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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Nem pouca, nem muita: pausas para hidratação na Copa do Mundo reforçam importância da água para proteger os rins

 

Especialista destaca importância da hidratação na medida  correta durante exercícios
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Especialistas alertam que tanto a desidratação quanto o consumo excessivo de água durante a prática de exercícios podem trazer riscos à saúde, especialmente para o funcionamento dos rins


As pausas para hidratação adotadas durante os jogos da Copa do Mundo chamam a atenção para um cuidado que vai muito além do futebol profissional. Em dias de calor intenso, o organismo perde água e sais minerais por meio do suor para manter a temperatura corporal. Quando essa reposição não acontece de forma adequada, aumenta o risco de desidratação, queda no rendimento físico e sobrecarga dos rins, órgãos responsáveis por filtrar cerca de 180 litros de sangue por dia, eliminando toxinas e regulando o equilíbrio de água e eletrólitos no organismo. 

Além de contribuir para o funcionamento adequado dos rins, a hidratação também ajuda a reduzir o risco de formação de cálculos renais. “Com maior volume de líquidos circulando no organismo, a urina se torna mais diluída, dificultando a concentração dos sais minerais que podem dar origem às chamadas pedras nos rins. Pessoas que vivem em regiões quentes, como grande parte do Brasil, tendem a apresentar maior incidência desse problema justamente devido à maior perda de líquidos pelo suor quando a reposição não é suficiente”, comenta Marcelo Lopes, médico nefrologista e diretor de Ensino e Pesquisa da DaVita.

O especialista também alerta para o excesso de água. "Por incrível que pareça, água demais também pode fazer mal. Existe uma condição chamada hiponatremia, que acontece quando a pessoa ingere um volume muito grande de água em um curto período, diluindo o sódio do sangue. Isso faz com que as células inchem e, nos casos mais graves, pode provocar dor de cabeça, confusão mental e até convulsões", explica.

A hiponatremia é considerada uma das principais complicações relacionadas à hidratação excessiva em esportes de longa duração, como maratonas, ultramaratonas e provas de ciclismo. Nesses casos, alguns atletas chegam a ganhar peso durante a prova devido ao excesso de ingestão de líquidos, um sinal de que a reposição ultrapassou as perdas pelo suor.

Os efeitos da desidratação também podem aparecer rapidamente. Estudos realizados pelo American College of Sports Medicine e pelo European Hydration Institute apontam que uma perda de apenas 2% do peso corporal em líquidos já é suficiente para reduzir a capacidade física, comprometer a concentração e aumentar a percepção de esforço durante os exercícios. “Quanto menor o volume de água circulando no organismo, menor é o fluxo sanguíneo para os rins, o que dificulta seu funcionamento e, em situações extremas, pode favorecer uma lesão renal aguda”, comenta Marcelo.

Para evitar tanto a falta quanto o excesso de água, a recomendação é individualizar a hidratação. A conhecida regra de consumir dois litros de água por dia não serve para todas as pessoas. Fatores como peso corporal, intensidade da atividade física, temperatura ambiente, umidade do ar e taxa de transpiração influenciam diretamente a quantidade necessária. Quem treina sob sol forte ou realiza exercícios prolongados pode precisar de um consumo significativamente maior do que alguém sedentário ou que permanece em ambientes climatizados.

“Uma maneira simples de avaliar a hidratação é observar a cor da urina. O próprio corpo oferece um excelente indicador. Quando a urina apresenta um tom amarelo bem claro, semelhante à cor de uma limonada, a hidratação costuma estar adequada. Se estiver completamente transparente, pode indicar uma ingestão de líquidos acima da necessidade naquele momento. Já uma urina amarelo-escura sugere que o corpo está precisando de mais água”, orienta Lopes.

Os grupos mais vulneráveis à desidratação são crianças e idosos. “As crianças possuem maior percentual de água corporal e costumam perder líquidos rapidamente durante brincadeiras e atividades físicas, mas nem sempre interrompem a atividade para beber água. Já os idosos apresentam redução da sensação de sede, o que favorece a ingestão insuficiente de líquidos mesmo quando a desidratação já está instalada”, reforça o nefrologista. 

Os primeiros sinais de desidratação incluem boca seca, dor de cabeça, tontura ao se levantar, fadiga intensa, diminuição do volume urinário e cãibras. Quando a falta de água se torna frequente ou contribui para o agravamento da função renal, podem surgir sintomas mais preocupantes. “Os sinais de alerta incluem urina muito espumosa, presença de sangue ou coloração semelhante à de refrigerante de cola, além de inchaço nas pernas, tornozelos ou ao redor dos olhos e aumento inesperado da pressão arterial”, destaca.


Doença Rara identificada no Teste do Pezinho exige cuidados durante toda a vida

 

Dia Internacional da Fenilcetonúria alerta para a importância do diagnóstico precoce e do acesso à alimentação adequada

  • A Fenilcetonúria (PKU) afeta cerca de 1 a cada 25 mil nascimentos e pode causar sequelas neurológicas graves se não for tratada precocemente.
  • O tratamento é baseado em uma alimentação com restrição de proteínas e suplementação nutricional específica, exigindo acompanhamento permanente.
  • Alimentos especialmente desenvolvidos para pessoas com PKU podem ser encontrados na linha de alimentos da Divina Dieta.

