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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Material barato comprime a luz e abre caminho para microcircuitos fotônicos na faixa de terahertz

 A expectativa da comunidade científica é fazer com que circuitos
de luz estejam cada vez mais presentes nos dispositivos do
 cotidiano, avalia pesquisador do CNPEM
 (
ilustração: Rawpixel.com/Magnific)
Estudo mostra que o iodeto de chumbo pode sustentar fônon-poláritons, permitindo confinar a radiação em escala nanométrica e viabilizando novos dispositivos de transmissão de dados

 

Um cristal bidimensional lamelar – em camadas atomicamente finas – constituído por iodeto de chumbo (PbI) poderá ser utilizado na fabricação de uma nova geração de circuitos que utilizam luz e vibrações mecânicas – e não elétrons – para transmitir informações na faixa de frequências do terahertz.

O estudo sobre esse promissor caminho tecnológico, publicado na Nature Communications, foi realizado por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em parceria com colegas da Université de Lille (França) e de outras instituições do exterior.

A faixa de terahertz corresponde a uma região de baixa energia do espectro eletromagnético, situada entre o infravermelho e as micro-ondas. Apesar disso, ela é considerada estratégica para o desenvolvimento de tecnologias de comunicação de alta velocidade. “Hoje, Wi-Fi e 5G operam em frequências de poucos gigahertz (GHz, 109 hertz). Mas existe um interesse em avançar para centenas de gigahertz ou até terahertz (THz, 1012 hertz), porque quanto maior a frequência, maior a largura de banda e a capacidade de transmissão de dados”, afirma Raul de Oliveira Freitas, responsável pela linha de luz “Imbuia” no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS-CNPEM) e coordenador do estudo.

O trabalho investigou como, a partir do iodeto de chumbo, um material barato, é possível produzir de forma muito simples um cristal em camadas de altíssima qualidade, capaz de atuar como guia de onda para radiação nessa faixa de frequências. A plataforma poderá funcionar como: ressonador, estrutura que confina a luz e seleciona frequências específicas, amplificando certos modos de oscilação; divisor de feixe, dispositivo que separa um feixe de luz em dois ou mais caminhos, permitindo distribuir o sinal óptico; ou modulador, componente que altera propriedades da luz – como intensidade, fase ou frequência – para codificar informação.

O aspecto mais inovador do trabalho está na capacidade de confinar a luz em volumes extremamente pequenos – muito menores do que seu comprimento de onda. “Na faixa de terahertz, a luz tem comprimentos de onda de centenas de micrômetros. O que a gente faz é confinar essa luz em regiões submicrométricas”, explica Freitas.

Esse efeito é possível graças à formação de fônon-poláritons, quase-partículas híbridas que combinam vibrações dos átomos da rede cristalina (fônons) com luz. “É como se o fônon se vestisse de luz, formando uma quase-partícula com propriedades únicas. As características de propagação e interação com a matéria dessas quase-partículas são diferentes tanto da luz isolada quanto dos fônons isolados”, comenta o pesquisador.

O confinamento extremo da luz implica operar além do chamado limite de difração, que restringe a resolução de sistemas ópticos convencionais. “Na óptica clássica, não é possível observar ou manipular estruturas muito menores do que o comprimento de onda da luz. Com os poláritons, conseguimos ultrapassar esse limite”, conta Freitas.

Para isso, os pesquisadores utilizaram microscopia de varredura óptica de campo próximo do tipo espalhamento (s-SNOM), técnica que emprega pontas metálicas nanométricas para a compressão extrema de campo eletromagnético. “A ponta funciona como uma antena e assim promove um hotspot de campo elétrico com dimensões da ordem de dezenas de nanômetros, independentemente do comprimento de onda original. Isso permite reduzir drasticamente a escala espacial da luz. Além disso, a densidade de campo elétrico em sondas s-SNOM é até 10 vezes maior que em ondas livres, explicando a superioridade da técnica para pesquisas em nanofotônica. Conseguimos confinar uma onda de 200 micrômetros em um volume de dimensões menores que 50 nanômetros”, informa Freitas.

Outro resultado central do estudo foi o alto fator de qualidade dos fônon-poláritons no PbI. Trata-se de uma medida de quanto tempo a oscilação se mantém antes de se dissipar. “Quanto mais tempo o sistema oscila, maior é o fator de qualidade. O PbI apresentou desempenho comparável ao do nitreto de boro hexagonal [hBN], que é o material de referência na faixa de infravermelho”, informa Freitas.


Substituto simples e sustentável

Ao contrário do iodeto de chumbo, o nitreto de boro hexagonal é um material muito difícil de sintetizar, exigindo condições extremas de pressão e temperatura. Mesmo após mais de duas décadas de pesquisas com o hBN, pouquíssimos grupos no mundo dominam a produção desse material com alta qualidade. Além disso, suas propriedades o tornam adequado ao infravermelho médio, mas não à faixa de terahertz.

Já o iodeto de chumbo tem como precursores dois elementos abundantes na natureza, e por isso baratos: o iodo e o chumbo. E pode ser cristalizado de forma extremamente simples. “Basta dissolver o sal em água até obter uma solução supersaturada e aquecê-la a cerca de 80 °C, algo que pode ser feito até em um fogão doméstico. Durante o resfriamento, o material cristaliza, formando estruturas que podem ser coletadas”, diz o pesquisador.

