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| Arquivo SGB |
O monitoramento
hidrológico realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) é uma das
principais ferramentas para prever os impactos do El Niño sobre os rios
brasileiros. A partir da operação da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) e
da emissão de previsões hidrológicas, a instituição gera informações que
subsidiam a Defesa Civil, gestores públicos e a população na prevenção de
inundações e estiagens.
“Até o momento, o
SGB tem acompanhado as previsões climáticas quanto ao El Nino, as chuvas
registradas e a evolução dos níveis dos rios monitorados, comparando a situação
atual com registros históricos e utilizando modelos hidrológicos para a
previsão de vazões e níveis para o auge do período seco, em diferentes pontos
do Brasil”, explica a diretora de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB, Alice
Castilho.
O El Niño altera os
padrões climáticos em diferentes regiões do Brasil. Enquanto aumenta o risco de
secas severas na faixa que abrange as regiões Norte e Nordeste, favorece
volumes de chuva acima da média na Região Sul, elevando os riscos de inundação.
Nesse cenário de extremos, a atuação do SGB é fundamental na linha de frente da
gestão de riscos e na mitigação de desastres.
Monitoramento
de rios e operação de sistemas de alerta
Os dados coletados
pela RHN alimentam o Sistema de Alerta Hidrológico (SAH). Por meio da plataforma
SACE, o SGB entrega à sociedade e aos órgãos de proteção civil dados essenciais
para a antecipação de eventos críticos. Entre as principais ferramentas
disponíveis estão os Boletins de Alerta e Previsão de Níveis, que simulam e
projetam as cotas e vazões dos rios para os dias seguintes. Esse prognóstico
hidrológico confere previsibilidade para que municípios se preparem para
enchentes iminentes e para que organizem ações preventivas contra os impactos
de severas estiagens.
Segundo Alice
Castilho, durante os períodos de estiagem os modelos utilizados pelo SGB
permitem projeções com até três meses de antecedência na Amazônia. “Isso
permite a tomada de decisão quanto a priorização de uso da água, fontes de
geração de energia, alternativa à navegação por hidrovia, etc. Durante as
cheias, as previsões podem variar de horas a dias e dependem do tamanho da
bacia hidrográfica”, afirma.
Além das previsões
hidrológicas, o SGB produz Mapas de Mancha de Inundação, que indicam as áreas
que serão afetadas caso o rio atinja determinada cota crítica, permitindo uma
evacuação ordenada por parte das defesas civis locais. A instituição também
elabora mapeamentos de risco geológico e hidrológico utilizados pelas Defesas
Civis para orientar ações preventivas, obras de redução de risco e, quando
necessário, a realocação de populações expostas.
O SGB também
monitora a quantidade de água no subsolo, por meio da Rede Integrada de
Monitoramento das Águas Subterrâneas (RIMAS) e sensoriamento remoto. Estas
informações, juntamente com o monitoramento das chuvas e vazões dos rios,
auxiliam no planejamento do setor agrícola frente à irregularidade climática.
O SGB mantém ainda
o repositório dos poços perfurados no Brasil no SIAGAS - Sistema de Informações
de Águas Subterrâneas, que podem ser utilizados pelo poder público, como fonte
de abastecimento no caso de uma estiagem severa.
Atuação
integrada no monitoramento do fenômeno
O SGB também
integra o grupo de órgãos federais responsável pelo monitoramento oficial do El
Niño. Em conjunto com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência Nacional de Águas e
Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de
Desastres Naturais (CEMADEN) e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil
(SEDEC), a instituição participa da elaboração do boletim técnico sobre o
fenômeno, contribuindo com análises sobre os impactos hidrológicos esperados
nas diferentes regiões do país.
Enquanto os órgãos
meteorológicos avaliam o comportamento da atmosfera e das chuvas, o SGB analisa
o impacto dessas chuvas na dinâmica das bacias hidrográficas, gerando previsões
de vazão e cenários sobre o comportamento dos rios. As informações apoiam o
planejamento de ações preventivas e a gestão dos recursos hídricos.
Embora o El Niño
rompa com a normalidade climática e imponha desafios complexos para a gestão
pública e para a infraestrutura nacional, o monitoramento preventivo, a ciência
hidrológica e geológica aplicada e o planejamento interinstitucional
consolidam-se como as defesas eficazes do país. O SGB permanece mobilizado,
garantindo dados científicos transparentes e seguros para subsidiar as ações de
contingência e assegurar a sustentabilidade hídrica do Brasil diante de eventos
climáticos extremos.
Para acompanhar os níveis dos rios em tempo real e acessar os relatórios diários de monitoramento, acesse a plataforma do Sistema de Alerta Hidrológico (SACE).

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