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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Sono ruim no frio? Veja como o inverno pode afetar seu descanso sem você perceber

Menor exposição à luz solar, aumento das alergias respiratórias e ambientes fechados podem comprometer o descanso durante os meses mais frios 

 

As noites mais longas e as temperaturas mais baixas fazem muita gente acreditar que o inverno é a estação perfeita para dormir. Na prática, porém, nem sempre o organismo acompanha essa lógica. Embora seja comum sentir mais vontade de ficar na cama nos dias frios, a qualidade do sono pode ser prejudicada por fatores típicos desta época do ano. Entre eles estão a redução da exposição à luz natural, o aumento do tempo em ambientes fechados, a piora de problemas respiratórios e até alguns hábitos que costumam passar despercebidos na rotina. 

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Nilson André Maeda, especialista em distúrbios do sono do Hospital Paulista, o inverno pode interferir diretamente em mecanismos biológicos que regulam o ciclo do sono. “O ritmo circadiano, que funciona como um relógio biológico do organismo, depende da exposição à luz para se manter adequadamente sincronizado. Durante o inverno, especialmente quando há menor exposição à luz natural pela manhã, esse sistema pode sofrer alterações que influenciam o ciclo sono-vigília e a qualidade do sono”, explica.

 

O papel da luz no relógio biológico 

A luminosidade é um dos principais reguladores da secreção de melatonina, hormônio que participa da regulação do ciclo sono-vigília e sinaliza ao organismo o período biológico mais favorável ao sono. 

Quando a exposição à luz solar diminui, o corpo pode ter mais dificuldade para manter o ciclo adequado entre sono e vigília. Além disso, muitas pessoas passam menos tempo ao ar livre durante os meses frios, reduzindo ainda mais esse estímulo natural. “Em algumas pessoas, isso pode contribuir para maior sonolência durante o dia e para uma percepção de sono menos restaurador durante a noite”, afirma Maeda.

 

Nariz entupido e ronco também entram na conta 

Além das mudanças ambientais, o inverno costuma coincidir com um aumento das doenças respiratórias e das crises alérgicas. Rinite, congestão nasal, sinusites e infecções das vias aéreas superiores tendem a se tornar mais frequentes nesta época do ano. Esses problemas podem dificultar a respiração durante o sono, aumentar o ronco e provocar despertares noturnos. 

“É bastante comum observarmos piora da obstrução nasal e dos sintomas alérgicos durante o inverno. Em muitos casos, isso pode contribuir para maior fragmentação do sono e redução da sensação de descanso ao despertar”, destaca o especialista.

 

Nem frio demais, nem calor excessivo 

Outro aspecto importante é a temperatura do ambiente. Embora muitas pessoas associem o frio a um sono mais confortável, temperaturas extremas podem atrapalhar o descanso. Ambientes muito gelados provocam desconforto e despertares frequentes, enquanto o excesso de cobertores ou quartos excessivamente aquecidos pode causar superaquecimento corporal. 

Isso é particularmente importante porque a temperatura do corpo precisa cair naturalmente para que o sono aconteça de forma adequada. “O ideal é manter um ambiente confortável, sem extremos. O quarto deve estar escuro, silencioso e bem ventilado. Para a maioria das pessoas, temperaturas em torno de 18°C a 22°C costumam proporcionar boas condições para o sono”, orienta Maeda.

 

Hábitos comuns que sabotam o sono no inverno 

Alguns comportamentos típicos dos dias frios também podem contribuir para noites mal dormidas. Entre os mais frequentes estão:

  • redução da atividade física;
  • menor exposição à luz solar;
  • aumento do tempo em frente a telas;
  • maior consumo de café e bebidas estimulantes;
  • horários irregulares para dormir e acordar.

Segundo o médico, muitas pessoas também acabam ignorando sintomas respiratórios persistentes, como obstrução nasal e outras manifestações da rinite, que podem impactar diretamente a qualidade do descanso.

 

Como dormir melhor nos dias frios 

A boa notícia é que medidas simples podem ajudar a minimizar os efeitos do inverno sobre o sono. Especialistas recomendam:

  • manter horários regulares para dormir e acordar;
  • buscar exposição à luz natural logo pela manhã;
  • praticar atividade física regularmente;
  • reduzir o uso de celulares e telas antes de dormir;
  • evitar cafeína no período noturno;
  • manter o quarto ventilado e confortável;
  • tratar adequadamente alergias e problemas respiratórios.

Para quem convive com ronco frequente, sonolência excessiva durante o dia ou pausas respiratórias observadas durante o sono, a recomendação é procurar avaliação especializada. “Embora o inverno possa favorecer alterações no sono por fatores ambientais e comportamentais, os hábitos saudáveis e as medidas adequadas de higiene do sono costumam minimizar esses impactos. Além disso, sintomas persistentes como ronco frequente, obstrução nasal, pausas respiratórias durante o sono ou sonolência excessiva durante o dia merecem investigação, pois podem estar associados a distúrbios do sono que necessitam de tratamento”, conclui Maeda.

  

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

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