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quinta-feira, 18 de junho de 2026

“Não é só asma”: especialista alerta que a falta de controle da doença agrava crises e aumenta mortalidade

Cerca de 20 milhões de brasileiros têm asma[1], doença crônica frequentemente subestimada. O tratamento adequado e contínuo evita internações e até óbitos

 

Muitas vezes minimizada no senso comum como um problema respiratório corriqueiro, a asma é, na verdade, uma doença inflamatória crônica grave das vias aéreas. No Brasil, o cenário é preocupante: embora existam tratamentos eficazes, apenas 12,3% dos pacientes mantêm o controle total da enfermidade[2]. O resultado dessa negligência reflete-se nos números: a doença é uma das principais causas de hospitalização no SUS, com cerca de 350 mil internações anuais e centenas de mortes que poderiam ser evitadas com informação e adesão ao tratamento para o controle adequado da doença[3].
 

O que é a asma e como ela age?

A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns[4]. “Ela ocorre quando os brônquios (canais que levam o ar aos pulmões) inflamam. Diante de gatilhos como poeira, poluição ou mudanças climáticas, os músculos ao redor dessas vias se contraem e a parede interna incha, produzindo muco excessivo”, alerta a pneumologista Dra Leda Rabelo, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

Esse processo cria uma barreira física à passagem do oxigênio. É por isso que os sintomas típicos incluem chiado no peito, falta de ar (dispneia) e respiração curta, sensação de aperto no peito e tosse persistente. A asma pode ser classificada de acordo com a gravidade – leve, moderada ou grave[5].
 

Os riscos do falso controle

Um dos maiores riscos para o paciente é acreditar que a doença "desapareceu" entre uma crise e outra. "A asma não é um evento isolado de falta de ar, é uma inflamação que está lá mesmo quando o paciente se sente bem. Acreditar que é 'só uma asma leve' é perigoso, pois sintomas leves negligenciados podem evoluir rapidamente para uma crise fatal", diz a especialista. 

A diferença entre o controle e o agravamento está na adesão ao tratamento. De acordo com a diretriz global GINA 2025, o uso de corticosteroides inalatórios é o pilar para manter as vias aéreas desinflamadas[6]. “Quando o paciente utiliza apenas o medicamento de "resgate" (para alívio imediato da falta de ar) e ignora a medicação de manutenção, ele permite que a inflamação progrida, aumentando o risco de sequelas pulmonares e hospitalizações”, declara a pneumologista.
 

Mitos e verdades: o perigo da desinformação

A baixa adesão ao tratamento é alimentada por crenças equivocadas. É comum, por exemplo, a confusão entre asma e bronquite[7]. “Asma não é bronquite. Enquanto a bronquite pode ser pontual e infecciosa, a asma é uma condição crônica que requer gestão a longo prazo”, explica ??, que trouxe outros mitos para serem esclarecidos: 

O medicamento não vicia e nem faz mal para o coração. O tratamento baseado em corticosteroides inalatórios e broncodilatadores é seguro. “O verdadeiro perigo é o uso excessivo de “bombinhas” com medicações de resgate (alívio imediato) sem o tratamento adequado com o uso das medicações de manutenção”, afirma Dra Leda Rabelo. 

Apenas o raio-x não descarta a asma. “O diagnóstico padrão-ouro envolve a avaliação clínica e a espirometria, exame que mede a função pulmonar”, declara a especialista. 

A asma não é só uma falta de ar que aparece de vez em quando. A asma é uma doença crônica e o tratamento deve ser contínuo para evitar que a crise aconteça[8]. “Parar a medicação na ausência de sintomas é o principal erro que leva às crises e ao agravamento da doença”, diz a médica.
 

Novas tecnologias para mais qualidade de vida

Uma das inovações no tratamento da asma moderada a grave é a terapia tripla em um único dispositivo inalatório. “Ao combinar três medicamentos com funções diferentes (dois broncodilatadores e um corticoide inalatório), a tecnologia simplifica o regime terapêutico, podendo favorecer a adesão ao tratamento. Ao reduzir a complexidade do uso de várias bombinhas no dia a dia, garantimos mais autonomia, minimizamos erros no uso e proporcionamos uma qualidade de vida muito superior, permitindo que o paciente retome atividades físicas e sociais sem o medo constante de uma crise e de complicações, que podem ser fatais”, finaliza.

 

[1] Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.Espaço Saúde Respiratória. Asma. [acesso em 22 abr de 2026]. Available from: Link

[2] Cançado JED, Penha M, Gupta S, Li VW, Julian GS, Moreira ES. Respira project: Humanistic and economic burden of asthma in Brazil. J Asthma. 2019;56(3):244-251. https://doi.org/10.1080/02770903.2018.1445267

[3] Global Initiative for Asthma. World Asthma Day, 2026. Available from: https://ginasthma.org/world-asthma-day-2026/

[4] Ministério da Saúde, Asma. [acesso em 22 abr de 2026] Available from: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/asma

[5] Global Initiative for Asthma. World Asthma Day, 2026. Available from: https://ginasthma.org/world-asthma-day-2026/

[6] Global Initiative for Asthma. Global Strategy for Asthma Management and Prevention, 2025. Updated November 2025. Available from: www.ginasthma.org

[7] Ministério da Saúde, Bronquite. [acesso em 22 abr de 2026] Available from:https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/bronquite

[8] World Health Organization, 2024. Available from: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/asthma

 

Construir massa muscular pode fazer a diferença em uma internação

Perda acelerada de músculos durante hospitalizações prolongadas reforça a importância do treino de força ao longo da vida

 

A perda de massa muscular durante uma internação pode começar mais rápido do que muita gente imagina. Um estudo publicado em 2025 na revista científica Critical Care, conduzido por pesquisadores da Universidade e dos Hospitais Universitários de Genebra, na Suíça, mostrou que pacientes com menor quantidade de massa muscular na admissão em Unidades de Terapia Intensivas (UTIs) apresentam maior risco de mortalidade e recuperação mais lenta.

