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sábado, 6 de junho de 2026

Por que grandes eventos esportivos despertam tanta ansiedade?

Freepik
Psicóloga explica como expectativa, pressão coletiva e identificação com equipes podem impactar o comportamento durante grandes competições

 

A proximidade de grandes eventos esportivos costuma transformar a rotina de muitas pessoas. Conversas sobre partidas dominam redes sociais, grupos de amigos e ambientes de trabalho, enquanto a expectativa pelos jogos aumenta sentimentos como ansiedade, tensão e euforia. Embora essas reações sejam comuns, em alguns casos o envolvimento emocional pode se tornar excessivo. 

Segundo Mirthis Czubka de Abreu, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, o esporte desperta emoções intensas porque está diretamente ligado ao senso de pertencimento e à identificação emocional das pessoas. 

“Mesmo quem não acompanha futebol com frequência acaba sendo impactado pelo clima coletivo criado em torno dos jogos. Existe uma mobilização social muito forte, que desperta expectativa, empolgação e até pressão emocional”, explica. 

De acordo com a professora, a chamada ansiedade pré-jogo pode gerar reações emocionais e físicas semelhantes às vivenciadas em situações de estresse cotidiano.

 

Expectativa e tensão aumentam antes das partidas

A antecipação dos resultados e a expectativa em torno do desempenho das equipes costumam intensificar sentimentos de nervosismo e inquietação. Em algumas pessoas, isso pode provocar dificuldade de concentração, irritabilidade e alterações de humor ao longo do dia. 

Além disso, o excesso de conteúdos sobre os jogos nas redes sociais e aplicativos também contribui para manter o cérebro em estado constante de alerta.

 

Emoções coletivas influenciam comportamento

Outro ponto importante é a influência do ambiente social. Reações de amigos, familiares e até desconhecidos nas redes acabam ampliando o envolvimento emocional com as partidas. 

“Muitas pessoas sentem necessidade de participar daquele momento coletivo, comentar os jogos e acompanhar tudo em tempo real. Isso faz com que as emoções sejam potencializadas”, afirma a coordenadora.

 

Quando o envolvimento exige atenção

Segundo a especialista, sentir ansiedade antes dos jogos é algo natural. O cuidado deve existir quando o resultado das partidas começa a interferir diretamente no humor, na rotina ou nos relacionamentos. 

Alterações intensas de comportamento, estresse excessivo, dificuldade para relaxar e impacto emocional desproporcional aos acontecimentos esportivos podem indicar que a relação com o evento deixou de ser apenas entretenimento.

 

Como criar uma relação saudável entre pais e filhos com limite, afeto e escuta ativa?

Cristina Padilha, autora do livro “Conexões tardias”, analisa como conflitos geracionais impactam a solidez dos laços afetivos

 

Os afetos familiares podem ser uma grande dádiva, mas garantir que as relações se mantenham firmes diante dos desafios da modernidade tem se mostrado uma tarefa cada vez mais árdua. Em um mundo em constante tensão e transformação, onde velhos paradigmas são rompidos para dar lugar a incertezas, como é possível garantir que o núcleo familiar se adapte às novas realidades sem gerar crises, traumas e rompimentos? 

Na análise de Cristina Padilha, autora do livro Conexões tardias, compreender a origem dos conflitos é um passo essencial para qualquer diagnóstico das dinâmicas familiares. “Durante muitas gerações, o diálogo foi negligenciado dentro de casa. Os pais assumiam posições rigidamente autoritárias, estabeleciam regras sem abertura para questionamentos e, com isso, construíam relações familiares que, embora estruturadas, também eram marcadas por tensão e distanciamento emocional.” 

Segundo Cristina, essas relações eram consideradas estruturadas porque cada integrante desempenhava um papel social bem definido dentro da família. “O pai exercia a função de provedor, a mãe assumia os cuidados da casa e dos filhos, enquanto os meninos auxiliavam o pai e as meninas acompanhavam a mãe nas tarefas domésticas.” Ao mesmo tempo, Cristina ressalta que essa dinâmica também carregava tensões profundas, já que as limitações impostas aos indivíduos restringiam liberdades individuais e frequentemente resultavam em frustrações, silenciamentos e traumas emocionais. 

Como resposta, as gerações seguintes buscaram romper com esse modelo de família e tentaram aplicar um estilo de vida em que os traumas seriam evitados a todo custo. “Os pais deixaram de ser autoritários e os filhos seguiram com uma autonomia dentro de casa que seria impensável no passado. Mas o resultado não é dos melhores: afinal, se em casa o filho faz o que quer, no mundo a realidade é outra, as obrigações se impõem, e o despreparo do indivíduo para lidar com a vida real gera mais frustrações e traumas”, explica. 

Como encontrar, então, o equilíbrio? Garantir o respeito às liberdades individuais sem perder mão da autoridade e do respeito pelos pais? Ensinar os filhos a respeitar seus deveres e obrigações sem que a imposição lhe cause desconfortos? 

