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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Doença falciforme atinge milhares de brasileiros e exige cuidados contínuos para evitar complicações

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No Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme (19.06), especialistas explicam a condição, sua ligação com a nutrição e listam fatos que muitas desconhecem a respeito da mesma

 

Embora seja frequentemente associada apenas à anemia, a doença falciforme é uma condição genética complexa que pode comprometer diversos órgãos e impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Considerada a doença genética hereditária mais prevalente do Brasil, segundo o Ministério da saúde, estima-se que mais de 60 mil brasileiros convivam com a condição e cerca de 2 milhões possuam o traço falciforme. Vale salientar, ainda, que ela afeta milhares de pessoas e demanda acompanhamento médico contínuo, além de cuidados nutricionais e multiprofissionais ao longo da vida.

 

A doença ocorre devido a uma alteração genética na hemoglobina, proteína responsável por transportar oxigênio pelo organismo. Como consequência, os glóbulos vermelhos passam a assumir um formato semelhante ao de uma foice, tornando-se rígidos e menos flexíveis, o que dificulta sua circulação pelos vasos sanguíneos.

 

Segundo o Dr. Marco Túlio Dias, médico hematologista e docente da Afya São João del-Rei, essa característica é responsável por uma série de complicações que vão muito além da anemia. “A doença falciforme é uma doença sistêmica que se origina em uma alteração do sangue, mas suas consequências se espalham por praticamente todos os órgãos do corpo. Os glóbulos vermelhos deformados podem obstruir pequenos vasos sanguíneos, interrompendo o fluxo de sangue e provocando as chamadas crises vaso-oclusivas, que estão entre as manifestações mais dolorosas da doença”, explica.

 

O diagnóstico definitivo é realizado por meio da eletroforese de hemoglobina, exame capaz de identificar o tipo de hemoglobina presente no sangue. No Brasil, a doença também pode ser detectada logo nos primeiros dias de vida por meio do Teste do Pezinho, incluído no Programa Nacional de Triagem Neonatal. “Quanto mais cedo ocorre o diagnóstico, mais rapidamente é possível iniciar o acompanhamento e a prevenção das complicações. Ainda existem pessoas que desconhecem ter o traço falciforme, condição que não causa sintomas, mas pode ser transmitida aos filhos dependendo da combinação genética dos pais”, destaca o especialista.

 

A doença falciforme pode provocar alterações em diferentes sistemas do organismo. Entre as complicações mais graves estão os acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que podem ocorrer inclusive em crianças. “O cérebro pode ser afetado por AVCs isquêmicos ainda na infância. Os pulmões também podem apresentar complicações importantes, enquanto os rins podem perder progressivamente sua função. Além disso, o coração trabalha constantemente sobrecarregado devido à anemia crônica”, afirma Dr. Marco Túlio.

 

O especialista explica ainda que órgãos como fígado e baço também sofrem impactos ao longo dos anos. A perda gradual da função do baço, por exemplo, aumenta a vulnerabilidade a infecções, tornando a vacinação uma parte fundamental do tratamento.

 

Por afetar diferentes órgãos e sistemas, a doença falciforme exige uma abordagem integrada. Além do hematologista, podem participar do acompanhamento profissionais como neurologistas, cardiologistas, nefrologistas, pneumologistas, psicólogos, enfermeiros, dentistas, fisioterapeutas, nutricionistas e assistentes sociais. “Não existe um único profissional capaz de atender todas as demandas desses pacientes. O ideal é que o acompanhamento seja realizado em centros de referência com equipes multiprofissionais estruturadas”, ressalta o hematologista.

 

Embora o transplante de medula óssea seja uma alternativa curativa em situações específicas, a maioria dos pacientes depende de acompanhamento contínuo para prevenir crises e reduzir complicações. O uso da hidroxiureia, medicamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), tem papel importante na redução das crises dolorosas e da mortalidade associada à doença.


 

Alimentação tem papel importante no controle da condição

 

Além do tratamento médico, a alimentação adequada contribui para o bem-estar e para a qualidade de vida dos pacientes. Segundo o professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, Renato Pereira, pessoas com doença falciforme apresentam necessidades nutricionais específicas e maior gasto energético quando comparadas à população em geral. “Esses pacientes vivem em um estado de maior demanda metabólica devido à destruição acelerada dos glóbulos vermelhos e à necessidade constante de produção de novas células sanguíneas. Isso faz com que o organismo necessite de mais energia, proteínas e diversos micronutrientes”, explica.

 

De acordo com o especialista, uma alimentação equilibrada auxilia na manutenção do estado nutricional, fortalece o sistema imunológico e contribui para o funcionamento adequado do organismo. Entre os nutrientes mais importantes para pessoas com doença falciforme estão o ácido fólico, as vitaminas do complexo B, o zinco, o magnésio, a vitamina D e vitaminas antioxidantes, como A, C e E. “O ácido fólico é fundamental porque participa diretamente da formação das hemácias. Já o zinco contribui para a imunidade, crescimento e cicatrização. O magnésio, por sua vez, tem sido estudado por seu possível papel na manutenção da hidratação das hemácias”, afirma Renato.

 

O nutricionista alerta ainda para um cuidado importante: a suplementação de ferro não deve ser feita automaticamente apenas porque o paciente apresenta anemia. “Muitos pacientes recebem transfusões ao longo da vida e podem apresentar excesso de ferro no organismo. Por isso, qualquer suplementação deve ser baseada em exames laboratoriais e orientação profissional”, explica.