Em pacientes críticos, a perda muscular pode ocorrer já nas primeiras 24 horas de imobilidade. Em alguns casos, a redução chega a até 2% da massa muscular por dia na fase aguda da internação, segundo pesquisas da área de terapia intensiva. Esse processo, conhecido como sarcopenia aguda, afeta diretamente a força física, a mobilidade e a capacidade de recuperação do organismo.

Uma revisão conduzida por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Médicas e do Hospital do Colégio Médico de Pequim, na China, apontou que pacientes com menor quantidade de massa muscular apresentam maior risco de mortalidade hospitalar, maior tempo de ventilação mecânica e recuperação funcional mais lenta após a alta.

Na prática, isso significa que a musculatura funciona como uma espécie de reserva biológica em momentos de grande estresse físico. Durante infecções graves, cirurgias ou traumas, o organismo entra em estado hipercatabólico e passa a consumir proteínas musculares para manter funções vitais e sustentar o sistema imunológico.

“O corpo passa a usar o músculo como fonte de aminoácidos para manter órgãos vitais funcionando e combater a doença. Quem entra na internação com mais massa muscular consegue sustentar esse processo por mais tempo”, explica Lucas Florêncio, treinador da Smart Fit.

Segundo ele, pacientes com pouca massa muscular chegam mais rapidamente a estados de fragilidade e perda funcional. “Quem tem pouca reserva muscular esgota essa capacidade muito rápido, aumentando o risco de complicações e dificuldade de recuperação”, afirma.

A perda muscular durante períodos prolongados de imobilidade também afeta funções básicas do organismo. O diafragma, principal músculo da respiração, sofre atrofia durante internações longas e pode dificultar a retirada da ventilação mecânica. Além disso, a redução de força compromete movimentos simples, como levantar da cama, caminhar ou subir escadas depois da alta hospitalar.

Dados da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) mostram que a chamada “fraqueza adquirida na UTI” atinge até metade dos pacientes críticos submetidos à ventilação mecânica prolongada. O quadro está associado a maior tempo de reabilitação e perda de independência funcional.

Idosos e sedentários estão entre os grupos mais vulneráveis. Isso porque o envelhecimento já provoca perda natural de massa muscular a partir dos 30 anos. Sem estímulo muscular ao longo da vida, a tendência é chegar a uma eventual hospitalização com reservas reduzidas.

Outro estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Maastricht, na Holanda, concluiu que pacientes idosos com maior força muscular e maior quantidade de massa magra apresentaram menos complicações clínicas e recuperação funcional mais rápida após internações prolongadas.

Segundo Florêncio, o treinamento de força funciona como uma preparação de longo prazo para situações de vulnerabilidade física. “A musculação cria uma espécie de poupança biológica. A pessoa constrói um estoque maior de massa muscular ao longo da vida e consegue enfrentar melhor períodos de doença, imobilidade ou envelhecimento”, diz.

Além da questão funcional, a musculatura também tem papel importante no metabolismo e na resposta inflamatória do organismo. O músculo é um dos principais tecidos responsáveis pelo controle da glicose no sangue e pela sensibilidade à insulina. Durante a contração muscular, o corpo libera substâncias chamadas miocinas, associadas à regulação inflamatória e à saúde cardiovascular.

As recomendações atuais da Organização Mundial da Saúde (OMS) orientam que adultos realizem exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana, trabalhando grandes grupos musculares. Estudos recentes mostram que mesmo sessões curtas, de cerca de 20 a 30 minutos, já são suficientes para gerar ganhos importantes de força e funcionalidade quando realizadas com regularidade.

“O músculo deixou de ser visto apenas como questão estética. Hoje sabemos que ele tem relação direta com autonomia, recuperação e sobrevivência em situações críticas”, afirma Florêncio.

Confira abaixo e no link um treino desenvolvido por Lucas Florêncio: 

Exercício

Padrão Biomecânico

Séries x Repetições

Foco Principal

Agachamento sumô

Dominância de Joelho

3 séries x 10 a 12 rep.

Quadríceps e Glúteos

Supino Reto Halteres

Empurrar Horizontal

3 séries x 8 a 10 rep.

Peitoral, Deltoide e Tríceps

Remada maquina articulada

Puxar Horizontal

3 séries x 10 a 12 rep.

Dorsais, Romboides e Bíceps

Prancha Isométrica

Estabilização Central

3 séries x 30 a 45 seg.

Core (Transverso e Reto)

 

 Grupo Smart Fit


Quem tem glaucoma pode fazer cirurgia de catarata?

Sim, pode. Pesquisa mostra que a cirurgia pode substituir ou minimizar o uso de colírio. Entenda.

  

Esta é uma dúvida frequente no consultório, diz o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier.  “Por falta de informação muitos adiam a cirurgia e quanto mais deixam para depois, maior é o risco de perda da visão por glaucoma. Isso porque, a catarata progride, torna o cristalino mais espesso, dificulta a drenagem do fluido que preenche o olho e provoca a morte das células do nervo óptico. 

Uma evidência do benefício da substituição do cristalino rígido por uma lente final e flexível é  o resultado de uma pesquisa publicada no American Journal of Ophthalmology. Os 623 participantes com glaucoma de ângulo aberto tiveram queda da pressão intraocular após a intervenção cirúrgica e passaram a usar menos colírio. Não quer dizer que a cirurgia cura o glaucoma, afirma Queiroz Neto, mas facilita o gerenciam Chatgpt/IA ento da doença. Na prática, o oftalmologista ressalta que pacientes com glaucoma de ângulo fechado podem ter maior taxa de sucesso em zerar ou reduzir os colírios. Isso porque, neste caso  a retirada do cristalino resolve diretamente a causa do fechamento do canal de drenagem do humor aquoso.

