Perfil do Paciente Digital 2026, da
Doctoralia, mostra que 72% dos usuários são mulheres, que concentram decisões
sobre consultas, tratamentos e acompanhamento médico
No Brasil, o cuidado com a saúde das famílias tem protagonismo
feminino - e ele está cada vez mais digital. É o que mostra o levantamento “Perfil do Paciente Digital 2026”, realizado pela Doctoralia, maior plataforma de saúde do país. De
acordo com o estudo, 72% dos usuários são mulheres, que assumem, na prática, a
responsabilidade por organizar consultas, acompanhar diagnósticos e gerenciar a
jornada de cuidado de filhos, parceiros e até dos próprios pais.
Mais do que pacientes, essas mulheres atuam como verdadeiras
gestoras da saúde familiar, concentrando decisões que vão desde a escolha de
profissionais até o momento de buscar atendimento. O dado reforça uma
transformação silenciosa: o cuidado com a saúde, historicamente associado ao
ambiente doméstico, hoje também passa pelo ambiente digital e continua sendo
liderado por elas.
Esse protagonismo feminino no cuidado não é novo, mas ganha novos
contornos com a digitalização da saúde. Dados recentes do Ministério do
Desenvolvimento e Assistência Social mostram que mulheres dedicam, em média,
9,8 horas a mais por semana do que os homens ao trabalho de cuidado não
remunerado. Além disso, 43% são as únicas responsáveis pelas tarefas domésticas
e 48% cuidam de outras pessoas sem remuneração1. Nesse contexto, a
gestão da saúde da família se consolida como mais uma camada dessa
responsabilidade.
Essa gestão acontece, cada vez mais, na palma da mão. Segundo o
levantamento do Perfil do Paciente Digital 2026, 84% dos acessos a serviços de saúde
são feitos por smartphones, consolidando o celular como principal ferramenta na
organização da rotina de cuidado. Canais como WhatsApp também ganham
protagonismo no agendamento e na comunicação com profissionais de saúde.
Outro aspecto relevante é o perfil etário dessas mulheres. A maior
concentração está entre 36 e 59 anos, faixa que frequentemente representa a
chamada “geração sanduíche”, responsável simultaneamente pelo cuidado com
filhos e com pais idosos. Nesse contexto, a gestão da saúde se soma a outras
responsabilidades, ampliando a carga emocional e operacional do cuidado.
Para Flavia Soccol, líder global de Patient Care da Doctoralia, o
estudo revela uma mudança estrutural no comportamento do paciente e também no
papel das mulheres nesse processo. “Em 2026, o paciente é digital, crítico e
informado, mas continua profundamente humano. Ele pesquisa, compara e busca
informações, mas a decisão ainda é baseada em confiança. A jornada se
digitalizou, mas a necessidade de conexão humana, segurança e acolhimento só
aumentou. Existe também um fator muitas vezes invisível, mas determinante, o
protagonismo das mulheres, especialmente mães, que estão no centro das decisões
de saúde e da gestão do cuidado. Isso é algo que eu vivencio também no meu dia
a dia. Entender essa dinâmica não é opcional. É o que permite construir um
sistema de saúde mais acessível, eficiente e, principalmente, mais humano.”
No Mês das Mães, os dados ajudam a lançar luz sobre um trabalho
cotidiano que, muitas vezes, passa despercebido: o de coordenar a saúde de toda
a família. Um papel que vai além do afeto e se traduz em planejamento,
informação e ação - agora cada vez mais mediado pela tecnologia.
Referência:
- Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social / Governo
Federal – 2025. Disponível em: Link
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