 

Celebrado em 28 de junho, o Dia Internacional da Fenilcetonúria busca ampliar o conhecimento da sociedade sobre a doença, incentivar o diagnóstico precoce e reforçar a importância do acesso ao tratamento adequado. Para quem convive com a condição rara, a alimentação é parte fundamental dos cuidados e as restrições alimentares acompanham o paciente por toda a vida. 

Identificada em cerca de 1 a cada 25 mil nascimentos, a Fenilcetonúria (PKU) é uma Doença Rara genética identificada por meio do Teste do Pezinho. A condição impede o organismo de metabolizar adequadamente a Fenilalanina, aminoácido presente nos alimentos. Sem o tratamento, o acúmulo dessa substância pode causar danos neurológicos irreversíveis, comprometendo o desenvolvimento cognitivo e motor da pessoa. 

Embora não tenha cura, a doença pode ser controlada quando diagnosticada precocemente e acompanhada desde os primeiros dias de vida. 

"O diagnóstico precoce é determinante para a qualidade de vida dessas crianças. Quando a Fenilcetonúria é identificada logo após o nascimento, por meio do Teste do Pezinho, o tratamento é iniciado imediatamente e é possível evitar sequelas neurológicas graves, como a Deficiência Intelectual", afirma Mirella Carneireiro, Supervisora Operacional do Serviço de Referência em Triagem Neonatal do IJC. 

O Instituto Jô Clemente (IJC) é uma Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos, e credenciado pelo Ministério da Saúde como um Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN), o IJC oferece o tratamento para 3 doenças identificadas pelo Teste do Pezinho, incluindo a Fenilcetonúria, e promove saúde, qualidade de vida e inclusão para pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Doenças Raras.

 

Muito além do diagnóstico 

O tratamento da Fenilcetonúria é baseado em uma dieta rigorosamente controlada, com restrição de proteínas e suplementação nutricional específica. Isso exige acompanhamento especializado de uma equipe multidisciplinar e acesso contínuo a alimentos adequados às necessidades dos pacientes. 

"A alimentação é a parte principal do tratamento. Para muitas famílias, os desafios estão em adaptar a rotina e manter os cuidados por toda a vida. Por isso, o suporte especializado é tão importante", explica Mariana Ferra, Supervisora da linha de alimentos Divina Dieta.

 

Linha de alimentos para pessoas com Fenilcetonúria 

Para apoiar essas pessoas, o Instituto Jô Clemente (IJC) desenvolveu a Divina Dieta, iniciativa que produz e comercializa alimentos com baixo teor de fenilalanina e isentos de glúten, leite, ovos, outros produtos de origem animal, castanhas e amendoim. Os produtos atendem, principalmente, pessoas com Fenilcetonúria e outras restrições alimentares severas. 

A iniciativa também conta com o Programa Cesta Especial, destinado a pacientes em situação de vulnerabilidade social. O Programa fornece gratuitamente cestas com alimentos específicos, essenciais para a continuidade do tratamento e para a segurança alimentar dos beneficiários. 

Essa ação é mantida por meio da contribuição de doadores (pessoas físicas e jurídicas) que ajudam a garantir o acesso contínuo à alimentação adequada para as famílias atendidas.

 

Saiba como apoiar essa iniciativa e faça sua doação em: Cesta Especial site IJC - aba como ajudar PF | Instituto Jô Clemente (IJC)

 

Conscientização e acolhimento 

Como parte das ações pelo Dia Internacional da Fenilcetonúria, o Instituto Jô Clemente (IJC) disponibiliza gratuitamente uma tabela de alimentos, que auxilia os pacientes na organização da alimentação no dia a dia e uma cartilha com informações sobre a doença. Os materiais podem ser acessados mediante o preenchimento do formulário disponível em: IJC 

"Quando as famílias compreendem melhor a condição e têm acesso a orientações práticas, conseguem enfrentar os desafios alimentares do dia a dia com mais segurança e qualidade de vida. Nosso objetivo é justamente criar esse espaço de aprendizado, acolhimento e inclusão", destaca Mariana. 




Instituto Jô Clemente - IJC
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Saúde masculina na construção civil: Seconci-DF reforça importância dos exames preventivos entre trabalhadores do setor

 Nappy
 A resistência dos homens em procurar atendimento médico ainda é um dos principais desafios da saúde pública no Brasil. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostram que 46% dos homens acima de 40 anos não realizam consultas de rotina e procuram assistência médica apenas quando apresentam sintomas. Apenas três em cada dez afirmam estar muito preocupados com a própria saúde. 

O alerta ganha ainda mais relevância em junho, mês dedicado à conscientização sobre a saúde masculina, e reforça a importância da prevenção entre os profissionais da construção civil, categoria que, muitas vezes, enfrenta dificuldades para incluir o acompanhamento médico periódico na rotina de trabalho. 

