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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Útero além da maternidade: especialista alerta para dores silenciosas e sangramentos anormais

Muitas mulheres ainda associam o útero ao próprio valor feminino; médico explica quando sintomas podem indicar endometriose, adenomiose ou até necessidade de retirada do órgão

 

Embora faça parte da saúde feminina desde a adolescência, o útero ainda é cercado por tabus e desinformação. Para muitas mulheres, o órgão continua sendo associado à feminilidade, maternidade e até ao próprio valor pessoal, o que torna delicado o debate sobre doenças ginecológicas e a retirada do útero. 

Segundo o ginecologista e obstetra da Clínica Ginelife e diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), Dr. Marcos Tcherniakovsky, muitas pacientes convivem com dores intensas e alterações menstruais por anos sem buscar ajuda especializada. “Para muitas mulheres, a presença do útero representa a feminilidade e até o seu valor pessoal. Por isso, ainda precisamos falar sobre saúde ginecológica de forma multidisciplinar, considerando também o impacto emocional dessas condições”, destaca o especialista. 

Entre os principais sinais de alerta estão sangramentos intensos, dores incapacitantes, aumento abdominal e desconfortos pélvicos persistentes. Apesar dos sintomas parecidos, diferentes doenças podem estar associadas ao quadro. 

Na endometriose, o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir outros órgãos e causar dor crônica e infertilidade. Já na adenomiose, esse tecido invade a musculatura uterina, provocando fluxo menstrual intenso e cólicas fortes, além disso, a paciente pode apresentar mais de uma condição ao mesmo tempo. Os miomas uterinos também podem causar sangramentos e aumento abdominal, sinais que devem ser investigados. 

“O útero é um órgão de grande importância para a saúde física e emocional da mulher, por isso, sempre que possível, priorizamos abordagens conservadoras. No entanto, em casos de dores intensas, sangramentos persistentes e comprometimento da qualidade de vida, especialmente quando a paciente não deseja mais engravidar, a histerectomia pode ser considerada uma alternativa segura e eficaz. Essa decisão deve ser tomada de forma individualizada, com diálogo, acolhimento e total esclarecimento da paciente”, explica o Dr. Marcos. 

Segundo estudos científicos, a retirada apenas do útero não interfere biologicamente na vida sexual da mulher, mas quando os ovários também precisam ser removidos pode haver necessidade de reposição hormonal. “Conhecer o próprio corpo é o primeiro passo para cuidar da saúde. Sentir dor não é normal”, finaliza o médico. 



Dr. Marcos Tcherniakovsky – Ginecologista e Obstetra – Especialista em Endometriose e Vídeo-endoscopia Ginecológica (Histeroscopia e Laparoscopia). É Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose. Médico Responsável pelo Setor de Vídeo-endoscopia Ginecológica e Endometriose da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC. Membro da comissão de especialidades na área de Endometriose pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Médico Responsável da Clínica Ginelife. Instagram: dr.marcostcher


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