 

Entre as recomendações nutricionais, também está a hidratação adequada que ocupa posição de destaque. Isso porque a desidratação favorece o aumento da viscosidade sanguínea e pode contribuir para o surgimento das crises vaso-oclusivas. “Frutas, verduras, legumes, proteínas magras, cereais integrais e uma ingestão adequada de água fazem parte das principais orientações para esses pacientes. Em períodos de calor, atividade física ou durante episódios de doença, a necessidade de líquidos pode ser ainda maior”, orienta o nutricionista.


 

Conscientização ainda é um desafio

 

Segundo o hematologista, a doença falciforme também carrega uma importante dimensão social.“Muitas pessoas ainda desconhecem a gravidade da doença. A crise dolorosa, por exemplo, frequentemente é subestimada, apesar de ser extremamente intensa e incapacitante. Falar sobre a doença falciforme é fundamental para ampliar o conhecimento da população, facilitar o diagnóstico precoce e melhorar o acesso ao tratamento adequado”, conclui.

 

4 fatos sobre a doença falciforme que muita gente desconhece 

1. Não se trata apenas de uma anemia

A doença pode afetar cérebro, pulmões, rins, coração, fígado e outros órgãos ao longo da vida.

2. O Teste do Pezinho identifica a condição logo após o nascimento

O exame permite iniciar o acompanhamento precoce e reduzir o risco de complicações graves.

3. Crianças também podem sofrer AVC em decorrência da doença

A obstrução dos vasos sanguíneos pode provocar acidentes vasculares cerebrais ainda nos primeiros anos de vida.

4. A saúde intestinal pode influenciar a evolução da doença

Estudos recentes sugerem que alterações na microbiota intestinal podem contribuir para

 

5 coisas que profissionais de saúde gostariam que você desse mais importância quando o assunto é vacinação infantil

divulgação
Especialistas alertam para a importância da vacinação diante da circulação crescente de desinformação e da retomada de doenças que já eram consideradas controladas em diversas regiões do mundo

 

Nos últimos anos, os profissionais de saúde passaram a acompanhar um cenário que combina dois desafios importantes: a queda das coberturas vacinais e o aumento da circulação de informações equivocadas sobre vacinas. Ao mesmo tempo, doenças imunopreveníveis que pareciam controladas voltaram a registrar surtos em diferentes partes do mundo, reacendendo discussões sobre a importância da vacinação infantil. 

Para ajudar pais e responsáveis a navegar por esse cenário, o pediatra e infectologista Prof. Dr. Otávio Cintra e o médico hematologista Prof. Dr. Dimas Covas, que hoje ocupa a posição de cientista-chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da SINOVAC no Brasil, reuniram cinco mensagens que consideram fundamentais quando o assunto é a proteção das crianças.

 

1. O sistema imunológico infantil está preparado para receber várias vacinas 

Uma dúvida comum entre pais e responsáveis é se o grande número de vacinas administradas nos primeiros meses de vida poderia sobrecarregar o organismo das crianças. Segundo o Dr. Otávio, esse receio não encontra respaldo científico. 

"O sistema imunológico da criança entra em contato diariamente com milhares de estímulos do ambiente. As vacinas representam apenas uma pequena fração dessa exposição e foram desenvolvidas justamente para ensinar o organismo a se proteger de forma segura", explica ele. 

O especialista reforça que cada vacina e cada dose possuem uma função específica dentro da estratégia de proteção construída ao longo da infância. Ainda reforça que seguir o calendário vacinal recomendado é a melhor forma de garantir proteção nos momentos de maior vulnerabilidade.

 

2. Vacinação é um cuidado para toda a vida, não apenas uma etapa da infância 

Segundo o especialista, uma das dúvidas mais frequentes entre os pais é a necessidade de reforços vacinais. No entanto, muitas vacinas dependem de esquemas completos para garantir níveis adequados de proteção. 

"A vacinação é um cuidado ao longo da vida. Existem vacinas que exigem reforços e esquemas completos para garantir uma proteção adequada. Não é algo que termina na infância", explica o Dr. Otávio Cintra. 

"A vacinação é uma estratégia de proteção individual, mas também de proteção comunitária. Quanto maior a cobertura vacinal, menor a circulação dos agentes infecciosos e maior a proteção das pessoas mais vulneráveis", finaliza Dimas Covas.

 

3. O fato de você não ver mais determinadas doenças é justamente uma prova de que as vacinas funcionam 

Décadas de vacinação reduziram drasticamente a circulação de diversas doenças em diferentes partes do mundo. 

Paradoxalmente, esse sucesso fez com que muitas famílias deixassem de conviver com os impactos dessas enfermidades e passassem a enxergá-las como problemas do passado. 

Segundo os especialistas, essa mudança na percepção de risco ajuda a explicar parte da hesitação vacinal observada atualmente e o retorno de surtos em diferentes regiões do mundo. 

"Quando as taxas de vacinação ficam abaixo dos níveis recomendados, perdemos uma barreira importante de proteção coletiva. Isso favorece o retorno de doenças que haviam sido controladas por décadas e, quando a cobertura vacinal cai, a doença encontra espaço para voltar a circular", explica Dimas Covas.

 

4. Informação confiável faz diferença na proteção das crianças 

Muitos dos receios apresentados por pais no consultório têm origem em informações falsas ou descontextualizadas compartilhadas nas redes sociais. 

"O desafio hoje não é apenas oferecer vacinas. É ajudar as famílias a navegar em um ambiente com excesso de informação e, muitas vezes, desinformação", afirma Dr. Otávio. 

Por isso, especialistas recomendam que dúvidas sejam discutidas com profissionais de saúde e que as informações sejam buscadas em fontes confiáveis. 

