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sábado, 14 de junho de 2025

Relacionamentos na era da Inteligência Artificial: o que ainda é humano?

 

Vivemos uma revolução silenciosa, que até pouco tempo parecia invisível, mas que agora se revela em cada mensagem respondida, música composta, imagem gerada ou conversa simulada por inteligência artificial. Em meio a tanta eficiência tecnológica, um novo dilema emocional surge: como preservar nossa autenticidade em tempos em que até as emoções podem ser imitadas?

Saber diferenciar o REAL do simulado se torna cada vez mais desafiador e necessário. Pesquisa realizada com mais de 3,5 mil pessoas pela World no Brasil reflete este contexto. Mais de 66% dos pesquisados se sentem preocupados quanto à possibilidade de encontrar bots ou perfis falsos em apps de relacionamento e 72% dos entrevistados disseram que já suspeitaram ou descobriram que um de seus matches poderia ser um robô ou uma IA.

A IA não sente, mas simula sentir. Isso tem confundido a nossa percepção: se um texto nos emociona, mesmo sendo criado por uma máquina, o sentimento é real? Se um avatar fala tudo o que queremos ouvir, isso basta? Essa mistura entre o que é gerado artificialmente e o que vem de um ser humano está gerando um novo tipo de crise: a crise da identificação.


Começamos a nos perguntar:

– Isso foi feito por uma pessoa ou por uma IA?

– Essa emoção é verdadeira ou programada?


E nos relacionamentos?

Essa confusão não afeta apenas a forma como consumimos conteúdo — ela impacta diretamente a forma como nos relacionamos. No mundo dos filtros, dos chats automatizados e das respostas perfeitas, começa a faltar espaço para o erro, a dúvida, o silêncio, a pausa, o imprevisto — ou seja, para o humano. Relacionar-se de forma autêntica exige vulnerabilidade, mobiliza nossas emoções e é justamente nesse impasse, no emaranhado das sensações que nos CONECTAMOS e nos vinculamos realmente. Mas, cada vez mais, estamos trocando essa vulnerabilidade por versões otimizadas de nós mesmos — versões editadas, práticas, seguras, agradáveis.


Estamos tentando ser o que “funciona”, não quem realmente somos.

O curioso disso tudo é que as ferramentas da IA otimizam e muito diversas atividades, encurtam etapas, nos poupam tempo e viabilizam caminhos, mas quando o assunto é RELACIONAMENTO entre humanos, a dinâmica natural das trocas fomenta o processo e é justamente nele que construímos pontes sólidas de interações, que nutrem nossos corações do que mais necessitamos: amor.

Reconhecer o quanto antes se estamos nos comunicando com uma máquina ou um ser humano torna-se indispensável para nossa segurança e a certeza de que não estamos confiando o que é mais precioso da gente (nossos sentimentos) a um robô que não sente e nunca foi o que se diz ser.


É preciso cultivar autenticidade:

1.Reivindicando o seu sentir

Não terceirize sua experiência para a máquina. Sentir confusão, dúvida ou até tédio é humano — e essencial para amadurecer emocionalmente.

2. Exercendo presença

A IA é rápida. Os vínculos reais, não. Eles exigem tempo, escuta, paciência e imperfeição. Conexão não é sobre quantidade de interações, e sim sobre profundidade.

3. Questionando a idealização

O relacionamento perfeito não existe. Buscar respostas exatas para emoções complexas é algo que nem a melhor tecnologia pode entregar.

4. Sendo curioso sobre si

A autenticidade nasce do autoconhecimento. Quem é você sem os filtros? O que te move, te toca, te paralisa? Cultive esse olhar interno.


No fim das contas…

Talvez a grande pergunta da era da IA não seja o que é real ou irreal, mas sim: O que ainda é verdade para mim, mesmo em meio ao artificial?

A autenticidade, nesse cenário, é um ato de coragem. É escolher sentir, errar, experimentar e construir conexões reais, ainda que imperfeitas. Porque nenhum algoritmo, por mais avançado que seja, será capaz de substituir o impacto de uma presença viva, de um olhar que compreende ou de uma escuta que acolhe.

E você? Já se perguntou se está se relacionando com alguém — ou apenas com uma projeção que parece segura, mas não sente nada? Caminhos para um futuro mais confiável.

Nesse novo mundo, onde as fronteiras entre humano e máquina se confundem, tecnologias como a que a World oferece surgem como uma tentativa de restaurar a confiança digital. A proposta é ousada: uma credencial digital pioneira baseada em prova de humanidade, permitindo que redes sociais e plataformas verifiquem se você está interagindo com uma pessoa real, e não com uma IA.

Esse tipo de solução ainda levanta debates importantes, mas já mostra que a sociedade está buscando formas de reconhecer e valorizar o humano — não apenas no toque, no olhar ou na escuta, mas também nos espaços digitais, onde cada vez mais vivemos, amamos e nos relacionamos. E, portanto, pensar, ponderar, falar e pesquisar mais sobre o assunto pode ser justamente a forma de não nos tornarmos reféns da IA, mas termos o melhor dela.

 



Pamela Magalhães - CRP:06/88376 - Psicóloga e Especialista em Relacionamentos



Especialista na Pedagogia Waldorf explica a importância do brincar livre

 Saiba quais são as dicas para incentivar o imaginário das crianças e promover experiências próprias deste período da vida

 

Aspectos culturais moldam profundamente a maneira como as crianças se relacionam com o mundo. O brasileiro apresenta características comportamentais marcantes, e isso também se reflete nas crianças que são sociais, afetivas, expressivas, criativas e adaptáveis. No entanto, essa expressividade convive com alguns desafios contemporâneos, como a agitação, o uso precoce de tecnologias, a falta de rotina e o excesso de estímulos externos. Esses fatores podem impactar o desenvolvimento emocional e a capacidade de concentração das crianças. Diante destes cenários é essencial que famílias e escolas atuem em conjunto para cultivar vivências próprias da infância, como o brincar livre, o estímulo à autonomia e à imaginação. 

