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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Haja coração! Jogos de futebol podem representar riscos cardiovasculares importantes?

Segundo cardiologista da Casa de Saúde São José, em uma disputa de penâltis ou jogo decisivo, o organismo pode reagir como se estivesse diante de uma situação de perigo, elevando a pressão arterial e a força de contração do coração

 

Com o fim da fase de grupos e o início das eliminatórias da Copa do Mundo FIFA 2026, decisões emocionantes, prorrogações e disputas de penâltis começam a se tornar uma verdadeira preocupação para o torcedor brasileiro. Além da emoção e da alegria de ver a bola rolando, os jogos de futebol podem representar também uma fonte de estresse emocional. É possível, porém, que sintomas como a aceleração dos batimentos cardíacos e o suor frio possam se transformar em um risco real para o torcedor? 

“Sem dúvida. Durante uma disputa de pênaltis ou um jogo muito emocionante, o organismo pode reagir como se estivesse diante de uma situação de perigo. O cérebro ativa o sistema nervoso simpático, promovendo uma descarga intensa de adrenalina e noradrenalina. Esses hormônios aumentam a frequência cardíaca, elevam a pressão arterial, aumentam a força de contração do coração e elevam o consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco. Além disso, tornam o sangue mais propenso à coagulação”, explica a Dra. Julianny Freitas, cardiologista da Casa de Saúde São José. 

Na maioria das pessoas, isso se traduz apenas em sintomas transitórios, como palpitações, suor frio, mãos geladas e sensação de frio na barriga. Mas em indivíduos mais predispostos a problemas cardíacos, essa resposta pode funcionar como um gatilho para infarto, arritmias e até morte súbita. Pacientes que convivem com a doença coronariana, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca ou histórico prévio de arritmias, portanto, devem estar mais atentos às situações de estresse do cotidiano, mesmo em partidas de futebol.
 

Síndrome do coração partido

Eventos cardiovasculares também podem acontecer em pessoas aparentemente saudáveis por conta de uma condição cardíaca ainda não diagnosticada. Doenças genéticas, alterações elétricas do coração ou a doença coronariana silenciosa são condições que podem passar despercebidas com frequência pelos pacientes, por exemplo. 

“Existe ainda uma condição chamada cardiomiopatia induzida pelo estresse, conhecida como síndrome de Takotsubo ou, popularmente, como síndrome do coração partido. Ela pode ser desencadeada por emoções extremamente intensas e causar sintomas semelhantes aos de um infarto. A boa notícia é que esses eventos são raros. A maioria dos torcedores experimentará apenas as emoções naturais do esporte, sem consequências clínicas relevantes”, comenta a Dra. Julianny Freitas. 

Devem ser considerados sinais de alerta:

  • Dor ou pressão no peito, principalmente se durar mais de alguns minutos;
  • Falta de ar importante;
  • Desmaio ou perda de consciência;
  • Tontura intensa associada às palpitações;
  • Sensação de batimentos muito rápidos, irregulares ou descompassados;
  • Sudorese intensa associada a mal-estar importante;
  • Dor irradiando para braço esquerdo, mandíbula, costas ou pescoço.

Além do estresse do jogo, o ritual de assistir aos jogos da seleção acompanhado por churrasco, bebidas alcoólicas, energéticos ou o tabagismo também pode potencializar o risco cardiovascular. A combinação desses diversos fatores pode sobrecarregar o organismo simultaneamente. 

Por isso, a Dra. Julianny Freitas enumerou algumas recomendações para quem não quer deixar de torcer, e ainda assim cuidar da saúde do coração. Os cuidados incluem: manter as medicações em dia; evitar exageros no consumo de álcool e nunca misturá-lo com bebidas energéticas; evitar cigarros tanto tradicionais quanto eletrônicos; manter-se bem hidratado; dormir adequadamente; não ignorar sintomas como dor no peito, falta de ar, desmaios ou palpitações; e, por fim, manter acompanhamento regular com um médico cardiologista. 

“Sentir o coração acelerar durante um pênalti decisivo é normal. Sentir dor no peito, falta de ar ou desmaiar nunca deve ser considerado apenas emoção. Nessas situações, a avaliação médica é fundamental”, conclui a médica da Casa de Saúde São José.


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