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terça-feira, 21 de março de 2017

Preocupação excessiva com alimento saudável pode ser transtorno, adverte nutricionista da CNU



             
Apostar em ‘alimentos milagrosos e dietas malucas’ não contribui para a qualidade de vida e pode configurar um transtorno conhecido como Ortorexia Nervosa, adverte a analista de Qualidade de Vida e nutricionista Mailise Nunes da Cruz Vieira, do Núcleo de Atenção Integral à Saúde (NAIS) da Central Nacional Unimed.

Esse transtorno é uma perturbação alimentar caracterizada por uma dieta restrita a alimentos considerados puros, saudáveis e naturais. É uma desordem alimentar, ligada aos sintomas obsessivo-compulsivos, que pode estar “disfarçada como virtude”. O que leva muitas pessoas a excluir determinados alimentos sem orientação profissional.

Mailise observa que alimentação saudável é a que tem todos os nutrientes (carboidratos, proteínas, lipídeos, vitaminas, sais minerais e fibras) em quantidades adequadas a cada pessoa, sem radicalismos.

Para a prescrição alimentar individualizada são necessários exames de sangue, urina e, em alguns casos, de fezes. Em um plano alimentar personalizado, há que considerar os objetivos, as limitações e a identificação sérica dos níveis de proteínas, vitaminas e minerais, que variam de indivíduo para indivíduo.

Também são importantes exames que sinalizem a sobrecarga de importantes órgãos, como fígado, rins, tireoide, pâncreas, coração etc.


Mitos

Além dos radicalismos e da supressão de alimentos por conta própria, Mailise salienta que há mitos sobre alimentação que não correspondem à realidade. Ela cita alguns exemplos:

·        Comer carboidrato à noite engorda. O carboidrato deve estar presente em todas as principais refeições (café da manhã, almoço e jantar), pois é uma fonte de energia. Porém deve ser balanceado com outros nutrientes, como as proteínas e os lipídeos. Tudo na quantidade adequada e sem exageros.

·        Leite com manga faz mal. Esse mito surgiu na época do Brasil Colonial, quando o leite era raro e caro, exclusivo dos senhores de engenho, que inventaram e espalharam, então, esta lenda, que sobrevive até hoje. A combinação de manga com leite, além de deliciosa em mousses e sorvetes, por exemplo, é rica em nutrientes e não faz mal à saúde.

·        Abacaxi após uma refeição gordurosa elimina a gordura. O abacaxi tem uma substância chamada bromalina, que auxilia na digestão, mas dizer que esta fruta elimina a gordura de um alimento é realmente um mito.

·        Comer ovo aumenta o colesterol ruim. Ao contrário do que foi divulgado nos anos 1970 e 80, estudos comprovaram que o colesterol presente na gema do ovo tem pouco efeito sobre o colesterol sanguíneo. Este é determinado, principalmente, pela ingestão de gorduras saturadas, como é o caso do ovo frito.


Para ter mais saúde

·        Reduzir o consumo de sal, açúcar e gorduras faz muito bem, pois desta forma pode-se prevenir patologias como a obesidade, a hipertensão e o diabetes.

·        Alimentos com glúten (presente em massas e cereais) e com lactose (açúcar que está no leite e em seus derivados) só devem ser restringidos após algum diagnóstico médico.

·        Um prato colorido é sinônimo de uma alimentação saudável.
·        Fique atento à higiene no preparo dos alimentos.

·        O leite e seus derivados são importantes fontes de proteínas, vitaminas e minerais, principalmente de cálcio, mineral fundamental na saúde óssea, contração muscular e coagulação sanguínea. Só devem ser excluídos da dieta de pessoas com patologias como Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV).

·        Dieta alimentar é restritiva, ou seja, prescrita para indivíduos com restrição total ou parcial de certos alimentos ou grupo de alimentos, e sempre com finalidade terapêutica. Já a reeducação alimentar é um processo de aprendizado, conscientização e mudança de hábitos, gradativamente.