 

Estágio do glaucoma também influi

A estimativa o CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) d0 qual Queiroz Neto é membro mostra que o Brasil tem hoje 2,5 milhões de casos de glaucoma, doença silenciosa que avança sem sintomas. A condição tem três estágios:

Glaucoma Leve - Estágio Inicial

• Campo Visual: Sem nenhuma perda de visão perceptível nos testes padrãos;

• Nervo Óptico: Alterações iniciais no nervo óptico (como um leve aumento da escavação) e afinamento sutil na camada de fibras nervosas da retina, mas que ainda não afetaram o campo de visão do paciente;

• Sintomas: Totalmente assintomático. O paciente não percebe nenhuma alteração visual.


Glaucoma Moderado

• Campo Visual: Manchas escuras começam a aparecer, em apenas uma das metades do campo visual, (geralmente na metade superior ou na inferior), sem afetar o centro da visão;

• Nervo Óptico: A lesão no nervo é evidente e o afinamento das fibras nervosas já é bem visível nos exames estruturais.

• Sintomas: A grande maioria dos pacientes ainda não nota as falhas, pois o cérebro e o outro olho compensam os pontos cegos periféricos.


Glaucoma Severo – Avançado

• Campo Visual: As alterações e pontos cegos estão presentes nas duas metades do campo visual (superior e inferior) ou já invadiram a área central da visão.

• Nervo Óptico: Há um dano extenso e profundo no nervo.

• Sintomas: O paciente começa a notar perda da visão periférica lateral, frequentemente descrita como "visão em túnel", dificuldade para caminhar sem esbarrar em objetos, ou prejuízos na leitura caso o centro já tenha sido afetado.

 

Impacto da cirurgia de catarata no uso de colírio


Glaucoma de ângulo aberto leve a moderado O oftalmologista ressalta que de 30% a 50% dos pacientes conseguem parar completamente de usar colírios após realizarem apenas a cirurgia de catarata. 

Quando o procedimento é combinado com o implante de um micro Stent entre 70% a 80% dos pacientes podem parar de usar colírio.

Em casos de glaucoma avançado, o oftalmologista afirma que a cirurgia isolada de catarata raramente substitui os colírios, servindo mais para evitar novos picos de pressão. Em alguns pacientes, a redução da pressão dura cerca de 1 a 2 anos, exigindo o retorno gradual de algumas medicações conforme o olho envelhece, salienta.

 

Pico de Pressão

Queiroz Neto afirma que para glaucomatosos o principal risco da cirurgia de catarata é o pico de pressão intraocular causado pelo procedimento. Em pessoas quem não têm glaucoma o aumento súbito da pressão intraocular não faz diferença, mas para que já tem alterações no nervo óptico pode fragilizar ainda mais a área. O especialista explica que a alteração pode ser decorrente de: fragmento de substância viscoelástica utilizada na cirurgia que entope o canal de drenagem; inflamação cirúrgica natural em todo tipo de cirurgia; uso de corticoide. A boa notícia é que cirurgiões já estão preparados para combater imediatamente este risco. Hoje o maior perigo para quem tem glaconma continua sendo a falta de adesão ao tratamento, conclui.

 

Estudo brasileiro reforça impacto da primeira terapia medicamentosa capaz de tratar a acondroplasia, uma condição rara e forma mais comum de nanismo

 Especialista e estudantes de medicina conduziram pesquisa com intuito de apontar ganhos em crescimento, autonomia e qualidade de vida com a terapia


Um estudo brasileiro analisou, de maneira inédita, os efeitos do medicamento vosoritida em crianças com acondroplasia, o tipo mais comum de nanismo. A análise foi publicada na Genetics in Medicine, periódico oficial do American College of Medical Genetics and Genomics e uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo na área de genética clínica e que evidencia resultados significativos e relevantes para a comunidade científica.

A pesquisa foi coordenada pelo médico geneticista Paulo Zattar e liderada pela pesquisadora e estudante de medicina Anna Luiza Braga Albuquerque, contando com a participação de outros alunos, que realizaram uma revisão sistemática utilizando a meta-análise. Ao todo, foram observados dados de 696 pacientes pediátricos, provenientes de dez estudos internacionais, configurando a maior análise já realizada no mundo com esse perfil. A análise rigorosa proporcionou uma integração ao núcleo de evidências que embasam diretrizes internacionais, decisões clínicas e discussões regulatórias.

A acondroplasia é uma doença rara e genética que atinge um a cada 25 mil nascidos vivos¹ e, atualmente, a vosoritida é a única terapia aprovada para tratamento da doença no Brasil. Ela atua na causa raíz da doença impulsionando o crescimento ósseo em crianças e adolescentes com epífises abertas, chamadas placas de crescimento, e já é implementada em outros 51 países, como Europa, Estados Unidos, Japão e Austrália.

“É uma doença caracterizada por uma displasia esquelética genética, que ocorre por uma alteração no gene FGFR3, que funciona como um freio exagerado do crescimento ósseo. Como consequência, os ossos longos, especialmente braços e pernas, crescem menos, enquanto o tronco tende a ser relativamente preservado. Diversas crianças tendem a ter atrasos no andar, problemas ortopédicos e outros atrasos motores prejudicando atividades simples do cotidiano. Dessa forma, o uso da medicação ainda na primeira infância é de suma importância para que os efeitos da doença possam ser retardados e para que os pacientes possam levar uma vida o mais próximo da normalidade,” explica Dr. Paulo.

Para que a análise fosse viável, a equipe levou em consideração diversos fatores, como variação de idade no início do tratamento, duração do seguimento e forma de reportar desfechos, como velocidade de crescimento, escore Z de altura e proporcionalidade. A busca era uma padronização dos dados, o que também significou um desafio considerando a quantidade de estudos observados e a variação referencial para crescimento de cada país, como curvas da Organização Mundial da Saúde (OMS), Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) ou especificidades da população local.