Cleonice Vieira dos Santos, professora da Escola Waldorf Rudolf Steiner, destaca que experiências sensoriais reais, estímulos saudáveis e vínculos humanos genuínos são fundamentais para a formação de um adulto equilibrado. “A pedagogia Waldorf acompanha as fases evolutivas da infância e adolescência, respeitando o ritmo de cada pessoa e suas transformações físicas, emocionais e sociais. Por isso, valorizamos o brincar e o convívio humano real como ferramentas de desenvolvimento. O uso da tecnologia na primeira infância, tende a gerar agitação, ansiedade e contato com conteúdos inadequados. Já o brincar livre é um dos maiores aliados da construção de uma sociedade mais saudável no futuro”. 

As famílias são orientadas a promoverem atividades que estimulem a criatividade, a liberdade e as interações humanas. Confira as dicas, com base na pedagogia Waldorf, para incentivar as vivências da infância e o desenvolvimento da criança.

 

Promova atividades artísticas

A pedagogia Waldorf dá ênfase às atividades lúdicas, rítmicas e sensoriais. Por meio delas, a criança desenvolve a criatividade, a coordenação motora, as habilidades sociais e a autonomia. Em casa, proponha atividades como jardinagem, desenho, culinária, colagens e confecção de brinquedos com materiais recicláveis.

 

Reforce a autonomia e a curiosidade

Sem exposição às telas, as crianças passam a se envolver mais com o cotidiano. Tarefas simples, como preparar o próprio lanche, cuidar do quarto ou regar uma planta, fortalecem o senso de pertencimento e responsabilidade. “As crianças precisam sentir que são parte do ambiente em que vivem. Essas pequenas ações reforçam a autoconfiança e diminuem a necessidade de distrações ou estímulos inadequados para a infância”, destaca a professora.

 

Estimule a imaginação

O universo lúdico é fundamental nessa fase e a criança precisa brincar livremente. Aproveite para contar histórias, criar ambientes e encenações para estimular a escuta atenta e a criação de imagens mentais. “Incentivar a imaginação na infância desenvolve o pensamento criativo e a capacidade de resolver problemas. A imaginação prepara o caminho para o pensamento abstrato e o senso ético na vida adulta”, afirma a educadora.

 

Crie um ambiente inspirador

Conquistar a atenção das crianças pode parecer um desafio, mas o ambiente tem papel decisivo nisso. Priorize espaços calmos e próximos da natureza, como parques e praças. Esses lugares favorecem a observação, a conexão com o tempo e a vivência imaginativa.

 

Brincar, brincar e brincar

O brincar deve ser livre, sem metas e regras impostas por adultos. A criança precisa ter espaço e tempo para inventar, explorar e expressar sua criatividade em seu próprio ritmo. Ela deve brincar com outras crianças, a interação irá ajudar os pequenos a compreenderem o mundo e a processar emoções. “O brincar é uma linguagem essencial da infância, uma atividade formadora que prepara para os desafios presentes e futuros”, evidencia Cleonice.

 

Escola Waldorf Rudolf Steiner

 

Nem sempre é o outro: 5 sinais de que a toxicidade pode estar em você

Especialista em relacionamentos Henri Fesa aponta comportamentos autossabotadores que podem minar as relações afetivas



É comum, diante de desentendimentos e frustrações amorosas, apontar o dedo para o outro como o responsável por tudo que não deu certo. Mas a verdade é que nem sempre a toxicidade está do lado de fora. Muitas vezes, comportamentos nocivos, mesmo que sutis, partem de nós mesmos, e são justamente esses padrões não percebidos que sabotam conexões que tinham tudo para florescer.

“Todo mundo já teve atitudes imaturas em algum momento da vida afetiva. A diferença está em reconhecer, refletir e se responsabilizar. O problema é quando essas atitudes se tornam repetitivas e a pessoa não percebe que está prejudicando a relação ou afastando quem está ao lado”, explica o Médium especialista em relacionamentos Henri Fesa.

Reconhecer a própria toxicidade é um passo de coragem e amadurecimento emocional. Segundo o especialista, isso não significa se culpar, mas observar com honestidade e acolhimento quais atitudes podem estar criando ciclos de sofrimento. “Não existe relacionamento saudável sem autorresponsabilidade. O amor-próprio também passa por enxergar onde precisamos evoluir”, destaca Fesa.

Assumir esses comportamentos e buscar mudá-los é uma forma de cuidado consigo e com o outro. Como conclui Henri Fesa, “a verdadeira evolução emocional acontece quando a gente entende que o problema nem sempre é o outro, e que o amor que queremos viver começa com o amor que cultivamos em nós”.


A seguir, Henri Fesa, Médium especialista em relacionamentos e fundador da Casa de Apoio Espiritual Henri Fesa, lista cinco sinais de que a toxicidade pode estar em você:

01. Necessidade constante de controle

Querer controlar o tempo, as decisões e até as emoções do outro é um sinal claro de insegurança. Relações saudáveis exigem espaço e confiança;

02. Viver em modo defensivo

Se tudo parece uma crítica ou ameaça, talvez você esteja enxergando o relacionamento a partir de antigas feridas emocionais ainda não curadas;

03. Chantagem emocional disfarçada de afeto

Fazer o outro se sentir culpado para conseguir o que quer, mesmo que de forma sutil, é uma forma de manipulação;

04. Dificuldade de pedir desculpas

Quem sempre acha que tem razão e nunca reconhece seus erros tende a repetir padrões destrutivos e afastar quem tenta se aproximar;

05. Medo de vulnerabilidade

Esconder sentimentos, levantar barreiras e agir com frieza como forma de “se proteger” pode parecer força, mas, na verdade, é uma defesa que impede a intimidade.

 

Henri Fesa - Médium auxilia pessoas com problemas espirituais, principalmente, no campo amoroso. Especialista em relacionamentos, possui mais de 30 anos de experiência, criando soluções efetivas com um trabalho de qualidade e sem enrolação. A Casa de Apoio Espiritual Henri Fesa recebe pessoas de todas as religiões e, dentro da crença de cada um, realiza os Trabalhos, atuando com segurança e seriedade, sem a utilização de magias de baixa vibração. Saiba mais aqui!


Relacionamentos de timeline: qual a influência das redes sociais na construção de estereótipos de relacionamentos irreais?

 

Vivemos em um mundo altamente conectado, em que as redes sociais se tornaram vitrines de comportamentos, estilos de vida, opiniões e formas de se relacionar que, de certa maneira, ilustram cotidianos pouco conectados com a realidade.

Durante datas comemorativas, como por exemplo o Dia dos Namorados, nossa timeline fica repleta de demonstrações de afeto, amor e carinho entre os casais, com fotos, cenários e lugares representados, muitas vezes, por imagens cuidadosamente tratadas. Isso seria um problema por si só? Não, não seria.

No entanto, é crucial ter um olhar atento e ampliado para o que esse comportamento representa em uma sociedade “acostumada” a atribuir à mulher a responsabilidade pela longevidade dos relacionamentos, e por garantir o 'belo'; não só por meio da estética física, mas também através do amor romântico.

De acordo com levantamento do Global Overview Report 2024, 5.04 bilhões de pessoas navegam por redes sociais no mundo, sendo 46.5% mulheres.  Paralelamente, de acordo com dados recentes do Digital Report 2024 Brasil, estima-se que os brasileiros passam uma média de 3 horas e 37 minutos por dia nas redes sociais, isso significa que adultos jovens passam um tempo significativo, interagindo com conteúdo que, de certo modo, contribuem e influenciam suas percepções cotidianas e interações humanas.

Neste sentido, qual o tamanho e quão real são as expectativas colocadas principalmente em relação às mulheres? Isso influencia significativamente a forma como as pessoas se relacionam, pois grandes expectativas são criadas, muitas vezes baseadas nas imagens e narrativas idealizadas que as redes sociais divulgam. Esse processo acaba reforçando comportamentos e padrões estruturais relacionados aos papéis tradicionalmente atribuídos a homens e mulheres nas relações afetivas.

A “estética” dos relacionamentos que vemos representados nas redes sociais apresentam formas muitas vezes idealizadas, com uma convivência relacional que beira à “perfeição”, mas isso tem um custo, e quem o paga, muitas vezes, são as mulheres, que, em busca dessa idealização, renunciam a sua autoestima e, por vezes, da própria existência, o que mascara ou dificulta o reconhecimento de relacionamentos não saudáveis.

Um dado alarmante corrobora essa afirmação. De acordo com a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher do DataSenado e do OMV (Observatório da Mulher Contra Violência), ambos do Senado Federal, que traz a mais longa série histórica com mulheres sobre violência doméstica no Brasil, disponível nos dados do Mapa Nacional de Violência de Gênero, 18% das mulheres entrevistadas não se reconhecem vítimas de violência de maneira espontânea, somente apontaram a vivência após serem expostas a situações que a caracterizava. Isso quer dizer que as mulheres têm dificuldades em reconhecer sinais de violência quando estão vivendo seus relacionamentos.  

Fatores que podem explicar essa dificuldade em nomear as violências passam pelos aspectos culturais que sustentam e naturalizam esses comportamentos. Além disso, culturalmente é direcionando um peso muito maior sobre as mulheres, na manutenção das relações, elas são frequentemente colocadas no papel de garantidoras do afeto, emocionalmente disponíveis, compreensivas e impecavelmente bonitas, levando à imposição de padrões estéticos e comportamentais. Enquanto isso, homens são exaltados por gestos mínimos e simbólicos de afeto ou parceria, o que reforça uma ideia desigual do que é esperado de cada gênero em um relacionamento.

Essa dinâmica se agrava quando conteúdos em redes sociais, aparentemente inofensivos, normalizam o ciúme excessivo, o controle e a dependência emocional como sinais que representam o “amor verdadeiro”. As pessoas jovens, especialmente meninas adolescentes, podem crescer consumindo este tipo de publicação e serem impactadas por esse tipo de narrativa, o que leva à distorção da visão sobre o que é saudável em uma relação afetiva. A constante comparação com influenciadores e casais idealizados pode levar à frustração, baixa autoestima e até à tolerância com comportamentos abusivos em nome do amor romântico idealizado.

Viver relacionamentos saudáveis passa por reconhecer que o amor real não se resume ao que se vê nas timelines disponíveis nas redes sociais. Lembro aqui uma frase de Beatriz Accioly, antropóloga brasileira com atuação destacada nas áreas de gênero, direitos das mulheres e políticas públicas: “O amor não é só o que se fala ou o que se sente, mas o que se faz”. Boas relações estão vinculadas ao diálogo, ao respeito, ao carinho, à confiança e ao bem-estar mútuo. Isso não quer dizer que existe a garantia de felicidade ininterrupta, mas a certeza de um convívio cheio de harmonia e afeto.

As redes sociais continuarão presentes em nossos dias, mas a influência exercida deve permitir que mulheres e homens vivam amores reais e saudáveis. Iniciativas públicas e privadas também podem contribuir com a conscientização sobre o tema, como a cartilha lançada pelo Ministério Público de São Paulo chamada #NamoroLegal, que oferece orientações sobre como identificar e lidar com relacionamentos abusivos, especialmente voltada para jovens mulheres, ou o Instituto Natura, que oferece um guia de bolso com dicas valiosas para essa vivência. Construir relações mais justas e afetivas é um passo fundamental para transformar a sociedade.    

