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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Uso de canetas emagrecedoras levanta alerta sobre impactos na saúde íntima e sexual

Canva  Dados do Conselho Federal de Farmácia apontam que o
consumo das canetas emagrecedoras cresceu 88% no último ano
Especialistas apontam que emagrecimento rápido e alterações metabólicas podem afetar libido, resposta sexual e percepção corporal em homens e mulheres 

 

As chamadas “canetas emagrecedoras” se tornaram um dos temas mais presentes nas conversas sobre saúde e emagrecimento nos últimos meses. O uso crescente de medicamentos agonistas de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, tem chamado atenção não apenas pelos efeitos na perda de peso, mas também por possíveis impactos pouco discutidos no organismo, entre eles, alterações relacionadas à saúde íntima e sexual de homens e mulheres.

Embora ainda não existam estudos conclusivos sobre efeitos diretos na mucosa vaginal, lubrificação ou função do assoalho pélvico, especialistas já observam sinais clínicos que apontam mudanças importantes na resposta sexual e no funcionamento corporal após o emagrecimento acelerado.

Segundo a fisioterapeuta e doutora em Ginecologia e Obstetrícia Daniella Leiros, da Clínica Videlis, em Ribeirão Preto (SP), o corpo reage de forma integrada às mudanças metabólicas provocadas pelos medicamentos. “As pessoas acreditam que emagrecer mexe só na balança, mas não. O corpo inteiro reage. A região íntima é uma das primeiras a denunciar quando algo está saindo do eixo. Ela fala, ela reclama, ela muda”, comenta.

O crescimento do uso desses medicamentos no Brasil ajuda a dimensionar o tema. Dados do Conselho Federal de Farmácia apontam que o consumo das canetas emagrecedoras cresceu 88% no último ano. Já uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostrou que 62% dos brasileiros conhecem alguém que utiliza ou já utilizou esses medicamentos, enquanto 24% dos entrevistados afirmaram já ter feito uso.


Alterações na libido e na resposta sexual masculina

O estudo “Disfunção sexual masculina associada a agonistas do receptor GLP-1: uma análise transversal dos dados do FAERS”, publicado em 2025 no periódico britânico  International Journal of Impotence Research, identificou associação entre medicamentos agonistas de GLP-1 e alterações no corpo do homem, como disfunção erétil, queda da libido e alterações ejaculatórias

A fisioterapeuta Josiane Pavão, especialista em saúde íntima masculina e sexualidade, explica que a resposta sexual depende diretamente do equilíbrio metabólico e vascular do organismo. “A fisiologia da ereção depende de integridade vascular e neurológica. Qualquer intervenção que altere o metabolismo sistêmico pode modificar a resposta erétil”, afirma.

Além dos estudos envolvendo homens, relatos científicos recentes também descrevem mulheres com redução importante da lubrificação, dor durante a relação sexual, dificuldade de excitação e queda da resposta sexual.

“Quando o corpo interpreta que você está vivendo com menos energia, ele desliga o que não é essencial para sobreviver. Desejo, prazer e resposta sexual são algumas das primeiras coisas que sofrem impacto”, explica Daniella.


Corpo, metabolismo e sexualidade estão conectados

Segundo as especialistas, homens e mulheres podem apresentar manifestações diferentes, mas ambos sofrem consequências relacionadas ao funcionamento íntimo e à percepção corporal. “Nos homens, vemos impacto direto na hemodinâmica peniana. Nas mulheres, há sinais funcionais relacionados à diminuição da resposta sexual, possivelmente pela combinação entre perda de gordura local, variações hormonais e ingestão calórica muito baixa”, detalha Josiane.

Entre os mecanismos apontados pelas profissionais para explicar essas alterações estão mudanças hormonais rápidas, alterações na circulação genital, perda abrupta de gordura corporal, ingestão calórica insuficiente e impacto no sistema nervoso e no eixo do desejo sexual. “Tecidos genitais dependem de aporte sanguíneo e equilíbrio metabólico. É fisiologia pura”, resume Josiane.

As especialistas alertam que o objetivo dos estudos não é condenar o uso dos medicamentos, mas ampliar o olhar sobre os efeitos do emagrecimento rápido no organismo. “Não é para demonizar o remédio, é para escutar o corpo. Se a sua região íntima mudou, é porque algo mudou dentro de você. A saúde íntima faz parte da saúde geral e não pode ser deixada de lado”, conclui Daniella Leiros.

 

Autismo: Pequenas conquistas também mudam vidas


Quando falamos sobre desenvolvimento infantil no Transtorno do Espectro Autista (TEA), é comum que muitas pessoas esperem grandes mudanças visíveis em pouco tempo. Na prática, porém, o desenvolvimento acontece de outra maneira. Ele é construído aos poucos, em pequenas etapas, muitas vezes discretas para quem observa de fora, mas extremamente significativas para a criança e sua família.

Um olhar ao ser chamado, um pedido de água, aceitar trocar de roupa, conseguir esperar alguns minutos ou participar de uma atividade em grupo podem parecer situações simples no cotidiano. Para muitas crianças autistas, no entanto, essas habilidades representam avanços importantes na comunicação, na autonomia e na interação social.

O desenvolvimento no autismo não é linear. Cada criança possui seu próprio ritmo, suas dificuldades e potencialidades. Por isso, o processo terapêutico não deve estar centrado apenas em resultados imediatos, mas na construção gradual de habilidades que permitam à criança participar do mundo com mais segurança, independência e qualidade de vida.