O levantamento e acompanhamento dessas condições é o que diferencia a observação dos pesquisadores brasileiros, dos estudos realizados em ambientes altamente controlados, pois a análise com os tipos de dados considerados na pesquisa permite avaliar o uso da vosoritida em situações mais próximas da prática clínica cotidiana. Entre outros resultados, o estudo demonstrou um aumento médio da velocidade de crescimento anualizada de até 1,9 cm por ano após o início do tratamento, em alguns cenários com ganhos superiores aos observados em estudos clínicos anteriores.²

“O principal diferencial é que realizamos uma revisão sistemática com meta-análise focada em dados de vida real, reunindo tanto estudos observacionais quanto o ensaio clínico pivotal. Em doenças raras, os ensaios clínicos costumam ter amostras pequenas e critérios muito restritivos. A evidência de vida real amplia a representatividade, incluindo pacientes mais jovens, com fenótipos mais graves ou com comorbidades que normalmente seriam excluídos de estudos pivotais. Esse tipo de evidência é essencial para compreender a efetividade, segurança e impacto clínico em escala populacional,” disse Anna Luiza.

O debate acerca dos efeitos da medicação também acende outras discussões como a inclusão e a representatividade. Além das comorbidades, pessoas que possuem acondroplasia precisam lidar com a ausência de acessibilidade no cotidiano, como bancos de ônibus, banheiros públicos não adaptados, carteiras escolares altas entre outros que acabam excluindo esse público do restante da sociedade.

Isso reforça o discurso que o início de um tratamento precoce pode proporcionar qualidade de vida, autonomia e inserção social tornando a vida adulta muito mais funcional.

“Pela primeira vez, temos um tratamento que atua diretamente no mecanismo molecular da doença. É assim que eu enxergo a genética destacando sua importância. Ela atua na causa do problema e nos auxilia a construir um melhor prognóstico e plano de ação para o paciente criando um suporte aos familiares. Hoje, conseguimos mudar o futuro dessas crianças de uma forma que antes era impossível. A medicina está em constante evolução e cada vez mais promissora.” finaliza Dr. Paulo.


Saiba mais sobre a acondroplasia: com incidência de 1 a cada 25 mil nascidos vivos, a acondroplasia é uma condição genética grave e progressiva, causada por uma mutação no gene FGFR3. Considerada a causa mais comum de nanismo desproporcional, ela causa baixa estatura, com pernas e braços mais curtos que o tronco, sinal mais visível da doença. Além disso, a condição pode causar diversas complicações multissistêmicas, que na maioria dos casos requerem intervenções cirúrgicas invasivas, como a descompressão da medula espinhal. Outros desafios diários desses indivíduos estão em realizar as atividades do dia a dia de forma independente, como caminhar distâncias mais longas, vestir-se, tomar banho, entre outras.3



Referências

3 Al-Saleem A, Al-Jobair A. Achondroplasia: Craniofacial manifestations and considerations in dental management. The Saudi Dental Journal. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3804960/. Published October 2010. Accessed July 6, 2021.

2 ALBUQUERQUE, Anna Luiza; DACOREGIO Maria; RODRIGUES, Cainã; BERTOLA, Débora; RIBEIRO, Paulo. Real-world outcomes of vosoritide in achondroplasia: A systematic review and meta-analysis of multinational clinical evidence. Genetics in Medicine. Volume 18, Issue 3. https://www.gimjournal.org/article/S1098-3600(25)00317-X/abstract. Accessed June 2, 2026.

3 Hoover-Fong J, Cheung MS, Fano V, et al. Lifetime impact of achondroplasia: Current evidence and perspectives on the natural history. ScienceDirect. https://www. sciencedirect.com/science/article/pii/S875632822100034X?via%3Dihub Published February 3, 2021. Accessed July 7, 2021.


Menopausa precoce e qualidade de vida: por que o diagnóstico ainda demora?


Quando se fala em menopausa, a imagem mais comum é a de mulheres entre os 45 e 55 anos atravessando uma fase natural da vida marcada pelo fim dos ciclos menstruais. No entanto, para milhares de brasileiras, os sintomas típicos dessa transição surgem muito antes do esperado. A insuficiência ovariana precoce (IOP), também conhecida como menopausa precoce, afeta mulheres antes dos 40 anos e continua sendo uma condição cercada por desconhecimento, diagnósticos tardios e impactos profundos na qualidade de vida.

Embora seja considerada relativamente incomum, a condição não é rara. Dados epidemiológicos apontam que cerca de 1% das mulheres desenvolvem insuficiência ovariana precoce antes dos 40 anos e aproximadamente 0,1% antes dos 30 anos. Ainda assim, especialistas alertam que o diagnóstico costuma levar meses ou até anos para ser confirmado, período em que muitas pacientes convivem com sintomas físicos e emocionais sem compreender a verdadeira origem do problema.

A insuficiência ovariana precoce ocorre quando os ovários perdem sua função normal antes da idade considerada habitual para a menopausa. Como consequência, há uma redução significativa na produção de hormônios como estrogênio e progesterona, essenciais para o funcionamento do organismo feminino.

Entre os principais sinais estão irregularidade menstrual, ausência de menstruação por longos períodos, ondas de calor, suores noturnos, alterações de humor, insônia, fadiga persistente, diminuição da libido e dificuldade para engravidar. O problema é que muitos desses sintomas podem ser confundidos com estresse, ansiedade, depressão, síndrome dos ovários policísticos, alterações da tireoide ou até mesmo reflexos da rotina intensa enfrentada por mulheres jovens.

Essa semelhança com outras condições contribui para que a investigação adequada seja frequentemente adiada. Em muitos casos, pacientes passam por diferentes especialidades médicas antes de realizarem exames hormonais capazes de identificar a insuficiência ovariana precoce.

Segundo Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal, PhD em Engenharia Biomédica, cientista, farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil, um dos maiores obstáculos para o diagnóstico é justamente a associação automática da menopausa ao envelhecimento. “Existe uma percepção cultural de que a menopausa é um evento exclusivo da meia-idade. Quando uma mulher de 30 ou 35 anos apresenta sintomas típicos, muitas vezes nem ela nem os profissionais de saúde consideram inicialmente a possibilidade de insuficiência ovariana precoce”, explica.

As causas da condição podem variar. Entre os fatores associados estão alterações genéticas, doenças autoimunes, tratamentos contra o câncer, como quimioterapia e radioterapia, cirurgias ovarianas e infecções. No entanto, em grande parte dos casos, a origem permanece desconhecida mesmo após investigação clínica detalhada.