"Ciência e informação de qualidade são aliadas fundamentais da vacinação. Quanto mais esclarecida a população estiver, melhores tendem a ser os resultados para toda a sociedade", acrescenta Dimas.

 

5. Vacinar é uma das decisões de cuidado mais importantes da infância 

Para Dr. Otavio, existe uma forma simples de resumir a importância da vacinação infantil: "O efeito colateral das vacinas em crianças é criar adultos." 

Muitas doenças hoje são pouco conhecidas justamente porque a vacinação foi capaz de reduzir drasticamente sua ocorrência. "Com a vacinação, as crianças deixam de adoecer, deixam de sofrer complicações graves e têm a oportunidade de crescer com saúde. Mais do que evitar doenças, a vacinação representa um investimento no futuro das crianças e na proteção de toda a comunidade", explica o profissional.



SINOVAC
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Sintomas de tontura e vertigem aumentam o risco de quedas na população 60+, alerta ABORL-CCF

No Dia Mundial de Prevenção de Quedas, Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial destaca a importância de investigar alterações do equilíbrio e distúrbios vestibulares

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, globalmente, ocorrem cerca de 684 mil quedas fatais por ano, o que as tornam a segunda principal causa de morte por lesão não intencional no mundo, depois dos acidentes de trânsito. De acordo com a OMS, adultos com mais de 60 anos sofrem o maior número de quedas fatais, sendo que cerca de 37,3 milhões de quedas por ano são graves o suficiente para exigir atendimento médico. Uma revisão recente cita que aproximadamente de 30% a 40% dos adultos com 65 anos ou mais, que vivem na comunidade, sofrem ao menos uma queda por ano. 

Tonturas, sensação de desequilíbrio ao caminhar e a impressão de que tudo está girando, a famosa vertigem, podem representar importantes fatores de risco para quedas, uma das principais causas de hospitalização, incapacidade e perda da independência, especialmente, mas não exclusivamente, entre os idosos. 

E no Dia Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado no dia 24 de junho, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) reforça a importância de identificar e tratar precocemente as alterações do equilíbrio, incluindo os distúrbios vestibulares, conhecidos popularmente como labirintite. 

De acordo com o otorrinolaringologista, Dr. Márcio Salmito, membro da ABORL-CCF, o sistema vestibular, localizado no ouvido interno, é um sensor que detecta movimentos e posições do corpo. Ele explica que o sistema vestibular desempenha papel fundamental na manutenção do equilíbrio corporal, sendo que alterações nesse sistema podem provocar tontura, vertigem, instabilidade e insegurança para caminhar, aumentando, assim, de seis vezes a 12 vezes o risco de quedas. “Esse sistema sensorial, muito mais do que apenas nos informar sobre nossa posição, é um dos principais responsáveis pela orientação espacial e pelo equilíbrio do corpo e, quando ele não funciona adequadamente, o risco de quedas aumenta consideravelmente, principalmente entre os idosos, que já apresentam outras alterações naturais relacionadas ao envelhecimento.”

 

Atente-se!

O equilíbrio é uma função sofisticada do corpo que depende de estruturas sensoriais (visão, propriocepção e o sistema vestibular), motoras (musculatura) e neurológicas (que coordenam o processo). Dr. Salmito conta que com o avanço da idade, o organismo passa por mudanças degenerativas na maioria destas estruturas, que afetam diretamente a capacidade de manter o equilíbrio. Segundo o especialista, esse cenário pode ser agravado por doenças do sistema vestibular, como a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), doença de Menière, neurite vestibular e outras condições que afetam o labirinto. De acordo com o otorrinolaringologista, a maioria destas doenças acaba recebendo o diagnóstico errado de “labirintite”. “Muitas pessoas associam a tontura a um desconforto passageiro, mas, em geral, sentir tontura não é normal. Na população idosa, inclusive, pode ser o primeiro sinal de um problema capaz de comprometer a autonomia e a qualidade de vida”, comenta, ao afirmar que uma única queda pode desencadear consequências físicas, emocionais e sociais importantes.

 

Muito além das fraturas

O fato é que as quedas representam um dos maiores desafios da saúde pública relacionados ao envelhecimento da população. Além de escoriações e hematomas, podem provocar fraturas de quadril, punho e coluna, exigindo internação, cirurgia e longos períodos de reabilitação. “Em muitos casos os impactos também afetam a saúde mental, já que após sofrer uma queda é comum que a pessoa idosa desenvolva o medo de cair novamente, reduzindo suas atividades diárias, evitando sair de casa e diminuindo sua participação social.” 

O médico orienta que sintomas como tontura frequente, vertigem, sensação de flutuação, desequilíbrio ao caminhar, necessidade constante de apoio e situações de quase queda necessitam de avaliação médica especializada. Ele revela que o diagnóstico costuma requerer experiência do especialista com essas doenças e com frequência podem ser necessários exames específicos, chamados de otoneurológicos. “Atualmente, existem vários destes exames, que tem o objetivo de medir o nível de funcionamento do sistema vestibular e pesquisar eventuais alterações neurológicas associadas”, relata, ao citar o vHIT (vídeo-head impulse test) e a vídeo-oculografia, que embora sejam os mais frequentes, costumam ser desconhecidos pela maioria da população e, em alguns casos, até mesmo por médicos não especialistas.

