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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Dia das Mães deve impulsionar vendas do varejo paulistano em até 2%, projeta Sindilojas-SP

Emprego e renda sustentam consumo, mas juros altos, inadimplência e inflação dos presentes limitam avanço mais expressivo nas vendas  


O varejo da capital paulista deve registrar crescimento de até 2% nas vendas relacionadas ao Dia das Mães em 2026, segundo projeção do Sindilojas-SP. Considerada a principal data comemorativa do comércio no primeiro semestre, a celebração deste ano deve movimentar especialmente os setores de vestuário, calçados, acessórios, perfumaria, cosméticos, eletrônicos e alimentação. 

A expectativa positiva é sustentada principalmente pela resiliência do mercado de trabalho. Apenas no primeiro trimestre de 2026, a cidade de São Paulo registrou a criação de 54.551 empregos com carteira assinada, número 15,75% superior ao observado no mesmo período do ano anterior. Para a entidade, a manutenção da renda e da ocupação formal continua sendo um fator importante para estimular o consumo, mesmo em um ambiente econômico mais restritivo. 

“O Dia das Mães continua sendo uma das datas mais relevantes para o varejo porque mobiliza o consumo emocional e movimenta diferentes segmentos ao mesmo tempo. Apesar do cenário econômico mais desafiador, emprego e renda ainda sustentam parte importante das compras”, afirma Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP. 

Apesar da perspectiva de crescimento, a entidade avalia que o desempenho poderia ser mais robusto se não houvesse fatores que continuam pressionando o orçamento das famílias, como juros elevados, crédito caro, inflação acumulada e altos índices de endividamento e inadimplência. 

Segundo dados da FecomercioSP, cerca de 71% das famílias paulistanas estão endividadas e aproximadamente 21% possuem contas em atraso. Entre consumidores com renda de até dez salários mínimos, os índices sobem para 74,5% e 25,6%, respectivamente. Na avaliação do Sindilojas-SP, esse cenário reduz a capacidade de consumo e limita principalmente compras de maior valor agregado ou dependentes de parcelamento. 

Além disso, diversos itens tradicionalmente associados ao Dia das Mães apresentaram alta acumulada de preços acima da inflação média nos últimos 12 meses. Produtos como flores, chocolates e joias registraram aumentos superiores ao IPCA-15 acumulado até abril, de 4,37%. Outros itens bastante procurados na data, como calçados femininos, produtos para cuidados com a pele, livros e bijuterias, também apresentaram reajustes relevantes.
 


“O consumidor está mais cauteloso e seletivo. Hoje existe uma preocupação maior com preço, parcelamento e percepção de custo benefício. Isso faz com que muitos consumidores pesquisem mais antes de comprar e priorizem presentes úteis ou promocionais”, destaca Aldo Nuñez Macri.
 

Por outro lado, alguns produtos duráveis, especialmente eletrodomésticos, registraram redução de preços no período. Ainda assim, o Sindilojas-SP avalia que o comprometimento da renda familiar e o custo do crédito podem limitar a conversão dessas compras.
 

Diante desse cenário, a entidade recomenda que os varejistas apostem em estratégias voltadas ao aumento do giro de mercadorias, diversificação de faixas de preço e fortalecimento das campanhas promocionais. Kits prontos, experiências de compra diferenciadas e integração entre canais físicos e digitais devem ganhar ainda mais relevância neste Dia das Mães.
 

“A competitividade neste ano passa pela capacidade do varejista de entender um consumidor mais racional, mas que continua valorizando a experiência e o apelo emocional da data. Quem conseguir equilibrar conveniência, preço e experiência terá maior potencial de conversão”, conclui o presidente do Sindilojas-SP.



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