Além dos impactos reprodutivos, a insuficiência ovariana precoce pode trazer consequências importantes para a saúde física. A redução prolongada dos níveis de estrogênio está associada ao aumento do risco de osteoporose, doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e perda de massa muscular. Por isso, o diagnóstico precoce não é importante apenas para aliviar sintomas, mas também para prevenir complicações futuras.

O aspecto emocional também merece atenção. Para muitas mulheres, a descoberta da condição representa uma ruptura inesperada de planos pessoais e familiares. A possibilidade de infertilidade ou redução da fertilidade costuma ser um dos fatores mais difíceis de enfrentar.

A falta de informação agrava ainda mais esse cenário. Como a menopausa precoce ainda é pouco discutida socialmente, muitas mulheres relatam sentir isolamento e incompreensão. Em alguns casos, os sintomas são minimizados por familiares ou colegas de trabalho, o que aumenta o sofrimento psicológico.

"Os impactos também se refletem na vida profissional. Insônia, cansaço crônico, dificuldade de concentração e oscilações de humor podem comprometer a produtividade e o desempenho. Como a maioria das pessoas associa a menopausa a mulheres mais velhas, profissionais jovens frequentemente enfrentam constrangimento ao explicar sintomas que afetam sua rotina laboral", reforça Izabelle Gindri.

Ampliar o acesso à informação é uma das estratégias mais eficazes para reduzir os atrasos diagnósticos. Alterações persistentes no ciclo menstrual, especialmente quando acompanhadas de sintomas típicos da menopausa, devem ser investigadas o quanto antes por profissionais médicos.

"O tratamento geralmente inclui reposição hormonal individualizada, quando não há contraindicações, além de acompanhamento multidisciplinar voltado para a saúde óssea, cardiovascular e emocional. Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores são as chances de preservar a qualidade de vida e minimizar os riscos associados à deficiência hormonal prolongada", completa Gindri.

O principal desafio continua sendo a conscientização. Embora afete milhares de mulheres em idade produtiva e reprodutiva, a insuficiência ovariana precoce ainda permanece invisível para grande parte da sociedade. Reconhecer os sinais precocemente e ampliar o debate sobre o tema são passos fundamentais para garantir diagnósticos mais rápidos e uma assistência adequada às pacientes que convivem com a condição.


Copa do Mundo une torcidas, mas também exige atenção redobrada à saúde Respiratória

Infectologista pediátrica alerta que grandes aglomerações favorecem a circulação de vírus e reforça a importância da prevenção para aproveitar os jogos com segurança 

 

A contagem regressiva para a Copa do Mundo costuma ser marcada por expectativa, confraternizações e encontros entre amigos, familiares e colegas de trabalho. Seja em bares, restaurantes, fan fests ou reuniões em casa, o torneio mobiliza milhões de pessoas em torno de uma paixão em comum. Mas, junto com a festa, especialistas alertam para um fator que não entra em campo, mas costuma ganhar força durante grandes eventos: a transmissão de doenças respiratórias. 

Diversos estudos científicos já demonstraram que aglomerações facilitam a circulação de vírus respiratórios. Um estudo publicado na revista científica Current Opinion in Pulmonary Medicine, intitulado Transmission of Respiratory Tract Infections at Mass Gathering Events, concluiu que eventos que reúnem grandes concentrações de pessoas aumentam o risco de disseminação de infecções respiratórias transmitidas por aerossóis e gotículas. 

O estudo mostra ainda que esse tipo de ambiente favorece a circulação de vírus entre indivíduos vindos de diferentes regiões, ampliando a cadeia de transmissão. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) considera eventos esportivos internacionais, como a Copa do Mundo, exemplos clássicos de grandes aglomerações, justamente pelo potencial de concentração de pessoas em um mesmo local e período.

Para a infectologista pediátrica Carolina Brites, isso não significa abrir mão dos momentos de celebração, mas sim adotar medidas simples para reduzir os riscos. 

"É importantíssimo a gente ter essas confraternizações para a nossa saúde mental, física e para a socialização. Muitas vezes, porém, acabamos esquecendo das vulnerabilidades de saúde que estão envolvidas.

Por isso, é fundamental manter uma boa qualidade de vida, alimentação saudável, hidratação adequada e realizar as prevenções vacinais antes dessas exposições", destaca. 

A médica explica que a Covid-19 não é a única preocupação nesses períodos. Diversos outros vírus encontram nas aglomerações um ambiente ideal para se espalhar. 

"Além da Covid-19, temos influenza, parainfluenza, adenovírus, rinovírus e o vírus sincicial respiratório, que merece atenção especial em crianças menores de dois anos e idosos. São agentes que apresentam grande facilidade de transmissão quando as pessoas estão em ambientes lotados", explica. 

Outro fator frequentemente negligenciado é a ventilação dos ambientes fechados. Durante os jogos, é comum que bares, restaurantes e até meios de transporte operem com alta ocupação, aumentando a proximidade entre as pessoas. 

"A ventilação inadequada facilita a transmissão dos vírus. O ideal é que haja circulação constante de ar, com portas e janelas abertas sempre que possível. Uma boa ventilação ajuda a reduzir a concentração de partículas virais no ambiente e, consequentemente, o risco de transmissão", orienta. 

A preocupação encontra respaldo na literatura científica. Pesquisas mostram que ambientes fechados e mal ventilados favorecem a permanência de partículas respiratórias suspensas no ar, aumentando a exposição dos frequentadores. Estudos também apontam que melhorias na ventilação podem reduzir significativamente o risco de transmissão de vírus respiratórios. 

Embora as atenções costumam se voltar para medidas de proteção durante os eventos, Carolina reforça que a preparação deve começar antes mesmo do apito inicial. "O ideal é sempre se prevenir. Se já sabemos que teremos um período com mais aglomerações, precisamos nos preparar. Isso inclui alimentação equilibrada, hidratação, prática regular de atividade física e conferência da carteira de vacinação. Muitas vezes esquecemos que adultos também precisam se vacinar, não apenas as crianças." 