Na comunicação, por exemplo, habilidades como contato visual, intenção comunicativa, compreensão, imitação e resposta ao nome funcionam como bases fundamentais para o desenvolvimento da linguagem. Quando a criança começa a conseguir se expressar de forma mais funcional, isso impacta diretamente seu comportamento, reduzindo frustrações e aumentando sua confiança nas interações do dia a dia.

Da mesma forma, atividades relacionadas à autonomia também têm enorme importância. Conseguir colocar um sapato sozinho, tolerar uma textura diferente de roupa, experimentar um novo alimento ou lidar melhor com mudanças na rotina são conquistas que ajudam a ampliar a independência e a participação da criança em diferentes ambientes.

Esses avanços não acontecem de forma espontânea. Eles são resultado de um trabalho contínuo, estruturado e individualizado, construído a partir das necessidades específicas de cada criança. A intervenção especializada atua justamente na criação dessas habilidades, respeitando o tempo de desenvolvimento e oferecendo estratégias para que o aprendizado aconteça de forma funcional.

Mas existe um ponto essencial nesse processo: a evolução não acontece apenas dentro da clínica. A participação da família é decisiva para consolidar os avanços conquistados durante as terapias. É no cotidiano que a criança aprende a generalizar habilidades, comunicar necessidades, lidar com frustrações e ganhar segurança para participar de novos espaços.

A sociedade ainda costuma medir evolução apenas por grandes marcos. No autismo, porém, são justamente os pequenos avanços do cotidiano que sustentam transformações maiores ao longo do tempo. Cada habilidade construída abre caminho para novas possibilidades de comunicação, interação e autonomia.

Quando valorizamos essas conquistas, deixamos de olhar apenas para limitações e passamos a reconhecer potencialidades. E isso faz diferença não apenas no desenvolvimento da criança, mas também na forma como famílias e sociedade compreendem o autismo.

 


Michela Mattos - fonoaudióloga

Neila Della i- terapeuta ocupacional do Grupo Gaiadi (Grupo de Avaliação e Intervenção dos Atrasos do Desenvolvimento Infantil), em Ribeirão Preto/SP | @clinicagaiadi


‘Saúde metabólica’ masculina ganha destaque após aumento de sintomas ligados ao estresse e sedentarismo

Referência em medicina estética no Brasil, Dr. Octávio Guarçoni explica como alterações hormonais, inflamação e hábitos da rotina impactam na disposição física, qualidade da pele, metabolismo e na autoestima masculina após os trinta anos. 

 

O debate sobre a “saúde metabólica masculina” ganhou ainda mais espaço dentro da medicina preventiva e integrativa. Casos de aumento da gordura abdominal e até mesmo a queda no desempenho metabólico dos homens têm sido cada vez mais frequentes no público 30+, afetando silenciosamente a saúde física, mental e a autoestima dos pacientes.  

Dados do estudo publicado na revista The Lancet Global Health e conduzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que cerca de 31% da população adulta mundial é fisicamente inativa, fator diretamente associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, obesidade e alterações metabólicas.  

Na prática, o cansaço constante, dificuldade ao se concentrar, estresse excessivo e o sedentarismo são sintomas frequentemente associados ao avanço da idade e à correria da rotina. No entanto, de acordo com o Dr. Octávio Guarçoni, referência em medicina estética no Brasil, esses sinais podem indicar alterações hormonais, inflamatórias e metabólicas que merecem atenção.  

Para o Doutor, existe uma relação cada vez mais evidente entre a saúde metabólica e a autoestima masculina. “Hoje muitos homens procuram atendimento porque percebem mudanças no rosto, envelhecimento acelerado e perda de performance física. Nesse sentido, a estética acaba sendo um reflexo do que está acontecendo internamente no organismo", destaca. 

O especialista ressalta que além das alterações hormonais, o estresse crônico e a má qualidade do sono também favorecem os processos inflamatórios que impactam diretamente a autoestima masculina e prejudicam funções cognitivas, como foco e concentração. “O excesso de trabalho, noites mal dormidas, alimentação desregulada com alimentos ultraprocessados e altos níveis de irritabilidade criam um ambiente inflamatório no organismo. Isso afeta energia, aparência física e até a confiança do paciente, explica.  

Para reconquistar a confiança, Guarçoni traz rotinas de autocuidado e tratamentos estéticos, aliados à protocolos saudáveis. “Uso de séruns antioxidantes, ativos com ácido hialurônico, limpeza adequada da pele e tratamentos estéticos minimamente invasivos ajudam a estimular a renovação celular e refletem diretamente na aparência da pele e do corpo, devolvendo a autoestima dos homens 30+”. Segundo o Doutor, os procedimentos de skincare se tornaram um convite à relaxar, ao passo em que deixaram de ser vistos como vaidade e se tornaram rotina. 

Tratamentos que envolvem hidratação, cuidados faciais e corporais são essenciais para uma rotina mais ampla de bem-estar e atenção ao próprio corpo. Para o Dr. Octávio Guarçoni é possível promover um cuidado mais completo e ajustado às necessidades de cada indivíduo.

“Hoje entendemos que saúde masculina não se resume à ausência de doenças. Cada organismo responde de uma forma. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para entender hábitos e rotina que podem estar comprometendo saúde, disposição e bem-estar, para promover um organismo saudável e funcional em todas as fases da vida”, conclui.


Dia Mundial da Hidradenite Supurativa reforça importância do diagnóstico precoce e dos avanços no tratamento

Sociedade Brasileira de Dermatologia aborda tema em evento com médicos de todo o Brasil
 

Celebrado em 6 de junho, o Dia Mundial da Hidradenite Supurativa chama a atenção para uma doença inflamatória crônica que ainda é pouco conhecida pela população e frequentemente confundida com outras condições dermatológicas. O tema será um dos destaques de evento da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), no próximo final de semana. Médicos dermatologistas de toda a América Latina vão participar do 4º Imuno&Derma + 5º Congreso de la Sociedade Latinoamericana de Psoriasis y Demoimunologia. Os eventos paralelos, que vão de 4 a 6 de junho, acontecerão no Rio de Janeiro.

