Médico-Veterinário
explica por que alterações nos hábitos, no comportamento e na saúde intestinal
não devem ser associadas a um processo normal do envelhecimento
O cão que passou a hesitar diante da escada ou o
gato que já não alcança seu lugar preferido nem sempre estão adaptando a rotina
ao avanço da idade. Mudanças como essas e tantas outras, como alterações no
apetite, no peso, sono e comportamento, podem estar relacionadas à presença de
dor, devido a doenças articulares ou a outras enfermidades, conforme explica
Kauê Ribeiro, Médico-Veterinário da Vetnil®.
Segundo ele, embora o organismo dos pets passe por
transformações ao longo da vida, envelhecer não significa aceitar qualquer
perda funcional ou mudança de rotina como normal.
“A idade é uma informação importante para a
avaliação, mas não deve se tornar uma explicação para qualquer alteração do
paciente. O envelhecimento não é uma doença, mas aumenta a probabilidade de
alterações e doenças que precisam ser acompanhadas de forma individualizada. O
que mais ajuda é comparar o animal com ele mesmo; perceber se passou a fazer
algo com dificuldade, abandonou um hábito, mudou a forma de se alimentar ou
apresenta alterações persistentes. Essas observações permitem que o
Médico-Veterinário investigue o que está acontecendo e oriente os cuidados de
maneira individualizada”, orienta.
1. Dificuldade para se
movimentar
Andar mais devagar, escorregar, evitar escadas,
hesitar antes de saltar ou demonstrar dificuldade para se levantar tendem a ser
mais comuns com o avanço da idade, sendo fundamental investigar se essas
alterações estão associadas a dor, alterações articulares, perda de massa
muscular ou outros problemas que exigem avaliação e manejo adequado.
Em gatos, os sinais costumam ser ainda mais
discretos. Em vez de mancar, o animal pode deixar de subir em móveis ou
escolher locais mais baixos para descansar. Adaptações na casa podem facilitar
a rotina, mas não descartam a necessidade da investigação e do tratamento da
causa, sempre que possível.
2. Menor disposição para
atividades habituais
É natural que alguns pets reduzam o ritmo com o
passar dos anos. A mudança merece atenção quando o animal demonstra incômodos e
perde o interesse por atividades que apreciava, interrompe passeios, cansa
rapidamente ou demora mais para se recuperar.
O avanço da idade pode estar associado a alterações
fisiológicas que reduzem a força, resistência e capacidade locomotora, mesmo na
ausência de uma doença articular ou cognitiva diagnosticada. Entretanto, é
imprescindível a avaliação do veterinário, pois, especialmente sobre as doenças
articulares, há uma incidência muito alta em cães e gatos idosos, sendo
fundamental realizar um tratamento e controle adequados.
Observar quando o cansaço aparece e quais
atividades passaram a ser evitadas ajuda na consulta. Vídeos feitos em casa
também podem registrar comportamentos que nem sempre se repetem durante o
atendimento na clínica.
3. Mudanças no apetite e na
forma de comer
Alterações de apetite, como demonstrar fome
excessiva, seletividade alimentar ou até diminuição da ingestão de alimentos
não são mudanças que devam ser atribuídas apenas à idade. Segundo Ribeiro,
problemas dentários, articulares, náusea e dificuldade para apreender o
alimento estão entre as principais causas.
“Trocas de dieta e suplementos não devem ser feitas
por conta própria. As necessidades nutricionais variam conforme espécie, porte,
escore de condição corporal, doenças pré-existentes e rotina geral. Cabe ao
Médico-Veterinário avaliar a alimentação mais adequada para cada caso”, pontua.
4. Ganho ou perda de peso
Com o passar da idade, o peso do animal pode mudar
mesmo quando o responsável não percebe diferença no consumo dos alimentos. Com
o envelhecimento, cães tendem a apresentar ganho de peso, com aumento da
gordura corporal e redução da massa magra. Já gatos idosos tendem a demonstrar
perda de peso e de massa muscular.
Enquanto a perda de peso pode estar relacionada ao
menor aproveitamento de nutrientes e acometimento por doenças crônicas, o ganho
pode estar relacionado à menor atividade física
e agravar limitações de mobilidade. Além disso,
alterações no consumo de alimentos também podem estar associadas a doenças
endócrinas, como hipertireoidismo, hipotireoidismo, hipercortisolismo, diabetes
etc.
Como essas mudanças tendem a ser graduais,
fotografias, pesagens periódicas e consultas frequentes com o veterinário
ajudam a identificar tendências. Mais do que acompanhar os quilos na balança, é
importante avaliar os escores de condição corporal e de massa muscular do
animal.
5. Sono diferente ou agitação
durante a noite
Dormir mais pode fazer parte da rotina de alguns
animais idosos. Porém, inversões do ciclo de sono, caminhadas noturnas pela
casa, latidos, dificuldade para se acomodar ou despertar frequente precisam ser
observados.
“Em alguns casos, episódios de dor, alterações
urinárias, perda de visão ou audição e mudanças cognitivas estão entre as
possíveis explicações para essas mudanças. Conversar com o médico-veterinário
que acompanha o animal é fundamental para tentar compreender o quadro”, aponta
Ribeiro.
6. Isolamento, irritação ou
desorientação
Um animal antes sociável que passa a evitar
contato, reage ao toque, parece não reconhecer ambientes conhecidos ou fica
parado diante de paredes pode estar manifestando desconforto, alterações
sensoriais, ansiedade ou comprometimento cognitivo.
Antes de considerar o problema exclusivamente
comportamental, é importante investigar possíveis causas clínicas. Repreender o
animal por acidentes dentro de casa, latidos ou irritabilidade pode aumentar o
estresse e piorar o quadro. Busque sempre por orientação veterinária.
7. Alterações nas fezes e na
digestão
Fezes mais amolecidas ou ressecadas, vômitos
recorrentes e desconforto abdominal merecem atenção. Alterações digestivas
podem ter causas diversas e animais idosos ficam mais vulneráveis às
consequências da perda de líquidos e da redução na ingestão de alimentos.
A microbiota intestinal, conjunto de microrganismos
presentes no trato gastrointestinal, participa da digestão, do aproveitamento
de nutrientes e da resposta imunológica do organismo. Qualquer desequilíbrio
nesse ecossistema pode ter impacto direto na saúde do pet.
“É preciso primeiro entender a origem e a duração
dos sinais. Mudanças persistentes nas fezes, vômitos, perda de apetite ou de
peso podem exigir exames e tratamento específico. Recursos terapêuticos
voltados à recuperação e manutenção da microbiota podem fazer parte do cuidado”,
alerta Kauê Ribeiro.
Entre esses recursos estão os simbióticos, que
combinam probióticos e prebióticos, e podem auxiliar na manutenção da
microbiota e da resposta de defesa do organismo. Ainda de acordo com o
Médico-Veterinário da Vetnil®, não existe uma idade específica a partir da qual
todos os cães e gatos passam a ser considerados idosos. Espécie, porte, raça,
condições de saúde e histórico individual influenciam o processo de
envelhecimento e a frequência necessária de consultas e exames.
“O acompanhamento do pet idoso permite reconhecer
dificuldades, controlar condições já existentes e fazer adaptações que
preservem conforto, autonomia e interação com a família. Envelhecer é algo que
queremos que todos os pets experienciem, mas promover um envelhecimento com
saúde e bem-estar deve ser o nosso objetivo”, conclui Ribeiro.
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