Do potencial de uma doação salvar até
quatro vidas ao papel decisivo das plaquetas no tratamento do câncer, conheça
os fatos pouco conhecidos sobre esse gesto que pode fazer toda a diferença para
milhares de pacientes
A
doação de sangue é um dos atos mais simples de solidariedade, mas ainda cercado
por dúvidas, mitos e informações pouco conhecidas. Embora seja um procedimento
seguro e relativamente rápido, muitas pessoas desconhecem, por exemplo, que uma
única bolsa pode beneficiar mais de um paciente ou que alguns componentes do
sangue têm validade de apenas cinco dias.
A conscientização é especialmente importante para instituições que dependem diariamente de transfusões, como o A.C.Camargo Cancer Center. Especializado no tratamento do câncer, o hospital mantém um banco de sangue próprio e utiliza hemocomponentes em diversas etapas do cuidado oncológico, desde cirurgias e quimioterapias até transplantes e atendimentos de alta complexidade.
Segundo
a instituição, os estoques operam constantemente no limite e dependem da
solidariedade de doadores voluntários para garantir a continuidade dos
tratamentos.
1.Uma
única doação pode ajudar até quatro pessoas?
Muita
gente imagina que uma bolsa de sangue será utilizada por apenas um paciente. Na
prática, após a coleta, o material é separado em diferentes hemocomponentes,
como hemácias (glóbulos vermelhos), plasma, plaquetas e crioprecipitado. Como
cada componente pode ser destinado a um paciente diferente, uma única doação
tem potencial para beneficiar até quatro pessoas. No A.C.Camargo, esse processo
é fundamental para atender necessidades específicas de cada paciente oncológico
ao longo do tratamento.
2.
Como o sangue pode beneficiar o paciente?
Quando
a bolsa chega ao laboratório, ela é fracionada para que cada componente tenha
uma finalidade, atendendo a necessidade específica de cada paciente.
As hemácias,
responsáveis pelo transporte de oxigênio pelo corpo, costumam ser usadas em
pacientes com anemias graves ou perdas sanguíneas em cirurgias.
As plaquetas
atuam diretamente no processo de coagulação, indicadas para prevenir ou tratar
sangramentos em pacientes com baixa contagem de plaquetas.
O plasma
é rico em proteínas e fatores de coagulação, serve para tratar distúrbios de
coagulação e corrigir deficiências múltiplas desses fatores.
O crioprecipitado
contém altos níveis de fibrinogênio e Fator VIII, sendo utilizado no tratamento
de distúrbios de sangramento e reposição de fatores específicos de coagulação.
Isso
faz com que uma mesma doação tenha impacto em diversas frentes da assistência
médica, muito importante no tratamento em oncologia.
3.
Qual a validade do sangue após a doação?
Após a
separação do sangue, as hemácias duram de 35 a 42 dias (em refrigeração de 2°C
a 6°C), o plasma de 12 a 24 meses (congelado) e o crioprecipitado 12 meses
(congelado).
Entre
todos os componentes do sangue, as plaquetas estão entre os elementos mais
difíceis de manter em estoque. Sua validade é de apenas cinco dias, o que exige
reposição constante. Para pacientes com câncer, elas são particularmente
importantes porque ajudam na coagulação e frequentemente precisam ser
transfundidas após sessões de quimioterapia ou em casos de comprometimento da
medula óssea. No A.C.Camargo, cerca de 60% das transfusões realizadas são de
plaquetas.
4.
Adolescentes também podem ser doadores?
Ao
contrário do que muitos imaginam, a doação de sangue não é exclusiva para
maiores de idade. Jovens de 16 e 17 anos podem doar, desde que apresentem
autorização formal dos pais ou responsáveis e atendam aos demais critérios
exigidos pelos hemocentros. A medida amplia o universo de potenciais doadores e
contribui para a formação de uma cultura de doação desde cedo.
5.
Existe idade máxima para começar a doar?
Pouca
gente sabe, mas há uma diferença entre ser doador e iniciar a vida como doador.
Pessoas entre 60 e 69 anos podem continuar doando sangue, desde que já tenham
realizado pelo menos uma doação anteriormente. Isso significa que existe uma
idade limite para a primeira doação, antes de completar 61 anos, uma regra
criada para garantir maior segurança ao doador.
6.
É seguro doar sangue?
A
doação de sangue é um ato seguro. Uma triagem clínica é realizada antes de cada
doação para garantir a segurança do doador, além de garantir a segurança do
paciente que receberá este sangue como tratamento. Todo o material utilizado na
doação é estéril e de uso único, não havendo risco de contaminação. Além disso,
todo o atendimento é realizado por equipe especializada e treinada, para
oferecer o atendimento com segurança.
7. O organismo repõe rapidamente o volume doado?
Uma doação convencional retira aproximadamente 450 ml de sangue, não ultrapassando 8 ml/kg para mulheres e 9 ml/kg para homens. Apesar de parecer muito, o organismo recompõe rapidamente o volume líquido perdido. Além disso, é realizado um intervalo mínimo entre as doações, de 2 (dois) meses para os homens e de 3 (três) meses para as mulheres, tempo suficiente para a reposição de todos os componentes do sangue doado. Por isso, a doação é considerada segura para pessoas saudáveis que atendam aos critérios estabelecidos pelos serviços de hemoterapia.
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