“Não há fórmula pronta a ser aplicada. É necessário que os pais cuidem de si mesmos e da própria sensibilidade para aprender a reconhecer o que exatamente seus filhos precisam, e assim estarem mais próximos de garantir aos pequenos as bases psicológicas para enfrentar os desafios que a vida lhes trará”, pondera Cristina Padilha. 

É também fundamental que o diálogo se faça presente, com trocas honestas entre pais e filhos, no qual ambos estejam dispostos a falar e a ouvir. Segundo a autora, a escuta ativa, empática e compreensiva, é peça-chave para que os vínculos familiares sejam estabelecidos com tanta força a ponto de não se romperem diante de eventuais crises. 

“E é ainda necessário coragem para seguir a própria intuição, fazer o que é melhor com os recursos que se tem disponível, sabendo que é impossível acertar sempre. Erros serão cometidos, falhas precisarão ser corrigidas, e é essa disposição para se reerguer dos tropeços que fará com que toda a família permaneça unida”, acrescenta.

 

Conexões tardias 

Em um cenário em que a saúde emocional ganha centralidade nas discussões sobre bem-estar e qualidade de vida, o romance Conexões tardias, de Cristina Padilha, propõe uma reflexão sobre os silêncios que atravessam as relações familiares e os impactos do distanciamento afetivo dentro de casa. A trama acompanha os desdobramentos da morte súbita de uma jovem e mergulha nos desafios de uma família atravessada pela dor, expondo como a falta de diálogo pode aprofundar distâncias e comprometer vínculos ao longo do tempo. 

Publicada pela Editora Labrador, a obra se insere no debate contemporâneo sobre a importância do diálogo e da escuta nas dinâmicas entre pais e filhos. “Busquei, com esse trabalho, colocar uma lupa sobre as tensões familiares que surgem perante a dor. Embora seja uma obra ficcional, ela dialoga com situações reais da sociedade, e mostra que esses dilemas podem até ser discutidos de forma mais abrangente nos dias atuais, porém atravessam gerações”, acrescenta.
 

“Conexões Tardias”

Autora: Cristina Padilha

Editora: Labrador

176 páginas

ISBN: 978-65-5044-079-4

Sobre a autora: Cristina Padilha é natural de São Paulo, mestre em Literatura

Comparada pela Universidade Federal Fluminense e graduada em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atuou por catorze anos na área de Educação como servidora pública no Rio de Janeiro e em Niterói. Nos últimos anos, tem se dedicado à escrita de ficção. Publicou seu primeiro conto, A Tormenta, na coletânea Contos do mar, em 2024. Suas narrativas exploram temas contemporâneos e a complexidade das relações humanas.


Educar para o campo, não para a bola

  A tensão entre Irã e EUA na Copa de 2026 ensina que devemos ir além do conteúdo técnico para formar estudantes capazes de decifrar as complexas tramas da geopolítica e da subjetividade humana

 

Nelson Rodrigues, um dos maiores observadores da alma humana, escreveu que, no futebol, “o pior cego é o que só vê a bola”. Essa frase encerra uma lição pedagógica profunda: a realidade nunca é um ponto isolado, mas um campo vasto de interações, que acontecem em múltiplas dimensões. Na educação, o desafio contemporâneo é justamente este: formar cidadãos que não fiquem apenas hipnotizados pela “bola” dos fatos imediatos e do conteúdo técnico, mas que consigam enxergar a complexidade de todo o “campo” ao redor.

Um exemplo atual que exige essa visão sistêmica são as questões que envolvem a participação do Irã na Copa do Mundo de 2026, sediada pelos Estados Unidos, México e Canadá. Para quem “só vê a bola”, trata-se apenas de um evento esportivo em que se enfrentarão seleções de diferentes países. Entretanto, para quem foi ensinado a estabelecer conexões, o jogo é o ponto de encontro de uma rede de tensões globais que demanda uma análise que contemple múltiplas camadas.

Sob as lentes histórica, política e econômica, a possibilidade da presença iraniana em solo norte-americano traz à luz uma história marcada por disputas geopolíticas no Oriente Médio que colocam em confronto, há décadas, diferentes perspectivas e, consequentemente, modos antagônicos de ser e estar no mundo. A análise escolar não deve buscar um veredicto sobre qual lado está certo, mas apresentar como esses contextos e suas consequências moldam os movimentos do presente.

Para além do olhar “isto ou aquilo”, para o país A ou para o país B, uma análise sistêmica real considera um terceiro elemento fundamental: o sujeito e a sua subjetividade.

O foco na subjetividade humana é o que impede a desumanização do conhecimento. Por trás das bandeiras e das decisões, existe o indivíduo: o atleta que treinou uma vida inteira, o torcedor que vê no esporte sua identidade cultural e o cidadão comum, atravessado pela violência dos conflitos que não escolheu. A escola cumpre seu papel ao mostrar que, além dos dados estatísticos, existe a experiência humana — um elemento que traz nuances e contradições que nenhuma fórmula simplista consegue explicar.

