A cinomose permanece como o maior desafio clínico para cães que ficam períodos longos sem imunização; raiva causa a morte de cerca de 60 mil pessoas por ano no mundo
Quando um filhote chega em casa, a vacinação costuma ser uma das
principais preocupações dos tutores. O acompanhamento veterinário é frequente,
as datas das doses iniciais são seguidas e a prevenção recebe atenção especial.
O problema surge alguns anos depois. Com o avanço da idade, muitos animais
deixam de retornar regularmente às clínicas e acabam ficando com o calendário vacinal
desatualizado, aumentando o risco de doenças graves e potencialmente fatais.
No Dia da Imunização, celebrado em 9 de junho, a WeVets, maior
grupo de saúde veterinária do Brasil, alerta para um comportamento comum entre
os tutores: a falsa percepção de que a vacinação é importante apenas durante os
primeiros meses de vida do animal.
O alerta ganha relevância diante do tamanho da população pet
brasileira, que já passa de 160 milhões de animais de estimação. Em um cenário
de convivência cada vez mais próxima entre pessoas e animais, a prevenção
torna-se uma ferramenta essencial para garantir qualidade de vida e reduzir
riscos sanitários.
“A imunização não termina após o protocolo inicial do filhote. Os reforços
periódicos são fundamentais para manter a proteção contra doenças infecciosas
potencialmente fatais. Quando o calendário deixa de ser seguido, o animal volta
a ficar suscetível a agentes que continuam circulando no ambiente. O maior
desafio que enfrentamos nos hospitais com cães adultos que passam longos
períodos sem vacinar é, sem dúvida, a cinomose. É uma doença devastadora e que
deixa sequelas neurológicas irreversíveis”, explica Mayara Gimenez, médica
veterinária na WeVets.
A
divisão técnica dos agentes vacinais
As diretrizes internacionais da World Small Animal Veterinary
Association (WSAVA) dividem a proteção entre agentes essenciais (aqueles que
todo animal deve receber devido à gravidade da doença) e complementares
(dependentes do estilo de vida). No cenário brasileiro, o tutor precisa
entender que esses componentes vêm combinados nas apresentações comerciais
disponíveis nas clínicas.
Para os cães, os agentes considerados essenciais e obrigatórios
por entidades globais são o vírus da Cinomose Canina, o Parvovírus Canino e o
Adenovírus Canino Tipo 1 e 2. Na rotina médica do país, a forma de garantir
essa proteção obrigatória é através da aplicação de vacinas múltiplas (como as
conhecidas V8 ou V10) e também da versão Puppy para os primeiros meses do
filhote. Esses imunizantes comerciais também agregam proteção contra antígenos
não-essenciais, como a Leptospirose e a Parainfluenza, otimizando o manejo
preventivo no país.
Nos gatos, os agentes essenciais obrigatórios são o Parvovírus Felino
(causador da panleucopenia), o Calicivírus Felino e o Herpesvírus Felino Tipo 1
(rinotraqueíte), que são comumente encontrados no mercado nas versões múltiplas
V4 ou V5, esta última incluindo também a proteção contra a Leucemia Viral
Felina (FeLV).
A raiva permanece como a zoonose essencial e obrigatória por lei
para ambas as espécies. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS),
cerca de 59 mil pessoas morrem anualmente em decorrência da doença no mundo,
sendo os cães sem histórico vacinal os responsáveis pela maior parte dos casos
de transmissão para humanos em países onde a enfermidade ainda circula.
O
sumiço dos felinos e o impacto financeiro
Os felinos merecem atenção especial nesse contexto. Estudos
internacionais apontam que gatos adultos costumam visitar o médico-veterinário
com menor frequência do que os cães, o que favorece o atraso nos reforços
vacinais e reduz as oportunidades de diagnóstico precoce de doenças
silenciosas.
Outro aspecto frequentemente ignorado pelos tutores é o impacto
financeiro da prevenção. O investimento anual em vacinação representa apenas
uma fração dos custos associados ao tratamento de doenças infecciosas
avançadas, que frequentemente exigem exames complexos, medicamentos de suporte,
isolamento hospitalar e internações em unidades de terapia intensiva (UTI).
“A prevenção continua sendo a estratégia mais segura para proteger
a saúde dos animais. Muitas das doenças que enfrentamos diariamente nos
hospitais poderiam ser evitadas ou ter sua gravidade significativamente
reduzida com a vacinação em dia”, acrescenta a veterinária.
A WeVets reforça que a vacinação deve sempre ser precedida por
avaliação clínica individualizada. O médico-veterinário é o profissional
responsável por verificar se o animal está perfeitamente saudável para receber
as doses e por definir o protocolo mais adequado conforme a idade, o histórico
de saúde e o estilo de vida de cada paciente.

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