Para ampliar o acesso aos cuidados preventivos, o Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) disponibiliza atendimento especializado em saúde masculina voltado aos trabalhadores da construção civil. O serviço inclui consultas urológicas e exames que permitem identificar precocemente doenças e acompanhar a saúde dos pacientes de forma integral. O atendimento contempla exames laboratoriais, ultrassonografia, fluxometria urinária e avaliação com urologista, com o objetivo de agilizar diagnósticos e facilitar o acesso dos profissionais do setor aos cuidados preventivos. 

Segundo o gerente de Medicina do Seconci-DF, Maurício Carvalho, a instituição estruturou um fluxo de atendimento que otimiza o tempo do trabalhador e amplia a capacidade de detecção precoce de doenças. “O paciente realiza inicialmente os principais exames necessários, como análises clínicas, ultrassonografia e fluxometria (exame urológico). Com os resultados em mãos, passa pela consulta com o urologista, que avalia o histórico médico, analisa os laudos e realiza o exame físico. Caso exista alguma suspeita, outros especialistas podem ser indicados, assim como exames complementares podem ser solicitados”, explica. 

Além da avaliação da próstata, o acompanhamento inclui exames laboratoriais que monitoram diferentes funções do organismo, como hemograma completo, colesterol total e frações, glicemia, ureia, creatinina, TGO, TGP, TSH, T4 livre, além de exames de urina e fezes.
 

Câncer de próstata: diagnóstico precoce aumenta as chances de cura 

Entre os exames voltados à saúde masculina, o PSA Total e Livre é um dos principais aliados na avaliação da próstata. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda sua realização para homens acima de 40 anos com histórico familiar de câncer de próstata e, a partir dos 45 anos, para os demais pacientes. 

A recomendação é fundamental porque a doença costuma evoluir de forma silenciosa. Quando os primeiros sintomas surgem, grande parte dos casos já se encontra em estágio avançado, reduzindo as chances de tratamento bem-sucedido. Entre os sinais de alerta estão dores ósseas, desconforto ao urinar, aumento da frequência urinária e a presença de sangue na urina ou no sêmen. 

“Por isso, reforçamos que os homens a partir dos 45 anos devem procurar o urologista anualmente para realizar os exames indicados e acompanhar a saúde da próstata”, destaca Maurício Carvalho. 

A adesão à prevenção já tem impactado a rotina de trabalhadores atendidos pelo Seconci-DF. É o caso do técnico em edificações Marcelo Corrêa, de 57 anos, que procurou atendimento após participar de uma palestra promovida pela instituição no canteiro de obras onde trabalha. 

Após realizar os exames clínicos e de imagem, Marcelo recebeu a confirmação de que estava com a saúde em dia e decidiu manter o acompanhamento periódico. “Desde então, faço consultas regulares, pois já estou em uma idade mais avançada e esse acompanhamento é fundamental para evitar o desenvolvimento silencioso de doenças. É importante que a gente procure esse atendimento, porque não existe solução sem acompanhamento médico”, afirma. 

Os especialistas também reforçam que a prevenção começa antes mesmo das consultas. A prática regular de atividades físicas, uma alimentação equilibrada, a redução do consumo de bebidas alcoólicas, a interrupção do tabagismo e os cuidados com a saúde emocional são medidas fundamentais para a manutenção da saúde ao longo dos anos. 

“A prevenção ao câncer de próstata começa muito antes das consultas de rotina. Ela está nas escolhas que fazemos todos os dias”, conclui Maurício Carvalho.

 

Alergia, intolerância ou sensibilidade?

 Especialistas explicam as diferenças entre condições frequentemente confundidas

 

Sintomas semelhantes podem ter causas diferentes; diagnóstico correto é fundamental para evitar restrições alimentares desnecessárias


Dor abdominal, inchaço, diarreia, coceira, manchas na pele e mal-estar após as refeições são sintomas que muitas pessoas associam genericamente a uma "alergia alimentar". No entanto, especialistas alertam que nem toda reação a um alimento é causada por uma alergia. Intolerâncias e sensibilidades alimentares também podem provocar desconfortos e exigem abordagens diferentes para diagnóstico e tratamento. 

Durante a Semana Mundial da Alergia, celebrada entre os dias 29 de junho e 5 de julho, médicos reforçam a importância de identificar corretamente a origem dos sintomas para evitar restrições alimentares desnecessárias e garantir um acompanhamento adequado. 

"Alergia, intolerância e sensibilidade alimentar são condições distintas, embora possam apresentar sintomas parecidos. O diagnóstico correto é essencial para definir a melhor conduta e evitar que o paciente elimine alimentos importantes da dieta sem necessidade", explica Maria Gabriela de Lucca Oliveira, médica patologista clínica do DB Diagnósticos. 

A alergia alimentar envolve uma reação do sistema imunológico a determinadas proteínas presentes nos alimentos. Em alguns casos, os sintomas surgem poucos minutos após a ingestão e podem incluir coceira, urticária, inchaço, dificuldade para respirar e até reações graves, como anafilaxia. 