O papel da educação, portanto, é garantir que o estudante não sofra da “cegueira” a que alude a máxima de Nelson Rodrigues. Ensinar a enxergar apenas a “bola” pode ser suficiente para acompanhar o jogo; ensinar a compreender o “campo” em sua totalidade é mostrar que futebol, política e economia são fios de um mesmo tecido social. Ao abordar o cenário entre Irã e EUA sem juízos de valor, mas com foco na complexidade e na subjetividade dos sujeitos, a escola ajuda o estudante a compreender que nada acontece de forma isolada.

Em tempos de leituras rápidas e posicionamentos imediatos, educar para a complexidade não é apenas uma escolha pedagógica; é uma necessidade. Precisamos ensinar nossos jovens a olhar para além da bola e a compreender a imensidão do campo — e das pessoas que nos cercam.

 

Miriã Salles - diretora do Colégio Santo Ivo.

 

RELACIONAMENTOS EM 2026: COMO IDENTIFICAR UM NAMORO TÓXICO E PROTEGER A SAÚDE EMOCIONAL NO DIA DOS NAMORADOS

Em tempos de redes sociais, excesso de exposição, relações aceleradas e vínculos cada vez mais superficiais, os relacionamentos amorosos também mudaram. Em 2026, falar sobre saúde emocional dentro dos relacionamentos se tornou essencial, principalmente no período do Dia dos Namorados, quando muitas pessoas romantizam relações que, na prática, podem gerar sofrimento, ansiedade e desgaste psicológico.

Segundo a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani, um relacionamento saudável não deve ser baseado em controle, medo, insegurança ou dependência emocional.

“Muitas vezes, os sinais de um relacionamento tóxico aparecem de forma sutil no começo. Controle excessivo, ciúmes constantes, invasão de privacidade, manipulação emocional e isolamento da pessoa dos amigos e da família são alguns alertas importantes”, explica a especialista.

De acordo com a médica, atualmente os relacionamentos também sofrem forte impacto da tecnologia e das redes sociais.

“A comparação constante, a necessidade de validação online, a cobrança por respostas imediatas e até o monitoramento digital do parceiro podem gerar ansiedade, insegurança e conflitos emocionais”, alerta Dra. Maria Fernanda.

A psiquiatra destaca que muitas pessoas acabam permanecendo em relações desgastantes por medo da solidão, baixa autoestima ou dependência emocional.

“Existe uma diferença muito grande entre amar e adoecer emocionalmente dentro de uma relação. Um relacionamento saudável precisa ter respeito, diálogo, liberdade, parceria e equilíbrio emocional”, afirma.

Entre alguns sinais de alerta para relacionamentos tóxicos estão:

  • Controle excessivo sobre rotina, roupas ou amizades;
  • Ciúmes constantes e possessividade;
  • Manipulação emocional;
  • Necessidade de vigiar redes sociais e celular;
  • Chantagens emocionais;
  • Críticas frequentes e diminuição da autoestima;
  • Sensação constante de ansiedade ou medo dentro da relação;
  • Afastamento de amigos, familiares e da própria individualidade.

Para quem está solteiro e buscando um relacionamento, Dra. Maria Fernanda reforça a importância do autoconhecimento e da inteligência emocional.

“Antes de procurar alguém, é importante entender os próprios limites, valores e emoções. Relacionamentos saudáveis começam quando existe saúde emocional individual”, orienta.

A especialista também ressalta que o amor saudável não deve gerar sofrimento constante.

“O amor precisa trazer acolhimento, segurança emocional e leveza. Relações baseadas em medo, culpa e sofrimento merecem atenção e, muitas vezes, ajuda profissional”, finaliza Dra. Maria Fernanda Caliani.

 

Dra. Maria Fernanda Caliani – Psiquiatra


Dia dos Namorados: a eterna busca pela companhia ideal

A coach de relacionamentos Sheila Rigler dá dicas para quem deseja encontrar sua cara metade e iniciar uma nova vida

 

Os tempos atuais têm sido de relacionamentos muitas vezes superficiais, em parte pelo distanciamento causado pelas redes sociais, mas a busca por uma pessoa para dividir os momentos da vida é sempre contínua, sendo ainda mais lembrada com a aproximação dos Dia dos Namorados (12 de junho).

 

Nesse período, a procura por um(a) parceiro(a) acaba se intensificando, com muitas pessoas também buscando algo que vá além do que apenas um encontro. Mas encontrar a cara metade não tem sido muito fácil atualmente, mesmo com a ajuda da tecnologia e seus sites e aplicativos de namoro e encontro. O chamado amor moderno tem sido uma experiência pouco satisfatória, principalmente para quem procura um relacionamento mais sério, que pode até evoluir para uma união estável.  