 

Ivanda Sobrinha - coordenadora de Políticas Públicas no Enfrentamento às Violências Contra Meninas e Mulheres

 

Mulheres concurseiras: o desafio de conciliar estudo, trabalho e filhos

Com rotinas exaustivas e pouco tempo disponível, mulheres enfrentam uma jornada desigual na preparação para concursos públicos no Brasil.


Estudar para concursos públicos exige foco, disciplina e constância. Mas, para muitas mulheres, essa equação envolve mais do que dedicação aos livros. São mães, esposas e trabalhadoras que precisam dividir o tempo entre tarefas domésticas, responsabilidades profissionais e a preparação para provas altamente competitivas. Uma pesquisa apresentada no 29º Congresso Internacional de Educação a Distância (2024) apontou que mulheres que conciliam trabalho, família e estudos, enfrentam uma sobrecarga significativa: dessas, 126 participantes relataram dificuldades constantes para manter o equilíbrio entre os três papéis. 

Essa realidade tem impactos profundos na rotina de quem se prepara para concursos públicos. Para Karine Waldrich, auditora-fiscal da Receita Federal e especialista em métodos de estudo com base em neuroeducação e alta performance, o contexto precisa ser discutido com mais clareza. “A jornada da mulher concurseira é quase sempre invisível. Não é só sobre estudar, é sobre estudar enquanto o mundo ao redor exige dela o tempo inteiro”, afirma.

Além da tripla jornada, o tempo de estudo disponível para essas mulheres costuma ser escasso. Um levantamento aponta que grande parte das mães concurseiras estuda entre 1 a 2 horas por dia, geralmente à noite, quando o restante da casa já está dormindo. Ainda assim, enfrentam críticas, dúvidas sobre sua capacidade e cobranças sociais intensas. “Existe uma idealização em torno da aprovação. Mas pouca gente fala sobre o que essas mulheres precisam abdicar para manter uma rotina mínima de preparação”, observa Karine.

Ela destaca que, nesse cenário, não basta falar apenas de técnicas de memorização ou produtividade. É preciso compreender a complexidade emocional envolvida. “Quando falamos em desempenho, precisamos considerar o impacto da sobrecarga mental. É impossível manter o foco pleno quando o corpo está esgotado e a mente está dividida entre tarefas.”

Karine defende que o debate sobre concursos públicos precisa incluir um olhar interseccional e realista. “Não dá para falar de igualdade de oportunidades se ignorarmos que algumas pessoas têm mais tempo, mais apoio, mais dinheiro. Outras estão estudando enquanto fazem janta, ajudam o filho com lição e cuidam da casa. E, na maioria dos casos, essas pessoas são mulheres.”

Ela acredita que é hora de mudar a narrativa sobre o que significa “dar conta” dos estudos. Em vez de impor metas padronizadas, o foco deve estar na construção de rotinas possíveis, respeitando os limites de quem estuda. “Constância não é perfeição. É presença. Mesmo que seja por 30 minutos ao dia, com foco e intenção.”

Por fim, Karine reforça que concursos públicos devem ser vistos não apenas como uma prova de conhecimento, mas como um processo profundamente humano. “É um projeto de vida. E quando essa vida já é atravessada por tantas demandas, o esforço para chegar lá é ainda maior. Precisamos valorizar essa força silenciosa.” conclui.


A fotografia, redes sociais e o impacto na autoestima

Nos últimos anos, a fotografia, impulsionada pelas redes sociais, tornou-se uma parte intrínseca da vida cotidiana, principalmente com a popularização de aplicativos como o Instagram. A imagem se tornou não apenas uma forma de expressão, mas também um parâmetro de aceitação e validação social. Neste aspecto, pesquisas já indicam que a constante exposição a imagens cuidadosamente tratadas ou com filtro podem ter um impacto significativo na autoestima, especialmente entre os jovens.

Se por um lado a fotografia permite que os indivíduos se vejam sob uma luz positiva e como um poderoso impulsionador de autoestima, especialmente quando veem suas fotos sendo elogiadas ou recebendo "curtidas", funcionando como uma ferramenta de empoderamento e oferecendo aos indivíduos a oportunidade de se autoafirmarem e se expressarem; por outro lado podem promover comparações e padrões de beleza idealizados, resultando em sentimentos de inadequação e insatisfação consigo, promovendo distúrbios de imagem, depressão e ansiedade.

A relação entre o que se vê nas redes sociais e a autoestima é complexa. Por exemplo, uma pesquisa da American Psychological Association revelou que o uso excessivo de redes sociais está associado a altos níveis de comparação, o que pode afetar negativamente a autoimagem. Esse fenômeno, comumente referido como "disforia da imagem", aponta para a importância de uma discussão mais ampla sobre como as imagens moldam a percepção de nós mesmos.

Profissionais de fotografia, assim como eu, precisamos promover uma conscientização sobre a importância em exaltar as diferenças e minimizar os impactos da edição de imagens, ajudando a mitigar efeitos negativos. Neste caminho, campanhas que promovem a aceitação da beleza natural e autenticidade estão emergindo, apresentando um contraponto ao padrão predominante de "perfeição" exibido nas redes sociais. Iniciativas que encorajam usuários a compartilhar fotos sem filtros, mostrando a realidade de suas vidas, estão começando a ganhar destaque, o que é muito importante. Essa conscientização pode servir como um antídoto contra a comparação e ajudar os indivíduos a cultivarem uma percepção mais saudável de si mesmos.