Já a intolerância alimentar ocorre quando o organismo tem dificuldade para digerir ou metabolizar determinado componente. Um dos exemplos mais conhecidos é a intolerância à lactose, que costuma causar gases, distensão abdominal e diarreia. 

A sensibilidade alimentar, por sua vez, ainda é um tema em estudo e geralmente está associada a sintomas mais inespecíficos, como desconforto gastrointestinal, fadiga e sensação de mal-estar após o consumo de determinados alimentos. 

Segundo a especialista, exames laboratoriais podem contribuir para a investigação clínica, especialmente nos casos de suspeita de alergias alimentares. 

"Os exames auxiliam o médico a entender melhor o quadro do paciente e direcionar a investigação. O mais importante é que o diagnóstico seja feito de forma individualizada, considerando o histórico clínico e os sintomas apresentados", afirma. 

Os especialistas recomendam ainda procurar avaliação médica quando os sintomas são frequentes, recorrentes ou interferem na qualidade de vida. A automedicação e as dietas restritivas sem orientação profissional podem levar a deficiências nutricionais e atrasar o diagnóstico correto. 

"Nem todo desconforto após uma refeição significa alergia. Entender a causa dos sintomas é o primeiro passo para um tratamento adequado e para uma alimentação mais segura e equilibrada", conclui.
 

DB Diagnósticos


Entre o corpo e a mente: a relação invisível da obesidade com a saúde mental

Especialistas explicam por que a condição vai além do peso envolvendo fatores biológicos, emocionais e sociais.

 

 

A obesidade é um dos principais desafios de saúde pública do mundo, classificada como epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A condição já afeta mais de 1 bilhão de pessoas, com taxas que praticamente triplicaram desde 1975, atingindo tanto países ricos quanto em desenvolvimento, impulsionada por mudanças no padrão alimentar, no estilo de vida e na atividade física. No Brasil, a condição avançou 118% nos últimos 19 anos, segundo dados do Ministério da Saúde.


Além dos impactos metabólicos e cardiovasculares, a obesidade também está profundamente ligada à saúde mental. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), conduzida pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, mostra maior risco de depressão, ansiedade e baixa autoestima entre pessoas com a condição. Ao mesmo tempo, transtornos psíquicos podem favorecer o ganho de peso, seja pela alimentação emocional, pela redução da atividade física ou até como efeito colateral de alguns medicamentos. Trata-se, portanto, de uma via de mão dupla que exige cuidado integrado.


Segundo a professora de psiquiatria da Afya Itaperuna, Dra Fernanda Miranda, a obesidade não pode ser atribuída apenas à alimentação inadequada ou à falta de força de vontade. É uma condição multifatorial, que envolve aspectos biológicos, emocionais e sociais. “O corpo possui mecanismos próprios de regulação do peso, influenciados por hormônios e pela genética,responsável por parcela significativa da predisposição individual. Além disso, fatores como estresse crônico, privação de sono, rotina acelerada e maior consumo de alimentos ultraprocessados interferem diretamente no comportamento alimentar ", explica a médica.


Alterações no humor e no sono, por exemplo, impactam o apetite e a sensação de saciedade. Dormir mal pode aumentar a fome; já o estresse, a ansiedade e a depressão tendem a estimular o consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura. Nesses contextos, a comida pode assumir uma função de alívio emocional. Embora traga conforto momentâneo, esse padrão pode gerar culpa, frustração e perpetuar um ciclo de sofrimento.


O estigma social relacionado ao peso agrava ainda mais esse cenário. De acordo com a Dra. Renata Caveari,professora de Psicologia da Afya Itaperuna, em uma cultura que associa magreza ao sucesso e autocontrole, o excesso de peso frequentemente é visto como falha individual “Essa percepção reforça sentimentos de vergonha e exclusão, impactando a autoestima e podendo intensificar quadros de ansiedade e depressão. O preconceito também afasta muitas pessoas dos serviços de saúde, dificultando o diagnóstico e o tratamento adequados” afirma a especialista. 


Além disso, alguns transtornos psiquiátricos e determinados medicamentos podem contribuir para o aumento de peso, o que reforça a importância de acompanhamento especializado. “Abordagens isoladas tendem a ter resultados limitados. O tratamento mais eficaz envolve atuação multidisciplinar, integrando alimentação equilibrada, prática de atividade física, sono adequado, manejo do estresse e cuidado com a saúde mental” declara a psiquiatra.


Mais do que focar apenas na balança, é fundamental adotar uma abordagem humanizada e centrada na pessoa. Avaliar o contexto emocional e social, reconhecer avanços na qualidade do sono, no condicionamento físico e no bem-estar psicológico são passos essenciais para resultados sustentáveis. Tratar obesidade e saúde mental de forma conjunta é, portanto, um caminho indispensável para romper ciclos de sofrimento e promover saúde de maneira ampla e duradoura. 



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Especialista relembra conquistas históricas das campanhas vacinais e destaca a importância da imunização 


Com a chegada das estações mais frias do ano, a circulação de vírus respiratórios aumenta e a campanha nacional de vacinação contra a gripe entra em ação. No dia 22 de junho, começou a ser aplicada a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) em crianças de até cinco anos de idade em diversas cidades do país. O imunizante possui fórmula atualizada e reforça a proteção contra bactérias que circulam pelo ar responsáveis por diversas infecções, desde otite e sinusite a casos graves, como pneumonia e meningite.   