 

“Talvez o amor moderno não tenha acabado. Talvez ele só tenha desaprendido a acontecer devagar. Antes de existir conexão instantânea, existia presença, intenção e coragem de conhecer alguém além da superfície. Não era sobre jogos ou perfeição, era sobre construção. Sobre permitir que o sentimento tivesse tempo para criar raiz”, aponta Sheila Rigler, diretora da Par Ideal, a maior agência física de namoro e casamento do Brasil, responsável pela união de mais de 5 mil pessoas em 31 anos de serviços prestados.

 

Ela lembra que, hoje, tudo acontece rápido demais: conversas intensas, vínculos rasos e despedidas silenciosas. “A facilidade do mundo tecnológico aproximou pessoas, mas também tornou descartável aquilo que antes era cultivado com cuidado. No fim, relacionamentos saudáveis nunca nasceram da pressa. Eles nascem da reciprocidade, da clareza e da paciência de duas pessoas que escolhem se conhecer de verdade”, continua.

 

Para a coach de relacionamentos, o Dia dos Namorados pode se tornar o começo de uma nova história na vida das pessoas. Ela sugere algumas dicas essenciais para quem deseja encontrar o par ideal, para depois quem sabe viver uma história que vá mais além.

 

A primeira é cuidar da própria imagem e autoestima, pois a primeira impressão é a que fica em um encontro. E não é apenas sobre beleza física, mas cuidado pessoal, higiene, bom gosto. “Homens e mulheres se sentem atraídos por pessoas que demonstram segurança, equilíbrio e que se valorizam. Pequenos detalhes fazem diferença: um perfume agradável, roupas adequadas à ocasião e uma aparência que transmita cuidado. Mais do que tentar impressionar, o importante é mostrar a sua melhor versão”.

 

Outro ponto importante é ter em mente exatamente o perfil da pessoa que se pretende ter ao seu lado. “Antes de procurar alguém, reflita: O que é importante para você em um relacionamento? Quais valores são importantes para você? Quais são suas preferências quanto ao perfil da pessoa? Que tipo de relacionamento deseja construir? Como imagina sua vida a dois?”, destaca Sheila.

 

Aliado a isso, é ideal também frequentar ambientes compatíveis com o perfil buscado. Quem procura alguém culto pode frequentar livrarias, cafés, eventos culturais. Quem valoriza saúde e bem-estar pode encontrar alguém em academias, corridas e atividades ao ar livre. Relacionamentos sérios dificilmente surgem em ambientes onde ninguém quer realmente se conhecer.

 

Marcado um encontro, a indicação é tornar tudo mais leve. Inicialmente, não se deve fazer interrogatórios, perguntas sobre casamento, filhos, futuro a dois. “Ninguém gosta de sair com uma pessoa que só reclama da vida ou transforma o encontro em uma entrevista de emprego. Bom humor, educação e interesse no que o outro fala fazem toda a diferença. E um detalhe importante: estar presente. Ficar no celular o tempo todo transmite desinteresse e falta de consideração. Também evite falar de relacionamentos ou de temas mais polêmicos”, afirma Sheila.

 

Depois de um encontro agradável, muitas pessoas acabam estragando tudo com jogos emocionais. Esperar dias para responder, fingir desinteresse ou desaparecer pode fazer o relacionamento esfriar rapidamente. Quando existe interesse, pequenas atitudes contam muito, como mandar uma mensagem no dia seguinte, lembrar de algo que a pessoa comentou ou demonstrar atenção.

 

“Mas o mais importante é não esperar que o amor aconteça sozinho. Ele chega para quem tem atitude. Muitas pessoas incríveis continuam solteiras simplesmente porque fazem sempre as mesmas coisas, frequentam os mesmos lugares e insistem em relações superficiais. Encontrar um relacionamento sério exige decisão. E, muitas vezes, também ajuda profissional para conhecer pessoas realmente compatíveis”, finaliza a coach da Par Ideal.

 

Agência Par Ideal

WhatsApp: (41) 99647-7755

Instagram: https://www.instagram.com/agenciaparideal/ 

Site: https://www.parideal.com.br/  

 

A SOLIDÃO DO MENTIROSO

Dizer-se o que não corresponde ao que se acredita que seja. O nome disso é mentira. Formulei este conceito para poder excluir compreensões distorcidas por transtornos de qualquer ordem que alcancem alguém.

Se, por motivos emocionais, eu desvirtuo os fatos, de maneira a contornar desconfortos insuperáveis, não estaria mentindo, pois me encontraria pressionado por consternações emotivas invencíveis.

Mentir, então, é mentir mesmo, é não dizer a coisa como se a sabe, ou honestamente se a supõe: aumentar, mitigar, distorcer, suprimir, acrescentar, escamotear etc., em ato deliberado, induzindo a erro.

Há casos em que a mentira é legítima. O exemplo usual é o do judeu que negava sua etnia a um nazista, simplesmente para não ser morto. Mas há coisas mais singelas, que, igualmente, legitimam a mentira.

Se pais autoritários cerceiam exageradamente o ir e vir da filha, não se pode condenar o ‘‘vou dormir na casa da amiga para estudar’’, e, de lá, o ir para as festas que a vida oferece, às quais a menina tem direito.

