Da concentração de ativos à forma de aplicação, entenda o que muda entre os produtos de prateleira e as formulações desenvolvidas para protocolos profissionais
Se a embalagem fala em reconstrução, hidratação ou
proteção térmica, o que faz um produto ser profissional? A resposta não está
necessariamente no ativo estampado no rótulo, e nem no lugar onde ele é
vendido. À medida que fórmulas cada vez mais específicas chegam às prateleiras,
a diferença entre um cosmético de uso cotidiano e um produto profissional passa
a estar nos detalhes da formulação e, principalmente, na forma como ele foi
pensado para ser utilizado.
Para Marina Groke, diretora da Escova Express, rede
de escovarias que integra o Grupo Unhas Cariocas, essa distinção começa pela
finalidade do produto. “Conhecer um ingrediente não significa saber qual é a
necessidade do cabelo naquele momento. O profissional considera o histórico dos
fios, os procedimentos realizados e a condição da fibra”, esclarece.
Isso também ajuda a entender por que um mesmo ativo
pode aparecer em formulações com propostas diferentes. Ácido hialurônico,
pantenol, aminoácidos, proteínas e óleos, por exemplo, assumem funções
distintas conforme a combinação de ingredientes, a concentração, o veículo e a
finalidade da fórmula.
A diferença entre um cosmético profissional e um
produto de uso cotidiano também aparece na forma de utilização. Enquanto o
produto de prateleira é pensado para uma rotina que o consumidor realiza sozinho,
uma linha profissional conta com produtos complementares, que consideram
sequência, quantidade e tempo de aplicação definidos conforme a necessidade dos
fios.
Um exemplo dessa especialização é a Supreme Pro,
linha profissional recém-lançada pela Escova Express, que organiza suas
formulações de acordo com necessidades como hidratação, nutrição, reconstrução
e fortalecimento. Segundo Marina, essa segmentação também acompanha uma mudança
na forma de tratar os fios: em vez de aplicar a mesma rotina a diferentes
condições, o cuidado passa a considerar objetivos específicos e a combinação de
etapas mais adequada para cada caso.
“Essa tecnologia ampliou muito a capacidade de
desenvolver produtos específicos, mas ela não substitui a avaliação. O
conhecimento profissional está em entender o que aquela tecnologia pode fazer e
em qual situação ela realmente faz sentido”, completa a especialista.
A aproximação entre salão e casa também tornou essa
diferença menos evidente para o consumidor. Produtos com ativos e tecnologias
antes mais associados ao ambiente profissional passaram a integrar rotinas
domésticas. Na Supreme Pro, essa continuidade aparece nas versões
profissionais home care.
Com isso, conhecer os ativos de um cosmético é
apenas parte da escolha. Queratina, ácido hialurônico ou aminoácidos, por
exemplo, não determinam sozinhos a indicação de um produto. A formulação, a
necessidade dos fios e a forma de uso também entram nessa equação.
“Ter acesso à informação é importante, mas a
orientação ainda é essencial. O consumidor pode conhecer os ativos e ainda
assim não saber do que o próprio cabelo precisa. A avaliação profissional ajuda
a transformar essa informação em uma escolha mais coerente”, conclui Marina.
No fim, a diferença entre um cosmético profissional
e um produto de uso cotidiano está menos em uma suposta superioridade e mais na
proposta de cada um. Enquanto um é desenvolvido para a manutenção e o uso
autônomo, o outro integra cuidados mais específicos, com formulações e
protocolos direcionados. É a combinação entre formulação, indicação e modo de
uso que define o papel de cada produto na rotina.
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