As iniciativas mostram como a proteção por meio da imunização ainda é uma das principais estratégias de saúde pública responsáveis pelo controle e erradicação de doenças. A doutora e professora dos cursos de graduação e pós-graduação em Enfermagem da Universidade Guarulhos (UNG), Jussara Carvalho dos Santos, ressalta que a vacina, de fato, é uma medida comprovadamente eficaz para reduzir a circulação de vírus e bactérias, além de proteger toda a população.  

“Quando uma parte elevada da população está imunizada contra uma doença, a transmissão do agente infeccioso é interrompida, protegendo inclusive as pessoas não vacinadas. Esse processo é conhecido como imunidade de rebanho”, explica.  


Conquistas da vacinação  

A história mostra que a política de vacinação trouxe conquistas expressivas. Um dos exemplos mais bem-sucedidos desse método é a erradicação da varíola.  “O Programa Intensificado de Erradicação da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1967 e 1980, combinou a aplicação em massa de doses e a estratégia de imunização em anel - vacinar todas as pessoas que vivem ou tiveram contato com pacientes com suspeita ou confirmação da doença. Essa iniciativa poupou bilhões de dólares em custos de saúde e evitou milhões de mortes”, informa a doutora em Enfermagem.  

No Brasil, em 1973, o Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Imunização e possibilitou a implantação de um sistema de registro de doses aplicadas em todo o país. A medida facilitou o monitoramento epidemiológico, a análise de informações e a tomada de decisão em relação às doenças infecciosas.    


Evolução e erradicação  

No âmbito global, na década de 80, doenças como a poliomielite e o sarampo chegaram a ser eliminadas em diferentes regiões do mundo graças à ampla cobertura vacinal. No entanto, elas ainda exigem altos índices de imunização para evitar a circulação desse vírus. “Eliminamos essas doenças, mas temos que manter a população brasileira vacinada em uma taxa acima de 90% para ter nosso território livre dessas enfermidades", explica a professora da UNG.  

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente 50 imunobiológicos, distribuídos entre vacinas, soros e imunoglobulinas, garantindo proteção contra doenças como sarampo, poliomielite, rubéola, tétano, hepatite B e coqueluche. Outro exemplo recente ocorreu durante a pandemia de Covid-19, em 2020. Após o início da aplicação das doses, em janeiro de 2021, o número de casos de SARS-CoV-2 e de mortes reduziu significativamente. Com um ano de campanha, 84% da população brasileira já estava imunizada, contribuindo para prevenir 74% dos casos graves e 82% das mortes, segundo dados do Observatório da Covid-19 Brasil.  


Vacinar é proteger a todos  

Apesar da ampla oferta, parte da população ainda deixa de seguir o calendário recomendado ou de completar o esquema de proteção. Segundo Jussara, essa decisão compromete tanto a proteção individual quanto a coletiva. "Isso reduz a eficácia da proteção individual, pois muitas vacinas necessitam de múltiplas doses para garantir uma resposta imune robusta e duradoura", afirma.   

Embora muitas pessoas associem a vacinação apenas à infância, a proteção deve acompanhar o cidadão durante todas as fases da vida. Da infância à terceira idade, é essencial seguir com rigor o calendário recomendado nacionalmente e manter as doses em dia.   


Desafios e responsabilidade coletiva  

Outro grande desafio enfrentado pelas campanhas de imunização é o avanço da desinformação, causando medo, e, principalmente, a crença equivocada de que apenas uma dose é suficiente. "A hesitação em aderir às vacinas é resultado de fatores históricos, psicológicos e sociais, exigindo estratégias integradas de comunicação, educação e ampliação do acesso para combatê-la e superá-la", ressalta Jussara.   

A queda das coberturas vacinais pode favorecer o retorno de doenças antes controladas. Segundo a professora do curso de Enfermagem da UNG, é fundamental compreender que a imunização é uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade. "Os esquemas vacinais completos são indispensáveis para erradicar, controlar e prevenir o retorno de doenças infecciosas", conclui.

 

Esclerose múltipla: condição complexa para médicos e pacientes afeta milhares de pessoas no país

 

Especialista alerta para os desafios do diagnóstico, os impactos silenciosos da condição e a importância da conscientização sobre a doença

 

De acordo com o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, cerca de 40 mil pessoas convivem com a esclerose múltipla no Brasil. A doença, que geralmente acomete pessoas entre 20 e 50 anos de idade, é uma condição autoimune e inflamatória crônica que afeta o sistema nervoso central, podendo provocar uma série de sintomas neurológicos com intensidade e frequência variáveis entre os pacientes. Entre as manifestações mais comuns estão formigamentos, perda de força muscular, alterações na visão, dificuldades de equilíbrio e fadiga intensa, já que a enfermidade pode atingir o cérebro, o nervo óptico e a medula espinhal.