·        É importante cozinhar em casa sempre que possível, com alimentos in natura ou minimamente processados. E fazer as refeições em ambiente calmo e tranquilo, com a família e amigos, sem interferência de TV nem de aparelhos como smartphones, a fim de que haja diálogo e troca de experiências.

·        Pessoa saudável é aquela que tem bem-estar físico, mental e social. Ou seja, que ri, anda, corre, trabalha, se diverte e participa da vida em família e com os amigos.






7 Efeitos da Depressão na Saúde Física



A depressão é considerada um transtorno do humor e atinge hoje cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, alguns estudos, como um feito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), mostram que a prevalência do risco aumentado para depressão atinge 5,5 milhões de brasileiros.

Segundo a psicóloga Ghina Machado, embora a tristeza seja o sintoma mais conhecido e relacionado com a depressão, o impacto da doença vai muito além de sentir-se triste. “A depressão altera diversos sistemas do organismo, causando sintomas muitas vezes incapacitantes, principalmente quando não há diagnóstico e tratamento adequados. É importante entender que muitas vezes os sintomas físicos antecedem os sintomas mentais ou ainda podem acontecer simultaneamente”, explica Ghina.

Não é à toa que a depressão hoje é a terceira maior causa de afastamentos do trabalho e deve ser a primeira até 2020, segundo estimativas da OMS. Com a ajuda da psicóloga, preparamos uma lista com os principais sintomas físicos que devem ser investigados para o diagnóstico da depressão. Confira:
 
  1. Insônia
A insônia é um dos critérios diagnósticos da depressão. A dificuldade para dormir, alterações na continuidade do sono, despertar precoce, sono leve, interrompido ou agitado são características da insônia relacionada à depressão. Estima-se que cerca de 90% dos pacientes com depressão apresentam alterações no sono. Embora a insônia seja mais comum, há também casos em que há sonolência excessiva.
 
  1. Perda ou ganho de peso
A falta de apetite é uma alteração muito comum na depressão. A pessoa não consegue se alimentar e acaba perdendo peso. Porém, também há casos de ganho de peso quando o paciente aumenta a ingestão de alimentos ricos em carboidratos e açúcar, por exemplo.
 
  1. Dores
Estima-se que 60% dos casos de depressão estão relacionados a sintomas orgânicos, entre eles a dor. As dores podem aparecer muito antes do diagnóstico da depressão. Isso porque os circuitos ativados pela doença estão ligados às regiões do sistema nervoso que comandam o funcionamento dos órgãos. A causa está ligada aos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina que na depressão não funcionam como deveriam. Além de regularem o humor, essas substâncias participam do processo de inibição da dor e sensação de prazer. As dores mais comuns são de cabeça, musculares e gastrintestinais.
 
  1. Constrição dos vasos sanguíneos
A depressão leva a um “desgaste” do organismo, causando reações inflamatórias devido à elevação dos níveis do cortisol, hormônio secretado em maior volume quando há estresse. Essa inflamação gera a diminuição do calibre dos vasos sanguíneos, aumentando assim o risco de um infarto ou AVC, além de elevar a chance de desenvolver pressão alta e trombose. 
 
  1. Queda da imunidade
A depressão induz o organismo a produzir substâncias chamadas citocinas pró-inflamatórias, que afetam o bom funcionamento do sistema imunológico. Com isso, há maior risco de contrair doenças como gripes, resfriados e herpes, por exemplo.  
 
  1. Perda da libido
A depressão causa queda do desejo sexual. Além disso, a doença afeta a produção e a liberação dos hormônios sexuais, fundamentais para ter uma vida sexual ativa.  
 
  1. Fadiga (cansaço)
É muito difícil diferenciar a depressão da fadiga. Se não há nenhuma questão médica envolvida, é bem provável que seja um sintoma da depressão.

“Como vimos, o transtorno depressivo afeta a saúde como um todo. Nem sempre a tristeza está presente. Na verdade, os sintomas físicos podem até mesmo preceder o humor deprimido, o choro e o isolamento, que são as situações mais conhecidas da doença pela população. A dica é sempre procurar ajuda de um profissional que poderá avaliar e realizar o diagnóstico correto, assim como o tratamento mais adequado”, finaliza Ghina.





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