Apesar do aumento da participação feminina em cargos de liderança e no empreendedorismo, muitas mulheres ainda demoram mais do que os homens para assumir desafios ou se candidatar a posições maiores.
As mulheres conquistaram mais espaço
nos ambientes de decisão, mas a igualdade ainda está distante. Dados do
relatório Women in Business 2025, da Grant Thornton, mostram que elas ocupavam
36,7% das posições de liderança no Brasil ao final de 2025. Apesar do avanço,
muitas profissionais qualificadas continuam esperando acumular mais
experiência, cursos e resultados antes de assumir cargos maiores ou conduzir
uma nova etapa do próprio negócio.
Essa espera costuma ser interpretada
como falta de confiança ou ambição. No entanto, por trás dela também existe uma
construção cultural que ensinou muitas mulheres a evitar erros, comprovar
constantemente sua competência e assumir desafios apenas quando acreditam
dominar todas as variáveis.
Para Alê Freitas, mentora em Liderança
para mulheres, o problema começa quando a preparação deixa de ser um recurso de
crescimento e passa a funcionar como uma forma de adiamento. “Estudar,
desenvolver competências e buscar conhecimento são atitudes importantes. A
armadilha aparece quando a mulher acredita que precisa eliminar toda
possibilidade de erro antes de ocupar um novo lugar. Nenhuma liderança começa
completamente pronta”, explica.
No empreendedorismo, esse comportamento
pode aparecer quando a fundadora demora a lançar um produto, evita
posicionar-se como autoridade, recusa oportunidades de expansão ou continua
concentrada em atividades operacionais porque ainda não se considera preparada
para liderar uma equipe maior. Enquanto espera adquirir mais segurança, o
negócio também pode permanecer estagnado.
“Existe uma diferença entre reconhecer
que determinada competência precisa ser desenvolvida e usar a falta de
perfeição como justificativa para não avançar. Muitas mulheres já possuem
experiência e capacidade, mas continuam procurando uma autorização externa para
ocupar um espaço que seus próprios resultados já sustentam”, afirma Alê
Freitas.
A mentora ressalta que essa insegurança
não deve ser tratada apenas como uma questão individual. Ambientes que punem
com mais rigor os erros cometidos por mulheres, oferecem poucas referências
femininas e associam liderança a comportamentos tradicionalmente masculinos
também reforçam a sensação de que elas precisam apresentar um desempenho
excepcional para serem reconhecidas.
Esse cenário cria um ciclo difícil de
romper. Como recebem menos oportunidades para liderar, as mulheres acumulam
menos experiências formais de gestão. Sem essas experiências, podem acreditar
que ainda não possuem o repertório necessário, mesmo quando já exercem
liderança de maneira informal dentro das equipes ou dos próprios negócios.
Para sair desse lugar, Alê Freitas
orienta que a mulher substitua a pergunta “já estou pronta?” por uma análise
mais objetiva: quais competências já possui, quais podem ser desenvolvidas
durante o processo e que tipo de apoio será necessário para assumir o próximo
desafio. Mentoria, redes de relacionamento e trocas com outras lideranças
também ajudam a ampliar referências e reduzir a sensação de isolamento.
“Liderar não significa ter todas as respostas.
Significa conseguir tomar decisões com as informações disponíveis, assumir
responsabilidade, aprender com os resultados e desenvolver pessoas ao longo do
caminho. A prontidão não chega antes da experiência; muitas vezes, ela é
construída justamente enquanto a mulher ocupa o novo lugar”, destaca.
Para Alê Freitas, empresas e
empreendedoras precisam compreender que esperar pela candidata ou pela líder
considerada perfeita também representa perda de oportunidades. “Quando mulheres
competentes continuam esperando para se sentir totalmente prontas, os negócios
deixam de aproveitar visões, talentos e formas diferentes de liderar. O próximo
passo não exige ausência de medo, mas clareza suficiente para avançar mesmo sem
controlar tudo”, conclui.
Fonte: Alê Freitas — Mentora em Liderança para mulheres |
CEO da Anima Impacto Consultoria.
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