A hidradenite supurativa acomete principalmente áreas como axilas, virilhas, região genital, glútea e abaixo das mamas. Os pacientes costumam apresentar nódulos dolorosos, abscessos recorrentes e drenagem de secreção, com lesões que podem reaparecer repetidamente no mesmo local e deixar cicatrizes permanentes.

"A cada dia surgem novas descobertas sobre a doença, mas o mais importante continua sendo caracterizá-la, já que ainda é pouco conhecida pela população. Muitas vezes, o paciente acredita que está lidando apenas com um furúnculo recorrente, quando na verdade pode estar diante de uma condição inflamatória crônica que exige acompanhamento especializado", afirma Dr. André Carvalho, médico dermatologista da SBD. 

O especialista alerta para sinais que merecem atenção, especialmente quando os episódios se repetem.

"Pacientes que apresentam caroços, abscessos ou inflamações recorrentes sempre no mesmo local devem procurar avaliação médica. A recorrência dessas lesões pode ser um indicativo de hidradenite supurativa, e o diagnóstico precoce é fundamental para evitar a progressão da doença", destaca. 

A hidradenite supurativa é mais frequente em mulheres e pessoas com excesso de peso. Embora suas causas ainda não sejam completamente compreendidas, sabe-se que a doença está relacionada a mecanismos inflamatórios do organismo e pode ter influência genética. Fatores como obesidade e tabagismo também estão associados ao agravamento do quadro. 

O tratamento varia de acordo com a gravidade e pode incluir medicamentos tópicos e sistêmicos, infiltrações locais, terapias a laser e procedimentos cirúrgicos.

"Os avanços nas pesquisas têm permitido compreender melhor os mecanismos inflamatórios envolvidos na doença. Com isso, surgem terapias cada vez mais direcionadas a alvos específicos do processo inflamatório, oferecendo novas perspectivas para pacientes que, durante muito tempo, tiveram opções limitadas de tratamento", explica Dr. André. 

A Sociedade Brasileira de Dermatologia reforça que o dermatologista é o especialista indicado para o diagnóstico e o tratamento da hidradenite supurativa. O reconhecimento precoce dos sintomas pode evitar complicações, reduzir o impacto na qualidade de vida e proporcionar melhores resultados terapêuticos.


Sobre a hidradenite supurativa 

A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória crônica da pele caracterizada pelo surgimento de nódulos dolorosos, abscessos e fístulas em áreas de dobras do corpo, como axilas, virilhas, região genital, glútea e abaixo das mamas. As lesões podem ser recorrentes e evoluir com cicatrizes, comprometendo significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Embora não tenha cura definitiva, a doença possui tratamento e seu controle tem avançado significativamente nos últimos anos.


Hiperosmia: quando o olfato aguçado demais impacta na qualidade de vida

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Condição faz com que algumas pessoas percebam cheiros com intensidade acima do normal — e isso pode causar desconforto, enjoos e até crises de ansiedade

 

Algumas pessoas conseguem perceber aromas que passam despercebidos para quase todos. O cheiro do café recém passado, de um perfume no elevador ou de produtos de limpeza. Quando essa sensibilidade olfativa aumentada começa a parecer mais intensa que o habitual e causar desconforto, ela recebe o nome de hiperosmia. 

Apesar de muitas vezes ser vista como uma habilidade ou vantagem, a condição nem sempre é positiva. Em alguns casos, a exposição a determinados odores pode provocar náuseas, dor de cabeça, mal-estar, irritabilidade, desconforto importante e limitação das atividades do dia a dia. 

“Quando o olfato fica mais sensível do que o habitual, situações simples podem se tornar desconfortáveis. O paciente pode começar a evitar ambientes, alimentos ou atividades por causa dos odores, e isso passa a interferir diretamente na qualidade de vida”, explica o otorrinolaringologista Dr. Alexandre Kumagai, do Hospital Paulista.

 

O olfato vai muito além de sentir cheiros

O sistema olfatório possui forte conexão com áreas cerebrais relacionadas à memória, emoções e respostas comportamentais. Por isso, alterações olfativas podem ter repercussões físicas e emocionais. 

A hiperosmia pode estar associada a diferentes situações clínicas, entre elas:

• enxaqueca, especialmente durante crises ou períodos de sensibilidade aumentada
• alterações hormonais, incluindo gestação
• uso de alguns medicamentos
• doenças neurológicas específicas
• quadros inflamatórios das vias aéreas superiores
• fatores emocionais e estados de hipervigilância sensorial
 

“O desconforto provocado pelos odores é real. Em algumas pessoas, a exposição a determinados cheiros pode desencadear náusea, cefaleia, mal-estar e até sensação subjetiva de dificuldade respiratória durante episódios de maior ansiedade”, destaca o especialista.

 

Quando o cheiro se transforma em um gatilho 

O impacto da hiperosmia não é apenas físico, mas pode afetar a qualidade de vida das pessoas, que com o tempo, podem passam a antecipar situações desconfortáveis e evitar locais como restaurantes, transporte público, consultórios, academias, elevadores ou ambientes com perfumes intensos e produtos aromatizados.

Esse comportamento pode gerar limitação social e aumentar o estresse relacionado aos sintomas. 