A especialista lembra ainda que pessoas mais vulneráveis, como idosos, bebês e indivíduos com doenças crônicas, merecem atenção especial durante esse período. Quando apresentam sintomas respiratórios, é recomendável evitar exposições desnecessárias e ambientes muito cheios. 

"Não basta apenas se expor e curtir intensamente. A prevenção é um fator importantíssimo para que possamos aproveitar esses momentos de forma prazerosa e sem intercorrências relacionadas à saúde", ressalta. 

Em um evento capaz de mobilizar torcedores em todos os cantos do planeta, o equilíbrio entre celebração e responsabilidade pode ser o melhor esquema tático fora das quatro linhas. Afinal, cuidar da saúde também faz parte da torcida. 

 

Carolina Brites - CRM-SP: 115624 | RQE: 122965 - concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.



“Durmo mal e vivo com fome”: nutricionista explica como o sono pode sabotar o emagrecimento durante a Copa

Noites curtas, jogos até tarde, álcool e petiscos aumentam a fome emocional, favorecem o acúmulo de gordura abdominal e dificultam o controle alimentar durante o campeonato 

 

Com a chegada da Copa, muda também a rotina de milhões de pessoas. Jogos até tarde, encontros com amigos, consumo maior de álcool e petiscos fora de hora acabam impactando diretamente um dos pilares mais importantes do emagrecimento: o sono. 

Segundo a nutricionista esportiva Alice Paiva, especializada em emagrecimento e reeducação alimentar, dormir mal durante períodos de maior estímulo social pode desregular hormônios ligados à fome e fazer o corpo entrar em um estado que favorece o acúmulo de gordura. 

“Muita gente acha que o problema está apenas no excesso de comida durante os jogos, mas a privação de sono tem um impacto enorme no metabolismo e no comportamento alimentar. Depois de uma noite ruim, o corpo naturalmente busca mais recompensa e mais energia rápida”, explica. 

De acordo com Alice, apenas uma noite mal dormida já pode reduzir a sensibilidade à insulina, aumentar os níveis de cortisol e alterar hormônios responsáveis pela fome e pela saciedade. Na prática, isso significa mais vontade de consumir alimentos altamente calóricos, principalmente doces, frituras e bebidas alcoólicas. 

Além disso, a nutricionista destaca que o sono ruim influencia diretamente onde o corpo armazena gordura. “A privação de sono aumenta processos inflamatórios e favorece o depósito de gordura abdominal, que é justamente a mais associada a alterações metabólicas”, afirma. 

Outro comportamento comum durante a Copa também interfere negativamente no descanso: os jantares pesados próximos ao horário de dormir. Segundo Alice, refeições muito gordurosas, excesso de álcool e grande volume alimentar mantêm o organismo em digestão ativa no momento em que ele deveria estar entrando em recuperação. 

“O corpo continua trabalhando enquanto deveria descansar. Isso prejudica a profundidade do sono, aumenta despertares noturnos e faz a pessoa acordar mais cansada no dia seguinte”, explica. 

A boa notícia, segundo a especialista, é que não é necessário deixar de participar das confraternizações para manter equilíbrio durante o campeonato. Pequenos ajustes já ajudam a reduzir os impactos metabólicos desse período. 

Entre as principais estratégias estão evitar longos períodos em jejum antes dos jogos, distribuir melhor proteínas ao longo do dia, priorizar refeições mais leves à noite e limitar o consumo de cafeína no fim da tarde. Outra orientação importante é moderar o álcool e evitar petiscar continuamente durante toda a transmissão. 

Alice também reforça que alguns nutrientes podem auxiliar no manejo da qualidade do sono, desde que utilizados de forma individualizada e com orientação profissional. Compostos como magnésio glicinato, glicina, L-teanina e L-triptofano estão entre os mais utilizados para favorecer relaxamento e melhorar a recuperação noturna. 

“O emagrecimento não depende apenas de comer menos. Sono, recuperação e equilíbrio hormonal fazem parte do processo. Durante eventos como a Copa, o ideal não é buscar perfeição, mas encontrar formas de manter constância sem transformar cada jogo em um gatilho metabólico”, conclui Alice Paiva.



Alice Paiva - nutricionista esportiva especializada em emagrecimento e reeducação alimentar. Com vasta experiência no desenvolvimento de estratégias nutricionais personalizadas, Alice se destaca pela abordagem prática e eficaz, que permite a seus pacientes alcançarem seus objetivos de forma saudável e sustentável. Reconhecida pelo trabalho focado na educação alimentar, Alice incentiva escolhas inteligentes e substituições nutricionais que favorecem o equilíbrio e a qualidade de vida, sempre valorizando o sabor e o prazer à mesa.


Ovodoação: a estratégia médica que transforma o diagnóstico de baixa reserva ovariana em uma gravidez real e completa

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Dr. Alfonso Massaguer, da Clínica Mãe, explica como a ciência da epigenética garante que mesmo com óvulos doados a gestação é plenamente materna — e por que o procedimento tem as maiores taxas de sucesso da reprodução assistida

 

Para muitas mulheres, a notícia de que os próprios óvulos já não têm condições de gerar uma gestação saudável chega acompanhada de uma sensação de perda. 

Como se o sonho da maternidade dependesse exclusivamente de um único elemento biológico. A ciência, no entanto, conta uma história diferente — e o Dr. Alfonso Massaguer (CRM 97335 | RQE 42794), fundador e diretor da Clínica Mãe, referência nacional e internacional em reprodução humana assistida, dedica-se a contar essa história com clareza e com respeito à experiência de cada paciente. 

A ovodoação é uma estratégia médica bem definida, indicada quando os óvulos da própria paciente já não respondem adequadamente ao estímulo ovariano. Longe de ser um atalho ou uma alternativa menor, ela representa um dos caminhos com maiores taxas de sucesso em toda a medicina reprodutiva — e abre portas para mulheres que de outra forma não teriam chance real de gestar.
 