Existe a mentira misericordiosa, dita, talvez devidamente, ao doente, ou à pessoa vestida não tão bem assim. Há, inclusive, a regalia de mentir: ninguém é obrigado, ao depor em juízo, a produzir prova contra si.

E a mentira gratuita? Aquela que não é transtorno, misericórdia ou legítima. Não creio que haja mentiroso gratuito sem necessidade psicológica de sê-lo. Necessidade, contudo, explica esse mentiroso; não o justifica.

Ninguém pode atender suas necessidades, desconsiderando os danos emocionais e de relacionamento que causa ao seu redor. Uma necessidade não é, forçosamente, insuperável. Talvez, se pedir ajuda...

Quem mente tem que optar entre as amarguras de saber-se um mentiroso e as dores de encarar uma verdade que lhe é difícil. O imperativo de optar é solitário e aflitivo. Mas, quem pode viver sem enfrentar opções?

O mentiroso mente, antes, para ele mesmo. Autoengana-se de que enganou o próximo. A vontade vence a vergonha de mentir. Vencesse a vergonha, não mentiria. E não é de ser descoberto que tem medo.

Ao mentiroso apavora-lhe é que se lhe descubra a verdade. Envergonha-se de algo escondido: a verdade. Essa verdade, normalmente, o envolve. O mentiroso tem vergonha da verdade em que está envolvido.

Criada uma ficção, o mentiroso tem que sustentá-la com outras, o que não lhe é confortável. Porém menos confortável é-lhe a realidade que deseja esconder. Cria um mundo vicioso de mentiras e vai morar nele. Sozinho.

Este mundo é construído sobre mentiras indulgentes, pregadas para si. O mentiroso se convence de que está convencido (no fundo, não está) de que mentir é o menor mal, ou de que prega a última mentira.

O mentiroso, em momentos sinceros, está só: ele sabe que os outros sabem que ele está mentindo e que não vai parar. Na vida, quem mente vai sendo desmoralizado; vai se desmoralizando até se desmoralizar.

Não deve ser confortável levar a existência deparando-se consigo falsificado por si mesmo. “Fiz questão de esquecer \ Que mentir pra si mesmo \ É sempre a pior mentira” (Legião Urbana, Quase sem querer).

Os amigos do mentiroso devem-lhe um espaço afetuoso, que lhe abrigue a verdade escondida, e a recusa à própria falsificação. Tolerá-lo sob suspeita é acrescentar-lhe mal ao mal que ele faz ao seu viver. 



Léo Rosa de Andrade
Doutor em Direito pela UFSC.
Psicanalista e Jornalista

 

“Assinar conteúdo adulto é traição?”: sexóloga virtual revela dúvidas mais inusitadas enviadas por usuários

Créditos: @fatal_fans
 CO - Assessoria
Ferramenta recebeu dúvidas sobre assinaturas escondidas, ciúmes de influenciadores e relacionamentos afetados por inteligência artificial

 

“Assinar conteúdo de outra pessoa é traição?”, “ter ciúmes de uma influenciadora é normal?” e “conversar todos os dias com uma inteligência artificial pode colocar um relacionamento em risco?” estão entre as perguntas mais curiosas recebidas por uma sexóloga virtual criada pela FatalFans para orientar usuários sobre relacionamentos, comportamento e vida afetiva. 

As interações registradas pela ferramenta mostram como situações que até pouco tempo atrás sequer faziam parte das discussões amorosas passaram a ocupar espaço nas inseguranças dos casais. Além das dúvidas sobre conteúdo por assinatura e inteligência artificial, usuários também questionaram se esconder determinadas interações online pode ser considerado traição, se manter conversas frequentes com criadores de conteúdo ultrapassa limites da relação e até se curtir fotos antigas de alguém pode ser interpretado como flerte. 

Segundo Kellerson Kurtz, diretor de operações da FatalFans, o volume de perguntas mostra que muitos usuários estão tentando entender regras que sequer existiam até poucos anos atrás. “As perguntas mostram que os limites da fidelidade mudaram. Hoje, muita gente não sabe se uma assinatura escondida, uma conversa frequente com IA ou o ciúme de um influenciador pode ser considerado traição. São dúvidas que surgem porque a vida afetiva também passou a acontecer dentro das plataformas”, afirma. 

Uma das dúvidas que mais se repetiram envolvia inteligência artificial. Muitos usuários queriam saber se conversar diariamente com uma IA, compartilhar segredos ou buscar apoio emocional fora da relação poderia ser considerado uma forma de traição emocional. Para Kellerson, esse tipo de questionamento mostra como a tecnologia passou a ocupar espaços que antes pertenciam exclusivamente às relações humanas. “Antes, muitas discussões sobre traição estavam ligadas ao contato físico ou a conversas privadas. Agora, os conflitos também passam por algoritmos, redes sociais, plataformas de assinatura e inteligência artificial”, analisa. 