A possibilidade de manipular a luz em escala nanométrica abre caminho para circuitos fotônicos integrados, capazes de substituir ou complementar circuitos eletrônicos. “Atualmente, o tráfego de informação dentro de dispositivos é feito por elétrons. Usar luz pode aumentar drasticamente a velocidade e reduzir perdas. É algo análogo ao que ocorreu no campo das telecomunicações. Antes, utilizávamos cabos elétricos; hoje, empregamos fibras ópticas, que permitem velocidades muito maiores. O mesmo princípio pode ser levado para dentro dos chips. E, além da maior velocidade, há ganhos energéticos: a luz sofre muito menos perdas do que as correntes elétricas. Isso pode resultar em soluções mais eficientes e sustentáveis”, argumenta Freitas.

O iodeto de chumbo também é relevante em outra área estratégica: a das tecnologias baseadas em perovskitas. As perovskitas são materiais com estrutura cristalina específica, do tipo ABX, onde A é um cátion maior (orgânico ou inorgânico), B é um cátion metálico menor e X é um ânion, geralmente um halogênio (como I, Br ou Cl). Por sua alta eficiência na absorção e conversão da luz, essa classe de materiais é amplamente utilizada em células solares e dispositivos optoeletrônicos. Por isso, existe hoje em dia uma verdadeira explosão de pesquisas relacionadas com perovskitas.

Como o PbI é um precursor típico para a síntese de perovskitas, compreender suas propriedades pode ajudar a entender mecanismos de degradação das perovskitas – um tema que está fazendo muitos pesquisadores quebrarem a cabeça.

Os desdobramentos do trabalho incluem a implantação de uma nova infraestrutura experimental no CNPEM. “Já operamos, no Sirius, uma estação de nanoespectroscopia no infravermelho, chamada Imbuia. Estamos estruturando agora a linha Tatu, dedicada ao terahertz. A nova linha permitirá explorar uma ampla classe de materiais com propriedades semelhantes às do iodeto de chumbo. Será uma instalação única no mundo, que permitirá estudar o comportamento desses materiais em várias frequências. O forte apoio da FAPESP está sendo fundamental para isso”, sublinha Freitas.

Embora ainda em estágio de ciência fundamental, o estudo aponta para um amplo horizonte tecnológico relacionado à transmissão e eventualmente ao processamento de informação. “A expectativa da comunidade científica é fazer com que circuitos de luz estejam cada vez mais presentes nos dispositivos do cotidiano”, resume Freitas.

O estudo foi apoiado pela FAPESP por meio dos projetos 19/14017-922/14245-424/09159-7 e 23/09839-5.

O artigo High quality-factor terahertz phonon-polaritons in layered lead iodide pode ser lido em: nature.com/articles/s41467-026-69027-6.

 

José Tadeu Arantes

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/material-barato-comprime-a-luz-e-abre-caminho-para-microcircuitos-fotonicos-na-faixa-de-terahertz/57990


A Corte no palanque: o custo institucional do STF nos bastidores da Política

Há uma distinção que a República exige preservar com rigor quase que ritualístico: a diferença entre a Política — aquela exercida sob o crivo do voto, do dissenso aberto e da responsabilidade democrática — e a política de bastidores, de articulação informal, que, quando praticada por quem deveria apenas julgar, compromete a própria lógica do sistema constitucional. É neste ponto que narrativas recentes de interlocuções entre membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e atores dos demais Poderes acendem um sinal de alerta que não pode ser naturalizado. 

Enquanto Corte Constitucional, o Supremo não é, tão somente, mais um ator institucional no jogo político. Ele é, antes de mais nada, o árbitro das regras desta partida. Sua autoridade não deriva da força, tampouco da capacidade de articulação, mas, sim, de um ativo intangível e decisivo: o capital reputacional. E é este valor agregado que sustenta a legitimidade das decisões da Alta Corte, sobretudo quando estas contrariam maiorias ocasionais ou interesses poderosos e de poderosos. 

Quando ministros do STF se deixam perceber como partícipes de negociações políticas — com “p” minúsculo, vale frisar —, há uma erosão silenciosa, porém profunda, deste capital. O Supremo deixa de ser visto como instância de contenção e passa a ser interpretado como agente de influência. O problema não reside apenas na eventual existência de diálogo institucional, inerente a uma Democracia madura, mas na natureza e na opacidade de tais interações, sobretudo quando parecem orientadas a resultados políticos concretos. 

Neste contexto, ganha relevo o episódio envolvendo a indicação de Jorge Messias à Mais Alta Corte. A rejeição por parte do Senado Federal, há poucos dias, teria sido, segundo bastidores amplamente noticiados, influenciada por articulações que extrapolariam o espaço político-parlamentar tradicional, alcançando, inclusive, setores do próprio STF. Independentemente da veracidade integral destas narrativas — que, por si só, já sinalizam ambiente institucional turvo —, o simples fato de serem plausíveis aos olhos da opinião pública já produz dano reputacional. A percepção de que ministros possam atuar, ainda que indiretamente, na formação de maiorias políticas para definir a composição do próprio Tribunal tensiona as fronteiras do desenho constitucional e compromete a ideia de imparcialidade estrutural. 