 

Tratamento e prevenção

Identificar a causa correta e tratá-la adequadamente é fundamental. Além dos cuidados médicos, diferentes medidas podem reduzir a tontura e o desequilíbrio, prevenindo as quedas. Praticar atividade física regularmente, corrigir alterações visuais e auditivas, revisar medicamentos que possam provocar tontura, utilizar calçados adequados, evitar tapetes soltos e obstáculos dentro de casa, garantir boa iluminação dos ambientes e instalar barras de apoio em locais estratégicos, como banheiros e escadas, são medidas simples que ajudam a reduzir os riscos. “Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores as chances de evitar acidentes e preservar a independência da pessoa idosa”, atesta. 



Dr. Márcio Salmito - CRM 141.952 · RQE 40.903
Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF

 

Comércio de 'canetas emagrecedoras' veio para ficar, mas exige ética na cadeia de consumo


IMAGEM: Karime Xavier
Folhapress

Levantamento da Febrafar aponta que 65% dos pacientes param de comprar medicamento pelo alto custo. Associação Médica Brasileira aprova eficácia, mas sinaliza cuidados para quem receita e comercializa


Medicamentos da classe GLP-1, conhecidos popularmente como "canetas emagrecedoras", consolidaram-se como eficazes no tratamento de diabetes tipo 2, obesidade e diversas doenças cardiometabólicas. Porém, apesar dos benefícios clínicos reconhecidos pelos médicos, o alto custo ainda limita o acesso e a continuidade do tratamento para grande parte dos pacientes brasileiros. E não há previsão para que o SUS os inclua na distribuição de alto custo.

Pesquisa nacional realizada por um braço da Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativas e Independentes de Farmácias), o Instituto IFEPEC, com 1.067 médicos de diferentes especialidades e regiões do país, em maio último, mostra que o preço inviabiliza o tratamento para 28% dos pacientes considerados aptos ao uso. Além disso, 65% dos pacientes abandonam o tratamento ou não conseguem manter a posologia indicada pelo mesmo motivo.

Comportamento semelhante aparece em recente levantamento NielsenQ/ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados) sobre consumo saudável, publicado aqui pelo Diário do Comércio. Cerca de 45% dos consumidores brasileiros têm uma percepção positiva sobre esses medicamentos e 58% estão dispostos a gastar até R$ 500 por mês pelo produto. Entre as principais barreiras para a adoção estão o alto preço (citado por 10% dos entrevistados) e o receio de efeitos colaterais (62%).

Já a pesquisa da Febrafar também identificou um fenômeno que preocupa profissionais de saúde. Em média, 7% dos pacientes relatam já ter utilizado medicamentos GLP-1 sem prescrição médica antes da primeira consulta. O dado alerta para a comercialização irregular desses produtos e reforça a importância de combater canais clandestinos de venda, um risco para a saúde dos pacientes.

Para Edison Tamascia, presidente da Febrafar e da Farmarcas, as farmácias legalmente estabelecidas cumprem a legislação e têm papel fundamental na promoção do uso racional dos medicamentos. "Quando um paciente procura o produto sem receita, a orientação correta é encaminhá-lo para avaliação médica. O combate à comercialização irregular desses medicamentos é fundamental para proteger a saúde da população. O lugar desses tratamentos é dentro do canal farmacêutico regular, com dispensação responsável e acompanhamento profissional", afirma. 

Para ele, o farmacêutico é um importante elo entre o médico e o paciente, cuja atuação contribui para aumentar segurança, adesão ao tratamento e resultados terapêuticos.

Outro destaque da pesquisa é o elevado grau de expectativa dos médicos em relação à chegada de biossimilares, genéricos e similares de GLP-1, impulsionada pelo vencimento de patentes e pela perspectiva de ampliação da concorrência no setor. A maioria dos profissionais pretende incorporar essas novas alternativas à prática clínica, desde que apresentem comprovação de qualidade, segurança e eficácia.

A ampliação da oferta tende a representar um marco para o mercado farmacêutico brasileiro. "A expectativa é que a entrada de novos concorrentes contribua para reduzir gradualmente os preços praticados atualmente. Embora os medicamentos genéricos ainda não devam chegar ao mercado no curto prazo, o aumento da oferta tende a favorecer o acesso e melhorar os índices de adesão ao tratamento. Quanto maior a concorrência, maior a possibilidade de tornar essa terapia acessível para uma parcela mais ampla da população", afirma Tamascia.

De médico para farmacêutico - O presidente da AMB (Associação Médica Brasileira), César Eduardo Fernandes, divide a responsabilidade entre as partes da cadeia de consumo. "Farmácias idôneas e médicos só devem comercializar e indicar, respectivamente, medicamentos com selo de segurança da Anvisa."

O médico ressalta que essas medicações seguras são comprovadamente eficazes para controlar obesidade, que é uma doença crônica, porém adiciona riscos de outras, como câncer, diabetes, infarto e AVC. "Vai muito além da estética", afirma.

Incorporação no SUS - Até o momento, nenhum medicamento da classe dos agonistas (moléculas modificadas) do GLP-1 foi incorporado ao SUS para o tratamento da obesidade. Semaglutida e liraglutida possuem registro para diabetes tipo 2, mas pedidos de incorporação já foram avaliados pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), órgão do Ministério da Saúde responsável por analisar e recomendar a inclusão de medicamentos, produtos e procedimentos no sistema público.

As avaliações não foram aprovadas devido ao alto custo e ao impacto orçamentário. O preço mensal desses tratamentos na rede privada varia entre R$ 800 e R$ 2 mil, o que torna inviável a oferta ampla no sistema público sem avaliação rigorosa de custo-efetividade. O monitoramento ativo de eventos adversos conduzido pela Anvisa também deve subsidiar futuras decisões da Conitec sobre a eventual incorporação desses fármacos no SUS.