Outro grupo de perguntas girava em torno dos influenciadores digitais. A ferramenta recebeu questionamentos sobre ciúmes de criadores de conteúdo, assinaturas escondidas e interações que, para alguns usuários, ultrapassariam os limites da relação. Entre os exemplos que mais chamaram atenção estão dúvidas como “meu parceiro assina conteúdo adulto escondido, isso é traição?”, “se ele conversa todos os dias com uma IA, devo me preocupar?”, “ter ciúmes de uma criadora de conteúdo é exagero?” e “curtir fotos antigas de alguém pode ser considerado flerte?”. 

Entre as interações registradas pela sexóloga virtual, uma percepção chamou atenção: em muitos casos, os usuários não buscam apenas uma resposta objetiva. As perguntas revelam uma tentativa de entender onde termina o entretenimento, começa o envolvimento emocional e em que momento uma interação digital pode ser vista como quebra de confiança dentro da relação. 

Para a FatalFans, o levantamento mostra que conceitos como fidelidade, privacidade e intimidade estão sendo constantemente desafiados pelas novas formas de interação online. Segundo Kellerson, a principal surpresa foi perceber quantas dúvidas surgiram a partir de situações que simplesmente não existiam há alguns anos. “A tecnologia mudou a forma como as pessoas se relacionam, e isso também criou novos questionamentos sobre confiança, ciúmes e fidelidade”, conclui.



Estudo brasileiro cria modelo capaz de prever depressão em adolescentes antes dos sintomas

Combinação de dados sociodemográficos com exames de sangue e neuroimagem amplia a capacidade de prever o risco e pode melhorar a prevenção em saúde mental
 


Um estudo liderado professor e doutor em psiquiatria, Christian Kieling, Head da Unidade de Pesquisa em Saúde Mental do Instituto de Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento, em parceria com pesquisadores do Reino Unido, aponta um caminho promissor para identificar o risco de depressão em adolescentes antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas. Os resultados indicam que, além de ser possível estimar o risco de desenvolver a doença utilizando um escore baseado no contexto de vida dos jovens, a combinação dessas informações com um conjunto de marcadores biológicos, melhora de forma significativa a capacidade de previsão.
 

Entre os adolescentes classificados como de alto risco em ambos os modelos, 44% desenvolveram depressão ao longo de três anos. Já entre aqueles considerados de baixo risco nos dois critérios, não houve registros da doença no mesmo período. Publicado na revista Molecular Psychiatry, do grupo Nature, o trabalho reuniu dados sociodemográficos, exames de sangue e neuroimagem em um modelo preditivo inédito, com potencial para transformar as estratégias de prevenção em saúde mental. 

A pesquisa integra o consórcio internacional IDEA (Identifying Depression Early in Adolescence) e acompanhou estudantes da rede pública de Porto Alegre durante três anos. “A depressão não surge de forma repentina. O que mostramos é que existem indicadores psicossociais e biológicos que permitem identificar uma vulnerabilidade maior ao desenvolvimento da doença”, afirma Christian Kieling.

 

Da identificação tardia à prevenção 

Tradicionalmente, o diagnóstico ocorre apenas quando os sintomas já estão presentes. O estudo propõe mudar esse cenário pela identificação do risco para desenvolver a depressão. Ao combinar o contexto de vida dos adolescentes, como ambiente familiar e condições sociais, com indicadores biológicos relacionadas a inflamação, desequilíbrios em substâncias que protegem o cérebro e maior sensibilidade a estímulos negativos em áreas cerebrais ligadas às emoções, os pesquisadores ampliaram de forma consistente a capacidade de prever quem desenvolveria o transtorno. 

“Quando analisados em conjunto, esses fatores permitem uma compreensão mais ampla da saúde mental, ao conectar o funcionamento do cérebro, o sistema imunológico e o contexto de vida,” explica o pesquisador brasileiro.

 

Impacto para prevenção e políticas públicas 

Os resultados abrem caminho para mudanças concretas com impacto direto na sociedade. Entre elas, destacam-se:

  • A possibilidade de identificar precocemente adolescentes em situação de vulnerabilidade;
  • A chance de reduzir o impacto da depressão, hoje uma das principais causas de incapacidade no mundo, sobretudo entre jovens;
  • A alocação mais eficiente de recursos em saúde mental;
  • O fortalecimento de estratégias de prevenção baseadas em evidência.

Para viabilizar essa abordagem, os pesquisadores sugerem que um caminho possível seria um modelo aplicável aos sistemas de saúde, com uma triagem em etapas: primeiro com informações sociodemográficas simples e acessíveis e, em seguida, para jovens selecionados, a complementação com exames mais específicos.

“Esse modelo abre caminho para uma mudança importante no cuidado em saúde mental: sair de uma abordagem reativa, focada no tratamento, para uma atuação preventiva, identificando quem precisa de atenção antes do adoecimento”, destaca Kieling.