Em minha pesquisa de doutorado em Direito Constitucional, sustentei que, o Supremo brasileiro, ao longo das últimas décadas, assumiu um protagonismo que retesa continuamente o equilíbrio entre os Poderes. Esta centralidade, embora, por vezes, inevitável, exige contrapesos internos, principalmente de natureza ética e procedimental. A ausência de balizas claras para a atuação extraprocessual dos ministros cria espaço perigoso de ambiguidade: aquilo que deveria ser exceção se transforma em prática tolerada. 

O resultado é um duplo efeito deletério. De um lado, se enfraquece a autoridade da Alta Corte perante à sociedade, que passa a enxergá-la sob lentes políticas - e, o pior, em meio a uma polarização viceral presente, ao menos, nos últimos oito anos. De outro, alimenta-se a desconfiança dos próprios Poderes, que deixam de ver o STF como árbitro imparcial e passam a tratá-lo como adversário ou aliado circunstancial. 

Não se trata de ingenuidade institucional, tampouco de exigir isolamento absoluto. Trata-se de reconhecer que há um ethos próprio da jurisdição constitucional, que não se compatibiliza com a lógica da negociação política informal. O Supremo não pode, sob pena de autodeslegitimação, nivelar-se às práticas que deveria, em última instância, controlar. 

A República não colapsa por rupturas abruptas, mas por erosões graduais. E, neste cenário, cada gesto importa. Quando a Corte desce ao palanque — ainda que nos bastidores —, não apenas compromete sua posição; ela reconfigura, perigosamente, o próprio equilíbrio institucional que lhe cabe proteger. 



Fernando Capano - advogado; doutor em Direito do Estado, pela Universidade de São Paulo (USP); doutor em Direito do Estado e Justiça Social, pela Universidade de Salamanca (Espanha); mestre em Direito Político e Econômico, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie; habilitado em Direito Internacional dos Conflitos Armados, pelo Instituto San Remo (Itália) e pela Escola Nacional de Magistrados da Justiça Militar da União (Enajum); especialista em Segurança Pública, em Direito Militar, e na Defesa de Agentes da Segurança Pública; especialista em Administração de Empresas, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); professor universitário de Direito Constitucional da Universidade Zumbi dos Palmares e de Direito Penal do Centro Universitário Padre Anchieta (UniAnchieta); presidente da Associação Paulista da Advocacia Militarista (Apamil); e sócio-fundador da Capano e Passafaro Advogados


Concurso: 5 coisas que você pensa que ajudam, mas na verdade atrapalham

Estudar não é tarefa fácil, por isso, muitos buscam dicas e cuidados específicos para ajudar no processo, mas algumas podem, na verdade, ter o efeito contrário, destaca Caio Temponi, jovem aprovado 18 vezes em vestibulares 


Na preparação para concursos, é comum que candidatos busquem métodos para acelerar resultados, melhorar a concentração e aumentar a produtividade, mas, algumas práticas vistas como positivas podem acabar prejudicando o desempenho e atrasando a evolução nos estudos.

De acordo com Caio Temponi, jovem aprovado 18 vezes em vestibulares, nem tudo o que parece produtivo realmente funciona na prática.

“Estudar não é uma tarefa fácil, por isso, muitos buscam dicas e cuidados específicos para ajudar no processo, mas algumas dessas estratégias podem, na verdade, ter o efeito contrário nos resultados dos estudos”, explica.
 


5 coisas que você pensa que ajudam, mas atrapalham os estudos:


1 - Estudar por muitas horas sem pausa

Passar longos períodos seguidos estudando pode parecer dedicação máxima, mas tende a reduzir foco, retenção de conteúdo e rendimento mental.

“Muita gente confunde a quantidade com a qualidade. Sem pausas estratégicas, o cérebro perde muita eficiência, por isso, manter intervalos curtos ajudam a recuperar atenção e manter constância”, destaca Caio Temponi.


2 - Fazer vários materiais ao mesmo tempo
Comprar muitos cursos, apostilas e cronogramas pode gerar sensação de preparo, mas frequentemente causa excesso de informação e desorganização.

“Ter material demais pode paralisar. O ideal é escolher boas fontes e seguir um plano consistente. Mais importante do que acumular conteúdo é conseguir executá-lo”, afirma.



3 - Esperar motivação para começar
Muitos candidatos acreditam que precisam estar inspirados para estudar bem. Na prática, depender de motivação pode gerar procrastinação.

“Motivação oscila. O que sustenta resultados de verdade é a disciplina e a rotina, mesmo nos dias menos produtivos. Criar hábitos costuma ser mais eficaz do que esperar a disposição perfeita chegar ocasionalmente”, explica Caio Temponi.



4 - Ignorar revisões para aprender coisas novas
Avançar constantemente em novos assuntos parece produtivo, mas sem revisão parte do conteúdo é esquecida rapidamente.

“Revisar é o que consolida aprendizado. Sem isso, o aluno sente que estuda muito e lembra pouco. A revisão periódica melhora a memória e segurança na prova”, reforça.



