No Setembro Verde, gastroenterologista explica a relação entre condições como doença de Crohn e retocolite ulcerativa com o surgimento de tumores
O câncer colorretal é o segundo tipo de tumor mais frequente no Brasil1, tanto em homens quanto em mulheres (atrás apenas dos cânceres de próstata e mama, respectivamente). Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar 54 mil novos casos por ano até 2028.2 O que pouco se discute, no entanto, é o risco oculto para uma parcela específica da população: os pacientes diagnosticados com doenças inflamatórias intestinais (DII), como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn.
Durante o Setembro Verde, campanha nacional dedicada à prevenção do câncer de intestino, médicos e especialistas alertam para a importância de olhar para a inflamação crônica como um alerta primário. Pessoas que convivem com DII e não mantêm a doença sob controle rigoroso apresentam um risco significativamente maior de desenvolver displasias (alterações celulares) e, consequentemente, o câncer colorretal ao longo dos anos.3
"A inflamação
crônica no trato gastrointestinal funciona como uma agressão contínua às
células da mucosa do intestino. Com o passar do tempo, o corpo tenta reparar
essas lesões repetidas, o que aumenta drasticamente a chance de mutações
genéticas que levam ao câncer", explica a Dra. Virgínia Almeida, médica
gastroenterologista da Ferring Brasil. "Cuidar da inflamação crônica hoje,
aderindo ao tratamento correto, é a maneira mais eficaz de prevenir o câncer
amanhã".
A perigosa
normalização dos sintomas
Um dos grandes
obstáculos na jornada do paciente com DII é a banalização dos próprios
sintomas. “É comum que pessoas com quadros inflamatórios ativos se acostumem a
viver com cólicas frequentes, dores abdominais crônicas, diarreia persistente e
até mesmo sangramento nas fezes”, explica a especialista.
"Muitos
pacientes normalizam o sangramento, atribuindo-o a hemorroidas ou a um sintoma
'esperado' da sua DII, e acabam adiando a busca por ajuda. Sangramento e dor
nunca devem ser considerados normais. Eles são sinais de que a inflamação está
ativa ou de que algo mais grave, como um tumor inicial, pode estar se
desenvolvendo", complementa.
Prevenção em
duas frentes: O papel do tratamento e do rastreio
A abordagem contra o câncer colorretal em pacientes com DII deve acontecer em duas frentes complementares. A prevenção primária consiste no controle absoluto da inflamação intestinal (remissão da doença) por meio de terapias médicas adequadas, evitando que o intestino sofra lesões contínuas.4
Já a prevenção secundária baseia-se no rastreamento ativo. Enquanto a população geral é orientada por diretrizes globais e pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) a iniciar o rastreio com colonoscopia a partir dos 45 anos, pacientes com DII têm um calendário diferente. 5 Dependendo da extensão do acometimento intestinal, recomenda-se que as colonoscopias de vigilância comecem entre 8 a 10 anos após o início dos sintomas da doença inflamatória, independentemente da idade do paciente, devendo ser repetidas em intervalos regulares definidos pelo médico. 6
"A
colonoscopia não é apenas um exame diagnóstico, é uma ferramenta de intervenção
capaz de identificar e remover pólipos e lesões pré-malignas antes que se
transformem em câncer. Pacientes com doença de Crohn e retocolite ulcerativa
precisam entender que o acompanhamento médico contínuo é o seu maior escudo. O
diagnóstico de uma DII não é uma sentença, mas exige protagonismo e cuidado
redobrado com a própria saúde", conclui a Dra. Virgínia.
https://www.ferring.com.br/
REFERÊNCIAS
CONSULTADAS
- Site
Instituto Nacional do Câncer - INCA. INCA estima 781 mil novos casos de
câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Disponível em: Link.
Acesso em: setembro, 2026.
- Site
Instituto Nacional do Câncer - INCA. Estimativas. Disponível em: Link.
Acesso em: setembro,2026.
- Site
Organização Brasileira de Doença de Crohn e Colite – GEDIIB. 14. Câncer
colorretal e a Doença Inflamatória Intestinal. Disponível em: Link.
Acesso em setembro, 2026.
- DUTRA,
Vívian Barcelos de Souza; OLIVEIRA, Maitê Rocha; TANAKA, Lara de Carvalho;
ROCHA, João Victor Guimarães Rangel Ferreira; COLLE, Sidinara. Câncer de
cólon e doença inflamatória intestinal: fatores de risco, diagnóstico
precoce e tratamento cirúrgico. Revista Ibero-Americana de Humanidades,
Ciências e Educação — REASE, São Paulo, v. 10, n. 11, 2024
- Sociedade
Brasileira de Coloproctologia (SBCP): Diretrizes Nacionais para o
Rastreamento do Câncer Colorretal. Disponível em: Link.
Acesso em setembro, 2026.
- Associação
Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn. CIRURGIA PARA DOENÇA DE
CROHN E RETOCOLITE ULCERATIVA. Disponível em: Link.
Acesso em: setembro, 2026
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