 

Dia Mundial da Corrida reforça benefícios da prática para mente e corpo

 Psicóloga destaca efeitos positivos da prática na redução do estresse e na sensação de pertencimento 


O Dia Mundial da Corrida, celebrado em 4 de junho, reforça um movimento que cresce cada vez mais no Brasil: a busca pela prática esportiva como aliada da saúde física e emocional. O estudo “Por Dentro do Corre”, realizado pela Olympikus em parceria com a consultoria Box1824, aponta que o país ganhou mais 2 milhões de corredores em 2025. Com isso, o número de brasileiros que correm ao menos uma vez por semana saltou de 13 para 15 milhões. 

Além do condicionamento físico, a saúde mental aparece como um dos principais motivos que levam as pessoas a começarem, e permanecerem, na corrida. Segundo o levantamento, 40% dos praticantes relatam melhora na saúde mental após adotarem o hábito, além de benefícios relacionados ao sono, autoestima e disposição no dia a dia.
 

Corrida vai além do exercício físico

Para Ana Cristina Vasconcellos, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, o crescimento da corrida está diretamente ligado à necessidade das pessoas em encontrar mecanismos saudáveis para lidar com o estresse e a sobrecarga emocional da rotina moderna. 

“A corrida atua como uma importante ferramenta de regulação emocional. Durante a prática física, ocorre a liberação de neurotransmissores como endorfina, serotonina e dopamina, substâncias associadas à sensação de prazer, bem-estar e redução da ansiedade”, explica. 

Segundo a especialista, além dos efeitos biológicos, o esporte também contribui para o fortalecimento emocional e social dos praticantes. “Muitas pessoas encontram na corrida um momento de autocuidado, de pausa mental e até de conexão consigo mesmas. Ao mesmo tempo, os grupos de corrida criam vínculos sociais importantes, que ajudam no sentimento de pertencimento e diminuem sensações de isolamento”, destaca. 

Ana Cristina ressalta ainda que a corrida pode funcionar como importante aliada na prevenção de transtornos emocionais, desde que seja praticada com equilíbrio. “A atividade física regular ajuda na redução dos níveis de estresse, melhora a qualidade do sono, favorece a autoestima e aumenta a sensação de capacidade pessoal. Tudo isso contribui para uma saúde mental mais estável”, afirma. 

Apesar dos benefícios, a psicóloga alerta para a importância de evitar excessos e comparações, especialmente em um cenário de exposição constante nas redes sociais. “A corrida precisa estar associada ao bem-estar e não à cobrança excessiva por performance. Cada pessoa possui limites físicos e emocionais diferentes, e respeitar esse processo é fundamental para que a prática continue sendo saudável”, conclui a coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera.  



Anhanguera
Para mais informações das soluções educacionais, acesse o site e o blog.



Como acompanhar a jornada escolar dos filhos de forma colaborativa

Magnific
Orientadora pedagógica do Villa Global Education aponta como a parceria entre família e escola é determinante para o desenvolvimento da autonomia dos estudantes

 

No cenário educacional, a sintonia entre a rotina do lar e o ambiente de ensino é um dos caminhos mais eficientes para o sucesso dos estudantes. A relação entre escola e família se consolida como uma parceria importante, baseada na troca de experiências e no acolhimento mútuo, onde cada lado contribui diretamente para o amadurecimento seguro da criança e do adolescente.

 

Mas o equilíbrio é a base de uma formação sólida e a família ocupa um papel essencial no desenvolvimento infantil, como pontua a orientadora pedagógica do Villa Global Education Andréa Guedes.

 

“A escola e a família são pilares fundamentais na formação de um indivíduo. É no ambiente familiar que a criança encontra suas primeiras referências de afeto, segurança, valores e confiança. Quando família e escola caminham juntas, criamos um ambiente acolhedor e seguro, capaz de impulsionar o crescimento, a aprendizagem e o desenvolvimento integral da criança. A família, como base e referência, fortalece a autoestima, a autonomia e a capacidade da criança de enfrentar desafios com mais confiança e equilíbrio”, explica.

 

Essa construção conjunta se fortalece no dia a dia, quando os laços afetivos de casa se alinham aos estímulos pedagógicos. Ao acompanhar de perto as descobertas e os desafios do cotidiano acadêmico, os pais se tornam grandes incentivadores, ajudando a consolidar a autoconfiança necessária para que os jovens se sintam seguros e preparados para os seus próximos passos, tanto na vida adulta quanto na profissional.

 

Caminhos para contribuir com a rotina escolar

Favorecer a autonomia no cotidiano: Estimular o estudante a organizar seus próprios materiais e a resolver as atividades que ele já domina, fortalecendo sua independência e capacidade de organização;

 

Valorizar o potencial e a evolução individual: Olhar para os resultados do aluno a partir de sua própria bagagem e progresso particular, evitando comparações, celebrando suas conquistas individuais e respeitando o seu ritmo;

 

Fortalecer os valores familiares como base: Nutrir em casa os princípios e crenças em que a família acredita, contando com a escola como um complemento que amplia essa formação no convívio coletivo;

 

Acompanhar o desenvolvimento de forma contínua: Manter uma proximidade constante com o ambiente de ensino em todos os momentos do ano, integrando-se aos processos escolares de forma natural e preventiva. 