5 - Comparar sua rotina com a dos outros
Nas redes sociais, é comum ver cronogramas intensos e relatos de alta performance. Comparações frequentes podem gerar ansiedade e frustração.

“Cada candidato tem um contexto, ritmo e realidade diferentes. Comparação excessiva atrapalha foco e constância. O melhor parâmetro costuma ser a própria evolução ao longo do tempo, a preparação eficiente costuma ser mais simples do que parece ”, completa Caio Temponi.

Muitos erros surgem na tentativa de fazer mais, quando no fim das contas o necessário é fazer melhor. Organização, regularidade e estratégia tendem a gerar resultados superiores a esses métodos extremos.

“Quando o candidato elimina hábitos que sabotam a rotina, o estudo flui melhor e os resultados aparecem com mais consistência”, finaliza Caio Temponi.


MAIO AMARELO NA VIARIO

ViaRio abre Maio Amarelo com simulado do Corpo de Bombeiros na praça de pedágio


Ação marca início da campanha com atividades educativas que reforçam alerta para o uso do celular ao volante e incentivam comportamentos mais seguros nas vias.  Mês será de conscientização sobre segurança no trânsito

 

ViaRio dará início às ações do Maio Amarelo com um simulado realizado pelo Corpo de Bombeiros na praça de pedágio da Transolímpica, a partir das 8h. A iniciativa marca a abertura da programação especial preparada para o mês, dedicada à conscientização e à redução de acidentes de trânsito. 

A atividade consistirá na simulação de um acidente real envolvendo uma motocicleta, com participantes caracterizados como vítimas, proporcionando uma demonstração prática das ações de resgate e atendimento de emergência. 

Ao longo de maio, a concessionária realizará uma série de ações educativas voltadas a motoristas, motociclistas e pedestres. A campanha deste ano destaca temas como o uso do celular ao volante, o comportamento seguro de motociclistas e a importância da atenção dos pedestres no trânsito. 

De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, dirigir utilizando o celular pode ter efeito semelhante ao de um motorista com 1 g/l de álcool no sangue. A distração compromete a capacidade de reação, provoca redução inesperada de velocidade, dificulta o controle do veículo e aumenta o tempo de frenagem, sendo considerada uma das principais causas de Falta de Atenção ao Conduzir (FAC). 

Como parte das iniciativas, além do simulado, a ViaRio promoverá outras ativações na praça de pedágio, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, o SEST SENAT, a Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro e a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. 

As ações incluem uma dinâmica com óculos de realidade virtual, que simula situações de risco no trânsito, a distribuição de brindes e vouchers com desconto para cursos, sob responsabilidade do SEST SENAT, além de atividades educativas voltadas à conscientização dos usuários da via. A área de responsabilidade da unidade também realizará a instalação de antenas corta-linha de pipa. 

A iniciativa reforça o compromisso da concessionária com a segurança viária: “Nosso objetivo é ir além da operação da via, promovendo ações que contribuam diretamente para a preservação de vidas. O Maio Amarelo é uma oportunidade de dialogar com a população e incentivar atitudes mais seguras no trânsito, especialmente em relação ao uso do celular e ao comportamento dos motociclistas”, afirma o gerente de operações da ViaRio, Vagner Tavares.  

Durante a abertura, o simulado do Corpo de Bombeiros irá reproduzir uma situação de atendimento a acidente de trânsito envolvendo duas motos e 4 vítimas, demonstrando na prática a importância de comportamentos seguros e da rápida resposta em ocorrências. 

No cronograma, também está prevista a exposição de uma motocicleta acidentada na praça de pedágio, com o objetivo de alertar motociclistas sobre os perigos de pilotar utilizando o celular, trafegar de forma inadequada entre corredores e exceder a velocidade. 

 

Cronograma de Ações 

A partir de 11 de maio – Impacto que alerta 


Praça de pedágio da ViaRio 

 

  • Exposição de motocicleta acidentada  
  • Ação educativa voltada à conscientização de motociclistas  
  • Abordagem sobre os riscos do uso do celular ao pilotar, circulação em corredor e excesso de velocidade  


25 de maio – Café na Passarela 


BRT Boiúna 

  • Ação de conscientização sobre a importância do uso da passarela por pedestres  


30 de maio – Encerramento 


Praça de pedágio da ViaRio 

  • Manhã: sentido Recreio  
  • Tarde: sentido Deodoro  
  • Horário: das 7h30 às 17h  
  • Parceria com SEST SENAT e Secretaria de Transportes  
  • Distribuição de antenas corta-linha e brindes  
  • Atividades educativas e ações de conscientização 

 

Um país, mil sabores: descubra a Turquia por meio da gastronomia


Do Egeu a Mármara, cada região apresenta uma combinação própria de sabores, tradições e influências culturais

 

A Turquia é um país onde culturas, paisagens e tradições se encontram, refletindo a conexão entre o Oriente e o Ocidente. Essa diversidade se expressa não apenas na arquitetura, na música e nos costumes, mas, também, na gastronomia: já que a comida traduz a identidade nacional e as tradições do país. Nesse rico panorama cultural, cada região conta sua própria história por meio dos sabores. E que tal viajar entre eles? 

