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quinta-feira, 7 de maio de 2026

A escola precisa estar pronta para casos de anafilaxia


RBA-ASBAI aponta que 42% dos casos foram provocados por alimentos 

Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) realiza, entre 11 e 17 de maio, a Campanha Nacional de Conscientização sobre Alergia Alimentar, com o tema “Anafilaxia não espera. A escola precisa estar pronta”. A iniciativa destaca a importância da preparação das instituições de ensino para prevenção, identificação e manejo adequado de reações alérgicas, especialmente da anafilaxia — a reação alérgica mais grave, de início rápido e potencialmente fatal.  

A alergia alimentar envolve toda a comunidade escolar. Professores, merendeiras, cantina, gestores, colegas e famílias desempenham papel essencial na promoção de um ambiente seguro. “Segurança alimentar no ambiente escolar não é responsabilidade apenas do aluno. A escola é um espaço fundamental para formação de hábitos saudáveis e seguros, e por isso é necessário adotar uma série de cuidados”, esclarece a Dra. Jackeline Motta Franco, coordenadora do Departamento Científico de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).  

Não compartilhar lanche sem orientação, identificar alunos com alergia alimentar, capacitar professores e equipes para reconhecer sinais iniciais de reação alérgica e estabelecer práticas rigorosas na cantina e cozinha para evitar contato cruzado são importantes medidas que a instituição de ensino precisa adotar.  

“Quando toda a escola conhece os cuidados relacionados à alergia alimentar, previnem-se acidentes, protege-se a saúde e fortalece-se um ambiente mais acolhedor para todos”, enfatiza Dra. Jackeline, da ASBAI. 

 

Anafilaxia: Reação alérgica multissistêmica e grave, a anafilaxia pode ser fatal quando não identificada e tratada rapidamente com adrenalina. Segundo a Dra. Marisa Rosimeire Ribeiro, coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da ASBAI, os principais gatilhos incluem alimentos, medicamentos, ferroadas de insetos e látex.  

Os sintomas podem acometer pele e mucosas (coceira, inchaço e vermelhidão), vias respiratórias (sufocamento, chiado, tosse), sistema gastrointestinal (náuseas, vômitos, cólicas), sistema cardiovascular (queda de pressão, desmaio, arritmias) e sistema neurológico (tontura, confusão, sensação de morte iminente).  

Mesmo quando os primeiros socorros são realizados corretamente, ou seja, com a aplicação da adrenalina autoinjetável, as etapas seguintes são fundamentais para reduzir riscos de recorrência e complicações:  

·         Encaminhamento imediato ao serviço de emergência, especialmente em casos de anafilaxia, devido ao risco de reação bifásica horas após a primeira manifestação.   

·         Comunicação rápida com os responsáveis e registro completo do evento.   

·         Avaliação por alergista/imunologista para investigação do fator causal e orientação de acompanhamento.   

·         Elaboração ou revisão do Plano de Ação para reações alérgicas, com alimentos a serem evitados e condutas claras conforme os sintomas.   

“O treinamento da equipe escolar sobre sinais de anafilaxia, tratamento, acesso a medicações, leitura de rótulos, prevenção de contato cruzado e o suporte psicológico nos casos em que o episódio gera ansiedade alimentar ou medo, completam a lista de medidas essenciais nos casos de alergia grave, como anafilaxia”, comenta Dra. Marisa, da ASBAI. 

 

A falta da adrenalina autoinjetável - O Brasil ainda não tem a adrenalina autoinjetável, que só pode ser adquirida por importação, a um custo alto.  

 

“A adrenalina autoinjetável é o medicamento de urgência, precisa ser aplicado assim que os sinais da anafilaxia começam. A demora na medicação pode levar a pessoa a óbito, sem tempo mesmo para chegar ao pronto-atendimento”, explica a Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da ASBAI.  

 

Existem dois projetos de lei apoiados pela ASBAI e em tramitação no Congresso que são de fundamental importância para os pacientes com anafilaxia. O PL 1945/21 discorre sobre a Notificação Obrigatória que permitirá coletar dados oficiais sobre anafilaxia, entender sua prevalência e impactos, e fundamentar políticas públicas eficazes.  

 

“Já o PL 85/24 dispõe sobre fornecimento gratuito da caneta de adrenalina auto injetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de modo a permitir o acesso rápido e autônomo ao tratamento, especialmente em ambientes domésticos e escolares, sem depender exclusivamente de atendimento hospitalar”, explica a presidente da ASBAI.  

 

Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI) - Apesar da gravidade, a anafilaxia ainda é subdiagnosticada no Brasil, dificultando o mapeamento real dos casos. Para ampliar o conhecimento sobre a anafilaxia e orientar políticas públicas, a ASBAI criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI), uma iniciativa pioneira no país. 

 

Até o momento, o registro que conta com 318 pacientes, dos quais 163 são mulheres, aponta que 42,1% foram desencadeados por alimentos, sendo os principais leite de vaca (12,9%), mariscos (6,9%), ovo (5,6%), trigo (3,1%) e amendoim (3,1%). Os medicamentos foram a causa de 32,4% dos casos, sendo os agentes biológicos (10,4%), anti-inflamatórios (7,2%) e antibióticos (3,8%). Já os insetos causaram 23,9% das anafilaxias, com destaque para formigas (8,4%). Anafilaxia ao látex foi registrada em 11 casos.  



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