A hipertensão pode provocar alterações na retina e perda
visual, especialmente em gatos idosos; oftalmologista veterinário explica por
que avaliar os olhos também pode ajudar a descobrir problemas de saúde fora
deles.
A
pressão alta também atinge os olhos dos felinos. Um estudo italiano publicado
em 2021 na revista Veterinary Ophthalmology acompanhou 225 gatos com
hipertensão sistêmica e encontrou alterações na retina em 58,6% deles. Os danos
variaram de pequenos sangramentos ao descolamento completo da retina, quadro
capaz de causar cegueira de uma hora para outra. O problema aparece com mais
frequência depois dos dez anos de idade, fase em que o corpo do animal já enfrenta
outros desgastes e os sinais passam despercebidos dentro de casa.
De
acordo com o médico veterinário Rodrigo Peixoto, que atua com microcirurgia
ocular animal e é pós-graduado em Oftalmologia Veterinária e em Clínica Médica,
o mecanismo lembra o que acontece em pessoas. “A retina é um tecido delicado e
cheio de pequenos vasos. Quando a pressão fica elevada por tempo prolongado,
esses vasos sofrem, vazam líquido e podem romper. A camada que capta a luz se
solta do fundo do olho e a visão se perde”, explica.
Na
maioria dos casos, a hipertensão no gato surge como consequência de outra
doença. Problemas nos rins e o excesso de hormônio da tireoide estão entre as
causas mais comuns. “Ao examinar o fundo do olho, o especialista encontra
lesões que apontam para uma doença renal ou tireoidiana antes de o tutor
desconfiar de qualquer coisa. O olho funciona como uma janela para o resto do
organismo, e é por isso que essa avaliação ajuda a descobrir males que não
estão ali”, afirma.
Em
casa, a mudança costuma ser notada quando já está avançada. O gato passa a
esbarrar nos móveis, hesita antes de pular, fica mais recolhido e desorientado.
Outro sinal é a pupila muito aberta, que não diminui diante da luz. “O tutor
tende a atribuir esse comportamento à idade ou ao cansaço, mas um gato que
enxerga mal de repente fica quieto e inseguro. Pupila dilatada demais ou sangue
visível dentro do olho pedem atendimento no mesmo dia, porque o tempo conta
muito para a recuperação”, orienta o oftalmologista.
O
diagnóstico depende de medir a pressão arterial do animal e examinar a retina.
“A aferição precisa ser feita em consulta, com aparelho próprio e o gato calmo.
Quando o tratamento começa cedo, a retina pode voltar para o lugar e parte da
visão é recuperada. Se o descolamento já dura semanas, a lesão costuma ser
definitiva”, diz o veterinário. Na pesquisa italiana, após um ano de tratamento
com anti-hipertensivo, 71 dos 132 gatos com alterações na retina apresentavam
visão preservada.
Para o
especialista, a prevenção começa na rotina de check-up. “Gato idoso deve ter a
pressão medida ao menos uma vez por ano, mesmo sem queixa nenhuma. E nunca se
deve dar remédio de pressão de uso humano ao animal por conta própria, porque a
dose e a escolha do medicamento dependem do quadro de cada paciente”, alerta.
@oftalmologiaveterinariabh
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