 


Melina Dias

https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/comercio-de-canetas-emagrecedoras-veio-para-ficar-mas-exige-etica-na-cadeia-de-consumo


Casos de catarata precoce em adultos mais jovens acendem alerta para sinais silenciosos da doença

Condição tradicionalmente associada ao envelhecimento também pode surgir antes dos 60 anos e estar relacionada a fatores genéticos, doenças crônicas, uso prolongado de medicamentos e hábitos de vida 


Embora seja frequentemente associada ao envelhecimento, a catarata também pode se desenvolver em pessoas mais jovens. O surgimento precoce da condição, caracterizada pela perda gradual da transparência do cristalino — lente natural dos olhos responsável por focar as imagens — tem chamado a atenção de especialistas, especialmente diante do aumento de fatores de risco relacionados ao estilo de vida e a determinadas condições de saúde. 

A catarata precoce pode comprometer significativamente a qualidade de vida ao dificultar atividades cotidianas, como dirigir, ler, trabalhar e utilizar dispositivos eletrônicos. Entre os principais sintomas estão visão embaçada, aumento da sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à noite, alteração frequente no grau dos óculos e percepção de cores menos nítidas. 

“A catarata é uma condição progressiva e nem sempre está relacionada apenas à idade avançada. Casos diagnosticados antes dos 60 anos podem estar associados a fatores genéticos, doenças sistêmicas, traumas oculares, uso prolongado de medicamentos e hábitos de vida inadequados”, explica a Dra. Bruna Ventura, médica oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE). 

Entre as principais causas da catarata precoce estão o diabetes descompensado, o uso contínuo de corticoides, a exposição excessiva à radiação ultravioleta sem proteção adequada, o tabagismo e a alta miopia. Além disso, histórico familiar da doença e lesões nos olhos também aumentam o risco de desenvolvimento da condição. 

“A adoção de medidas preventivas pode contribuir para reduzir o risco ou retardar o aparecimento da catarata. A manutenção de hábitos saudáveis e o controle adequado de doenças crônicas são fundamentais para preservar a saúde visual”, orienta a especialista. 

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a catarata não pode ser tratada com colírios ou medicamentos. Atualmente, a cirurgia é a única forma eficaz de restaurar a visão comprometida pela doença. O procedimento consiste na remoção do cristalino opaco e na implantação de uma lente intraocular, sendo considerado seguro e com altos índices de sucesso. 

“Consultas oftalmológicas regulares são essenciais em todas as fases da vida, especialmente para pessoas que apresentam fatores de risco ou percebem mudanças na qualidade da visão. A avaliação periódica permite identificar precocemente alterações oculares e iniciar o tratamento mais adequado para cada caso”, destaca a Dra. Bruna Ventura.


Especialista explica quando sintomas deixam de ser simples irritação e passam a exigir avaliação médica 

 

Após a repercussão recente envolvendo possível contaminação em produtos de limpeza, especialistas reforçam a importância de observar qualquer reação da pele após o contato com substâncias químicas domésticas. Ardência, vermelhidão, coceira e descamação podem parecer sinais leves em um primeiro momento, mas, dependendo da evolução do quadro, podem indicar reações mais importantes.
 

Segundo a dermatologista Dra. Débora Cardial, da Clínica Terra Cardial e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a primeira medida após qualquer irritação é retirar completamente o produto da pele. “A orientação inicial é lavar bem a região com água corrente abundante e evitar novo contato até entender se houve apenas uma irritação passageira ou uma reação alérgica mais importante”, explica.
 

A médica destaca que muitas reações melhoram apenas com a suspensão do produto e cuidados básicos com a barreira cutânea. Ainda assim, é fundamental acompanhar os sinais nos dias seguintes. “Se surgirem vermelhidão intensa, ardor persistente, coceira importante ou descamação, é preciso atenção”, alerta.
 

De acordo com a especialista, o quadro deixa de ser considerado simples quando a irritação começa a piorar ao invés de melhorar. “Quando a pele fica muito inflamada, dolorosa, inchada ou surgem lesões mais extensas, vale procurar avaliação médica. Também preocupa quando o paciente continua tendo reação mesmo após interromper o uso, porque isso pode indicar uma dermatite de contato mais importante”, afirma.
 

Entre os principais sinais de alerta estão bolhas, feridas, secreção, dor intensa, inchaço progressivo e febre. “Esses sintomas podem indicar desde uma queimadura química mais intensa até infecção secundária ou reação inflamatória significativa”, explica a dermatologista. A médica também chama atenção para casos em que a área afetada aumenta ou atinge regiões mais sensíveis. “Quando há acometimento do rosto, olhos ou mucosas, o ideal é não esperar evoluir para procurar atendimento.”
 

Outro ponto importante é evitar soluções caseiras sem orientação médica. “Álcool definitivamente não deve ser usado, porque pode piorar bastante a irritação. O maior erro é sair aplicando vários produtos sem saber exatamente o que aconteceu na pele”, afirma Dra. Débora. Segundo ela, algumas pomadas podem mascarar sintomas ou até agravar o quadro dependendo da substância envolvida. Em casos leves, o mais seguro é optar apenas por um hidratante suave, sem perfume e sem cor.
 

A especialista também alerta para a possibilidade de irritação indireta causada por roupas lavadas com produtos potencialmente contaminados. “Algumas substâncias podem permanecer impregnadas no tecido mesmo após secarem e causar dermatite de contato, principalmente em pessoas com pele sensível, dermatite atópica ou alergias cutâneas”, explica. Nesses casos, a recomendação é lavar novamente as peças com bastante água antes do uso e evitar contato prolongado com a pele até garantir que não haja resíduos.
 