Do frescor cítrico do Egeu ("riviera turca”) às especiarias intensas do Sudeste da Anatólia, a diversidade da Turquia também se revela à mesa. Ao longo do litoral, peixes frescos e azeite de oliva traduzem a herança mediterrânea. No coração da Anatólia, pães achatados e ensopados de cordeiro remetem à vida no campo e à tradição da hospitalidade. Em Gaziantep, cidade reconhecida como berço do tradicional doce Baklava, as sobremesas ganham status de obra de arte. Ao conectar esses diferentes sabores, a Turkish Airlines convida os viajantes a descobrir o país pelo paladar e mostra que a Turquia vai além de suas paisagens, podendo ser vivida também por meio dos sentidos. 


Região do Egeu: frescor e sabores mediterrâneos 

Banhada pelo mar e marcada pelo aroma do azeite de oliva, a culinária do Egeu é leve, sazonal e fortemente baseada em vegetais. Ao longo da costa, o meze (tradição de pequenos pratos compartilhados), reúne amigos e famílias à beira-mar. Peixes grelhados, folhas de uva recheadas, berinjelas defumadas e iogurtes temperados compõem uma combinação de sabores simples, mas vibrantes, quase sempre acompanhados de vinho branco local ou de uma taça de rakı. 


Região do Mar Negro: tradição, frescor e sabores locais 

No norte do país, onde montanhas e mar se encontram, a culinária da região do Mar Negro se destaca pelo uso de ingredientes locais e por preparos ligados à pesca e à vida rural. O principal destaque é o hamsi (anchova típica da região, servido de diferentes formas, como frito, assado ou no pilaf). Milho, couve, avelãs e mel também fazem parte da base dessa cozinha, que combina frescor, rusticidade e forte identidade local. 


Anatólia Central: o coração rural do país 

Nas vastas planícies da Anatólia Central, onde o clima influencia hábitos e sabores, a gastronomia se destaca por pratos substanciosos e por seu forte valor simbólico. Entre os destaques estão o etli ekmek, pão achatado coberto com carne temperada, e a düğün çorbası, conhecida como sopa de casamento, tradicionalmente associada a momentos de celebração e união. Ingredientes como laticínios, trigo e cordeiro formam a base de receitas transmitidas entre gerações, refletindo tradições do interior da Turquia e a importância do convívio à mesa. 


Anatólia Oriental: sabores das montanhas e tradições vivas 

Já na Anatólia Oriental, localizada entre picos nevados e vales remotos, a culinária é marcada por pratos robustos, preparos lentos e forte vínculo com as tradições locais. Entre os destaques estão o Çağ Kebabı (churrasco turco), típico de Erzurum e assado horizontalmente, e os doces preparados com mel das montanhas. Mais do que refletir ingredientes e técnicas locais, essa gastronomia também expressa o senso de comunidade da região, com refeições compartilhadas em família e tradições transmitidas entre gerações. 


Região de Mármara: a ponte entre dois mundos 

Com Istambul como principal referência, a região de Mármara é um dos pontos de encontro entre Europa e Ásia, e sua culinária traduz essa diversidade. Do Simit com gergelim (um pão/rosca), tradicional nas manhãs da cidade, ao Dolma (verduras e legumes recheados) e Köftes  (“almondegas turcas”) presentes em mercados e restaurantes típicos, os sabores da região combinam herança otomana e influência cosmopolita. Essa combinação reflete o caráter diverso, vibrante e dinâmico da própria Turquia. 


Região do Mediterrâneo: cor, aroma e frescor 

Ao sul do país, a região do Mediterrâneo se destaca pela abundância de frutas, vegetais e ervas frescas. Seus pratos chamam atenção pelas cores, pelos aromas e por sabores marcantes. Entre os principais destaques está o Adana kebab, um dos ícones locais, conhecido pelo sabor picante e pela suculência. Ingredientes como berinjela, pimentões assados e limão ajudam a definir uma culinária fresca, vibrante e fortemente ligada ao território. 


Sudeste da Anatólia: a alma das especiarias 

No Sudeste da Anatólia, onde estão cidades como Gaziantep, Mardin e Şanlıurfa, a culinária se destaca pela intensidade dos sabores e pelo uso marcante de especiarias. Kebabs de cordeiro, Baklava de pistache e sobremesas embebidas em calda fazem parte de um repertório gastronômico reconhecido pela UNESCO. A combinação de influências árabes, persas, curdas e turcas ajuda a explicar a riqueza dessa cozinha, marcada por aromas intensos, receitas tradicionais e forte valorização da hospitalidade. Na região, a comida também funciona como expressão de identidade cultural e de celebração. 

Vista em conjunto, a Turquia reúne paisagens, tradições e sabores diversos, que ajudam a traduzir a riqueza cultural do país. Em terra, essa pluralidade se reflete em experiências gastronômicas que variam de uma região para outra. Conectando o Brasil a 132 países via Istambul, a Turkish Airlines convida os viajantes a conhecer um destino em que tradição e modernidade convivem de forma única. A bordo, os Flying Chefs reforçam essa proposta ao apresentar sabores da culinária turca e transformar a viagem em uma extensão da hospitalidade do país. 



Turkish Airlines
www.turkishairlines.com
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Star Alliance
mediarelations@staralliance.com /website

 

Mandato parlamentar, foro privilegiado e os limites das medidas cautelares no caso Ciro Nogueira


A nova fase da Operação Compliance Zero reacende um debate jurídico e institucional sensível no Brasil: até onde podem avançar as medidas cautelares contra parlamentares no exercício do mandato sem violar as garantias constitucionais inerentes ao Poder Legislativo. O caso envolvendo o senador Ciro Nogueira, alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), traz à tona questões centrais sobre foro privilegiado, imunidade parlamentar e proporcionalidade das medidas investigativas. 

As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam suspeitas de pagamentos mensais supostamente realizados pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ao senador, além da possível atuação parlamentar em favor de interesses econômicos da instituição financeira. Os indícios apresentados decorrem, em grande parte, de conversas interceptadas entre investigados, nas quais há menções a repasses periódicos e à apresentação de emendas legislativas alinhadas aos interesses do banco.

 Do ponto de vista jurídico, a decisão do ministro André Mendonça de autorizar buscas e impor medidas de monitoramento encontra fundamento no fato de o senador possuir foro por prerrogativa de função. Em razão disso, qualquer medida cautelar criminal depende de autorização do STF, conforme prevê a Constituição Federal.

 Entretanto, é importante destacar que o ordenamento jurídico brasileiro estabelece barreiras rigorosas para decretação de prisão de parlamentares federais. O artigo 53 da Constituição determina que deputados e senadores somente podem ser presos em flagrante de crime inafiançável. Ainda assim, a prisão deve ser submetida ao crivo da respectiva Casa Legislativa, que poderá mantê-la ou revogá-la. 

Nesse contexto, ganha relevância o uso de medidas cautelares diversas da prisão, previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal. O STF, nos últimos anos, consolidou entendimento de que restrições menos gravosas podem ser aplicadas a parlamentares quando presentes indícios robustos de obstrução de investigação, risco à instrução processual ou continuidade delitiva. Entre essas medidas estão monitoramento eletrônico, proibição de contato com investigados, afastamento de funções específicas e restrições patrimoniais. 

O ponto sensível reside justamente no equilíbrio entre a efetividade da investigação criminal e a preservação da independência do mandato parlamentar. A adoção de medidas invasivas baseadas predominantemente em diálogos de terceiros, como sustenta a defesa do senador, inevitavelmente suscita discussões sobre o grau de suficiência probatória necessário para justificar intervenções dessa natureza. 

A defesa de Ciro Nogueira argumenta que as medidas seriam precipitadas e fundadas em “mera troca de mensagens”, tese que certamente será submetida ao controle de legalidade das Cortes Superiores. Esse debate não é novo. Nos últimos anos, o Judiciário brasileiro passou a enfrentar críticas relacionadas ao uso expansivo de instrumentos investigativos excepcionais, especialmente após os excessos identificados em determinadas fases da Operação Lava Jato. 

Ao mesmo tempo, não se pode ignorar que crimes financeiros complexos e esquemas sofisticados de corrupção frequentemente deixam rastros predominantemente documentais e eletrônicos, exigindo atuação investigativa técnica e rápida para preservação de provas. 

O caso evidencia, mais uma vez, a tensão permanente entre garantias constitucionais e combate à criminalidade econômica. O desafio institucional está em assegurar que investigações contra agentes políticos avancem com rigor técnico, sem banalização de medidas excepcionais nem relativização das prerrogativas constitucionais que protegem a própria estrutura democrática do Estado brasileiro.

 

Eduardo Maurício é advogado no Brasil, em Portugal, na Hungria e na Espanha. Doutorando em Direito – Estado de Derecho y Governanza Global (Justiça, sistema penal y criminologia), pela Universidad D Salamanca – Espanha. Mestre em direito – ciências jurídico criminais, pela Universidade de Coimbra/Portugal. Pós-graduado pela Católica – Faculdade de Direito – Escola de Lisboa em Ciências Jurídicas. Pós-graduado em Direito penal econômico europeu; em Direito das Contraordenações e; em Direito Penal e Compliance, todas pela Universidade de Coimbra/Portugal. Pós-graduado pela PUC-RS em Direito Penal e Criminologia. Pós-graduando pela EBRADI em Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Academy Brasil –em formação para intermediários de futebol. Mentor em Habeas Corpus. Presidente da Comissão Estadual de Direito Penal Internacional da Associação Brasileira de Advogados Criminalistas (Abracrim).