Segundo o Dr. Vanderson Carvalho,médico e professor de pós-graduação em  Neurologia da Afya Itaperuna a EM é marcada pela desmielinização, processo em que ocorre dano à bainha de mielina, estrutura responsável por proteger os neurônios e garantir a transmissão adequada dos impulsos nervosos. “Devido à natureza difusa e multifocal dessas lesões no tecido nervoso, a apresentação clínica é muito heterogênea, variando significativamente entre os pacientes e ao longo do curso da doença”, explica. O especialista destaca que muitos dos sintomas podem surgir de forma aguda durante os surtos da doença, enquanto outros, como a fadiga, tendem a se tornar crônicos com a evolução do processo inflamatório.


Por apresentar sintomas variados e, muitas vezes, intermitentes, a esclerose múltipla ainda representa um desafio diagnóstico. Em muitos casos, os primeiros sinais desaparecem espontaneamente, fazendo com que o paciente demore a procurar ajuda médica.“O diagnóstico é complexo justamente devido à disseminação no tempo e no espaço das lesões. Muitas vezes os sintomas iniciais são transitórios, como um formigamento no braço que desaparece após alguns dias, o que pode levar a suspeitas equivocadas”, afirma o neurologista. Entre as doenças que podem ser confundidas com a EM estão outras condições neurológicas, doenças vasculares cerebrais, enfermidades reumatológicas e até síndromes carenciais, como deficiência de vitamina B12.


Diante disso, o acompanhamento especializado é considerado fundamental para evitar atrasos no diagnóstico e no tratamento. “Hoje, na neurologia, aplica-se perfeitamente à esclerose múltipla a máxima de que ‘tempo é cérebro’. O atraso no diagnóstico pode gerar sequelas irreversíveis e comprometer a reserva neurológica do paciente”, alerta o Dr. Vanderson.


Além dos sintomas físicos mais conhecidos, a doença também apresenta manifestações chamadas de “invisíveis”, que impactam profundamente a qualidade de vida dos pacientes. Entre elas estão fadiga extrema, dor crônica, alterações cognitivas, problemas de memória, dificuldade de concentração, alterações de humor e disfunções autonômicas.


Esses sintomas nem sempre são percebidos por familiares, colegas de trabalho ou até profissionais de saúde sem experiência na área, justamente por não deixarem sinais físicos aparentes.“Apesar de ocultos, eles são os principais determinantes da perda de qualidade de vida e do afastamento laboral precoce na esclerose múltipla”, explica o neurologista.


De acordo com o neurologista da Afya, a tríade formada por dificuldade de concentração, lapsos de memória e fadiga afeta grande parte dos pacientes em algum momento da vida, podendo surgir logo nos primeiros anos da doença. “Esses sintomas decorrem da inflamação, da desorganização das redes neurais e da perda de volume cerebral. O impacto nas relações pessoais e na rotina costuma ser profundo, exigindo adaptação de familiares e cuidadores”, acrescenta.


O especialista reforça que o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são determinantes para reduzir a frequência dos surtos e preservar a autonomia dos pacientes ao longo do tempo. Segundo o Dr. Vanderson, a neurologia moderna abandonou a antiga estratégia de “esperar para ver” e passou a atuar de forma preventiva. “O diagnóstico precoce seguido da introdução imediata de terapias modificadoras da doença é o principal fator associado à preservação da funcionalidade e da autonomia do paciente a longo prazo”, afirma. 



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Depressão crônica altera forma como as redes cerebrais se comunicam

“A escolha do tratamento da depressão envolve um processo de ajuste
 individualizado, já que a resposta varia entre o  pacientes”, diz Tamires Zanão, da USP
imagem: Prapat Aowsakorn/Vecteezy
Pesquisa ajuda a entender como o transtorno evolui com o passar do tempo, abrindo caminhos para tratamentos personalizados no futuro

 

Para entender o impacto da depressão no organismo, um dos aspectos mais investigados é a gravidade dos sintomas. Mas um estudo realizado por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Oxford, no Reino Unido, sugere que a duração da doença também é um fator determinante para as mudanças estruturais que ocorrem no cérebro.

Os autores analisaram imagens cerebrais de 46 pacientes com transtorno depressivo maior (TDM), uma condição grave, caracterizada por tristeza persistente, desesperança e perda de interesse em atividades diárias. Os resultados, publicados em fevereiro na revista Scientific Reports, indicam que a duração da doença está associada a mudanças na forma como determinadas redes cerebrais se comunicam. Esse achado pode ajudar a entender por que a depressão se manifesta de maneiras tão diferentes entre os pacientes e, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de tratamentos personalizados.

“Identificamos que pacientes crônicos [com mais de 24 meses de depressão] e não crônicos apresentam padrões distintos de conexão entre duas redes funcionais importantes do cérebro, que desempenham papéis complementares: a Rede Executiva Central e a Rede de Modo Padrão”, conta Tamires Zanãobolsista de pós-doutorado da FAPESP na Faculdade de Medicina da USP e primeira autora do estudo.