A orientadora pedagógica reforça que o engajamento consciente da família reflete diretamente no cidadão que está sendo formado. "Nosso objetivo é que essa parceria seja transparente e focada no desenvolvimento da autonomia, preparando o estudante não apenas para as provas, mas para os desafios globais do futuro", finaliza Guedes.


Por que homens ainda associam mulheres à emoção e a si mesmos à razão? Psicóloga analisa como estereótipos de gênero seguem impactando relações e espaços de poder

Para a doutora em Psicologia pela PUC-SP, Blenda Oliveira, a ideia de que mulheres seriam “emocionais demais” ainda influencia desde relações afetivas até o mercado de trabalho 

 

A antiga divisão entre homens associados à razão e mulheres ligadas à emoção continua presente no imaginário social e ainda influencia a forma como homens e mulheres são percebidos, ouvidos e educados. Do ambiente profissional aos relacionamentos, comportamentos femininos frequentemente são interpretados a partir de estereótipos ligados à sensibilidade, à instabilidade ou ao exagero emocional.

 

Para a doutora em Psicologia pela PUC-SP, Blenda Oliveira, embora existam diferenças biológicas entre homens e mulheres, a ideia de que um sexo seria naturalmente racional e o outro emocional é, sobretudo, uma construção cultural reforçada pela história. “Durante muito tempo, homens foram associados ao pensamento lógico e à liderança, enquanto as mulheres foram ligadas ao cuidado e à emoção. Isso não surgiu por acaso. Essa divisão ajudou a justificar desigualdades históricas e ainda aparece de formas muito sutis no cotidiano”, explica.

 

Segundo Blenda, o problema não está nas emoções, mas na forma como elas são interpretadas, dependendo de quem as manifesta. “Quando um homem demonstra raiva, muitas vezes ele é visto como firme ou assertivo. Quando uma mulher expressa indignação, ela pode ser chamada de desequilibrada, dramática ou sensível demais. Existe uma diferença importante na forma como a sociedade lê essas emoções”, afirma.

A psicóloga destaca ainda que o estereótipo da mulher “menos racional” continua atravessando espaços profissionais e acadêmicos. Dados do IBGE mostram que, mesmo com maior escolaridade média, as mulheres ainda recebem salários inferiores aos dos homens no Brasil, inclusive em áreas intelectuais e científicas. “Existe uma tentativa histórica de deslegitimar a fala feminina associando as mulheres ao excesso emocional. Isso impacta a forma como elas são ouvidas em reuniões, em cargos de liderança e até dentro das próprias relações pessoais”, diz Blenda Oliveira.

 

A especialista também chama atenção para os impactos desse modelo sobre os próprios homens. Segundo ela, muitos crescem sendo ensinados a reprimir emoções consideradas frágeis, como tristeza, medo ou vulnerabilidade. “Muitos homens não aprenderam a lidar emocionalmente consigo mesmos porque foram ensinados que a sensibilidade ameaça a masculinidade. Isso pode gerar sofrimento emocional silencioso, dificuldades afetivas e até formas inadequadas de lidar com frustrações e conflitos, chegando a diferentes expressões de violência contra a mulher.”

 

Blenda ressalta ainda que, embora estatisticamente os homens pratiquem mais violência física contra as mulheres, é importante não reduzir a masculinidade à violência. “Força física não significa maturidade emocional, equilíbrio afetivo ou superioridade moral. Quase sempre fala mais sobre o oposto: desequilíbrio afetivo e imaturidade. Muitas vezes, a dificuldade em lidar com emoções e frustrações se transforma em relações violentas e em uma significativa dificuldade de comunicação consigo mesmo e com o outro”, afirma.

 

Para a psicóloga, emoção e razão não são opostos, mas dimensões que coexistem em qualquer ser humano. “A ideia de que sentir invalida a inteligência de alguém é extremamente equivocada. Emoções fazem parte da forma como todos nós pensamos, decidimos e nos relacionamos”, conclui.

 

Para Blenda Oliveira, mais do que reforçar divisões entre homens e mulheres, o desafio atual talvez seja justamente permitir que ambos possam existir de maneira mais inteira: homens autorizados a sentir sem vergonha e mulheres reconhecidas também por sua racionalidade, liderança e potência intelectual. “Uma sociedade emocionalmente mais saudável depende da capacidade de homens e mulheres se ouvirem para além dos estereótipos que, durante séculos, limitaram ambos”, conclui. 

 

Blenda Oliveira - doutora em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). É autora do livro Fazendo as pazes com a ansiedade, publicado pela Editora Nacional, que foi indicado ao Prêmio Jabuti em 2023. A especialista também palestra sobre saúde mental e autoconhecimento e vem se dedicando ao tema do envelhecimento e solidão.



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