“Nem sempre o paciente percebe que o olfato está influenciando sua rotina. Muitas vezes ele tenta se adaptar sozinho, mas quando existe prejuízo alimentar, social ou emocional, é importante investigar”, comenta o médico.

 

Sinais de alerta: quando procurar avaliação

Vale buscar avaliação médica quando a sensibilidade a cheiros:

  • surge de forma súbita
  • vem acompanhada de dor de cabeça frequente
  • causa náuseas ou vômitos
  • interfere na alimentação
  • provoca ansiedade importante
  • está associada a alterações do paladar
  • ocorre junto com obstrução nasal ou sintomas nasossinusais
  • persiste por semanas ou meses
  • altera a rotina ou a qualidade de vida


O que pode ajudar?

O tratamento depende da causa identificada. Em alguns casos, o controle da condição de base reduz a hipersensibilidade olfativa. Situações relacionadas à enxaqueca podem exigir acompanhamento neurológico. Quando há repercussão emocional importante, suporte psicológico também pode ser útil. 

Algumas medidas práticas podem ajudar, como:

• reduzir exposição a odores desencadeadores quando possível
• manter ambientes ventilados
• preferir produtos com menor carga de fragrância
• registrar situações associadas aos sintomas
• procurar avaliação médica especializada
• cuidar do sono, estresse e saúde emocional
 

A hiperosmia pode parecer apenas uma característica individual, mas quando passa a gerar desconforto persistente, náuseas ou limitação da rotina, merece investigação. Entender o problema é o primeiro passo para buscar alívio e evitar que a sensibilidade excessiva comprometa a rotina. 

“Perceber cheiros de forma mais intensa não é exagero nem ‘frescura’. Quando existe impacto na vida diária, o sintoma precisa ser avaliado”, conclui o especialista. 

O tratamento depende da causa identificada. Em alguns casos, controlar a condição de base já reduz a hipersensibilidade. Quando há relação com enxaqueca, por exemplo, o acompanhamento neurológico pode ser essencial. Se houver componente emocional importante, apoio psicológico também pode fazer diferença. 

Entre as estratégias que podem ajudar estão:

  • evitar exposição a cheiros desencadeadores sempre que possível
  • manter ambientes ventilados
  • preferir produtos sem fragrância forte
  • anotar situações em que os sintomas aparecem
  • buscar avaliação com otorrinolaringologista, neurologista ou clínico
  • cuidar da saúde emocional, sono e estresse

A hiperosmia pode parecer um detalhe, mas quando passa a gerar enjoo, desconforto e medo de cheiros comuns, deixa de ser apenas uma característica sensorial. Entender o problema é o primeiro passo para buscar alívio e evitar que a sensibilidade excessiva comprometa a rotina. 

“Perceber cheiros de forma mais intensa não é frescura nem exagero. É um sintoma que merece investigação, principalmente quando começa a limitar a vida da pessoa”, conclui.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

Mês da Miastenia Gravis comemora recente aprovação da primeira terapia subcutânea com foco na melhora funcional e na qualidade de vida do paciente1

  

• O novo medicamento biológico rozanolixizumabe, recém aprovado pela ANVISA1, é o primeiro tratamento subcutâneo para adultos com miastenia gravis generalizada que atua reduzindo a quantidade de autoanticorpos no sangue, aliviando os sintomas, trazendo ganho funcional e melhoria da função muscular2


• Com infusão subcutânea e administração domiciliar3, a terapia apresentou melhora significativa dos sintomas já no primeiro ciclo de tratamento em comparação com o placebo e manteve uma resposta consistente ao longo de múltiplos ciclos, com mais de um quarto dos pacientes alcançando expressão mínima dos sintomas em análises de longo prazo4.

 

 

O mês de junho traz um marco importante para a comunidade de doenças raras: hoje, 2 de junho, celebra-se o Dia Mundial e Nacional de Conscientização sobre a Miastenia Gravis. A data foi instituída especialmente para dar visibilidade a essa condição neuromuscular autoimune rara, combater o preconceito e estimular o diagnóstico precoce. Em perfeita sintonia com esse movimento de conscientização e busca por melhor qualidade de vida, os pacientes que convivem com a miastenia gravis generalizada passam a contar com outras alternativas terapêuticas para o manejo da condição. Entre as opções, uma nova tecnologia que oferece uma abordagem diferenciada por via subcutânea, contribuindo para a melhora significativa dos sintomas da doença¹,² chega ao Brasil.

 

A grande novidade que acompanha o mês de conscientização em 2026 é fruto1 da aprovação do registro, concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)1, do medicamento biológico Rystiggo® (rozanolixizumabe), o qual foi desenvolvido pela UCB Biopharma. Esse é o primeiro e único tratamento subcutâneo aprovado indicado para pacientes adultos que são positivos para os anticorpos anti-MuSK e/ou anti-AChR5.

O diferencial do novo medicamento está em seu mecanismo de ação inovador. Na miastenia gravis generalizada, o organismo passa a produzir autoanticorpos patogênicos

— como os anti-AChR e anti-MuSK5 — que comprometem a comunicação entre nervos e músculos5. Além disso, o corpo possui um sistema natural de reciclagem de anticorpos que impede sua eliminação rápida, mantendo esses autoanticorpos circulantes e contribuindo para a persistência dos sintomas6.

O rozanolixizumabe atua bloqueando de forma específica esse processo de reciclagem. Com isso, permite que o próprio organismo reduza mais rapidamente os níveis dos autoanticorpos nocivos, favorecendo sua eliminação natural. Essa redução sustentada dos autoanticorpos no sangue está associada ao alívio dos sintomas, melhora funcional e recuperação da força muscular7.