Em um mundo cada vez mais visual, a fotografia tem o poder de moldar percepções e experiências emocionais. Estratégias para promover uma relação saudável com a imagem e reduzir o estigma da inadequação são fundamentais. O desafio, portanto, é garantir que a fotografia, enquanto uma forma de arte e comunicação, sirva como um meio de celebração da individualidade e da diversidade, um meio de guardar memórias e revivê-las sempre que possível, e não como um veículo de insegurança e comparação. Ao olharmos para o futuro, é crucial que a sociedade se comprometa a promover uma narrativa visual que valorize a autenticidade e a autoestima em todas as suas formas.

 

Dione Lopes - fotógrafa


Milagre


Que a luz do Divino ilumine cada recanto da nossa alma, e que a melodia da Esperança embale as memórias que, como rios caudalosos, moldaram o nosso ser. É com o coração em prece e a alma em festa que me debruço sobre o milagre da recuperação, uma história que é um testemunho vivo da força da fé, do amor que transcende o visível e da mão do Altíssimo que guia os passos da gente. 

Lembro-me, como se fosse o cheiro da terra molhada depois de uma chuva de verão, daquele dia em que o mundo pareceu parar. O acidente foi como um raio que dividiu o carvalho mais forte, e as palavras dos senhores da ciência, com toda a sua sabedoria terrena, ecoaram como um trovão: "Não sobreviverá". 

Percebam que, nem de longe, eu quero hostilizar a ciência. Se, hoje, estou aqui, é por ela: tantos tratamentos, terapias... Mas, às vezes, alguns doutores da ciência esquecem-se que ela só é forjada no calor da humildade... A arrogância gelada é o que não admito! Há muito mais entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, dizia Shakespeare, na voz de Hamlet. 

O coração de um pai se desespera diante de um prognóstico assim, como a roça que seca sob o sol inclemente! A dor, como um espinho, fincou-se na alma, e o mundo parecia perder a cor. Mas, bendita seja a fé que move montanhas! A minha mãe, essa mulher de fibra e de luz, não se dobrou diante da tempestade. Com a certeza de que nenhuma folha cai da árvore sem a vontade do Altíssimo, ela se agarrou à esperança como a videira se enrosca no tronco, buscando a seiva da vida. 

E em Jacareí, essa terra abençoada no interior paulista que é o berço de minhas raízes, a notícia correu como água de mina. Católicos, Evangélicos, Espíritas, Judeus... Não importava o credo, a cor ou a condição. A comunidade inteira, como um só corpo, uniu-se em fervorosas orações, tecendo uma rede de luz e amor que me envolvia, ali, em coma, entre o céu e a terra. 

Meus avós, meus pais, esses "rochedos primordiais" que me sustentam, sempre foram faróis de bondade e atuação na comunidade E foi nesse solo fértil de reconhecimento e afeto que a corrente de orações se fortaleceu. 

Um clamor que subia aos céus, pedindo a intercessão Divina! Os dias se arrastavam, lentos como carro de boi em estrada de chão, mas as preces não cessavam. 

E foi então que o primeiro milagre começou a desabrochar, como a flor mais rara que rompe o asfalto. Os médicos, com seus olhos de espanto, viram o que a ciência não podia explicar: o risco de vida se afastava, a chama da vida ardia novamente! Mas a provação, como o fogo que depura o ouro, ainda não havia terminado. "Perderia os movimentos do pescoço para baixo", disseram, e um novo vale de sombras se abriu. 

A Fé é como a semente que, mesmo soterrada, encontra a força para brotar. As orações continuaram, mais fortes, mais intensas, como o rio que ganha volume e força para romper as pedras. Cada prece, cada lágrima, cada toque de carinho era um adubo para a sua recuperação. 

E a ciência, com toda a sua grandeza, mais uma vez se viu diante do inexplicável. Os movimentos, que pareciam perdidos para sempre, começaram a voltar, um a um, como o orvalho que retorna à folha ao amanhecer. Os tratamentos, sim, continuavam, mas a alma ainda estava em um sono profundo. A desconfiança de que eu "vegetaria" pairava no ar, um fardo pesado para quem ama. Mas a corrente de orações, essa força invisível e poderosa, se fortaleceu ainda mais, como um coro de anjos que entoa a mais bela das canções.

E então, como se um milagre tivesse ocorrido, a Luz intensificou-se, varrendo as sombras e iluminando tudo à minha volta. Eram os primeiros sinais de um novo despertar, um renascimento que desafiava toda a lógica.

Foi Milagre de Cristo? Intercessão do Padre Rodolfo de Komorek? A Força das Orações? A Vontade do Senhor? 

Eu, que vi a escuridão e escolhi a Luz, acredito em tudo isso e mais um pouco! E é essa Fé que impulsiona, que faz renascer para a vida, mais forte, mais sábio, com a alma transbordando de gratidão. 

Eu tenho um desejo... Quero que minha história se espalhe como a claridade de um farol, um lembrete de que, mesmo quando tudo parece perdido, a Esperança, a Fé e o Amor da comunidade são a argamassa que reconstrói, a Luz que guia e a Força que nos faz caminhar, sempre em frente, rumo ao horizonte da plenitude. 

Quero que essa chama de milagre e gratidão continue a iluminar nossos caminhos e a inspirar a todos nós a crer no impossível e a valorizar cada elo dessa corrente de Amor que nos Une.

 

André Naves - Defensor Público Federal formado em Direito pela USP, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; mestre em Economia Política pela PUC/SP. Cientista político pela Hillsdale College e doutor em Economia pela Princeton University. Comendador cultural, escritor e professor (Instagram: @andrenaves.def).



