Menor exposição à luz solar, aumento das alergias respiratórias e ambientes fechados podem comprometer o descanso durante os meses mais frios
As noites mais longas e as temperaturas mais baixas fazem muita gente acreditar que o inverno é a estação perfeita para dormir. Na prática, porém, nem sempre o organismo acompanha essa lógica. Embora seja comum sentir mais vontade de ficar na cama nos dias frios, a qualidade do sono pode ser prejudicada por fatores típicos desta época do ano. Entre eles estão a redução da exposição à luz natural, o aumento do tempo em ambientes fechados, a piora de problemas respiratórios e até alguns hábitos que costumam passar despercebidos na rotina.
Segundo o
otorrinolaringologista Dr. Nilson André Maeda, especialista em distúrbios do
sono do Hospital Paulista, o inverno pode interferir diretamente em mecanismos
biológicos que regulam o ciclo do sono. “O ritmo circadiano, que funciona como
um relógio biológico do organismo, depende da exposição à luz para se manter
adequadamente sincronizado. Durante o inverno, especialmente quando há menor
exposição à luz natural pela manhã, esse sistema pode sofrer alterações que
influenciam o ciclo sono-vigília e a qualidade do sono”, explica.
O papel da luz no relógio biológico
A luminosidade é um dos principais reguladores da secreção de melatonina, hormônio que participa da regulação do ciclo sono-vigília e sinaliza ao organismo o período biológico mais favorável ao sono.
Quando a exposição
à luz solar diminui, o corpo pode ter mais dificuldade para manter o ciclo
adequado entre sono e vigília. Além disso, muitas pessoas passam menos tempo ao
ar livre durante os meses frios, reduzindo ainda mais esse estímulo natural.
“Em algumas pessoas, isso pode contribuir para maior sonolência durante o dia e
para uma percepção de sono menos restaurador durante a noite”, afirma Maeda.
Nariz entupido e ronco também entram na conta
Além das mudanças ambientais, o inverno costuma coincidir com um aumento das doenças respiratórias e das crises alérgicas. Rinite, congestão nasal, sinusites e infecções das vias aéreas superiores tendem a se tornar mais frequentes nesta época do ano. Esses problemas podem dificultar a respiração durante o sono, aumentar o ronco e provocar despertares noturnos.
“É bastante comum
observarmos piora da obstrução nasal e dos sintomas alérgicos durante o
inverno. Em muitos casos, isso pode contribuir para maior fragmentação do sono
e redução da sensação de descanso ao despertar”, destaca o especialista.
Nem frio demais, nem calor excessivo
Outro aspecto importante é a temperatura do ambiente. Embora muitas pessoas associem o frio a um sono mais confortável, temperaturas extremas podem atrapalhar o descanso. Ambientes muito gelados provocam desconforto e despertares frequentes, enquanto o excesso de cobertores ou quartos excessivamente aquecidos pode causar superaquecimento corporal.
Isso é
particularmente importante porque a temperatura do corpo precisa cair
naturalmente para que o sono aconteça de forma adequada. “O ideal é manter um
ambiente confortável, sem extremos. O quarto deve estar escuro, silencioso e
bem ventilado. Para a maioria das pessoas, temperaturas em torno de 18°C a 22°C
costumam proporcionar boas condições para o sono”, orienta Maeda.
Hábitos comuns que sabotam o sono no inverno
Alguns
comportamentos típicos dos dias frios também podem contribuir para noites mal
dormidas. Entre os mais frequentes estão:
- redução
da atividade física;
- menor
exposição à luz solar;
- aumento
do tempo em frente a telas;
- maior
consumo de café e bebidas estimulantes;
- horários
irregulares para dormir e acordar.
Segundo o médico,
muitas pessoas também acabam ignorando sintomas respiratórios persistentes,
como obstrução nasal e outras manifestações da rinite, que podem impactar
diretamente a qualidade do descanso.
Como dormir melhor nos dias frios
A boa notícia é
que medidas simples podem ajudar a minimizar os efeitos do inverno sobre o
sono. Especialistas recomendam:
- manter
horários regulares para dormir e acordar;
- buscar
exposição à luz natural logo pela manhã;
- praticar
atividade física regularmente;
- reduzir
o uso de celulares e telas antes de dormir;
- evitar
cafeína no período noturno;
- manter
o quarto ventilado e confortável;
- tratar
adequadamente alergias e problemas respiratórios.
Para quem convive
com ronco frequente, sonolência excessiva durante o dia ou pausas respiratórias
observadas durante o sono, a recomendação é procurar avaliação especializada.
“Embora o inverno possa favorecer alterações no sono por fatores ambientais e
comportamentais, os hábitos saudáveis e as medidas adequadas de higiene do sono
costumam minimizar esses impactos. Além disso, sintomas persistentes como ronco
frequente, obstrução nasal, pausas respiratórias durante o sono ou sonolência
excessiva durante o dia merecem investigação, pois podem estar associados a
distúrbios do sono que necessitam de tratamento”, conclui Maeda.
Hospital Paulista
de Otorrinolaringologia
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