de quadros de sofrimento psíquico", explica o especialista. 

Um fenômeno silencioso, mas de grande impacto, é o presenteísmo: o trabalhador permanece em atividade mesmo doente, com queda acentuada de desempenho e concentração. Ao contrário do absenteísmo (a falta), o presenteísmo é menos visível, mas provoca redução da produtividade, aumento de erros e piora do quadro clínico, muitas vezes por receio de estigmatização ou perda do emprego. No âmbito da saúde mental, costuma estar associado à ansiedade, depressão, síndrome de burnout, o que evidencia a necessidade de ambientes que promovam acolhimento, detecção precoce e cuidado apropriado. 

​​Dados do INSS confirmam a gravidade da situação. “Além da frequência, chama atenção a duração desses afastamentos, que costumam ser mais longos e complexos do que em outras condições clínicas, especialmente quando não há identificação precoce dos sinais nem intervenções no ambiente de trabalho”, pontua. Entre os grupos mais vulneráveis estão as mulheres, que respondem por cerca de 60% a 65% das ocorrências, além de profissionais da saúde, educação e atendimento ao público. 

Os sinais de alerta – fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações no sono – são frequentemente naturalizados até que o quadro se agrave. Nesse contexto, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforça a obrigação das ​​organizações​​ de identificar e gerir os fatores de risco psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

​​“Isso amplia o olhar das empresas, que passam a considerar também fatores organizacionais e emocionais, muitas vezes menos visíveis, mas com impacto direto na saúde dos trabalhadores”, destaca o psiquiatra. “A prevenção é mais eficaz e sustentável do que atuar apenas após o afastamento.”​​​ 
 

​​​​Linha de Cuidado em Saúde Mental​​​​​

​​​As unidades gerenciadas pelo CEJAM seguem as diretrizes das​​ ​​linhas de cuidado integrais que conectam a atenção primária a serviços especializados​​, ​​​como na Linha de Cuidado em Saúde Mental. ​​   

“No CEJAM, o atendimento em saúde mental é organizado a partir de um acolhimento qualificado, seguido de acompanhamento multiprofissional, sempre respeitando a singularidade de cada caso. Quando necessário, há encaminhamento para outros pontos da rede assistencial, como os Centros de Atenção Psicossocial, garantindo a continuidade do tratamento”, detalha Viviane Pressi Moreira, gerente da UBS Jardim Aracati​​,​​ gerenciad​​a​​ pelo CEJAM em parceria com a Secretaria ​​Municipal​​ da Saúde de São Paulo (S​​M​​S-SP). 

“Essa abordagem contínua permite intervenções precoces, reduz o risco de agravamentos e contribui para a reabilitação psicossocial, com foco na autonomia e no apoio às famílias”, finaliza Viviane.  



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


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