No Dia da Saúde Ocular, oftalmologista alerta para
doenças silenciosas e reforça a importância da prevenção em todas as fases da
vida 
Crédito Isabelle Venceslau
Dr. Rodrigo Carvalho: “Não espere o aparecimento
de sintomas para procurar atendimento”
Enxergar bem não significa, necessariamente, ter olhos saudáveis. Esse é um dos
principais alertas do oftalmologista Dr. Rodrigo Carvalho por ocasião do Dia da
Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho. Segundo ele, diversas doenças capazes
de comprometer a visão evoluem de forma silenciosa e podem causar danos
irreversíveis antes mesmo que o paciente perceba qualquer alteração.
"O
glaucoma é um dos principais exemplos. Em muitos casos, ele provoca lesões
progressivas no nervo óptico sem causar sintomas nas fases iniciais. A
retinopatia diabética e algumas doenças da retina também podem se desenvolver
dessa forma. Por isso, o acompanhamento oftalmológico periódico é
indispensável, mesmo para quem acredita enxergar normalmente", enfatiza.
De
acordo com o especialista, que é diretor da Alpha Oftalmologia Avançada, a
saúde ocular vai muito além da capacidade de enxergar com nitidez. Ela envolve
o funcionamento adequado de estruturas como córnea, cristalino, retina, nervo
óptico e pálpebras. Preservar esse conjunto depende tanto da realização de
exames preventivos quanto da adoção de hábitos saudáveis ao longo da vida.
Entre
as principais recomendações estão controlar doenças como diabetes e hipertensão
arterial, não fumar, manter alimentação equilibrada, praticar atividade física
regularmente e proteger os olhos da radiação ultravioleta com óculos de sol de
boa procedência.
"O
cuidado com a saúde geral também protege a visão. Os olhos possuem uma extensa
rede de vasos sanguíneos que pode ser afetada por doenças sistêmicas. O
diabetes e a hipertensão podem comprometer a retina, enquanto o tabagismo
aumenta o risco de catarata, degeneração macular e outras doenças
oculares", observa o médico.
Fadiga visual
Outro
desafio dos tempos atuais é o uso intenso de celulares, computadores e tablets.
Embora as telas não sejam responsáveis por causar doenças oculares, o tempo
excessivo de exposição favorece o aparecimento de fadiga visual, sensação de
olhos secos, ardência, vermelhidão, visão embaçada temporária e dores de
cabeça.
Para
minimizar esses efeitos, o oftalmologista recomenda seguir a regra 20-20-20: a
cada 20 minutos diante das telas, desviar o olhar por 20 segundos para um
objeto localizado a aproximadamente seis metros de distância (ou seja, 20 pés).
Também é importante lembrar de piscar com frequência, manter boa iluminação no
ambiente e evitar o uso prolongado de dispositivos eletrônicos antes de dormir.
Sintomas exigem atendimento imediato
Embora
muitas doenças sejam silenciosas, alguns sinais nunca devem ser ignorados.
Perda súbita da visão, flashes luminosos, aumento repentino de manchas escuras
no campo visual, dor ocular intensa, vermelhidão importante, visão dupla e
traumas nos olhos exigem avaliação oftalmológica com urgência.
"Quanto
mais rápido ocorre o diagnóstico, maiores são as chances de preservar a
visão", frisa Dr. Rodrigo Carvalho.
Cuidados variam conforme a idade
O especialista ressalta que o acompanhamento oftalmológico deve estar presente em
todas as fases da vida. As crianças precisam ser avaliadas ainda nos primeiros
anos e antes do início da vida escolar, período em que problemas visuais podem
interferir diretamente na aprendizagem.
Aproximar-se
demais da televisão ou dos livros, apertar os olhos para enxergar, apresentar
dores de cabeça frequentes, baixo rendimento escolar, dificuldade para copiar o
conteúdo da lousa ou inclinar a cabeça para olhar são sinais que merecem
atenção de pais e professores.
Na
vida adulta, pessoas sem fatores de risco costumam se beneficiar de consultas a
cada um ou dois anos. Já após os 60 anos — ou em pacientes com diabetes,
glaucoma ou histórico familiar de doenças oculares — a frequência deve ser
definida pelo oftalmologista.
O
envelhecimento também traz mudanças naturais para a visão. A presbiopia,
popularmente conhecida como "vista cansada", costuma surgir a partir
dos 40 anos. Depois dos 50, aumentam os riscos de catarata, glaucoma,
degeneração macular relacionada à idade e doenças da retina.
"Nem
todas essas doenças podem ser prevenidas, mas praticamente todas se beneficiam
do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, que ajudam a preservar a visão
e a qualidade de vida", salienta.
Mitos ainda confundem pacientes
Entre
as dúvidas frequentes no consultório está a eficácia dos óculos com filtro de
luz azul. Segundo Dr. Rodrigo Carvalho, ainda não existem evidências
científicas robustas de que esse recurso previna doenças oculares.
"Eles
podem proporcionar mais conforto visual para algumas pessoas, mas não
substituem hábitos saudáveis durante o uso das telas", argumenta.
Outro equívoco recorrente é acreditar que o uso de óculos faz os olhos "viciarem".
"Os
óculos apenas corrigem um problema visual já existente. Eles não pioram nem
tornam os olhos dependentes", esclarece.
O
especialista também chama a atenção para hábitos cotidianos que podem
comprometer a saúde ocular sem que muitas pessoas percebam. Coçar os olhos com
frequência, dormir usando lentes de contato, compartilhar maquiagem, utilizar
colírios sem orientação médica e negligenciar o controle de doenças sistêmicas
são práticas que devem ser evitadas. Em atividades que ofereçam risco aos
olhos, o uso de equipamentos de proteção também é indispensável.
Na
oftalmologia, os avanços tecnológicos têm ampliado a capacidade de diagnóstico
precoce e tornado os tratamentos cada vez mais precisos. Exames de imagem de
alta resolução, como a tomografia de coerência óptica (OCT), permitem
identificar alterações em detalhes. Além disso, cirurgias de catarata,
tratamentos a laser, terapias para doenças da retina e recursos de inteligência
artificial vêm contribuindo para resultados mais seguros e eficazes.
Para o oftalmologista, a principal orientação é não esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento. "As três medidas mais importantes para preservar a visão são realizar consultas oftalmológicas periódicas, controlar doenças como diabetes e hipertensão e adotar hábitos saudáveis, com alimentação equilibrada, proteção contra os raios solares e abandono do tabagismo", ressalta.
Rodrigo T. de Campos Carvalho (CRM-SP107.838, RQE 37070) - médico formado pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, com residência em Oftalmologia pela Unicamp. Possui título de especialista pelo CNRM/MEC e pela Associação Médica Brasileira/Conselho Brasileiro de Oftalmologia, além de especialização em cirurgia refrativa pela USP. Atua há mais de duas décadas na área, com experiência clínica e cirúrgica, e é proprietário da Alpha Oftalmologia Avançada, em Campinas. Também desenvolve doutorado na área de cirurgia refrativa pela USP.
Alpha Oftalmologia Avançada
@dr_rodrigotccarvalho e site
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