 

A aprovação da Anvisa teve como base os resultados do estudo de fase 3 MycarinG, publicado na revista The Lancet Neurology, que demonstrou benefícios clínicos relevantes para pacientes com miastenia gravis generalizada. O estudo evidenciou melhorias significativas em medidas funcionais e no desempenho das atividades diárias, reforçando a eficácia e a segurança do medicamento como uma alternativa terapêutica robusta para o manejo da doença4.

 

“A aprovação do rozanolixizumabe representa um marco relevante na estratégia da UCB de elevar os padrões de cuidado em doenças neurológicas graves e raras. Ao disponibilizar, no Brasil, a primeira terapia subcutânea direcionada ao bloqueio do receptor neonatal FcRn, passamos a contar com um mecanismo de ação inovador, sustentado por evidência científica, que amplia as opções terapêuticas para pacientes com miastenia gravis. Esse avanço reforça nosso compromisso em oferecer tratamentos que combinem eficácia clínica, inovação e o potencial de promover maior autonomia ao paciente ao longo de sua jornada de cuidado”, afirma Cynthia Diaféria, CEO da UCB Brasil.

 

Segundo a executiva, a chegada do medicamento consolida o compromisso da UCB em preencher lacunas críticas na assistência à saúde, oferecendo uma resposta clínica contundente, especialmente para perfis de difícil controle, como os pacientes anti-MuSK positivos5, que até então dispunham de opções terapêuticas limitadas.

 

A miastenia gravis generalizada é uma doença rara, com prevalência global estimada entre 150 e 200 casos por milhão de pessoas8. Pacientes com essa condição podem apresentar uma variedade de sintomas, incluindo fraqueza muscular, pálpebras caídas, visão dupla e dificuldade para falar, engolir ou se comunicar verbalmente8.


“Essa conquista reforça o avanço que rozanolixizumabe proporciona ao tratamento da miastenia gravis generalizada, ao disponibilizar uma alternativa terapêutica inovadora, direcionada e com potencial para transformar o cuidado de pacientes que convivem com essa condição”, afirma Dr. Marcondes França, médico neurologista da UNICAMP.

 

Nova rotina

O medicamento chega para transformar a rotina de tratamento com foco na qualidade de vida e na resposta clínica rápida2. Além do mecanismo de ação diferenciado, ainda há o critério da comodidade terapêutica, já que a administração se dá por meio de infusão BR-subcutânea (sob a pele)3 e, após orientação médica, pode ser administrada em domicílio. O tratamento propõe a redução dos níveis de dois anticorpos no sangue (anti-MuSK e anti-AChR5), oferecendo uma nova perspectiva de controle da doença para esses perfis de pacientes2.

 

Mecanismo com dupla ação           

O rozanolixizumabe é um anticorpo monoclonal humanizado que atua de forma inovadora: ele se liga ao receptor neonatal Fc (FcRn), bloqueando o mecanismo natural do corpo que "recicla" e protege os anticorpos9. Isso acelera a eliminação dos autoanticorpos nocivos que causam a doença, resultando na possibilidade de recuperação da força muscular e na melhora da função neuromuscular2. Para compreender o impacto desta aprovação, é importante distinguir como os dois tipos de autoanticorpos agem no organismo para impedir a comunicação entre nervos e músculos:

 

Anti-AChR5 (anti-receptor de acetilcolina): presentes na grande maioria dos casos (cerca de 85% dos pacientes)10, esses anticorpos atacam diretamente os receptores localizados na superfície do músculo. Eles destroem os "botões" que precisam ser acionados para o músculo funcionar, causando a fraqueza clássica da doença11.

 

Anti-MuSK5 (anti-tirosina quinase músculo-específica): encontrados em uma parcela menor de pacientes (entre 5% e 8%)11, estes anticorpos atacam uma proteína que funciona como uma "organizadora" dos receptores de acetilcolina. Sem a proteína MuSK5, os receptores de acetilcolina ficam desorganizados e não conseguem captar o sinal nervoso. Pacientes com anti-MuSK5 positivo geralmente apresentam uma forma mais grave da doença, com maior comprometimento da fala, deglutição e respiração, e frequentemente não respondem de forma adequada às terapias convencionais11.

 

Como próxima etapa para que o medicamento esteja efetivamente disponível no Brasil, a UCB acompanha agora o processo de definição do preço do produto pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).

 



UCB
https://ucb-biopharma.com.br

Você pode relatar uma reação adversa relacionada a um produto da UCB por e-mail (farmacovigilancia@ucb.com) ou ligando para 0800 0166 613. Essas informações serão incluídas em cada artigo de imprensa que for publicado.

 

Esponja de cozinha pode esconder bactérias nocivas e exige atenção na rotina de limpeza da cas

Item úmido, poroso e usado diariamente pode favorecer microrganismos associados a infecções gastrointestinais; separação por cores ajuda a evitar contaminação cruzada entre ambientes e utensílios 

Especialista em microbiologia orienta troca a cada três dias

 

A segurança sanitária dentro de casa tem acendido um alerta nos hábitos da rotina com a limpeza doméstica, mas um item em particular merece atenção especial: a esponja de cozinha. Usada todos os dias para lavar louças, talheres, panelas, pias e bancadas, ela pode se transformar em um reservatório invisível de microrganismos, principalmente se seu uso é prolongado além da recomendação da ANVISA, sete dias ou menos, ou quando permanece úmida, desgastada ou é utilizada em diferentes superfícies sem separação adequada. 