 

Dra. Débora Cardial - dermatologista formada pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência em Clínica Médica e Dermatologia, título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, além de ser membro da Sociedade Europeia de Dermatologia e Venereologia e da Sociedade Brasileira de Laser.
 

Clínica Terra Cardial

Além da torcida: hábitos comuns durante a Copa podem sobrecarregar o coração

A emoção de uma Copa do Mundo vai muito além da arquibancada. Jogos decisivos costumam provocar aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e dos níveis de estresse, especialmente entre torcedores mais envolvidos emocionalmente com as partidas.

Segundo o Dr. Edgard Ferreira, cardiologista do Hcor, embora a emoção por si só raramente seja capaz de provocar um infarto, ela pode atuar como gatilho em pessoas que já apresentam fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo ou histórico de doenças cardíacas.

“Além da tensão típica dos jogos, hábitos comuns durante o período da Copa também merecem atenção. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas, cigarro, alimentos ricos em sódio e gordura, além de noites mal dormidas, podem sobrecarregar o sistema cardiovascular”, alerta.

Para prevenir complicações, pessoas com doenças cardíacas pré-existentes devem manter a medicação em dia, evitar excessos e procurar assistência médica, caso apresentem sintomas como dor no peito, falta de ar, palpitações ou mal-estar súbito.


Hcor


IA na saúde: menos burocracia, mais tempo para cuidar

 

Consultas, prontuários, confirmações de agenda, retornos de pacientes e demandas administrativas tornam a rotina de muitos profissionais da saúde cada vez mais complexa. Mas, esse é um setor que qualquer erro de interpretação, orientação fora de contexto ou resposta automatizada mal calibrada pode gerar impactos graves na vida dos pacientes – o que tem impulsionado o investimento em soluções tecnológicas que simplifiquem processos e fortaleçam a comunicação e o relacionamento entre as partes, como a IA devolvendo aos profissionais aquilo que talvez seja seu recurso mais valioso: o tempo para cuidar de cada paciente. 

Dados divulgados na pesquisa TIC Saúde 2024 mostraram que 17% dos médicos brasileiros já utilizam IA generativa em sua rotina. Não apenas por otimizar diversas tarefas do dia a dia, mas, sobretudo, por ser uma aliada estratégica capaz de agregar valor, principalmente, nos pontos da jornada em que existe alto volume, repetição e necessidade de respostas rápidas, como triagem inicial, orientação administrativa, agendamento, lembretes, acompanhamento de tratamentos e pós-consulta. 

Seu papel é o de atuar como uma camada de apoio: organizando as informações das empresas e dos próprios pacientes, antecipando necessidades, reduzindo fricções e melhorando o acesso aos dados e necessidades da população. Tudo isso, desde que seja aplicada com critério, governança e supervisão profissional, lembrando sempre que qualquer diagnóstico, conduta terapêutica e comunicação sensível precisam continuar sob responsabilidade humana e médica. 

A banalização da inteligência artificial neste setor leva a um caminho direto para a perda de controle sobre informações sensíveis de ambas as partes – as quais, pela LGPD, exigem tratamento com base legal adequada, finalidade clara, segurança e transparência - abrindo margem para riscos relacionados à privacidade, segurança da informação e consentimento. Por isso, ao implantar qualquer projeto com essa tecnologia, a pergunta central que deve guiar todas as tomadas de decisões, deve ser: “Essa automação é segura, auditável, explicável e tem supervisão adequada?”. 

Existem muitos canais altamente vantajosos para contribuir com ganhos de eficiência operacional e uma melhor experiência ao paciente. Deles, o WhatsApp se tornou uma das interfaces mais naturais para aplicar a IA neste setor, principalmente por já fazer parte da rotina do paciente - além de também ser uma realidade no apoio a clínicas, hospitais e operadoras, em casos como triagem inicial de sintomas e direcionamento para o canal adequado; agendamento, confirmação e remarcação de consultas; lembretes de exames, medicação e retorno; orientações pré e pós-consulta; acompanhamento de adesão ao tratamento; e coleta de satisfação e monitoramento da experiência. 

Quando bem implementado, proporciona ganhos de redução de filas, menor sobrecarga das equipes, maior previsibilidade operacional e uma experiência mais simples para o paciente. Com isso, em vez de obrigar o paciente a ligar, esperar ou navegar por sistemas complexos, as empresas conseguem oferecer um atendimento mais contínuo, contextual e acessível. Isso, desde que saibam em quais etapas da jornada essa automação vale mais a pena ser investida, com estratégia e inteligência. 

A melhor forma de ter esse direcionamento é mapeando a jornada do paciente de acordo com risco, complexidade e sensibilidade. A automação faz mais sentido em etapas repetitivas, informativas e operacionais, como cadastro, agendamento, confirmação, lembretes, envio de documentos, preparo para exames, status de solicitação e pesquisas de satisfação. Paralelamente, o atendimento humano continua indispensável quando há urgência, sofrimento emocional, dúvida clínica complexa, comunicação de diagnóstico, decisão terapêutica, exceções ou situações que exigem empatia e julgamento profissional. 

Não se trata de substituir o ser humano, mas de uma jornada híbrida, em que a IA resolve o que é simples e escala, rapidamente, para pessoas quando há risco, ambiguidade ou necessidade de acolhimento. Por esse motivo que a jornada precisa ser desenhada para o paciente real, não ideal – trazendo linguagem simples, menus objetivos, respostas curtas, opção de áudio ou texto, botões claros e possibilidade fácil de falar com um atendente. 

