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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Tirzepatida manipulada avança no Brasil e movimenta cadeia fria

Ampolas produzidas por farmácias magistrais chegam com valores inferiores ao Mounjaro e ganham espaço entre pacientes que buscam alternativas acessíveis. 

 

Enquanto o lançamento do Ozivy, o "Ozempic brasileiro", dominou os noticiários nas últimas semanas, outro segmento do mercado de emagrecedores cresceu de forma expressiva: o de tirzepatida manipulada. Diferentemente do Mounjaro, caneta autoinjetável industrializada que chegou às farmácias em maio de 2025 por valores a partir de R$ 1.400 mensais após o reajuste de 2026, a versão produzida por magistrais chega ao paciente em ampolas de vidro, com dose personalizada conforme prescrição médica, a uma fração do custo.

"Os fabricantes começam vendendo em torno de 200 pedidos e rapidamente, quando atingem seu público-alvo e firmam parcerias com médicos, chegam a 600, 800, 1.000 entregas por mês. É um crescimento de aproximadamente 20% a cada 30 dias", afirma Ricardo Canteras, diretor Comercial e de Operações da Temp Log, única operadora de cadeia fria do Brasil especializada no transporte de produtos para a medicina estética e que registrou aumento significativo no último ano. 

A operação começa quando os laboratórios recebem o insumo farmacêutico ativo, a maioria importado da China por distribuidores intermediários, e produzem as ampolas individuais conforme prescrição médica. “Coletamos os pedidos já embalados e os entregamos diretamente na residência do paciente, em todo o país. Um frasco equivale a aproximadamente quatro semanas de tratamento”, comenta Canteras.

O deslocamento, porém, exige cuidados específicos já que, ao contrário das versões industrializadas, os recipientes de vidro são mais frágeis e demandam acondicionamento reforçado para evitar danos no percurso. 

"As canetas praticamente não apresentam risco de avaria já com as ampolas, o cuidado precisa ser redobrado. Os laboratórios têm utilizado, além do plástico bolha, estruturas de proteção mais robustas para garantir que o frasco chegue intacto ao destino", explica. As exigências de temperatura são as mesmas, ou seja, manutenção entre 2°C e 8°C do início ao fim da distribuição.

A permissão para produzir a tirzepatida no Brasil foi consolidada pela Nota Técnica 92/2024 da Anvisa, que estabelece que a substância pode ser feita por farmácias magistrais desde que atendidas as Boas Práticas de Manipulação com receita individualizada e controle de qualidade e rastreabilidade. 

A patente do Mounjaro segue válida até 2036, o que torna o modelo personalizado a única alternativa acessível disponível para pessoas que buscam o tratamento sem arcar com o custo do produto industrializado. 

"Enquanto a Anvisa permitir a manipulação, acredito que esse mercado continuará em expansão, pois a demanda é real e o acesso pela via magistral ainda é a principal porta de entrada para grande parte dos pacientes", conclui Ricardo.

 


TEMP LOG
www.templog.net


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