Especialistas explicam por que a condição vai além do peso envolvendo fatores biológicos, emocionais e sociais.
A obesidade é um dos principais desafios de
saúde pública do mundo, classificada como epidemia pela Organização Mundial da
Saúde (OMS). A condição já afeta mais de 1 bilhão de pessoas, com taxas que
praticamente triplicaram desde 1975, atingindo tanto países ricos quanto em
desenvolvimento, impulsionada por mudanças no padrão alimentar, no estilo de
vida e na atividade física. No Brasil, a condição avançou 118% nos últimos 19
anos, segundo dados do Ministério da Saúde.
Além dos impactos metabólicos e
cardiovasculares, a obesidade também está profundamente ligada à saúde mental.
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), conduzida pelo IBGE em parceria com o
Ministério da Saúde, mostra maior risco de depressão, ansiedade e baixa
autoestima entre pessoas com a condição. Ao mesmo tempo, transtornos psíquicos
podem favorecer o ganho de peso, seja pela alimentação emocional, pela redução
da atividade física ou até como efeito colateral de alguns medicamentos.
Trata-se, portanto, de uma via de mão dupla que exige cuidado integrado.
Segundo a professora de psiquiatria da Afya
Itaperuna, Dra Fernanda Miranda, a obesidade não pode ser atribuída apenas à
alimentação inadequada ou à falta de força de vontade. É uma condição multifatorial,
que envolve aspectos biológicos, emocionais e sociais. “O corpo possui
mecanismos próprios de regulação do peso, influenciados por hormônios e pela
genética,responsável por parcela significativa da predisposição individual.
Além disso, fatores como estresse crônico, privação de sono, rotina acelerada e
maior consumo de alimentos ultraprocessados interferem diretamente no
comportamento alimentar ", explica a médica.
Alterações no humor e no sono, por exemplo,
impactam o apetite e a sensação de saciedade. Dormir mal pode aumentar a fome;
já o estresse, a ansiedade e a depressão tendem a estimular o consumo de
alimentos ricos em açúcar e gordura. Nesses contextos, a comida pode assumir
uma função de alívio emocional. Embora traga conforto momentâneo, esse padrão
pode gerar culpa, frustração e perpetuar um ciclo de sofrimento.
O estigma social relacionado ao peso agrava
ainda mais esse cenário. De acordo com a Dra. Renata Caveari,professora de
Psicologia da Afya Itaperuna, em uma cultura que associa magreza ao sucesso e
autocontrole, o excesso de peso frequentemente é visto como falha individual
“Essa percepção reforça sentimentos de vergonha e exclusão, impactando a
autoestima e podendo intensificar quadros de ansiedade e depressão. O
preconceito também afasta muitas pessoas dos serviços de saúde, dificultando o
diagnóstico e o tratamento adequados” afirma a especialista.
Além disso, alguns transtornos psiquiátricos e
determinados medicamentos podem contribuir para o aumento de peso, o que
reforça a importância de acompanhamento especializado. “Abordagens isoladas
tendem a ter resultados limitados. O tratamento mais eficaz envolve atuação
multidisciplinar, integrando alimentação equilibrada, prática de atividade
física, sono adequado, manejo do estresse e cuidado com a saúde mental” declara
a psiquiatra.
Mais do que focar apenas na balança, é fundamental adotar uma abordagem humanizada e centrada na pessoa. Avaliar o contexto emocional e social, reconhecer avanços na qualidade do sono, no condicionamento físico e no bem-estar psicológico são passos essenciais para resultados sustentáveis. Tratar obesidade e saúde mental de forma conjunta é, portanto, um caminho indispensável para romper ciclos de sofrimento e promover saúde de maneira ampla e duradoura.
Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário