Além do
acompanhamento médico, escolhas relacionadas ao estilo de vida podem ajudar a
reduzir fatores de risco e promover mais saúde e longevidade para mulheres
Atualmente, o câncer de mama ocupa a primeira
posição entre as principais causas de morte por câncer em mulheres no Brasil. O
Ministério da Saúde aponta ainda que a incidência pode chegar a mais de 66
novos casos a cada 100 mil mulheres no país. Por isso, o mês de outubro é um
período dedicado à prevenção, ao diálogo e à disseminação de informações sobre
autocuidado e saúde feminina. Com o Outubro Rosa, a campanha amplia o olhar
para sinais, sintomas, detecção precoce e fatores que podem auxiliar na
prevenção.
Caracterizado pela multiplicação desordenada de
células anormais nas mamas, que pode resultar na formação de um tumor maligno
e, em alguns casos, se espalhar para outros tecidos e órgãos, o câncer de mama
é a neoplasia maligna mais comum entre as mulheres. Embora possa afetar homens
em cerca de 1% dos casos, a doença impacta especialmente a vida de mulheres
adultas e pode se manifestar por meio de sinais como nódulo endurecido na mama
ou na axila, alterações no formato ou na pele da mama, retração do mamilo e, em
alguns casos, secreção sanguinolenta pelo mamilo.
A idade é um dos principais fatores de risco para o
câncer de mama feminino, com aumento do risco à medida que a mulher envelhece.
Além dela, outros fatores podem influenciar o desenvolvimento da doença, como
obesidade, consumo nocivo de álcool, tabagismo, histórico familiar de câncer de
mama, predisposição genética, exposição prévia à radiação, características da
vida reprodutiva, como idade da primeira menstruação e da primeira gravidez, e
o uso de terapia hormonal após a menopausa. A presença de um ou mais desses
fatores, no entanto, não significa que a mulher necessariamente desenvolverá a
doença.
De acordo com a Dra. Anna Paula Weinhardt, médica
angiologista que atua com abordagem voltada para a medicina do estilo de vida,
o rastreamento da doença por meio de mamografia, avaliação clínica e, quando
indicado, outros exames de imagem é fundamental para a detecção precoce do
câncer de mama e para aumentar as possibilidades de tratamento adequado, de
acordo com o subtipo e o estágio da doença.
Ao perceber qualquer alteração nas mamas ou ter
dúvidas sobre os cuidados preventivos, é importante procurar um médico para uma
avaliação individualizada. O acompanhamento regular permite identificar fatores
de risco, orientar os exames necessários e adotar estratégias de prevenção de
acordo com o histórico e as necessidades de cada mulher.
Ela acrescenta que, aliado ao rastreio, outros fatores
relacionados ao estilo de vida podem ser importantes para a proteção da saúde
feminina e para a redução de fatores de risco modificáveis. “Eficazes para
prevenção de diferentes cânceres, os bons hábitos de saúde são parceiros
estratégicos para a saúde feminina, especialmente após os 40”, explica a
médica. Para isso, ela indica três mudanças no estilo de vida que podem
auxiliar na jornada de autocuidado e prevenção:
- Prática regular de atividade física: o sedentarismo pode ser um
fator de risco para o aparecimento de diversas doenças, mas a prática
regular de exercícios pode ser uma excelente aliada na redução do risco de
câncer de mama e de outras doenças crônicas. Um pequeno movimento
incorporado ao dia a dia, seja caminhar, correr, pedalar, nadar ou fazer
musculação, pode contribuir para mais qualidade de vida, saúde metabólica
e longevidade para as mulheres.
- Cuidado com o peso: especialmente após a
menopausa, o cuidado com o peso e a composição corporal se tornam
ferramentas importantes para reduzir o risco de obesidade e de doenças
associadas, incluindo o câncer de mama. Por isso, olhar para alimentação,
composição corporal e saúde metabólica é essencial para um cuidado
preventivo ao longo da vida.
- Diminuição no consumo de bebidas alcoólicas: o álcool pode aumentar os
níveis de estrogênio e de outros hormônios no organismo, além de produzir
substâncias durante sua metabolização que podem causar danos ao DNA. Por
isso, reduzir o consumo ou evitar bebidas alcoólicas ajuda a prevenir o
câncer de mama e é uma medida importante para o cuidado integral com a
saúde da mulher.
Na avaliação da médica, a prevenção passa por olhar para a saúde da mulher de forma integral. Mais do que cuidar de um fator de risco isoladamente, a medicina do estilo de vida busca fortalecer hábitos que impactam a saúde ao longo dos anos, como a prática de atividade física, a alimentação equilibrada, o controle do peso e a redução do consumo de álcool. “Incorporar boas escolhas à rotina é uma forma de investir em longevidade, qualidade de vida e prevenção de doenças, incluindo o câncer de mama”, afirma.
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