Para Bruno Brunetti, microbiologista e especialista em contaminação microbiológica, a atenção deve ir além da aparência do item. “A esponja de lavar louça provavelmente é um dos objetos mais contaminados dentro de uma cozinha. O problema não é simplesmente ter bactéria, porque elas existem em praticamente tudo. A questão é que a esponja reúne umidade, resíduos de alimentos, gordura e matéria orgânica, criando um ambiente muito favorável para a multiplicação de microrganismos potencialmente perigosos”, explica. 

Por sua estrutura porosa e pelo contato frequente com restos de alimentos, gordura e água, a esponja cria um ambiente favorável para a proliferação de bactérias. Entre os microrganismos que podem estar associados a superfícies e utensílios contaminados na cozinha estão Salmonella, Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Klebsiella, Listeria e outros coliformes. Em casos de exposição por ingestão ou contato indireto com alimentos, esses agentes podem provocar sintomas como diarreia, náuseas, vômitos, cólicas abdominais, febre e mal-estar. Em pessoas mais vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa, o risco pode ser maior. 

Embora nem toda bactéria presente em uma esponja cause doença, o problema está no acúmulo e na transferência desses microrganismos para pratos, copos, talheres, tábuas, bancadas e alimentos. É justamente aí que entra um dos principais alertas para a limpeza doméstica: a contaminação cruzada, que acontece quando microrganismos ou resíduos são transportados de uma superfície para outra por meio de utensílios, mãos, panos, escovas ou esponjas. Na prática, isso pode ocorrer quando a mesma esponja usada para limpar a pia também é usada em uma tábua de corte, em uma bancada ou até em outros cômodos da casa. 

“Usar a mesma esponja para louça, pia, bancada, tábua, fogão ou áreas mais sujas é praticamente criar um sistema de distribuição de contaminação pela cozinha. Uma bancada que recebeu carne crua, por exemplo, pode carregar microrganismos patogênicos que depois acabam sendo transferidos para pratos, copos e utensílios”, alerta Brunetti.

Para Gerson Grohskopf, gerente da Categoria de Limpeza da Condor S.A., o cuidado com os acessórios de limpeza precisa ser visto como parte da prevenção dentro do lar. “Quando falamos em saúde dentro de casa, falamos também de escolhas conscientes na rotina de limpeza. Usar corretamente ferramentas e utensílios, além de manter a troca frequente de itens desgastados pelo uso, contribui não apenas para uma higienização mais eficiente, mas também para evitar a disseminação de sujeira e microrganismos entre os ambientes”, afirma.


Dia Nacional do Teste do Pezinho: especialistas respondem 7 dúvidas fundamentais para proteger a saúde do bebê

Exame precoce é a chave para diagnosticar doenças silenciosas e evitar sequelas graves.


Em 6 de junho, celebra-se o Dia Nacional do Teste do Pezinho, uma data que conscientiza as famílias sobre a importância da triagem neonatal. Dados do Portal da Transparência do Registro Civil¹ apontam que o Brasil registrou aproximadamente 1 milhão de nascimentos em 2026. Esse número reforça a urgência do diagnóstico precoce, capaz de identificar dezenas de condições genéticas e metabólicas antes mesmo dos primeiros sintomas. 

Para tirar as principais dúvidas sobre o procedimento, especialistas respondem sete perguntas fundamentais.
 

1. Por que o teste do pezinho é tão importante?

Segundo o especialista em medicina fetal Heron Werner, do Alta Diagnósticos, da Dasa, no Rio de Janeiro, o teste do pezinho é um exame de triagem preventiva, o que significa que o objetivo dele é identificar doenças graves e silenciosas antes mesmo que o bebê apresente qualquer sintoma. 

Muitas das condições detectadas – como a fenilcetonúria e a acidúria glutárica, que afetam a forma como o organismo processa certos aminoácidos – não dão sinais aparentes nas primeiras semanas de vida, mas começam a causar danos neurológicos ou físicos permanentes assim que a criança começa a se alimentar ou a crescer. Com o diagnóstico precoce, o tratamento começa imediatamente e o paciente pode se desenvolver com mais qualidade de vida.
 

2. Qual é a diferença entre os testes disponíveis?

Atualmente, a triagem neonatal se divide em três grandes níveis de complexidade, como explica o geneticista dr. Gustavo Guida, dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, também da Dasa. O teste oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS) é de responsabilidade dos estados e tem diferenças: há aqueles estados que adotam o procedimento que identifica seis doenças e os estados que oferecem testes ampliados. Vale lembrar que o SUS está em processo de ampliação progressiva, prevista por lei, em todo o país, com o objetivo de chegar a rastrear mais de 50 condições. 

Na rede privada, o teste ampliado já entrega essa realidade atualmente, expandindo a investigação para cerca de 50 doenças, incluindo um espectro muito maior de erros inatos do metabolismo e doenças endócrinas, por exemplo. 

Por fim, o teste premium, também chamado de superampliado, representa a maior triagem possível com exames convencionais, alcançando a identificação de até cem doenças.
 

3. Qual é o período ideal para coletar o sangue do bebê?

“O período ideal é realizar o teste do pezinho entre as 24 e 48 horas de vida iniciais. O objetivo é colher o mais precocemente possível, permitindo diagnóstico rápido e intervenção antes do início dos sintomas”, reforça Guida. Com a metodologia atual, a dosagem de aminoácidos não depende de o bebê alcançar dieta plena, ou seja, ter ingerido leite materno ou fórmula em quantidade suficiente para que certas substâncias metabólicas possam ser detectadas no sangue.
 