Responsável pelo chamado “controle executivo”, que envolve funções como atenção, planejamento e tomada de decisão, a Rede Executiva Central é mais recrutada durante tarefas que exigem foco no ambiente externo. Já a Rede de Modo Padrão está associada a processos mentais internos, como autorreflexão, memória autobiográfica e imaginação de situações futuras.

Em condições típicas, o cérebro alterna entre essas duas redes de maneira coordenada, usando uma terceira rede (chamada de rede de saliência) como um interruptor. Na depressão, porém, esse equilíbrio pode ser desfeito.

“Esse descompasso pode favorecer a predominância de pensamentos introspectivos, frequentemente com viés negativo. Isso ajuda a explicar por que pessoas com depressão tendem a ficar presas a pensamentos ruins [ruminação] e podem ter dificuldade em direcionar a atenção para o ambiente quando necessário”, explica Zanão à Agência FAPESP.


Dinâmica cerebral

Devido à sua alta complexidade, a Rede de Modo Padrão é frequentemente dividida em sub-redes. Uma região específica dessa rede de pensamentos internos (o pré-cúneo) funciona como uma espécie de “ponte” com a rede do controle cognitivo (a Executiva Central). É justamente nessa dinâmica que o fator "tempo" se revelou decisivo.

Os pesquisadores observaram que, em pessoas com episódios mais recentes de depressão, quanto mais graves eram os sintomas, mais fraca ficava a conexão entre a rede do foco e a da introspecção. Já em pacientes com depressão de longa duração (crônica) foi identificado o oposto: quanto maior a severidade, mais forte se tornava a conectividade entre essas redes – o que pode refletir mudanças progressivas na forma como elas se comunicam.

Estudos anteriores com indivíduos saudáveis observaram uma correlação positiva entre a Rede Executiva Central e a porção da Rede de Modo Padrão associada ao pré-cúneo. No estudo, embora não tenha havido comparação direta com indivíduos sem a doença, os pacientes com depressão de curta duração e menos sintomas apresentaram padrões de conectividade muito mais próximos do perfil considerado típico.

“Os resultados reforçam a hipótese de que as alterações na conectividade cerebral associadas à depressão não são estáticas. Estudos anteriores indicam que, em fases mais iniciais da doença, algumas redes podem apresentar redução da conectividade, enquanto casos recorrentes ou mais prolongados tendem a exibir padrões distintos de comunicação entre regiões cerebrais”, explica Zanão.


Mudanças na massa cinzenta

Outra conclusão do estudo é que a gravidade dos sintomas está associada ao volume de massa cinzenta (tecido cerebral rico em neurônios) em duas regiões específicas: o córtex cingulado anterior (que funciona como ponte entre a emoção e o pensamento, atuando na regulação emocional) e o córtex pré-frontal dorsolateral direito (região ligada ao controle da atenção e ao processamento de emoções negativas).

Embora em pessoas saudáveis um volume maior de massa cinzenta costume indicar um melhor funcionamento da região, nas pesquisas sobre depressão esses dados variam muito. Parte disso ocorre porque o uso de antidepressivos pode alterar a estrutura física do cérebro. Como o estudo da USP incluiu apenas pacientes que não estavam tomando medicamentos no momento da análise, foi possível investigar alterações cerebrais potencialmente relacionadas à depressão sem a interferência do tratamento farmacológico.

A descoberta está alinhada com exames de tomografia e estimulação magnética transcraniana, que sugerem que a depressão envolve um desequilíbrio no córtex pré-frontal (a central de comando do cérebro), gerando menor atividade no lado esquerdo e maior atividade no lado direito.

“Uma das hipóteses propostas para explicar a depressão propõe que o córtex pré-frontal esquerdo está mais relacionado ao processamento de emoções positivas, enquanto o direito estaria mais associado às negativas. O fato de termos encontrado um aumento de volume justamente no córtex pré-frontal direito é compatível com essa hipótese. No entanto, a relação entre alterações no córtex pré-frontal e os sintomas depressivos continua sendo objeto de investigação, e ainda não existe consenso sobre sua utilidade como marcador biológico da doença”, diz a pesquisadora.

Para o futuro, avaliam os autores, os achados devem auxiliar no desenvolvimento de tratamentos mais personalizados. “A escolha do tratamento da depressão ainda envolve um processo de ajuste individualizado ao longo do tempo, já que a resposta varia consideravelmente entre os pacientes. Estudos como este ajudam a avançar, mas precisamos de mais dados antes que essas informações guiem as decisões médicas no consultório”, completa.

Os dados de imagem cerebral dos 46 pacientes com depressão integram um ensaio clínico coordenado pelo professor da USP André Brunoni, atualmente na University of Texas Southwestern Medical Center. As análises para este estudo foram feitas durante o pós-doutorado de Zanão na Universidade de Oxford, com apoio da FAPESP, que também financiou a investigação por meio dos projetos 12/20911-522/03266-0 e 23/13893-5.

O artigo Chronicity moderates the impact of severity on central executive-default mode network functional interactions in depression pode ser lido em: nature.com/articles/s41598-026-40364-2.

