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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Você é dona do seu negócio ou apenas a funcionária mais cara dele?

Centralização e autosabotagem impedem mulheres de alcançarem o topo na gestão de suas próprias empresas; mentora Alessandra Freitas explica como fazer a transição da liderança executiva para a estratégica.

 

Muitas mulheres decidem empreender em busca de mais autonomia, liberdade financeira e flexibilidade. No entanto, conforme o negócio cresce, uma armadilha silenciosa passa a fazer parte da rotina de muitas empresárias: a dificuldade de sair da operação e assumir uma posição verdadeiramente estratégica dentro da própria empresa.

Essa realidade é mais comum do que parece. Uma pesquisa da startup Olhi revelou que 63,4% das mulheres empreendedoras conciliam as demandas do negócio com tarefas domésticas e familiares. A sobrecarga faz com que muitas acabem concentrando responsabilidades em excesso, reduzindo o tempo disponível para planejamento, crescimento e tomada de decisões de longo prazo.

Para Alessandra Freitas, mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real e CEO da Anima Impacto Consultoria, muitas empresárias acabam se tornando a principal executora do próprio negócio, assumindo funções que deveriam estar distribuídas entre processos e equipes.

“É muito comum encontrarmos mulheres que construíram empresas de sucesso, mas que ainda centralizam praticamente todas as decisões. Elas aprovam tudo, resolvem tudo e participam de todas as etapas. Na prática, deixam de atuar como donas da empresa e se tornam a funcionária mais cara dela”, explica.

Segundo a especialista, esse comportamento costuma estar relacionado a fatores como perfeccionismo, medo de perder qualidade, insegurança na delegação e até crenças construídas ao longo da trajetória profissional. Embora essas atitudes surjam com a intenção de proteger o negócio, acabam criando um modelo difícil de sustentar.

Quando toda a operação depende da presença constante da fundadora, o crescimento da empresa também encontra limites. Além da sobrecarga, surgem dificuldades para expandir equipes, desenvolver lideranças e criar processos capazes de garantir autonomia ao negócio.

Para Alê, o caminho passa por uma mudança de mentalidade. A empresária precisa compreender que seu papel principal não é executar tarefas operacionais, mas direcionar a empresa, tomar decisões estratégicas e criar condições para que outras pessoas também contribuam para os resultados.

“Delegar não significa perder o controle. Significa construir uma estrutura sólida, com responsabilidades claras e pessoas preparadas para assumir funções importantes. Empresas saudáveis não dependem exclusivamente da presença da fundadora para funcionar”, afirma.

A especialista destaca que a transição da liderança executiva para a estratégica não acontece da noite para o dia, mas deve ser construída por meio da formação de equipes, da criação de processos e do desenvolvimento da confiança. Quanto mais preparada estiver a estrutura interna, mais espaço a líder terá para focar em inovação, crescimento e novas oportunidades.

“O verdadeiro sucesso não acontece quando a empresária consegue fazer tudo sozinha. Ele acontece quando a empresa cresce de forma sustentável, sem que ela precise carregar o negócio inteiro nas costas. É nesse momento que ela deixa de ser apenas uma executora e assume plenamente seu papel de líder”, conclui.

 

Fonte: Alê Freitas — Mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real | CEO da Anima Impacto Consultoria.


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