A epigenética e o vínculo que ninguém apaga 

Uma das maiores preocupações de mulheres que consideram a ovodoação é a sensação de que, sem contribuir com o material genético, sua participação na gestação seria menor. A ciência da epigenética responde a essa dúvida com clareza: o ambiente uterino influencia diretamente a expressão dos genes do embrião desde os primeiros momentos da gestação. 

Tudo o que ocorre durante a gravidez influencia os genes do embrião. Não importa a origem do óvulo: o organismo e o útero da gestante determinam a forma como os genes recebidos a partir do óvulo doado serão expressos. A criança nascida carrega características da personalidade, do ambiente e da experiência da mãe que a gestou. 

Para o Dr. Alfonso Massaguer, esse entendimento é fundamental na abordagem com as pacientes. 

"A ovodoação não apaga a participação da mãe na gestação — ela a confirma de uma forma diferente e igualmente profunda. É o seu corpo que conduz o desenvolvimento do embrião desde o início, é o seu ambiente uterino que molda a expressão genética daquele bebê, e é a sua experiência da gravidez que cria o vínculo que começa muito antes do parto. O corpo muda. O coração ouve. Os movimentos são sentidos. Isso é maternidade — e a ovodoação não tira nada disso."
 

Quando a ovodoação é indicada 

A ovodoação é recomendada em situações em que a qualidade ou a quantidade dos óvulos da própria paciente comprometem as chances de uma gestação bem-sucedida. 

As principais indicações incluem baixa reserva ovariana, falência ovariana precoce, idade avançada com declínio significativo da qualidade ovocitária, histórico de falhas repetidas em ciclos de FIV com óvulos próprios e casos de alterações genéticas que desaconselham o uso dos próprios óvulos. 

O processo de ovodoação exige que a doadora atenda a critérios específicos de saúde, idade, aptidão física e mental. A doação é anônima, voluntária e sem fins lucrativos, com a identidade de doadoras e receptoras mantida em sigilo total, conforme as normas do Conselho Federal de Medicina.
 

As maiores taxas de sucesso da reprodução assistida 

A ovodoação está entre as alternativas com maiores taxas de sucesso da medicina reprodutiva. Na Clínica Mãe, a taxa de gravidez por embrião transferido em ciclos de ovodoação supera 65% — um número expressivo que reflete a qualidade dos óvulos doados, sempre provenientes de mulheres jovens com alta qualidade ovocitária e baixa probabilidade de alterações cromossômicas. 

A ovodoação também torna a FIV mais acessível do ponto de vista prático: ao reduzir a necessidade de múltiplos ciclos de estimulação ovariana, diminui o tempo de tratamento, o volume de medicações e traz mais previsibilidade ao processo — aspectos que têm peso real na experiência emocional e financeira das pacientes. 

"A taxa de gravidez por embrião transferido na ovodoação supera 65%, e o que vejo todos os dias na minha prática é que quem persiste nesse caminho tem um resultado quase certo. Não é uma promessa — é o que os números e a experiência clínica mostram. E tem mais: na Clínica Mãe, após a confirmação da gravidez, mal lembramos se o embrião veio de óvulo doado ou não. Para nós, é uma gravidez como qualquer outra e é exatamente assim que deve ser."

5 erros que podem piorar uma queimadura nos primeiros minutos

Pasta de dente, manteiga e gelo estão entre as práticas mais comuns e mais prejudiciais após o acidente

 

Queimaduras estão entre os acidentes domésticos mais frequentes e podem acontecer em situações simples do dia a dia, como o contato com água fervente, óleo quente, vapor, ferro de passar roupa ou até mesmo o chuveiro. Embora muitas lesões sejam consideradas leves, os cuidados adotados logo após o acidente podem fazer toda a diferença na recuperação. 

Segundo Orido Pinheiro, médico cirurgião plástico e diretor da Afya Unigranrio Barra da Tijuca, a queimadura continua evoluindo mesmo após o contato com a fonte de calor. Por isso, algumas medidas populares, passadas de geração em geração, podem acabar agravando a lesão. 

Confira cinco erros que devem ser evitados nos primeiros minutos após uma queimadura:

 

1. Passar pasta de dente na região 

A pasta de dente é uma das receitas caseiras mais populares para tratar queimaduras, mas não traz nenhum benefício comprovado. Além de não ajudar na cicatrização, ela pode irritar a pele lesionada e dificultar a avaliação médica. 

"Essas substâncias não têm qualquer benefício comprovado. Em alguns casos, podem até aumentar o risco de infecção e dificultar o tratamento adequado", explica Orido Pinheiro.

 

2. Aplicar manteiga, óleo ou outras substâncias caseiras 

Manteiga, óleo de cozinha, pó de café, clara de ovo e outros produtos frequentemente utilizados em casa também devem ser evitados. 

Essas substâncias criam uma barreira sobre a pele que dificulta a dissipação do calor, podendo contribuir para o agravamento da queimadura. Além disso, aumentam o risco de contaminação da área lesionada.

 

3. Colocar gelo diretamente sobre a queimadura 

Muitas pessoas acreditam que o gelo ajuda a aliviar a dor imediatamente, mas essa prática pode causar ainda mais danos ao tecido já comprometido. 

O contato direto com o gelo ou com água muito gelada pode provocar uma nova agressão à pele, aprofundando a lesão e dificultando a recuperação.

 

4. Estourar as bolhas 

As bolhas são um mecanismo natural de proteção do organismo. Rompê-las por conta própria aumenta significativamente o risco de infecções e pode retardar o processo de cicatrização. 

Caso elas apareçam, o ideal é manter a região protegida e procurar orientação médica, especialmente se forem extensas ou estiverem localizadas em áreas sensíveis do corpo.

 

5. Ignorar sinais de gravidade 

Nem toda queimadura exige atendimento hospitalar, mas algumas situações merecem avaliação médica imediata. 

Queimaduras com bolhas extensas, lesões no rosto, mãos, pés, genitais ou articulações, áreas esbranquiçadas ou escurecidas, perda de sensibilidade e queimaduras causadas por produtos químicos ou eletricidade devem ser examinadas por um profissional de saúde.