Amor com equilíbrio: por que a autonomia emocional é essencial nos relacionamentos

 

Especialista analisa vínculos afetivos e alerta para os riscos da dependência emocional nas relações amorosas 

 

O Dia dos Namorados, quando muitos casais celebram o amor e a companhia, é também um bom momento para refletir sobre a qualidade das relações afetivas, especialmente quando o amor se confunde com dependência emocional. A autonomia dentro de um relacionamento não significa distanciamento, mas sim maturidade emocional, respeito às individualidades e vínculos mais saudáveis.  

Segundo a professora Talita Rocha, professora do curso de Psicologia da Una Uberlândia, a autonomia emocional é um dos pilares de uma relação afetiva saudável. “Ter autonomia emocional é ser capaz de reconhecer as próprias emoções, lidar com elas e não colocar a responsabilidade do próprio bem-estar no outro. Isso não diminui o amor, pelo contrário: fortalece o vínculo com base no respeito mútuo”, explica. 

 

Quando o amor vira dependência 

Embora o desejo de proximidade seja natural nas relações amorosas, é importante estar atento aos sinais de desequilíbrio. Rocha alerta que a dependência emocional pode surgir de forma sutil, mas tem efeitos profundos. “A pessoa dependente vive em função do outro, teme ser abandonada e sente que não consegue ser feliz sozinha. Isso leva a um ciclo de insegurança, ciúme excessivo e, muitas vezes, à anulação de si mesma para agradar o parceiro”, destaca.  

Entre os sinais de alerta estão a dificuldade de tomar decisões sem a aprovação do outro, medo constante de rompimento, idealização extrema da pessoa amada e abandono de interesses pessoais. “Quando a relação passa a ser o único centro da vida, há perda de identidade. Isso não é amor, é uma relação de fusão emocional, que tende a gerar sofrimento para ambas as partes”, analisa a psicóloga. 

 

Autonomia não é ausência de afeto 

Rocha reforça que autonomia emocional não é sinônimo de frieza ou desapego. “Pelo contrário. Pessoas emocionalmente autônomas conseguem se entregar de forma mais verdadeira, porque não esperam que o outro preencha todos os seus vazios. Elas amam com liberdade, não por carência”, explica.  

Desenvolver essa autonomia exige autoconhecimento, autoestima e, muitas vezes, apoio profissional. “Muitos padrões de dependência têm origem em vivências anteriores, como abandono, negligência ou insegurança na infância. O processo terapêutico pode ajudar a ressignificar essas experiências e construir vínculos mais equilibrados”, pontua. 

 

Equilíbrio entre autonomia e vínculo 

De acordo com a psicóloga, é possível manter a autonomia sem perder a intimidade. “O equilíbrio vem do respeito mútuo à individualidade e da construção de um vínculo baseado na confiança, e não na necessidade”, afirma. Diálogo, escuta empática, liberdade de escolha e acordos saudáveis são ferramentas importantes para isso.  

Rocha também aponta estratégias práticas, além da terapia individual, para quem deseja cultivar essa independência emocional: “escrever um diário emocional para reconhecer sentimentos, estabelecer limites e aprender a dizer ‘não’ sem culpa, construir uma rede de apoio e de hobbies fora da relação fortalecem a identidade pessoal”. 

 

Relacionamentos mais saudáveis começam dentro de nós 

Neste Dia dos Namorados, a psicóloga convida à reflexão: “Mais do que ter alguém, é preciso saber ser alguém. Amar com autonomia é reconhecer o outro como parceiro, não como salvador. É dividir a vida, e não se anular nela”.  

Para quem está em um relacionamento, vale observar se há espaço para o diálogo, o crescimento individual e a liberdade emocional. Já quem está solteiro também pode aproveitar a data para fortalecer o autocuidado e investir em si mesmo, afinal, um relacionamento saudável começa com uma relação amorosa com quem somos.  

“Relacionar-se com o outro é importante, mas não pode ser condição para se sentir completo. A solidão não deve ser temida, mas compreendida como parte do processo de amadurecimento emocional. Quando aprendemos a estar bem com nós mesmos, as relações que criamos tendem a ser mais leves, recíprocas e verdadeiras”, conclui Rocha. 

 

Una 



Por que a terapia assistida com psicodélicos pode ajudar os cuidadores a lidar com seus traumas com mais eficácia?

Médico pós-graduado em Neurologia, estuda os efeitos desse tipo de protocolo para o tratamento eficaz do TEPT, um dos transtornos mais comuns entre eles


No Brasil há cerca de 47,5 milhões de pessoas envolvidas em atividades de cuidados, sendo a maioria não remunerada, segundo dados da Pesquisa Nacional sobre Trabalho Doméstico e de Cuidados Remunerados, feita pelo Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA). Elas desempenham funções de cuidado com idosos ou pessoas com alguma limitação física ou intelectual. Grande parte dessas pessoas — em sua maioria mulheres entre 40 e 60 anos — realiza esse trabalho sem qualquer remuneração, acumulando responsabilidades domésticas e, muitas vezes, profissionais — são familiares diretos, que enfrentam desafios como o esgotamento físico e emocional, dificuldades financeiras e a falta de suporte do sistema público de saúde.


De acordo com Lucas Cury, médico pós-graduado em Neurologia, os cuidadores lidam com uma rotina desgastante, o que acaba tornando-os negligentes com a própria saúde. “São longas horas dedicadas ao cuidado, sem descanso adequado, com uma forte concentração de responsabilidades, pressão constante de lidar com a doença e com as necessidades da pessoa cuidada, além da falta de contato social e negligência com a própria saúde. Tudo isso são gatilhos perigosos para o desenvolvimento de problemas como depressão, ansiedade e Transtornos de Estresse Pós-Traumático (TEPT)”.



