Empresária e liderança feminina aborda sinais de abuso psicológico e o caminho de reconstrução após relacionamentos marcados por comportamentos narcisistas
O Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao
suicídio e de valorização da vida, também é um momento oportuno para discutir
fatores que afetam diretamente a saúde mental da mulher, entre eles, os
relacionamentos abusivos. Abuso psicológico, comportamentos narcisistas e
dependência emocional costumam se instalar de forma gradual, o que dificulta a
percepção de quem está vivendo essa realidade.
Para Vanessa Ferreira, empresária do ramo da beleza e
liderança feminina no bairro da Mooca, em São Paulo, falar abertamente sobre o
tema é uma forma de ajudar outras mulheres a reconhecerem sinais que muitas
vezes só ficam claros depois de anos.
“Muitas mulheres que passam por isso demoram a entender o
que estão vivendo, porque o abuso psicológico não deixa marca visível. Ele vai
corroendo a autoestima aos poucos, até a mulher se sentir incapaz de tomar
decisões sozinha”, afirma Vanessa.
Sinais de um relacionamento abusivo
Relacionamentos abusivos nem sempre envolvem violência
física. O abuso psicológico pode se manifestar por meio de controle excessivo,
humilhações veladas, isolamento social, desqualificação constante das opiniões
e sentimentos da parceira, e alternância entre momentos de afeto intenso e desprezo
- padrão frequentemente associado a comportamentos narcisistas.
“Um dos sinais mais claros é quando a mulher percebe que
está se afastando dos amigos, da família, do trabalho que gostava. Isso não
acontece por acaso: é parte de um processo de isolamento que fragiliza a rede
de apoio dela”, explica a empresária.
Perda de autoestima e dependência emocional
A exposição prolongada a relações abusivas costuma
corroer a autoconfiança e reforçar a sensação de dependência emocional. Muitas
mulheres passam a acreditar que não são capazes de viver sem o parceiro, mesmo
diante de comportamentos que as prejudicam.
“A dependência emocional é um dos maiores obstáculos para
a mulher conseguir sair dessa situação. Ela não fica porque quer, fica porque
foi convencida, aos poucos, de que não vai conseguir sozinha. Reconstruir essa
confiança é o primeiro passo”, destaca Vanessa.
O papel da rede de apoio
Amigos, familiares e grupos de apoio têm papel importante
tanto na identificação quanto na saída de relacionamentos abusivos. Para
Vanessa, que atua como liderança feminina em sua comunidade, iniciativas que
aproximam mulheres e criam espaços de escuta fazem diferença concreta nesse
processo.
“Nenhuma mulher deveria precisar passar por isso sozinha.
Ter alguém para conversar, que não julgue e que ajude a enxergar a situação de
fora, muitas vezes é o que faz ela dar o primeiro passo”, afirma.
O processo de reconstrução
Sair de um relacionamento abusivo não encerra o processo:
a reconstrução da autoestima, da autonomia e da confiança costuma exigir tempo
e, frequentemente, acompanhamento profissional especializado. Para Vanessa,
esse período também pode se tornar uma oportunidade para a mulher redescobrir
aspectos de si mesma que haviam sido deixados de lado.
“A reconstrução é um processo, não acontece da noite para
o dia. Mas eu vejo, de perto, mulheres que saem dessas relações e voltam a se
reconhecer, a empreender, a cuidar de si. É um caminho possível, e ele começa
quando a mulher entende que merece mais”, conclui Vanessa Ferreira.
Vanessa Ferreira é empresária do ramo da beleza e
liderança feminina no bairro da Mooca, em São Paulo. Atua no fortalecimento de
mulheres de sua comunidade, com foco em autoestima, empreendedorismo e apoio
mútuo.
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