 

5 destinos para vivenciar um verão europeu diferente em 2026

Singular Luxury Travel aposta em destinos menos óbvios que conectam natureza, história e cultura para uma nova forma de viver o verão europeu em cinco países

 

O verão europeu já está começando. O período é considerado o momento mais aguardado do ano para quem busca experiências diferenciadas no continente. Para além dos roteiros clássicos e destinos já consagrados, cresce o interesse por viagens mais personalizadas, que valorizam autenticidade, ritmo próprio e conexões genuínas em cada destino. Atenta a este movimento, a Singular Luxury Travel, agência boutique especializada em itinerários sob medida, reuniu 5 destinos menos óbvios que revelam novas perspectivas sobre a estação mais querida do ano, combinando exclusividade, paisagens belíssimas e vivências cuidadosamente pensadas. Confira:


1.  Braga – Portugal


                                                         Foto: Divulgação Singular Luxury Travel


Tradição e modernidade se encontram no extremo norte de Portugal, mais precisamente em
Braga, um destino fascinante com mais de dois mil anos de história. Sua riqueza arquitetônica, diversos vestígios da época romana e o número expressivo de igrejas fazem com que ela seja conhecida como ‘Roma Portuguesa’ e, durante o verão, grandes festivais de música tomam conta da cidade. 

Para Gabriel Leite, sócio e fundador da Singular Luxury Travel, visitar o Santuário do Bom Jesus do Monte, conhecida pela escadaria barroca impressionante que leva a uma vista panorâmica da cidade, além da Sé de Braga, a catedral mais antiga de Portugal, são dois passeios indispensáveis. “Outra ponto forte do destino é sua rica gastronomia. Recomendo experimentar as Figideiras, o Bacalhau à Braga, as papas de Sarrabulho, o pudim Abade de Priscos ou os irresistíveis Fidalguinhos”, destaca.

 


2.  Bordeaux – França

Foto: Divulgação Singular Luxury Travel


Se Braga é considerada a ‘Roma Portuguesa’, Bordeaux, no sudoeste francês, é conhecida por ser ‘a pequena Paris’. Para além do vinho reconhecido mundialmente, a cidade une arte, gastronomia, tranquilidade e agito. Seu centro histórico, repleto de praças elegantes e fachadas de calcário, é considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, tornando-o um paraíso para quem é apaixonado por arquitetura. 

“Para explorar as belezas de Bordeaux, a dica é andar pelas ruas a pé ou de bicicleta. Pare nas margens do rio Garonne, conheça os mercados de rua que são ícones da cidade e aproveite as festividades locais. Vale lembrar que Bordeaux também é conhecida por ser a capital mundial do vinho, então há muitas vinícolas renomadas para os apreciadores da joie de vivre”, aponta Gabriel. “Na gastronomia, não deixe de provar os Canelés”.



3. Rotterdam – Holanda

Foto: Divulgação Singular Luxury Travel


A Holanda pode ser majoritariamente tranquila, mas entre seus destinos há uma cidade vibrante e diversa, que une diversas etnias em um só lugar. Rotterdam é conhecida por ser uma metrópole que respira arte e cultura, principalmente por ter inúmeras galerias, museus magníficos e street art. Seu principal mercado, Markthal, é uma verdadeira obra de arte e reúne estandes com produtos locais e restaurantes com pratos típicos. 

“Rotterdam é uma grande aposta para aproveitar o verão europeu. A dica é explorar os arredores de bicicleta para aproveitar a paisagem e visitar alguns dos pontos turísticos, como o complexo de casas-cubo, que desafia a gravidade, além da Euromaster Tower, com uma vista panorâmica incrível. É claro que não posso deixar de indicar os festivais de música e as praias urbanas, como a Kralingse Plas, que deixam tudo mais animado”.

 


3.  Bergen – Noruega

Foto: Divulgação Singular Luxury Travel

Se o viajante ama lugares que se parecem cenas de filme, Bergen, na Noruega, é o destino perfeito. Ali é a porta de entrada para os magníficos fiordes noruegueses e é cercada por sete montanhas, proporcionando paisagens naturais incríveis. Seu antigo cais hanseático, Bryggen, foi considerado Patrimônio Mundial da UNESCO e nada mais é que um labirinto colorido de ruas estreitas e construções de madeira. 

“Além de ser a segunda maior cidade da Noruega, Bergen é uma das mais charmosas. Para quem quer ter uma vista panorâmica da cidade ou para os fiordes, a dica é pegar o funicular Floibanen que leva o viajante ao topo do Monte Floyen. Já sua cena cultural é bem eclética e cativa os mais variados perfis. Na gastronomia, aposte nos frutos do mar fresquíssimos que o destino oferece”, destaca Gabriel.

 


5. Mostar - Bósnia e Herzegovina

 

Foto: Divulgação Singular Luxury Travel


Por mais que não seja tão conhecida, Mostar é uma das cidades mais belas da Bósnia e Herzegovina e uma das principais razões é a diversidade arquitetônica presente por todos os cantos. Seu principal símbolo é a ponte reconstruída em cima do Rio Neretva, intitulado Stari Most, que oferece um ponto de observação privilegiado e é um local onde mergulhadores tradicionalmente saltam. 

“Entre os pontos para visitar estão a Casa Turca e a Mesquita Koski Mehmed-Pasha, assim como as tradicionais residências do Império Otomano, são locais importantes para aprender mais sobre a herança otomana da região. No verão, as ruas são tomadas por festivais e eventos ao ar livre. Já sua cozinha é uma mistura interessante entre a culinária turca e balcã”, finaliza Gabriel. 