Cuidar de quem cuida


Para o médico, os cuidadores representam uma população frequentemente invisibilizada, que também precisa ser amparada. “Ao colocarem as necessidades do outro sempre em primeiro plano, muitos acabam se esquecendo de si mesmos. Isso gera sentimentos de exaustão, tristeza e frustração. Há casos em que abriram mão da própria vida profissional, da rotina e dos vínculos sociais para se dedicarem integralmente a alguém — e fazem isso sozinhos, sem apoio familiar ou rede de suporte”, observa.


Cury relata que esse cenário é comum em sua prática clínica. “Atendo um paciente de 75 anos que costuma dizer que, desde os 30, não vive — apenas sobrevive. Ele cuida da filha com paralisia cerebral, já adulta, e agora lida com o diagnóstico recente de câncer dela. São pessoas que carregam o mundo nas costas e, muitas vezes, desmoronam silenciosamente. Precisam ser acolhidas antes de perderem as próprias forças.”


Na avaliação dele, o cuidado com quem cuida é também uma forma de garantir qualidade no atendimento prestado. “Se o cuidador adoece emocionalmente, isso afeta diretamente o bem-estar da pessoa assistida. Cuidar do cuidador é uma etapa essencial da cadeia de cuidado”, conclui.



Medicamentos e novas terapias: o alívio possível para quem cuida


Diante do desgaste emocional e psicológico extremo, muitos cuidadores que enfrentam transtornos como depressão ou TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) recorrem a medicamentos controlados para conseguir manter a rotina. São remédios que atenuam a dor emocional e ajudam a seguir em frente — ainda que, muitas vezes, não tratem a origem do sofrimento. “Eles anestesiam o sentir, mas não oferecem solução real para o trauma”, observa o médico e pesquisador que há anos estuda alternativas terapêuticas com uso de psicodélicos.


Segundo ele, substâncias como MDMA (3,4-metilenodioximetanfetamina) e psilocibina têm se mostrado eficazes, quando associadas à psicoterapia no tratamento de quadros graves e persistentes. “A depressão é como um labirinto com o chão cheio de espinhos. Os medicamentos tradicionais amenizam as dores, enquanto os psicodélicos possibilitam que o paciente encontre a saída. É uma abordagem diferente que traz importantes avanços no tratamento”, afirma.


Embora ainda cercadas de polêmicas, as terapias assistidas com psicodélicos vêm ganhando respaldo na comunidade científica. Estudos demonstram benefícios concretos, especialmente em casos resistentes aos tratamentos convencionais. Mas, como alerta Cury, essas substâncias não são “curas mágicas”. “O MDMA, por exemplo, atua quebrando padrões neurais repetitivos — verdadeiras amarras que mantêm o paciente preso a ciclos de dor emocional. Ele permite uma espécie de reciclagem da rede cerebral, criando espaço para um novo olhar sobre o trauma.”




ASSEXUALIDADE: DESCUBRA O SIGNIFICADO DA ORIENTAÇÃO SEXUAL DE POLIANA EM NOVELA "VALE TUDO”

Para o sexólogo Dr. Vitor Mello, a assexualidade é uma orientação real e legítima, não pode ser ignorada, nem tratada como anormalidade. “Respeito e compreensão são fundamentais"

 

Nesta semana, um episódio exibido da novela Vale Tudo tem gerado comentários nas redes sociais sobre a orientação sexual de Poliana, personagem interpretada pelo ator Matheus Nachtergaele. Na trama, em um momento de proximidade com a irmã, Poliana revela que se “descobriu” como assexual. A cena gerou grande repercussão nas redes sociais e abriu espaço para discussões sobre a diversidade das orientações sexuais.
 

Mas afinal, o que é a assexualidade? 

Segundo o sexólogo Dr. Vitor Mello, a assexualidade é uma orientação sexual legítima, caracterizada pela ausência de atração sexual. “Ser assexual não significa não amar ou não querer ter vínculos afetivos. O que está ausente é o desejo sexual, o que difere, por exemplo, do celibato, que é uma escolha consciente de não praticar sexo, mesmo havendo desejo”, explica o especialista. 

As pessoas assexuais podem, e muitas vezes desejam, estabelecer relacionamentos amorosos. O afeto, o companheirismo e o amor continuam sendo elementos centrais dessas relações. “Há muitos relatos de pessoas assexuais que desenvolvem relações muito profundas, e algumas até escolhem ter relações sexuais com seus parceiros como uma forma de carinho e entrega, mesmo sem sentirem atração sexual”, relata o sexólogo. 

Ainda existe muito preconceito e desinformação sobre a assexualidade. Muitos acham que é uma fase, uma escolha ou até um problema de saúde. Isso afasta, marginaliza e invalida a experiência de quem se identifica assim. “Reconhecer a assexualidade como uma orientação legítima é importante para promover inclusão, respeito e, principalmente, saúde emocional. Quando validamos a vivência dessas pessoas, ajudamos a construir uma sociedade que acolhe melhor todas as formas de existir”, comenta.
  

Como diferenciar a assexualidade de uma fase? 

Dúvidas comuns surgem quando se tenta distinguir a assexualidade de momentos passageiros de baixa libido, como em fases de estresse, luto ou desequilíbrio hormonal. “Nessas situações, há normalmente sofrimento. A pessoa sente falta do desejo. Já o assexual vive sua condição com tranquilidade e não sente essa ausência como um problema”, esclarece o especialista. 

O sexólogo reforça que o tema abordado, seja em novelas de grande audiência ou até mesmo no dia a dia, como em empresas, família e amigos, precisa ser tratado com empatia, informação e respeito, contribuindo para a quebra de preconceitos e a construção de ambientes mais inclusivos.


