Segundo cardiologista da Casa de Saúde São José, em uma disputa de penâltis ou jogo decisivo, o organismo pode reagir como se estivesse diante de uma situação de perigo, elevando a pressão arterial e a força de contração do coração
Com o
fim da fase de grupos e o início das eliminatórias da Copa do Mundo FIFA 2026, decisões emocionantes, prorrogações e disputas de penâltis
começam a se tornar uma verdadeira preocupação para o torcedor brasileiro. Além
da emoção e da alegria de ver a bola rolando, os jogos de futebol podem
representar também uma fonte de estresse emocional. É possível, porém, que
sintomas como a aceleração dos batimentos cardíacos e o suor frio possam se
transformar em um risco real para o torcedor?
“Sem
dúvida. Durante uma disputa de pênaltis ou um jogo muito emocionante, o
organismo pode reagir como se estivesse diante de uma situação de perigo. O
cérebro ativa o sistema nervoso simpático, promovendo uma descarga intensa de
adrenalina e noradrenalina. Esses hormônios aumentam a frequência cardíaca,
elevam a pressão arterial, aumentam a força de contração do coração e elevam o
consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco. Além disso, tornam o sangue mais
propenso à coagulação”, explica a Dra. Julianny Freitas, cardiologista da Casa
de Saúde São José.
Na
maioria das pessoas, isso se traduz apenas em sintomas transitórios, como
palpitações, suor frio, mãos geladas e sensação de frio na barriga. Mas em
indivíduos mais predispostos a problemas cardíacos, essa resposta pode
funcionar como um gatilho para infarto, arritmias e até morte súbita. Pacientes
que convivem com a doença coronariana, hipertensão arterial, insuficiência
cardíaca ou histórico prévio de arritmias, portanto, devem estar mais atentos
às situações de estresse do cotidiano, mesmo em partidas de futebol.
Síndrome
do coração partido
Eventos
cardiovasculares também podem acontecer em pessoas aparentemente saudáveis por
conta de uma condição cardíaca ainda não diagnosticada. Doenças genéticas,
alterações elétricas do coração ou a doença coronariana silenciosa são
condições que podem passar despercebidas com frequência pelos pacientes, por
exemplo.
“Existe
ainda uma condição chamada cardiomiopatia induzida pelo estresse, conhecida
como síndrome de Takotsubo ou, popularmente, como síndrome do coração partido. Ela
pode ser desencadeada por emoções extremamente intensas e causar sintomas
semelhantes aos de um infarto. A boa notícia é que esses eventos são raros. A
maioria dos torcedores experimentará apenas as emoções naturais do esporte, sem
consequências clínicas relevantes”, comenta a Dra. Julianny Freitas.
Devem
ser considerados sinais de alerta:
- Dor
ou pressão no peito, principalmente se durar mais de alguns minutos;
- Falta
de ar importante;
- Desmaio
ou perda de consciência;
- Tontura
intensa associada às palpitações;
- Sensação
de batimentos muito rápidos, irregulares ou descompassados;
- Sudorese
intensa associada a mal-estar importante;
- Dor
irradiando para braço esquerdo, mandíbula, costas ou pescoço.
Além
do estresse do jogo, o ritual de assistir aos jogos da seleção acompanhado por
churrasco, bebidas alcoólicas, energéticos ou o tabagismo também pode
potencializar o risco cardiovascular. A combinação desses diversos fatores pode
sobrecarregar o organismo simultaneamente.
Por isso,
a Dra. Julianny Freitas enumerou algumas recomendações para quem não quer
deixar de torcer, e ainda assim cuidar da saúde do coração. Os cuidados
incluem: manter as medicações em dia; evitar exageros no consumo de álcool e
nunca misturá-lo com bebidas energéticas; evitar cigarros tanto tradicionais
quanto eletrônicos; manter-se bem hidratado; dormir adequadamente; não ignorar
sintomas como dor no peito, falta de ar, desmaios ou palpitações; e, por fim,
manter acompanhamento regular com um médico cardiologista.
“Sentir
o coração acelerar durante um pênalti decisivo é normal. Sentir dor no peito,
falta de ar ou desmaiar nunca deve ser considerado apenas emoção. Nessas
situações, a avaliação médica é fundamental”, conclui a médica da Casa de Saúde
São José.
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