Vivenciar o verão europeu é abrir o leque de possibilidades e conhecimento através de paisagens incríveis, história e cultura, principalmente em destinos que saem do óbvio. Para aproveitá-los sem abrir mão da tranquilidade, a Singular Luxury Travel possui roteiros sob medida, unindo conforto, exclusividade e luxo. Confira as novidades através do site Link ou Instagram @singularluxurytravel.


Por que conciliar maternidade e carreira se tornou uma estratégia de liderança

Apenas 17,4% das empresas brasileiras são lideradas por mulheres, segundo o Panorama Mulheres 2025. O dado ajuda a dimensionar o tamanho do desafio quando o assunto é equidade de gênero no mercado de trabalho e revela que, apesar dos avanços, a presença feminina em posições de comando ainda está longe de ser proporcional. 

Esse cenário contrasta com o que já começa a acontecer no setor público. Um estudo do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos mostra que as mulheres ocupam cerca de 43% dos cargos de liderança no Executivo Federal. Nos postos mais altos, o crescimento também chama atenção, saindo de 29% em 2022 para 38% em 2026. Ainda que a equidade não tenha sido alcançada, os números indicam uma mudança estrutural em curso. 

É nesse contexto que a discussão sobre maternidade ganha relevância. A proximidade do Dia das Mães costuma reacender uma pergunta recorrente: afinal, é possível conciliar carreira e maternidade sem que uma dimensão anule a outra? A resposta passa menos por escolher entre caminhos e mais por compreender como essas experiências se transformam mutuamente ao longo do tempo. 

Dentro desse cenário, a maternidade segue sendo um dos pontos mais sensíveis da trajetória profissional das mulheres. Não apenas pelo desafio logístico de conciliar rotinas, mas principalmente pela carga simbólica e pelas expectativas sociais que recaem sobre esse papel. Existe, muitas vezes, uma cobrança silenciosa para que mães performem com excelência em todas as frentes, como se não houvesse espaço para adaptação ou reconfiguração de prioridades. 

Na prática, porém, o que se observa é que a maternidade não interrompe carreiras. Ela as ressignifica. Ao assumir esse papel, muitas profissionais desenvolvem competências cada vez mais valorizadas em ambientes corporativos complexos, como capacidade de priorização, escuta ativa, gestão de tempo, resiliência e tomada de decisão com visão de longo prazo. Não se trata de romantizar o desafio, mas de reconhecer que essa vivência amplia repertórios e influencia diretamente a forma de liderar. 

Um exemplo recorrente no mercado é o de mulheres que ingressam ou se reposicionam profissionalmente durante ou após a maternidade. Em um desses casos, uma profissional descobriu a gestação de forma inesperada, em um momento em que planejava mudanças pessoais e profissionais. O impacto inicial veio acompanhado de inseguranças comuns a muitas mulheres, especialmente diante da dúvida sobre como o mercado reagiria à nova realidade. 

Ao longo do tempo, essa experiência foi ressignificada. A maternidade trouxe mais clareza sobre prioridades, fortaleceu a capacidade de organização e ampliou a percepção sobre o próprio papel dentro das equipes. Ao participar de um novo processo seletivo já como mãe, um aspecto chamou atenção: a ausência de questionamentos sobre sua condição. Mais do que um detalhe, esse tipo de postura evidencia uma mudança importante na forma como algumas organizações começam a enxergar talento e potencial. 

Esse tipo de ambiente faz diferença porque o desafio de conciliar carreira e maternidade não é individual. Ele depende diretamente de cultura organizacional, de lideranças preparadas e de estruturas que compreendam que vida pessoal e profissional não competem entre si. Quando essa lógica muda, o impacto é coletivo. Relações de trabalho se tornam mais sustentáveis, decisões mais equilibradas e a produtividade deixa de estar associada a jornadas exaustivas para se conectar com entregas mais consistentes. 

Outro ponto relevante é o papel da rede de apoio. Em carreiras que exigem alto nível de responsabilidade e dedicação, como no setor jurídico, a maternidade adiciona uma camada extra de complexidade. Profissionais que vivenciam essa realidade relatam que o equilíbrio não é estático, mas construído diariamente, com ajustes constantes e necessidade de suporte, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. 

É justamente nesse contexto que a liderança ganha um papel central. Ambientes que reconhecem a maternidade como parte da trajetória, e não como obstáculo, tendem a reter talentos, fortalecer suas equipes e construir culturas mais diversas. E diversidade, neste caso, não é apenas uma pauta institucional, mas um diferencial competitivo concreto. 

A evolução dos números de participação feminina em cargos de liderança mostra que o mercado já começou a se movimentar. O próximo passo é aprofundar essa transformação, garantindo que mais mulheres possam avançar sem que a maternidade seja vista como um ponto de ruptura. 

No fim, a discussão não se resume à conciliação de papéis. Trata-se de entender que experiências diferentes constroem lideranças mais completas. Quando a maternidade deixa de ser tratada como um desvio de rota e passa a ser reconhecida como parte do desenvolvimento profissional, o resultado aparece não apenas na trajetória das mulheres, mas na qualidade das decisões, das relações e dos próprios negócios.



Aymeê Gurjão - Head de Marketing do Paschoini Advogados, escritório especializado em direito empresarial, tributário, trabalhista e civil. – E-mail: paschoini@nbpress.com.br.


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