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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Fórum debate os impactos médicos e os reflexos culturais da era das canetas emagrecedoras no Brasil

Evento realizado por Marie Claire nesta sexta-feira (26), em São Paulo, reuniu médicos, pesquisadores, especialistas em comportamento, beleza e mercado para discutir o uso responsável das canetas emagrecedoras, o acesso ao tratamento e as transformações provocadas pelos medicamentos dentro e fora dos consultórios


As chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser um tema restrito à medicina e passaram a ocupar debates sobre comportamento, beleza, economia e saúde pública. Esse foi o ponto central do Fórum Marie Claire: A Revolução das Canetas Emagrecedoras, realizado em São Paulo na última sexta-feira (26), que reuniu especialistas para discutir como os análogos de GLP-1 estão transformando o tratamento da obesidade e seus impactos além dos consultórios.

Ao longo de quatro painéis, médicos, pesquisadores, representantes da indústria farmacêutica e especialistas em comportamento, moda e beleza discutiram os avanços dos medicamentos, mas também os desafios relacionados à indicação correta, acompanhamento profissional, acesso e uso responsável.

No primeiro bloco, intitulado ‘Medicina: A indicação real das canetas: para quem, como agem e onde estão os limites’, o fórum detalhou que os impactos terapêuticos superam a perda de peso, com evidências de que os análogos de GLP-1 reduzem crises de enxaqueca, diminuem o consumo de álcool e atuam diretamente sobre o *food noise*, que são os pensamentos repetitivos sobre comida. O professor Dr. Bruno Geloneze ressaltou que a tecnologia é fruto de décadas de investigação científica, pontuando que “o GLP-1 é um hormônio que atua em vários lugares do organismo. Nós conseguimos explorar algo que a natureza nos deu por meio da ciência, da farmacologia e da pesquisa”. A psicóloga Vanessa Tomasini alertou sobre a necessidade de não se restringir a discussão ao fármaco, defendendo que “quando a gente fala apenas sobre a medicação, a discussão fica muito rasa. É preciso entender a complexidade do uso, tanto para o paciente individualmente quanto para as relações sociais que envolvem corpo e alimentação”. Relembrando que o ato de comer carrega um forte componente afetivo, a especialista acrescentou que “comida não é só nutriente. Ela é uma cola social, um elemento que conecta as pessoas e muitas vezes também é usada para regular emoções”.

O debate sobre inclusão e sustentabilidade financeira continuou no Painel 2, ‘Acesso: Democratização das canetas emagrecedoras no mercado’. Foi destacado que o setor de análogos de GLP-1 cresceu 97,6% nos últimos 12 meses. Andréa Frazão, diretora de Prescrição Médica da Eurofarma, avaliou o ritmo do mercado: “O setor já vem de uma sequência de crescimento de dois dígitos e deve manter esse ritmo nos próximos anos. Com a queda da patente da semaglutida e a entrada de novos concorrentes, a expectativa é de redução de preços, o que tende a ampliar o acesso ao tratamento”. Apesar de iniciativas como o programa EuroCuida da Eurofarma, o custo mensal do tratamento de saúde regular ainda pode ultrapassar R$ 2 mil, funcionando como barreira para a maior parte da população.

Diante desse cenário, a endocrinologista Dra. Karen de Marca defendeu a incorporação da terapia no SUS para conter complicações e custos hospitalares futuros, argumentando que “a gente já conseguiu mostrar que a obesidade é uma doença crônica. Agora, precisamos deixar claro que o Brasil está entre os países em que ela mais cresce e que o tratamento precoce pode evitar uma série de complicações”. Ela alertou que o preço elevado empurra pacientes para o mercado ilegal, ignorando a cadeia de segurança oficial: “quem precisa do medicamento muitas vezes não consegue comprá-lo [...]. Sem acesso ao tratamento regular, essa pessoa acaba buscando alternativas fora do circuito seguro. [...] Quando você coloca um produto liberado pela Anvisa na prateleira, ele passou por toda a avaliação necessária”. Complementando a visão, a nutricionista Fernanda Scagliusi destacou que a restrição financeira compromete o suporte de uma equipe de apoio, sustentando que “o acompanhamento multidisciplinar é essencial para manter os resultados a longo prazo. [...] Eu não acredito que a gente tenha hoje um tratamento que contemple isso, nem nos serviços mais caros”. Para a professora, a verdadeira democratização exige enfrentar a gordofobia e mudar condições estruturais de vida: “quando a gente fala de democratização, está falando de autonomia, escolhas e possibilidades. [...] Se eu não mexer nas produções, na escala 6x1, na misoginia e das estruturas, eu estou falando para uma bolha e responsabilizando o paciente”.

As duas últimas mesas de debate jogaram luz sobre os desdobramentos de estilo de vida, bem-estar e mercado. No Painel 3, ‘Beleza: O que muda na pele, no cabelo e no espelho’, discutiu-se a flacidez de pele relatada por 82% dos pacientes em tratamento com medicamentos à base de GLP-1, além de efeitos frequentes como queda de cabelo, alterações cutâneas e perda de gordura facial. A dermatologista Sylvia Ypiranga e a tricologista Josi Helena debateram estratégias clínicas para conter esses danos e atenuar os impactos ao espelho, dividindo espaço com a influenciadora Bárbara Bielo, que trouxe relatos sobre sua experiência pessoal com o tratamento da obesidade.

O fechamento do fórum ocorreu no Painel 4 | Comportamento: Como as canetas estão mudando o que a mulher come, veste e compra, abordando os reflexos práticos na economia e nos hábitos diários das mulheres. Pesquisas revelam que o avanço do GLP-1 pode reduzir os gastos populacionais com alimentação em 50 bilhões de dólares anuais devido à queda no consumo de ultraprocessados e à alta na procura por proteínas e alimentos funcionais. O debate contou com os insights de Marcos Laredo, sócio-diretor da KPMG no Brasil, e Monica Levandoski, consultora sênior da WGSN, que avaliaram as transformações do varejo e o fato de que 56% dos usuários aumentam a frequência de compra de vestuário após o início do tratamento. A mesa também trouxe a análise de Thais Farage, pesquisadora de consumo e gênero, enriquecendo o debate sobre as mudanças comportamentais no guarda-roupa feminino e na identidade em transição das consumidoras.



Fontes:

Kantar Ibope Media – TG BR 2025 R3 - Pessoas: Leitores Revista: Leu impresso nos últimos 6 meses + edição digital (sem sobreposição)

Kantar Ibope Media - TGI - Clickstream - TG BR 2025 R3 - Pessoas | Leu impresso + site

IVC : Revistas: Outubro/2025 (impresso + digital)

Comscore Multi-Plataform Out-Dez/2025 - Total Digital Population - Desktop and Mobile

Analytics Redes Sociais Dezembro/2025 (dados com sobreposição entre as redes)

Kantar Ibope Media – Clickstream MP TG BR 2024 R1 - Personas

 

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