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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Nem pouca, nem muita: pausas para hidratação na Copa do Mundo reforçam importância da água para proteger os rins

 

Especialista destaca importância da hidratação na medida  correta durante exercícios
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Especialistas alertam que tanto a desidratação quanto o consumo excessivo de água durante a prática de exercícios podem trazer riscos à saúde, especialmente para o funcionamento dos rins


As pausas para hidratação adotadas durante os jogos da Copa do Mundo chamam a atenção para um cuidado que vai muito além do futebol profissional. Em dias de calor intenso, o organismo perde água e sais minerais por meio do suor para manter a temperatura corporal. Quando essa reposição não acontece de forma adequada, aumenta o risco de desidratação, queda no rendimento físico e sobrecarga dos rins, órgãos responsáveis por filtrar cerca de 180 litros de sangue por dia, eliminando toxinas e regulando o equilíbrio de água e eletrólitos no organismo. 

Além de contribuir para o funcionamento adequado dos rins, a hidratação também ajuda a reduzir o risco de formação de cálculos renais. “Com maior volume de líquidos circulando no organismo, a urina se torna mais diluída, dificultando a concentração dos sais minerais que podem dar origem às chamadas pedras nos rins. Pessoas que vivem em regiões quentes, como grande parte do Brasil, tendem a apresentar maior incidência desse problema justamente devido à maior perda de líquidos pelo suor quando a reposição não é suficiente”, comenta Marcelo Lopes, médico nefrologista e diretor de Ensino e Pesquisa da DaVita.

O especialista também alerta para o excesso de água. "Por incrível que pareça, água demais também pode fazer mal. Existe uma condição chamada hiponatremia, que acontece quando a pessoa ingere um volume muito grande de água em um curto período, diluindo o sódio do sangue. Isso faz com que as células inchem e, nos casos mais graves, pode provocar dor de cabeça, confusão mental e até convulsões", explica.

A hiponatremia é considerada uma das principais complicações relacionadas à hidratação excessiva em esportes de longa duração, como maratonas, ultramaratonas e provas de ciclismo. Nesses casos, alguns atletas chegam a ganhar peso durante a prova devido ao excesso de ingestão de líquidos, um sinal de que a reposição ultrapassou as perdas pelo suor.

Os efeitos da desidratação também podem aparecer rapidamente. Estudos realizados pelo American College of Sports Medicine e pelo European Hydration Institute apontam que uma perda de apenas 2% do peso corporal em líquidos já é suficiente para reduzir a capacidade física, comprometer a concentração e aumentar a percepção de esforço durante os exercícios. “Quanto menor o volume de água circulando no organismo, menor é o fluxo sanguíneo para os rins, o que dificulta seu funcionamento e, em situações extremas, pode favorecer uma lesão renal aguda”, comenta Marcelo.

Para evitar tanto a falta quanto o excesso de água, a recomendação é individualizar a hidratação. A conhecida regra de consumir dois litros de água por dia não serve para todas as pessoas. Fatores como peso corporal, intensidade da atividade física, temperatura ambiente, umidade do ar e taxa de transpiração influenciam diretamente a quantidade necessária. Quem treina sob sol forte ou realiza exercícios prolongados pode precisar de um consumo significativamente maior do que alguém sedentário ou que permanece em ambientes climatizados.

“Uma maneira simples de avaliar a hidratação é observar a cor da urina. O próprio corpo oferece um excelente indicador. Quando a urina apresenta um tom amarelo bem claro, semelhante à cor de uma limonada, a hidratação costuma estar adequada. Se estiver completamente transparente, pode indicar uma ingestão de líquidos acima da necessidade naquele momento. Já uma urina amarelo-escura sugere que o corpo está precisando de mais água”, orienta Lopes.

Os grupos mais vulneráveis à desidratação são crianças e idosos. “As crianças possuem maior percentual de água corporal e costumam perder líquidos rapidamente durante brincadeiras e atividades físicas, mas nem sempre interrompem a atividade para beber água. Já os idosos apresentam redução da sensação de sede, o que favorece a ingestão insuficiente de líquidos mesmo quando a desidratação já está instalada”, reforça o nefrologista. 

Os primeiros sinais de desidratação incluem boca seca, dor de cabeça, tontura ao se levantar, fadiga intensa, diminuição do volume urinário e cãibras. Quando a falta de água se torna frequente ou contribui para o agravamento da função renal, podem surgir sintomas mais preocupantes. “Os sinais de alerta incluem urina muito espumosa, presença de sangue ou coloração semelhante à de refrigerante de cola, além de inchaço nas pernas, tornozelos ou ao redor dos olhos e aumento inesperado da pressão arterial”, destaca.


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