O
avanço de desafios virais nas redes sociais, que muitas vezes incentivam
comportamentos de risco, tem acendido um alerta vermelho entre especialistas em
saúde e educação. Diante de casos recentes de adolescentes que sofreram danos
físicos e emocionais graves por pressão digital, a psicóloga, neuropsicóloga e
educadora parental, Sarah Rebeca Barreto, destaca a urgência de um
monitoramento ativo e de uma nova postura na orientação doméstica e escolar.
Pesquisas recentes indicam a gravidade do cenário. Dados da Agência Brasil e do
Governo Federal apontam que desafios virtuais foram responsáveis por pelo menos
56 mortes de jovens no país na última década. Além disso, levantamentos do IBGE
(2026) revelam que cerca de 43,4% das meninas e 20,5% dos meninos em idade
escolar já tiveram vontade de se machucar de propósito, evidenciando uma
vulnerabilidade que é amplificada pelo ambiente digital.
O Papel da Escola e das Famílias
Para a psicóloga, o combate a esses riscos não deve ser isolado. É fundamental
que escola e família atuem em conjunto. Enquanto a escola deve ser um ambiente
de observação e contenção de práticas de bullying e ações perigosas, os pais
precisam estabelecer uma base de confiança que vá além da restrição
tecnológica.
"O bullying e qualquer interação que coloque em risco a integridade física
e mental do adolescente devem ser contidos imediatamente. Não se trata apenas
de 'coisa de criança', mas de violações que podem ter consequências
irreversíveis para o desenvolvimento cerebral e emocional", reforça a
neuropsicóloga.
Para a proteção dos jovens, a especialista elenca pontos cruciais que devem ser
adotados pelos responsáveis no dia a dia. O estabelecimento de um diálogo aberto
é o primeiro passo, criando um canal onde o adolescente se sinta seguro para
relatar pressões de grupo sem o medo imediato de punições. Somado a isso, é
indispensável a observação atenta de sinais como mudanças súbitas de humor,
isolamento excessivo, queda no rendimento escolar ou marcas físicas
inexplicáveis, além disso, deve-se incentivar o estímulo à visão crítica sobre
a busca por aceitação digital. Por fim, é fundamental que os pais unam o
controle parental ao ensino do uso seguro e ético das redes.
Acompanhamento Profissional
Sarah Rebeca Barreto enfatiza que, em muitos casos, o suporte familiar e
escolar precisa ser complementado por intervenção especializada. O
acompanhamento terapêutico atua na regulação emocional do jovem, ajudando-o a
lidar com a pressão de grupo e a construir uma autoestima sólida que não
dependa de validações externas perigosas.
"A complexidade desses desafios exige que pais, educadores e profissionais
de saúde falem a mesma língua. Ter um amplo acompanhamento em casos como estes
é a única forma de garantir que o adolescente processe o trauma e recupere seu
bem-estar, evitando que a curiosidade digital se transforme em situações
irreversíveis", finaliza a psicóloga.
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