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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Celular roubado pode comprometer vendas e expor clientes de pequenos negócios

IMAGEM: Governo de SP

 
Bloqueio de acessos, comunicação com clientes e preservação de provas estão entre as medidas para reduzir prejuízos, e operações como a Frank Mobile (na foto) mobilizam agentes policiais para recuperar aparelhos em São Paulo. Saiba como se precaver para que um crime patrimonial não resulte em fraude bancária, vazamento de dados ou golpe


O roubo de um celular utilizado nas atividades de uma empresa pode gerar prejuízos que vão além da perda do aparelho. Para pequenos negócios que dependem do WhatsApp para atender clientes, de aplicativos bancários para movimentar recursos e de plataformas digitais para realizar vendas, a ocorrência pode comprometer o atendimento, facilitar fraudes e expor dados pessoais. 

O tema ganha relevância com a Operação Frank Mobile, recém-realizada pelas polícias Civil, Militar e Penal, em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). A ação mobilizou mais de 1,7 mil agentes em setembro para investigar a cadeia criminosa de roubo, furto e comércio ilegal de celulares. Os aparelhos recuperados começaram a ser devolvidos às vítimas. 

Diante desse cenário, empresários precisam agir rapidamente para reduzir os riscos após o roubo de um dispositivo utilizado para os negócios. Entre as primeiras medidas estão registrar boletim de ocorrência, bloquear a linha telefônica e o aparelho, comunicar as instituições financeiras e alterar as senhas dos serviços acessados pelo celular.

“A reação deve ser imediata. O empresário deve registrar boletim de ocorrência, bloquear a linha e o aparelho, comunicar os bancos e alterar as senhas de e-mail, WhatsApp, redes sociais e sistemas corporativos”, afirma Ana Krasovic, advogada criminalista.

Segundo a advogada, também é importante encerrar as sessões abertas no dispositivo. “Hoje, o roubo de um aparelho corporativo não representa apenas a perda de um bem: pode significar acesso às contas, aos dados e até à identidade digital da empresa”, diz 


Bloqueio da linha e proteção das contas 

Uma das ferramentas disponíveis para auxiliar as vítimas é o Celular Seguro, programa do Ministério da Justiça e Segurança Pública que permite emitir um alerta de roubo, furto ou extravio e solicitar bloqueios junto às instituições participantes.

O programa oferece modalidades distintas de bloqueio, que podem afetar a linha telefônica, as contas vinculadas às instituições parceiras e o uso do aparelho na rede de telefonia. O empresário deve verificar as condições de cada opção antes de emitir o alerta. O procedimento não substitui o registro do boletim de ocorrência.

Também é necessário entrar em contato com a operadora para solicitar o bloqueio da linha e procurar os bancos pelos canais oficiais para proteger as contas e verificar eventuais movimentações suspeitas. As ferramentas oficiais do fabricante podem ser utilizadas para localizar ou bloquear remotamente o dispositivo e, quando necessário, apagar os dados armazenados.


Comunicação com clientes e preservação de provas

Se houver risco de golpes, clientes e fornecedores devem ser alertados pelos canais oficiais da empresa. A medida ajuda a evitar que criminosos utilizem o número corporativo para solicitar transferências, enviar links fraudulentos ou se passar pelo empreendedor. “Se houver risco de golpes, clientes e fornecedores também devem ser alertados pelos canais oficiais da empresa”, orienta Ana.

A preservação de provas também é importante para a investigação e para uma eventual ação judicial. Entre os documentos que devem ser guardados estão o boletim de ocorrência, os protocolos de bloqueio, os alertas de acesso, as mensagens enviadas pelos criminosos e os comprovantes de transferências relacionadas às fraudes.

“Tudo deve ser documentado. Boletim de ocorrência, protocolos de bloqueio, alertas de acesso, e-mails, prints das mensagens enviadas pelos criminosos, comprovantes de transferências e dados de contas ou chaves Pix utilizadas nas fraudes”, afirma a advogada.

A documentação pode ajudar a identificar os responsáveis e reconstruir a sequência dos acontecimentos. “Essa documentação ajuda a identificar os autores e, principalmente, a reconstruir a cronologia do crime”, acrescenta.

Caso o celular seja utilizado para acessar contas bancárias, também é importante verificar se houve movimentações não-autorizadas e comunicar imediatamente a instituição financeira. Comprovantes, protocolos de atendimento e registros das transações podem ajudar na apuração dos fatos e na tentativa de recuperar valores. 

Empresa pode ser responsabilizada por golpes? 

O uso do celular roubado para aplicar golpes em clientes não torna a empresa automaticamente responsável pelos prejuízos. A análise depende das circunstâncias e da existência de eventuais falhas de segurança ou omissões que tenham contribuído para o dano.

“A empresa é vítima do crime. Mas pode haver discussão sobre responsabilidade se ficar demonstrado que houve falha relevante de segurança ou omissão depois do roubo”, explica Ana.

A advogada cita como exemplo a situação em que a empresa descobre que seu número está sendo utilizado para aplicar golpes, mas não bloqueia os acessos nem alerta os clientes. “O ponto central será verificar se houve negligência e se ela contribuiu efetivamente para o prejuízo”, afirma.

Quando o aparelho contém dados pessoais de clientes e há o comprometimento dessas informações, a empresa deve avaliar as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Caso o incidente represente risco ou dano relevante aos titulares, é necessário notificar a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e as pessoas afetadas, conforme as regras aplicáveis.

Cuidados ao recuperar o aparelho

A recuperação do celular não significa necessariamente que todos os riscos foram eliminados. Antes de voltar a utilizar o dispositivo nas atividades da empresa, é importante verificar a situação do bloqueio, revisar os acessos às contas e confirmar com as instituições envolvidas quais procedimentos são necessários para restabelecer os serviços.

Também é recomendável alterar as credenciais que possam ter sido expostas, encerrar sessões desconhecidas e verificar se foram instalados aplicativos ou realizadas alterações não autorizadas. Se houver suspeita de comprometimento do sistema, a empresa deve buscar orientação técnica antes de voltar a utilizar o aparelho para acessar informações financeiras ou dados de clientes.

Além do roubo ou furto do dispositivo, a utilização posterior pode configurar outros crimes, dependendo das circunstâncias, como estelionato e invasão de dispositivo informático. Na esfera patrimonial, também é possível buscar o rastreamento e bloqueio de valores e a reparação dos danos, conforme o caso.

Para Ana, o celular corporativo deve ser tratado como uma extensão da própria empresa. “Quando ele é roubado, a rapidez da resposta pode ser determinante para impedir que um crime patrimonial se transforme em fraude bancária, vazamento de dados e golpes contra clientes”, conclui.


Bruna Santos

https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/celular-roubado-pode-comprometer-vendas-e-expor-clientes-de-pequenos-negocios


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