No WhatsApp, essa experiência deve ser inclusiva: evitar termos técnicos, confirmar entendimento, permitir correção de informações e respeitar diferentes níveis de familiaridade digital. Quanto mais for estruturado como um canal seguro e integrado à governança da instituição, maior será a eficiência e benefícios colhidos pelas empresas de saúde, operando sempre com a mesma seriedade de qualquer outra plataforma assistencial ou institucional. 

A discussão sobre inteligência artificial na saúde não deve se concentrar em uma suposta disputa entre tecnologia e profissionais, mas em como utilizar o melhor dos dois mundos. Quando aplicada com responsabilidade, governança e supervisão especializada, reduz a burocracia, agiliza processos e melhora a comunicação com os pacientes, fortalecendo a confiança e relacionamento entre as partes. O maior potencial da tecnologia não está em substituir o cuidado, mas em criar mais espaço para que ele aconteça, com respeito e humanização. 

 

Thiago Gomes - Diretor de Customer Experience na Pontaltech.

 

“Avanço de estudo de medicamento oral nos permite a cada dia entender e tratar melhor diferentes cânceres”, destaca professor de Oncologia da UMC

 

Progresso com medicamento que trata câncer no pâncreas pode dar novos rumos no combate à doença

 

A divulgação dos resultados bem-sucedidos do estudo envolvendo o daraxonrasib, medicamento oral que vem sendo tratado como uma nova geração de inibidores capazes de bloquear a proteína RAS em seu estado ativo (“ligado”), impedindo que ela transmita sinais de crescimento para dentro da célula tumoral, apesar de ser celebrada com cautela, pode sim representar um passo relevante no avanço para entender e tratar melhor diferentes cânceres, especialmente o de pâncreas, considerado um dos mais agressivos do aparelho digestivo. A avaliação é de Fernando Campos, oncologista clínico e professor da disciplina de Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). 

“Para ter a real dimensão do que a ciência tem feito, basta evidenciar a comparação estatística entre os grupos do estudo. A sobrevida mediana foi quase dobrada: de 7 meses com quimioterapia para 13 meses com o medicamento, algo muito relevante para uma doença tão agressiva como o carcinoma de pâncreas metastático. Além de viver mais, o fato de ser um tratamento oral e, aparentemente, com perfil de toxicidade manejável, pode significar mais tempo fora do hospital e com melhor preservação da qualidade de vida”, destaca Campos, que também é líder da Oncologia Clínica do Centro de Referência em Sarcomas, A.C. Camargo Cancer Center, além de membro do Conselho Diretor, Sarcoma European & Latin America Network (Selnet) e do Conselho Médico da Associação Brasileira de Sarcomas e Tumor Desmoide, Comissão de Sarcomas, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). 

“A quimioterapia age atacando células que se dividem rapidamente, tanto tumorais quanto algumas células normais, causando efeitos como queda de cabelo, náuseas, queda da imunidade e anemia. O daraxonrasib é uma terapia-alvo oral, que tenta interferir numa alteração molecular importante para o tumor. Isso não significa ausência de toxicidade, mas em geral é uma abordagem mais direcionada do que a quimioterapia convencional”, explica Campos. 

“O avanço dessa pílula pode mudar o cenário do tratamento de segunda linha para tumores pancreáticos, quando muitos pacientes que já receberam quimioterapia chegam fragilizados. O medicamento oral pode reduzir idas ao hospital e tornar o tratamento menos pesado, mantendo o controle rigoroso de exames, dos efeitos colaterais e a avaliação médica frequente”, acrescenta o oncologista. 

Campos destaca que um passo natural a ser dado com essa evolução é estudar o daraxonrasib em fases mais precoces do tratamento e em combinação com outros medicamentos, incluindo quimioterapia ou outras terapias-alvo: “Em Oncologia, quando usamos uma droga-alvo, uma preocupação comum é o surgimento de resistência. Por isso, combinações racionais podem ser importantes para aumentar a duração da resposta e tentar evitar que o tumor encontre caminhos alternativos de crescimento”, complementa. 

Para o docente da UMC, estudos como esse fazem a ciência se aproximar em busca do tão desejado controle do câncer: “A cada dia, entendemos melhor os diferentes cânceres e, com isso, tratando melhor alguns deles. É preciso compreender que ‘câncer’ não é uma doença única, mas centenas de doenças diferentes. Em algumas, já curamos muitos pacientes. Em outras, como o carcinoma de pâncreas metastático, ainda é um enorme desafio. Nesse sentido, o daraxonrasib vem como uma notícia muito importante porque mostra que um alvo considerado impossível por décadas pode, sim, ser atacado com benefício clínico real”. 

Contudo, o professor ressalta que é necessário comunicar esses avanços com equilíbrio: “É preciso celebrar o progresso, mas entender o caminho ainda a ser percorrido, destacando a importância das pesquisas clínicas e da participação de pacientes em estudos clínicos, porque é dessa maneira que a Medicina avança”, conclui.


Mastologista esclarece 5 mitos e verdades sobre saúde das mama

Especialista explica quais alterações exigem investigação, quando a cirurgia pode ser necessária e reforça a importância dos exames preventivos
 

Encontrar um caroço na mama ou sentir desconforto na região costuma gerar preocupação imediata. No entanto, nem todo nódulo ou cisto representa um diagnóstico de câncer. Embora essas alterações sejam comuns ao longo da vida, suas características são diferentes e exigem avaliação médica para um diagnóstico preciso. 

Segundo a publicação “Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer (INCA)”, o país deverá registrar cerca de 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, reforçando a importância da investigação adequada de alterações identificadas durante exames de rotina.