4. O exame dói? Existe risco para o recém-nascido?

O procedimento é extremamente seguro e rápido. Trata-se de uma pequena picada no calcanhar do bebê, uma região muito rica em vasos sanguíneos, o que facilita a coleta das gotinhas de sangue em um papel-filtro especial. “O nenê sente um incômodo rápido, semelhante a qualquer injeção, mas que passa logo. Realizar a coleta enquanto o bebê está mamando ajuda a acalmá-lo e reduz a percepção da dor. Outra maneira de dar conforto ao recém-nascido e à mãe é utilizar os serviços de coleta domiciliar, evitando deslocamentos”, comenta Werner.
 

5. Se o resultado der positivo, significa que o bebê está doente?

De acordo com Gustavo Guida, não necessariamente. Como o teste do pezinho é um exame extremamente sensível, ele é suscetível a sofrer interferências por questões clínicas comuns. Um resultado alterado indica a possibilidade de o bebê ter aquela doença, mas pode ser um falso positivo. Entre as causas comuns para o falso positivo estão prematuridade, baixo peso, uso de algumas medicações pela mãe, icterícia, sofrimento fetal e dietas especiais, como a Nutrição Parenteral Total, utilizada em CTI, ou dietas especiais para a prematuridade. 

Diante de qualquer alteração, é fundamental manter a calma, mas agir rápido e buscar orientações sobre o melhor caminho a seguir. Os testes confirmatórios são diferentes para cada doença – alguns devem ser feitos o mais rápido possível, outros devem ser realizados com um intervalo mínimo. Para algumas doenças, o reteste é ainda no papel-filtro; para outras, é necessária a coleta comum de sangue. “Nos nossos laboratórios, oferecemos no resultado alterado uma orientação de conduta, e em casos críticos, é feito o contato ativo com o médico prescritor”, detalha o geneticista.
 

6. Pais saudáveis e sem histórico familiar precisam fazer o teste no bebê?

“A imensa maioria das doenças triadas pelo teste do pezinho é de herança recessiva. Isso significa que os pais são perfeitamente saudáveis, mas carregam o gene alterado sem nunca terem manifestado sintomas – muitas vezes, sequer sabem que possuem essa característica na família. O risco se manifesta justamente quando o bebê herda o gene alterado do pai e da mãe ao mesmo tempo. Portanto, a ausência de histórico familiar não é garantia de imunidade”, afirma Guida.
 

7. Existem exames que complementam o teste do pezinho tradicional?

“Sim. Hoje já existem exames genéticos complementares ao teste do pezinho tradicional, capazes de ampliar significativamente a investigação neonatal. Um exemplo é o BabyGenes, painel genético que analisa centenas de genes associados a cerca de 400 doenças tratáveis ainda na infância”, explica a Dra. Fernanda Soardi, consultora em genética e genômica do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, da Dasa. 

Segundo a especialista, o exame utiliza tecnologia de sequenciamento de nova geração (NGS) para identificar precocemente doenças genéticas que muitas vezes não aparecem na triagem convencional. “O BabyGenes não substitui o teste do pezinho, que continua sendo obrigatório e fundamental. Ele atua de forma complementar, permitindo uma análise genômica mais ampla e reduzindo o risco de falsos-negativos em algumas condições”, afirma.
 

Entre as doenças que podem ser identificadas estão a fibrose cística, acidúria glutárica e a predisposição genética ao retinoblastoma (tumor ocular raro que pode comprometer a visão e até colocar a vida da criança em risco quando não tratado precocemente). “Com a identificação precoce, é possível iniciar o acompanhamento médico rapidamente e aumentar as chances de tratamento adequado e melhor qualidade de vida”, completa Soardi.
 

Referência:

¹ https://transparencia.registrocivil.org.br/registros

 

Dia dos Namorados acende alerta para síndrome que pode afetar o coração após perdas, separações e choques emocionais


Hospital Costantini alerta para aumento da atenção médica à Síndrome do Coração Partido, condição cardíaca ligada ao estresse emocional que pode simular um infarto e atinge principalmente mulheres acima dos 60 anos

 

Enquanto o Dia dos Namorados costuma celebrar vínculos afetivos, especialistas em cardiologia fazem um alerta para uma condição real e potencialmente grave que ganhou notoriedade justamente por sua relação com emoções intensas: a Síndrome do Coração Partido.

Conhecida na medicina como Síndrome de Takotsubo, a doença pode surgir após situações de forte impacto emocional, como o término de um relacionamento, a perda de uma pessoa próxima, conflitos familiares, diagnósticos difíceis ou episódios de medo intenso. Os sintomas costumam ser tão semelhantes aos de um infarto que muitos pacientes chegam às emergências acreditando estar sofrendo um ataque cardíaco.

No Hospital Costantini, referência em cardiologia na América Latina, a condição é vista com atenção crescente devido ao aumento dos casos relacionados ao estresse emocional e à dificuldade de diferenciação em relação ao infarto tradicional.

“A pessoa chega ao hospital com dor intensa no peito, falta de ar e alterações nos exames iniciais que podem sugerir um infarto. A diferença é que, ao realizarmos exames mais aprofundados, como o cateterismo, percebemos que não existe obstrução das artérias coronárias. Ainda assim, o coração está sofrendo e precisa de cuidados imediatos”, explica o cardiologista e chefe da UTI do Hospital Costantini, Dr. Marcio Moreno Luize.

Descrita pela primeira vez no Japão na década de 1990, a Síndrome de Takotsubo recebeu esse nome porque o coração assume temporariamente um formato semelhante ao de uma armadilha usada para capturar polvos. O quadro é provocado por uma descarga intensa de hormônios ligados ao estresse, que afeta diretamente o funcionamento do músculo cardíaco.


