domingo, 14 de junho de 2026

Reforços vacinais continuam essenciais na vida adulta dos pets

A cinomose permanece como o maior desafio clínico para cães que ficam períodos longos sem imunização; raiva causa a morte de cerca de 60 mil pessoas por ano no mundo

 

Quando um filhote chega em casa, a vacinação costuma ser uma das principais preocupações dos tutores. O acompanhamento veterinário é frequente, as datas das doses iniciais são seguidas e a prevenção recebe atenção especial. O problema surge alguns anos depois. Com o avanço da idade, muitos animais deixam de retornar regularmente às clínicas e acabam ficando com o calendário vacinal desatualizado, aumentando o risco de doenças graves e potencialmente fatais. 

No Dia da Imunização, celebrado em 9 de junho, a WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, alerta para um comportamento comum entre os tutores: a falsa percepção de que a vacinação é importante apenas durante os primeiros meses de vida do animal. 

O alerta ganha relevância diante do tamanho da população pet brasileira, que já passa de 160 milhões de animais de estimação. Em um cenário de convivência cada vez mais próxima entre pessoas e animais, a prevenção torna-se uma ferramenta essencial para garantir qualidade de vida e reduzir riscos sanitários. 

“A imunização não termina após o protocolo inicial do filhote. Os reforços periódicos são fundamentais para manter a proteção contra doenças infecciosas potencialmente fatais. Quando o calendário deixa de ser seguido, o animal volta a ficar suscetível a agentes que continuam circulando no ambiente. O maior desafio que enfrentamos nos hospitais com cães adultos que passam longos períodos sem vacinar é, sem dúvida, a cinomose. É uma doença devastadora e que deixa sequelas neurológicas irreversíveis”, explica Mayara Gimenez, médica veterinária na WeVets.
 

A divisão técnica dos agentes vacinais 

As diretrizes internacionais da World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) dividem a proteção entre agentes essenciais (aqueles que todo animal deve receber devido à gravidade da doença) e complementares (dependentes do estilo de vida). No cenário brasileiro, o tutor precisa entender que esses componentes vêm combinados nas apresentações comerciais disponíveis nas clínicas. 

Para os cães, os agentes considerados essenciais e obrigatórios por entidades globais são o vírus da Cinomose Canina, o Parvovírus Canino e o Adenovírus Canino Tipo 1 e 2. Na rotina médica do país, a forma de garantir essa proteção obrigatória é através da aplicação de vacinas múltiplas (como as conhecidas V8 ou V10) e também da versão Puppy para os primeiros meses do filhote. Esses imunizantes comerciais também agregam proteção contra antígenos não-essenciais, como a Leptospirose e a Parainfluenza, otimizando o manejo preventivo no país. 

Nos gatos, os agentes essenciais obrigatórios são o Parvovírus Felino (causador da panleucopenia), o Calicivírus Felino e o Herpesvírus Felino Tipo 1 (rinotraqueíte), que são comumente encontrados no mercado nas versões múltiplas V4 ou V5, esta última incluindo também a proteção contra a Leucemia Viral Felina (FeLV). 

A raiva permanece como a zoonose essencial e obrigatória por lei para ambas as espécies. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 59 mil pessoas morrem anualmente em decorrência da doença no mundo, sendo os cães sem histórico vacinal os responsáveis pela maior parte dos casos de transmissão para humanos em países onde a enfermidade ainda circula.
 

O sumiço dos felinos e o impacto financeiro

Os felinos merecem atenção especial nesse contexto. Estudos internacionais apontam que gatos adultos costumam visitar o médico-veterinário com menor frequência do que os cães, o que favorece o atraso nos reforços vacinais e reduz as oportunidades de diagnóstico precoce de doenças silenciosas. 

Outro aspecto frequentemente ignorado pelos tutores é o impacto financeiro da prevenção. O investimento anual em vacinação representa apenas uma fração dos custos associados ao tratamento de doenças infecciosas avançadas, que frequentemente exigem exames complexos, medicamentos de suporte, isolamento hospitalar e internações em unidades de terapia intensiva (UTI). 

“A prevenção continua sendo a estratégia mais segura para proteger a saúde dos animais. Muitas das doenças que enfrentamos diariamente nos hospitais poderiam ser evitadas ou ter sua gravidade significativamente reduzida com a vacinação em dia”, acrescenta a veterinária.

A WeVets reforça que a vacinação deve sempre ser precedida por avaliação clínica individualizada. O médico-veterinário é o profissional responsável por verificar se o animal está perfeitamente saudável para receber as doses e por definir o protocolo mais adequado conforme a idade, o histórico de saúde e o estilo de vida de cada paciente.


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