Para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema, o cirurgião oncológico e mastologista Dr. Caetano Cardial, comenta cinco mitos e verdades relacionados à saúde das mamas.
 

1. Nem todo nódulo ou cisto significa câncer 

Verdade. Os cistos são estruturas preenchidas por líquido e, na maioria dos casos, benigna. Já os nódulos são formações sólidas que podem ser benignas ou malignas. “A maioria dos cistos não representa risco de câncer, mas os nódulos precisam ser avaliados por exames de imagem e, em alguns casos, por biópsia”, explica o especialista.
 

2. Mulheres jovens não desenvolvem nódulos mamários 

Mito. Alterações mamárias benignas podem surgir em qualquer idade. Um exemplo é o fibroadenoma, um dos tumores benignos mais frequentes entre mulheres jovens. “Não existe uma idade específica para o aparecimento de nódulos. Quando necessário, realizamos exames complementares para definir o diagnóstico com segurança”, afirma.
 

3. Dor na mama geralmente indica algo grave 

Mito. Em muitos casos, a dor mamária está relacionada a alterações hormonais e não ao câncer. “A presença de dor isolada costuma estar associada a causas benignas, mas sintomas persistentes devem ser avaliados por um especialista”, orienta.
 

4. Nódulos ou cistos podem desaparecer espontaneamente 

Verdade. A Maioria dos cistos e determinados nódulos benignos podem diminuir de tamanho ou até desaparecer espontaneamente, dependendo de suas características e da causa da alteração.
 

5. Nem todo cisto ou nódulo precisa ser removido 

Verdade. Quando a lesão apresenta características benignas, o acompanhamento periódico costuma ser suficiente. A cirurgia geralmente é indicada em casos de crescimento da lesão, dor persistente, dúvida diagnóstica ou confirmação de câncer. 

"A cirurgia para retirada de cistos ou nódulos consiste na remoção da lesão por meio de uma pequena incisão, geralmente preservando o tecido saudável ao redor. O material é encaminhado para análise laboratorial, que confirma o diagnóstico. No entanto, nem todos os cistos ou nódulos exigem cirurgia: muitos podem ser apenas monitorados ou, no caso dos cistos, drenados quando necessário”, conclui Dr. Caetano Cardial.



Clínica Terra Cardial

Dra. Márcia Fuzaro - médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC, doutora em Tocoginecologia, professora associada e chefe do setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia, além de presidente da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC)

Dr. Caetano da Silva Cardial - graduado pela Faculdade de Medicina do ABC, é mestre em Ginecologia, cirurgião oncológico e mastologista, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, Membro da Comissão Nacional de Especialidade de Ginecologia Oncológica da FEBRASGO.

Dra. Débora Cardial - formada pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência em Clínica Médica e Dermatologia, título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, além de ser membro da Sociedade Europeia de Dermatologia e Venereologia e da Sociedade Brasileira de Laser.

 

AI Pathology é reconhecida em Harvard por inovação em IA para triagem precoce de câncer de pele

Healthtech brasileira acumula reconhecimento no ecossistema de Harvard com premiação em hackathon global de saúde e reconhecimento sobre impacto social
 

A AI Pathology, healthtech brasileira especializada em inteligência artificial aplicada à detecção precoce de câncer de pele, consolida sua presença no cenário internacional de inovação em saúde após conquistar importantes reconhecimentos no ecossistema da Universidade Harvard. A empresa foi selecionada como Social Impact Fellowship Fund Recipient pelo Harvard Innovation Labs, além de ter sido premiada na 5ª edição do Health Systems Innovation Hackathon, promovido pela Harvard T.H. Chan School of Public Health, onde ficou entre as quatro empresas premiadas a fazer o Venture Program. 

Desenvolvido para auxiliar na triagem de lesões de pele por meio de fotografias capturadas com smartphones, a Nevo foi criada a partir de uma base de dados brasileira diversa, com o objetivo de ampliar a precisão dos algoritmos em diferentes tons de pele. A solução busca contribuir para diagnósticos mais precoces, especialmente em contextos com acesso limitado a especialistas, reduzindo o tempo entre a identificação de uma lesão suspeita e o encaminhamento para avaliação clínica. 

“Ser reconhecido por instituições ligadas a Harvard representa uma validação importante do trabalho que estamos construindo no Brasil. Nosso propósito é desenvolver uma tecnologia capaz de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, sem substituir o médico, mas oferecendo uma ferramenta de apoio baseada em evidências e desenhada para a diversidade da população mundial”, afirma Willian Boelcke, fundador e CEO da AI Pathology. 

Segundo o executivo, os reconhecimentos reforçam o potencial global da tecnologia desenvolvida pela empresa. “Grande parte das soluções de dermatologia baseadas em inteligência artificial foi treinada predominantemente com imagens de pele clara. Desde o início, entendemos que a diversidade brasileira poderia se tornar uma vantagem científica e tecnológica relevante. Ver essa abordagem sendo reconhecida em um dos ambientes mais respeitados de inovação em saúde do mundo nos mostra que estamos no caminho certo”, diz. 

Fundada em São Paulo e incubada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), a AI Pathology vem ampliando suas iniciativas de pesquisa, validação clínica e parcerias estratégicas para expandir a utilização da inteligência artificial como ferramenta de apoio à detecção precoce do câncer de pele. Os reconhecimentos conquistados em Harvard reforçam a estratégia da companhia de transformar evidência científica e inovação tecnológica em soluções escaláveis para sistemas de saúde no Brasil e no exterior.


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