Dr. Vitor Mello - biomédico, sexólogo e referência nacional em harmonização íntima masculina. Criador do método Overpants, técnica exclusiva capaz de aumentar o comprimento e a circunferência peniana — em até 3 cm e 7 cm, respectivamente. Vitor já realizou o procedimento em mais de 6 mil homens, entre celebridades e anônimos. Além de ser um nome de destaque na área da sexualidade masculina, Dr. Mello é reconhecido por sua abordagem humanizada e pelos resultados naturais e progressivos que seus métodos proporcionam, promovendo não só transformações estéticas, mas também impacto direto na confiança e no bem-estar dos pacientes.

  

Aplicativos de namoro na era da IA: amor verdadeiro ou decepção digital?

Os aplicativos de namoro revolucionaram a maneira como as pessoas se conhecem e se conectam hoje, oferecendo a possibilidade de encontrar uma conexão especial com apenas alguns cliques. No entanto, nem tudo é perfeito no mundo do romance digital. De acordo com uma pesquisa realizada pela Norton, a marca de segurança cibernética da Gen™ (NASDAQ: GEN), dos 37% dos brasileiros que atualmente usam aplicativos de namoro, 67% encontraram perfis e mensagens suspeitas pelo menos uma vez por semana.

Iskander Sanchez-Rola, Diretor de IA e Inovação na Norton, afirma: "Esse fenômeno não só gera frustração, como também levanta questões sobre a segurança e a autenticidade das interações nesses aplicativos. De perfis falsos a golpes românticos, a desconfiança é uma constante na experiência do usuário."


IA: amiga ou inimiga dos usuários?

De acordo com a mesma pesquisa da Norton, 60% (dos 37% de usuários brasileiros que atualmente usam aplicativos de namoro) afirmam ter tido conversas que acreditam ter sido escritas por inteligência artificial. Isso ocorre porque a linguagem utilizada é tão perfeita e estruturada que parece falsa, fazendo com que duvidem da real identidade da pessoa do outro lado da tela.

Com os avanços da IA, não é absurdo pensar que muitas dessas conversas são geradas por chatbots programados para interagir com os usuários. Alguns desses bots podem ter a intenção de atrair pessoas para determinados serviços pagos, enquanto outros podem ser usados para fins fraudulentos.

Apesar da incerteza que a IA pode gerar, a pesquisa também aponta que há pessoas que a consideram uma ferramenta útil. Surpreendentemente, mais de um terço (37%) dos brasileiros estão abertos à ajuda da IA na vida amorosa; na verdade, 64% estariam dispostos a receber conselhos sobre relacionamentos; seis em cada dez (64%) dos brasileiros a usariam para escrever frases de paquera ou iniciar conversas; 60% a usariam para desenvolver seu perfil no aplicativo; enquanto 59% a usariam para melhorar suas fotos de perfil; 57% a utilizariam para praticar flertes, otimizando assim sua interação com outras pessoas; e 55% confiariam nessa tecnologia para escrever uma mensagem de término de relacionamento. Além disso, há ainda outros 46% dos brasileiros que usariam um avatar de IA para encontros virtuais como seu representante.

Por outro lado, 24% das pessoas no Brasil que se sentem solitárias admitiram que conversariam com um chatbot de IA, para se sentirem acompanhadas e receberem apoio emocional.


Como se proteger?

Embora a tecnologia sempre possa apresentar riscos e vantagens, se você é usuário de aplicativos de namoro, é importante tomar certas precauções para se manter seguro. Iskander Sanchez-Rola compartilha alguns:

    • Peça uma chamada telefônica ou uma videochamada para verificar a identidade da pessoa com quem você está falando. Se protestarem ou darem desculpas, é melhor pecar por excesso de cautela. Se concordarem, verifique se há efeitos estranhos, como expressões faciais artificiais ou cabelos que não parecem reais, pois isso pode ser um sinal de um deepfake.
    • Investigue seu possível parceiro. Verifique se os perfis de mídia social da outra pessoa estão vazios ou não têm conexões. Você também pode fazer uma busca reversa de imagens para ver se as fotos estão em outros sites clicando com o botão direito na imagem. Clique em “Copiar”, visite images.google.com e cole a foto. Isso pode ajudar você a determinar se a imagem foi aprimorada por IA ou se eles roubaram as fotos de outra pessoa.
    • Não visite links enviados por pessoas com as quais você não fala há muito tempo. Os golpes de IA têm como alvo as pessoas com base em seus interesses e presença online, e os golpistas tentarão fazer com que os seus alvos cliquem em links, que geralmente levam a sites adultos ou de webcam, ou até mesmo sites maliciosos que baixam malware em seu computador. Sempre que alguém enviar um link, é melhor prevenir do que remediar e verificar em plataformas como o Norton Safe Web para confirmar se o link é malicioso.
    • Tenha cuidado com o que você posta ou publica no universo online. Quanto mais os golpistas conhecem você, mais eles saberão como atraí-lo, especialmente com a ajuda da IA. Considere manter seus perfis de namoro anônimos usando diferentes nomes de usuários nos sites ou até mesmo diferentes e-mails para proteger a sua privacidade. Além disso, pode ser uma boa ideia reavaliar sua presença digital fora dos perfis de namoro, como no Instagram, X e TikTok. Os golpistas provavelmente conseguirão descobrir mais detalhes sobre você conectando o seu perfil de namoro ao restante de suas contas.
    • Aprenda a reconhecer bots de IA. Se você perceber que a conversa parece um pouco estranha, ou que a pessoa não está respondendo às suas perguntas diretamente, ou está dando respostas que parecem predeterminadas, é provável que seja um bot de IA.

“Aplicativos de namoro podem ser uma ótima ferramenta para conhecer novas pessoas, mas é essencial usá-los com cautela”, conclui Sanchez-Rola.


Metodologia

O estudo foi conduzido online no Brasil pela Dynata em nome da Gen, de 5 a 19 de dezembro de 2024, entre 1.002 adultos com 18 anos ou mais.

 



Norton
https://br.norton.com/



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