Mulheres são as principais vítimas

Estudos internacionais mostram que mais de 80% dos casos ocorrem em mulheres após a menopausa, geralmente entre 60 e 75 anos. A redução dos níveis de estrogênio é apontada como um dos fatores que aumentam a vulnerabilidade do organismo aos efeitos do estresse sobre o coração.

“Existe uma associação muito clara entre eventos emocionalmente devastadores e o surgimento da síndrome. É uma condição que reforça algo que a medicina já sabe: saúde emocional e saúde cardiovascular caminham juntas”, afirma o especialista.

Embora seja considerada reversível na maior parte dos casos, a doença pode evoluir com complicações importantes, como insuficiência cardíaca, arritmias e queda da pressão arterial, exigindo monitoramento hospitalar e acompanhamento especializado.

De acordo com registros internacionais, entre 1% e 3% dos pacientes que chegam aos hospitais com suspeita de síndrome coronariana aguda acabam recebendo o diagnóstico de Síndrome de Takotsubo. Entre mulheres com suspeita de infarto, esse percentual pode chegar a até 5% ou 6%.


Quando a emoção vira sintoma físico

A principal manifestação é a dor no peito, frequentemente acompanhada de falta de ar, suor excessivo, palpitações e sensação de desmaio.

“O problema é que ninguém consegue diferenciar os sintomas em casa. Toda dor no peito deve ser encarada como uma emergência médica até que o diagnóstico correto seja confirmado”, alerta Dr. Marcio Luize.

O tratamento inclui medicamentos para proteção cardíaca, controle dos sintomas e acompanhamento clínico durante a recuperação, que costuma ocorrer entre uma e quatro semanas.

Além dos cuidados médicos, especialistas defendem a importância da prevenção emocional como parte da estratégia de proteção cardiovascular. Práticas de relaxamento, atividade física regular, fortalecimento de vínculos sociais, acompanhamento psicológico e períodos adequados de descanso ajudam a reduzir os impactos do estresse crônico sobre o organismo.

“Em uma sociedade marcada por ansiedade, sobrecarga emocional e jornadas cada vez mais intensas, o coração acaba sendo um dos primeiros órgãos a sentir os efeitos desse desgaste. O Dia dos Namorados é uma oportunidade para lembrar que cuidar das relações também é cuidar da saúde”, conclui o cardiologista. 



Hospital Cardiológico Costantini
https://hospitalcostantini.com.br/

 

Por que casos de meningite disparam no inverno?


Com a chegada dos meses mais frios, os casos de meningite
 tendem a aumentar em diversas regiões do Brasil

Clima seco, maior circulação de vírus respiratórios e permanência em ambientes fechados favorecem a transmissão da doença


Com a chegada dos meses mais frios, os casos de meningite tendem a aumentar em diversas regiões do Brasil. O fenômeno, observado anualmente pelas autoridades de saúde, está relacionado a uma combinação de fatores climáticos e comportamentais típicos do outono e do inverno, que favorecem a circulação de agentes infecciosos e elevam o risco de transmissão da doença.

Dados do boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde mostram que, entre 2010 e o primeiro semestre de 2025, foram confirmados 246.280 casos de meningite no país, com 23.986 óbitos no período. O cenário reforça a importância da conscientização sobre a doença, da vacinação e do diagnóstico precoce.

De acordo com a biomédica, mestre e doutora em Microbiologia e Biologia Molecular e assessora científica da Biomédica, Natália Strohmayer, o clima seco característico do inverno contribui para a irritação das mucosas das vias respiratórias, tornando o organismo mais suscetível a infecções. Além disso, a maior circulação de vírus respiratórios e o hábito de permanecer em locais fechados e com pouca ventilação favorecem a disseminação de microrganismos. “Nos meses de outono e inverno, principalmente entre maio e agosto, observamos um aumento dos casos devido ao clima mais seco, que irrita as mucosas, além da maior circulação de vírus respiratórios e da permanência em ambientes fechados e com aglomerações, o que favorece a transmissão”, explica.

Dados internos da Biomédica, empresa que fornece soluções diagnósticas para laboratórios em todo o país, reforçam essa sazonalidade. Entre janeiro de 2025 e março de 2026, os maiores volumes de testes para a detecção de meningite destinados aos setores público e privado foram registrados, justamente, entre maio e agosto, período historicamente associado ao aumento da circulação da doença.

Outro fator que influencia o comportamento epidemiológico da meningite é o cenário pós-pandemia. A interrupção dos padrões tradicionais de circulação de agentes infecciosos durante o isolamento social e a retomada das atividades presenciais contribuíram para mudanças na dinâmica da doença. Soma-se a isso a queda das coberturas vacinais observada nos últimos anos e o papel de adolescentes como possíveis transmissores assintomáticos.

Nesse contexto, o diagnóstico rápido ganha relevância. Apesar da atuação consolidada dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs), desafios como o tempo de resposta de métodos convencionais, a logística de transporte de amostras e o acesso desigual a tecnologias mais avançadas ainda impactam a detecção precoce da doença.

A recente incorporação dos painéis moleculares para meningite e encefalite no rol da saúde suplementar representa um avanço importante. A tecnologia permite identificar múltiplos agentes infecciosos em poucas horas, contribuindo para decisões clínicas mais rápidas e assertivas, além de apoiar ações de vigilância epidemiológica. “A meningite é uma condição de evolução rápida, em que o tempo para diagnóstico pode ser decisivo. Testes moleculares, como o PCR em tempo real, permitem uma identificação ágil e altamente sensível dos agentes causadores, apoiando tanto a prática clínica quanto a vigilância epidemiológica”, conclui Natália.



Biomédica - Inteligência Diagnóstica


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