 

O que fazer após uma queimadura? 

Segundo o especialista, a primeira medida correta é resfriar a região com água corrente em temperatura ambiente por cerca de 10 a 20 minutos. 

"A queimadura continua evoluindo mesmo após o contato com a fonte de calor. O resfriamento adequado ajuda a interromper esse processo e pode limitar a profundidade da lesão", afirma Orido Pinheiro. 

Além disso, é importante retirar anéis, pulseiras, relógios e outros acessórios que possam comprimir a área em caso de inchaço. Depois, a região deve ser protegida com um pano limpo ou gaze até a avaliação médica, quando necessária. 

Em casos graves, o recomendado é acionar imediatamente o Samu (192) ou o Corpo de Bombeiros (193).

 

Saúde SP reforça prevenção de queimaduras durante o inverno e férias escolares com treinamento para profissionais de saúde

Estado registra aumento nos atendimentos por queimaduras; Hospital Geral São Mateus realiza evento para atualização de profissionais 

 

Com a chegada do inverno e a temporada das festividades juninas e férias escolares, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) reforça um alerta importante sobre prevenção de queimaduras, acidentes que aumentam nesta época do ano em razão do uso de fogueiras, lareiras, aquecedores, líquidos quentes e materiais inflamáveis. 

Dados da SES-SP apontam crescimento dos atendimentos relacionados a queimaduras no estado. Entre janeiro e junho de 2025, foram registradas 738 internações por queimaduras, contra 698 no mesmo período de 2024, um aumento de 5,7%. Já os procedimentos ambulatoriais passaram de 6.300 para 7.184 atendimentos no período, um crescimento de 14%. 

Como parte das ações de conscientização e qualificação da assistência, a Pasta promoveu, nesta quarta-feira (17/6), o Simpósio de Queimaduras, organizado pelo  Hospital Geral São Mateus, por meio de seu Centro de Referência em Tratamento de Queimados (CRTQ), reunindo profissionais da saúde interessados na atualização sobre prevenção, atendimento e tratamento de pacientes queimados. 

Entre os temas debatidos estão a epidemiologia das queimaduras, condutas no atendimento inicial e tecnologias avançadas utilizadas no tratamento dos pacientes.

 

Acidentes domésticos seguem entre as principais causas

Segundo o médico David Ribeiro, coordenador da Unidade de Queimados do Hospital Geral de Vila Penteado, referência estadual no atendimento a pacientes queimados, os acidentes domésticos continuam sendo uma das principais causas de queimaduras durante o inverno. 

"Os acidentes podem acontecer com pessoas de todas as idades e geralmente ocorrem em situações cotidianas. Entre os casos mais comuns estão queimaduras provocadas por líquidos quentes, contato com panelas e recipientes aquecidos, uso inadequado de conteúdo inflamável e exposição a fogueiras durante as festividades juninas. Idosos, pessoas com mobilidade reduzida e indivíduos sob efeito de álcool também estão mais suscetíveis a esse tipo de ocorrência", explica. 

As crianças merecem atenção especial. Durante as festas juninas e as férias escolares, é comum a aproximação de fogueiras e fogos de artifício, além dos acidentes envolvendo café, leite, sopas e outras bebidas quentes dentro de casa.

 

Confira cinco orientações para evitar queimaduras no inverno

 

1. Tenha cuidado com bebidas e alimentos quentes

Evite transportar recipientes com líquidos quentes em áreas de grande circulação e mantenha panelas e travessas longe das bordas de fogões e mesas.

 

2. Redobre a atenção com fogueiras

As fogueiras devem ser montadas em locais abertos, afastadas de árvores, fiações elétricas, barracas e materiais inflamáveis. Nunca utilize álcool ou combustíveis para acender ou reavivar as chamas.

 

3. Evite dormir com bolsas térmicas ou compressas quentes

O contato prolongado com fontes de calor pode provocar queimaduras, especialmente, em idosos e pessoas com alterações de sensibilidade.

 

4. Proteja o acesso a lareiras e outras fontes de calor

Utilize grades de proteção e mantenha móveis, cortinas e objetos inflamáveis afastados das chamas.

 

5. Atenção redobrada com crianças

Evite que crianças tenham acesso a fogueiras, fogos de artifício e áreas de preparo de alimentos quentes. Prefira brincadeiras tradicionais, como pescaria, boca do palhaço, corrida do saco e dança da cadeira. Também é recomendado o uso de roupas de algodão, que oferecem maior proteção em caso de contato acidental com faíscas.

 

O que fazer em caso de queimadura?

Em caso de queimadura, a recomendação é resfriar imediatamente a área afetada com água corrente por pelo menos 20 minutos. Não devem ser aplicados gelo, pomadas, cremes, manteiga, pasta de dente ou qualquer outro produto caseiro sobre a lesão. 

Também é importante retirar acessórios e roupas apertadas da região afetada, desde que não estejam aderidas à pele, e cobrir o local com um pano limpo. 

Queimaduras extensas, profundas ou que envolvam crianças devem receber atendimento médico imediato. Em situações de emergência, a orientação é acionar o SAMU (192) ou o Corpo de Bombeiros (193). 

"Os primeiros minutos após a queimadura são fundamentais para reduzir a gravidade da lesão. O resfriamento adequado com água corrente ajuda a interromper a ação do calor na pele e pode contribuir para uma melhor recuperação", orienta David Ribeiro.

 

Referência estadual no tratamento

O Hospital Geral São Mateus é referência no tratamento de pacientes queimados e, neste mês, celebra 32 anos do Centro de Referência em Tratamento de Queimados (CRTQ), coincidindo com o Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras (6/6). 

A unidade conta com estrutura especializada para atendimento de casos de alta complexidade, incluindo centro cirúrgico equipado, ambulatório, 20 leitos de UTI, enfermarias e quartos de isolamento, além de equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais. 

O serviço também dispõe de espaço adaptado para atividades lúdicas voltadas às crianças internadas, contribuindo para uma assistência humanizada durante o período de recuperação.


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