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sábado, 24 de outubro de 2026

Entre o "e se?" e o resultado: por que a espera por um diagnóstico pode ser tão angustiante para as mulheres

Psicóloga explica como a ansiedade pode surgir durante a investigação do câncer de mama e como lidar com o período de incerteza



Para muitas mulheres, o impacto emocional do câncer de mama começa muito antes de qualquer diagnóstico. Um exame alterado, o pedido de uma investigação complementar ou simplesmente a espera pelo resultado bastam para desencadear uma avalanche de pensamentos: "E se for alguma coisa?", "E se for câncer?", "Como vou lidar com isso?". No Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a doença, a saúde mental também merece espaço nessa conversa.


De acordo com Aline Rezende Graffiette, psicóloga especialista em saúde mental e comportamento no trabalho e fundadora da Mental One, a dificuldade de lidar com a incerteza está ligada à tentativa do cérebro de antecipar cenários para recuperar a sensação de controle. "Quando não temos uma resposta, a mente tende a preencher esse espaço com possibilidades. O problema é que, diante de uma situação que envolve a saúde, essas possibilidades costumam se voltar para os cenários mais negativos", explica.


Essa ansiedade pode se manifestar de diferentes maneiras: pensamentos repetitivos, dificuldade para dormir, irritabilidade, falta de concentração, necessidade constante de buscar informações e dificuldade de se desligar do assunto ao longo do dia. Para algumas mulheres, a espera pelo resultado se transforma em um período de vigilância permanente sobre o próprio corpo.


"É importante diferenciar a preocupação natural de uma ansiedade que começa a ocupar todo o espaço da vida. A pessoa pode continuar trabalhando, cuidando da família e realizando suas atividades, mas mentalmente estar o tempo inteiro voltada para aquilo que pode acontecer", afirma Aline.



O problema de tentar "não pensar nisso"


Diante da ansiedade, uma reação comum é tentar afastar os pensamentos ou buscar garantias de que tudo ficará bem. Segundo a psicóloga, porém, nenhuma dessas estratégias costuma resolver a angústia. "Ninguém precisa se obrigar a pensar positivo o tempo todo. O objetivo não é eliminar o medo, mas conseguir reconhecer o que se está sentindo sem deixar que a incerteza dite toda a rotina", orienta.


Nesse período, algumas atitudes podem ajudar a reduzir a sobrecarga emocional: limitar a busca excessiva por informações na internet, manter a rotina sempre que possível, conversar com pessoas de confiança e reservar momentos específicos do dia para lidar com as questões relacionadas ao exame ou à investigação.


Outro ponto importante é evitar o isolamento. Muitas vezes, familiares e amigos, na tentativa de tranquilizar, recorrem a frases como "não pense nisso" ou "vai dar tudo certo". Para Aline, acolher pode ser mais importante do que encontrar a frase perfeita. "Em vez de minimizar o medo, podemos perguntar como a pessoa está se sentindo e oferecer presença. Nem sempre é preciso resolver a situação; às vezes, estar disponível para ouvir já é uma forma importante de apoio", explica.



E quando o resultado chega?


O impacto emocional não termina necessariamente com a chegada do resultado. Se o diagnóstico for confirmado, a mulher pode precisar lidar com uma série de mudanças e decisões sobre o tratamento, além de questões ligadas ao trabalho, à família, à autoestima e à percepção do próprio corpo.


Mesmo quando o resultado afasta a doença, ter passado por um período de medo e incerteza pode deixar marcas. "A resposta pode ser tranquilizadora, mas a mente nem sempre muda de estado imediatamente. Depois de um período de muita tensão, é possível continuar mais vigilante, interpretando qualquer sintoma como uma ameaça", explica a especialista.


Ainda assim, Aline reforça que o medo do resultado não deve ser motivo para adiar a investigação. "É justamente por isso que os exames de prevenção são tão importantes. Mesmo que o diagnóstico se confirme, quando a doença é identificada logo no início, as chances de cura são muito maiores. No caso do câncer de mama, a prevenção precisa ser feita com regularidade para que, se algo aparecer, ainda esteja bem no começo. Assim, lidar com o diagnóstico deixa de carregar o peso de uma questão de vida ou morte", afirma.


Por isso, o Outubro Rosa também pode ser uma oportunidade para ampliar a conversa sobre cuidado. Cuidar da saúde não significa apenas fazer exames e consultas, mas também reconhecer os impactos emocionais que podem surgir ao longo desse processo e buscar ajuda quando eles começam a comprometer a qualidade de vida.


"Pedir ajuda psicológica não significa que a pessoa não está conseguindo lidar com a situação. Significa reconhecer que aquele momento exige recursos emocionais importantes e que ela não precisa atravessá-lo sozinha", conclui Aline.



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