 

Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/depressao-cronica-altera-forma-como-as-redes-cerebrais-se-comunicam/58517



Sono ruim no frio? Veja como o inverno pode afetar seu descanso sem você perceber

Menor exposição à luz solar, aumento das alergias respiratórias e ambientes fechados podem comprometer o descanso durante os meses mais frios 

 

As noites mais longas e as temperaturas mais baixas fazem muita gente acreditar que o inverno é a estação perfeita para dormir. Na prática, porém, nem sempre o organismo acompanha essa lógica. Embora seja comum sentir mais vontade de ficar na cama nos dias frios, a qualidade do sono pode ser prejudicada por fatores típicos desta época do ano. Entre eles estão a redução da exposição à luz natural, o aumento do tempo em ambientes fechados, a piora de problemas respiratórios e até alguns hábitos que costumam passar despercebidos na rotina. 

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Nilson André Maeda, especialista em distúrbios do sono do Hospital Paulista, o inverno pode interferir diretamente em mecanismos biológicos que regulam o ciclo do sono. “O ritmo circadiano, que funciona como um relógio biológico do organismo, depende da exposição à luz para se manter adequadamente sincronizado. Durante o inverno, especialmente quando há menor exposição à luz natural pela manhã, esse sistema pode sofrer alterações que influenciam o ciclo sono-vigília e a qualidade do sono”, explica.

 

O papel da luz no relógio biológico 

A luminosidade é um dos principais reguladores da secreção de melatonina, hormônio que participa da regulação do ciclo sono-vigília e sinaliza ao organismo o período biológico mais favorável ao sono. 

Quando a exposição à luz solar diminui, o corpo pode ter mais dificuldade para manter o ciclo adequado entre sono e vigília. Além disso, muitas pessoas passam menos tempo ao ar livre durante os meses frios, reduzindo ainda mais esse estímulo natural. “Em algumas pessoas, isso pode contribuir para maior sonolência durante o dia e para uma percepção de sono menos restaurador durante a noite”, afirma Maeda.

 

Nariz entupido e ronco também entram na conta 

Além das mudanças ambientais, o inverno costuma coincidir com um aumento das doenças respiratórias e das crises alérgicas. Rinite, congestão nasal, sinusites e infecções das vias aéreas superiores tendem a se tornar mais frequentes nesta época do ano. Esses problemas podem dificultar a respiração durante o sono, aumentar o ronco e provocar despertares noturnos. 

“É bastante comum observarmos piora da obstrução nasal e dos sintomas alérgicos durante o inverno. Em muitos casos, isso pode contribuir para maior fragmentação do sono e redução da sensação de descanso ao despertar”, destaca o especialista.

 

Nem frio demais, nem calor excessivo 

Outro aspecto importante é a temperatura do ambiente. Embora muitas pessoas associem o frio a um sono mais confortável, temperaturas extremas podem atrapalhar o descanso. Ambientes muito gelados provocam desconforto e despertares frequentes, enquanto o excesso de cobertores ou quartos excessivamente aquecidos pode causar superaquecimento corporal. 

Isso é particularmente importante porque a temperatura do corpo precisa cair naturalmente para que o sono aconteça de forma adequada. “O ideal é manter um ambiente confortável, sem extremos. O quarto deve estar escuro, silencioso e bem ventilado. Para a maioria das pessoas, temperaturas em torno de 18°C a 22°C costumam proporcionar boas condições para o sono”, orienta Maeda.

 

Hábitos comuns que sabotam o sono no inverno 

Alguns comportamentos típicos dos dias frios também podem contribuir para noites mal dormidas. Entre os mais frequentes estão:

  • redução da atividade física;
  • menor exposição à luz solar;
  • aumento do tempo em frente a telas;
  • maior consumo de café e bebidas estimulantes;
  • horários irregulares para dormir e acordar.

Segundo o médico, muitas pessoas também acabam ignorando sintomas respiratórios persistentes, como obstrução nasal e outras manifestações da rinite, que podem impactar diretamente a qualidade do descanso.

 

Como dormir melhor nos dias frios 

A boa notícia é que medidas simples podem ajudar a minimizar os efeitos do inverno sobre o sono. Especialistas recomendam:

  • manter horários regulares para dormir e acordar;
  • buscar exposição à luz natural logo pela manhã;
  • praticar atividade física regularmente;
  • reduzir o uso de celulares e telas antes de dormir;
  • evitar cafeína no período noturno;
  • manter o quarto ventilado e confortável;
  • tratar adequadamente alergias e problemas respiratórios.

Para quem convive com ronco frequente, sonolência excessiva durante o dia ou pausas respiratórias observadas durante o sono, a recomendação é procurar avaliação especializada. “Embora o inverno possa favorecer alterações no sono por fatores ambientais e comportamentais, os hábitos saudáveis e as medidas adequadas de higiene do sono costumam minimizar esses impactos. Além disso, sintomas persistentes como ronco frequente, obstrução nasal, pausas respiratórias durante o sono ou sonolência excessiva durante o dia merecem investigação, pois podem estar associados a distúrbios do sono que necessitam de tratamento”, conclui Maeda.

  

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

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